{"id":188103,"date":"2020-09-14T08:02:03","date_gmt":"2020-09-14T11:02:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=188103"},"modified":"2020-09-14T08:02:03","modified_gmt":"2020-09-14T11:02:03","slug":"nova-especie-de-cupim-e-descoberta-no-cariri-paraibano-por-pesquisador-da-ufpb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/09\/14\/nova-especie-de-cupim-e-descoberta-no-cariri-paraibano-por-pesquisador-da-ufpb\/","title":{"rendered":"Nova esp\u00e9cie de cupim \u00e9 descoberta no Cariri paraibano por pesquisador da UFPB"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma nova esp\u00e9cie de cupim foi descoberta na regi\u00e3o do Cariri paraibano pelo professor Alexandre Vasconcellos, do Departamento de Sistem\u00e1tica e Ecologia da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), em parceria com o pesquisador Rudolf H. Scheffrahn, da University of Florida.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a UFPB, a nova esp\u00e9cie \u00e9 a Tauritermes bandeirai, identificada nas cidades de S\u00e3o Jo\u00e3o do Cariri e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Cordeiros e no distrito de S\u00e3o Jos\u00e9 da Mata, em Campina Grande. Eles levaram cerca de cinco anos para realizar a coleta e descri\u00e7\u00e3o do novo cupim.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Alexandre Vasconcellos, a esp\u00e9cie j\u00e1 havia sido coletada na d\u00e9cada de 70, na Bahia, mas n\u00e3o chegou a ser estudada. Por\u00e9m, s\u00f3 depois das coletas em solo paraibano que foi poss\u00edvel estabelecer o status de \u201cesp\u00e9cie nova\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi a partir do ac\u00famulo de coletas em \u00e1reas de Caatinga na Para\u00edba que foi vi\u00e1vel determinar que a esp\u00e9cie era nova para a ci\u00eancia. Antes s\u00f3 havia uma coleta na Bahia, mas ningu\u00e9m conseguiu determinar o status de esp\u00e9cie nova\u201d, explicou Alexandre.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o estudo, no estado da Para\u00edba, existem cerca de 60 esp\u00e9cies de cupins, a maioria est\u00e1 na Mata Atl\u00e2ntica, no litoral, ou em \u00e1reas de Brejo, como no munic\u00edpio de Areia. \u201cH\u00e1 uma \u00e1rea no munic\u00edpio de S\u00e3o Jos\u00e9 da Lagoa Tapada, conhecida como Serra de Santa Catarina, que possui a maior biodiversidade de cupins j\u00e1 registrada na Caatinga, at\u00e9 o presente momento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador, o novo cupim vai ajudar a descrever n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade do Nordeste, mas do Brasil. \u201cA descoberta nos mostra que ainda sabemos muito pouco sobre a biodiversidade dos ecossistemas. Ainda h\u00e1 muitas outras esp\u00e9cies desconhecidas e talvez algumas com grande potencial farmacol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A esp\u00e9cie descoberta \u00e9 similar a cupins de madeira seca, que vivem nos m\u00f3veis de resid\u00eancias e que, de tempos em tempos, libera gr\u00e2nulos no ch\u00e3o, parecidos com areia. Mesmo sendo desse grupo de cupins, a nova esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 considerada praga, pelo contr\u00e1rio, vive no interior de madeiras mortas, na Caatinga e Mata Atl\u00e2ntica, e \u00e9 muito importante para a ciclagem dos seus nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor da UFPB tamb\u00e9m informou que todos os seres vivos, n\u00e3o importando o tamanho ou a beleza, quando em seus ecossistemas naturais, possuem um valor intr\u00ednseco e um direito \u00e0 vida, igualmente ao dos humanos. Esse valor s\u00f3 passa realmente a existir quando uma esp\u00e9cie nova \u00e9 descrita para a sociedade, deixando de ser \u201can\u00f4nima\u201d. Nesse momento, caso a esp\u00e9cie esteja em risco de extin\u00e7\u00e3o, medidas de prote\u00e7\u00e3o podem ser legalmente tomadas para evitar o seu desaparecimento do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma esp\u00e9cie descrita traz consigo uma grande quantidade de compostos qu\u00edmicos que podem ser exclusivos e com potencial para a farmacologia e biotecnologia. Por isso, as queimadas e os desmatamentos desenfreados de ecossistemas, como no Pantanal e na Floresta Amaz\u00f4nica, podem levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que ainda nem conhecemos e, com isso, podemos tamb\u00e9m perder subst\u00e2ncias que poderiam ser muito \u00fateis para a humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre ressalta que nos estudos de novas descobertas, as esp\u00e9cies s\u00e3o coletadas nos seus ambientes naturais e depois cuidadosamente analisadas em laborat\u00f3rio, sob microsc\u00f3pio. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, as caracter\u00edsticas anat\u00f4micas dos indiv\u00edduos s\u00e3o comparadas com as das esp\u00e9cies conhecidas pela ci\u00eancia, o que pode demorar anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, os pesquisadores podem chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que se trata de uma esp\u00e9cie conhecida ou de uma nova, tendo em vista a quantidade de diferen\u00e7as encontradas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s esp\u00e9cies conhecidas. Se realmente for uma esp\u00e9cie nova, um artigo cient\u00edfico deve ser redigido e posteriormente publicado em revista cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova esp\u00e9cie foi descrita em homenagem a Adelmar Gomes Bandeira (in memoriam), ex-docente da UFPB e principal respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do doutorado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas-Zoologia da federal paraibana. Em sua carreira, se tornou o primeiro pesquisador a estudar sobre a ecologia desses insetos nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da Tauritermes bandeirai, mais duas esp\u00e9cies foram descritas em sua homenagem: a Ruptitermes bandeirai e a Amitermes bandeirai. Isso demonstra o quanto ele era respeitado pelos pesquisadores da sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Sem contar que fui seu ex-aluno\u201d, lembrou o professor.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Nova esp\u00e9cie de cupim \u00e9 descoberta no Cariri paraibano por pesquisador da UFPB<\/h1>\n\n\n\n<p>Uma nova esp\u00e9cie de cupim foi descoberta na regi\u00e3o do Cariri paraibano pelo professor Alexandre Vasconcellos, do Departamento de Sistem\u00e1tica e Ecologia da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), em parceria com o pesquisador Rudolf H. Scheffrahn, da University of Florida.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a UFPB, a nova esp\u00e9cie \u00e9 a Tauritermes bandeirai, identificada nas cidades de S\u00e3o Jo\u00e3o do Cariri e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Cordeiros e no distrito de S\u00e3o Jos\u00e9 da Mata, em Campina Grande. Eles levaram cerca de cinco anos para realizar a coleta e descri\u00e7\u00e3o do novo cupim.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Alexandre Vasconcellos, a esp\u00e9cie j\u00e1 havia sido coletada na d\u00e9cada de 70, na Bahia, mas n\u00e3o chegou a ser estudada. Por\u00e9m, s\u00f3 depois das coletas em solo paraibano que foi poss\u00edvel estabelecer o status de \u201cesp\u00e9cie nova\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi a partir do ac\u00famulo de coletas em \u00e1reas de Caatinga na Para\u00edba que foi vi\u00e1vel determinar que a esp\u00e9cie era nova para a ci\u00eancia. Antes s\u00f3 havia uma coleta na Bahia, mas ningu\u00e9m conseguiu determinar o status de esp\u00e9cie nova\u201d, explicou Alexandre.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o estudo, no estado da Para\u00edba, existem cerca de 60 esp\u00e9cies de cupins, a maioria est\u00e1 na Mata Atl\u00e2ntica, no litoral, ou em \u00e1reas de Brejo, como no munic\u00edpio de Areia. \u201cH\u00e1 uma \u00e1rea no munic\u00edpio de S\u00e3o Jos\u00e9 da Lagoa Tapada, conhecida como Serra de Santa Catarina, que possui a maior biodiversidade de cupins j\u00e1 registrada na Caatinga, at\u00e9 o presente momento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador, o novo cupim vai ajudar a descrever n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade do Nordeste, mas do Brasil. \u201cA descoberta nos mostra que ainda sabemos muito pouco sobre a biodiversidade dos ecossistemas. Ainda h\u00e1 muitas outras esp\u00e9cies desconhecidas e talvez algumas com grande potencial farmacol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A esp\u00e9cie descoberta \u00e9 similar a cupins de madeira seca, que vivem nos m\u00f3veis de resid\u00eancias e que, de tempos em tempos, libera gr\u00e2nulos no ch\u00e3o, parecidos com areia. Mesmo sendo desse grupo de cupins, a nova esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 considerada praga, pelo contr\u00e1rio, vive no interior de madeiras mortas, na Caatinga e Mata Atl\u00e2ntica, e \u00e9 muito importante para a ciclagem dos seus nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor da UFPB tamb\u00e9m informou que todos os seres vivos, n\u00e3o importando o tamanho ou a beleza, quando em seus ecossistemas naturais, possuem um valor intr\u00ednseco e um direito \u00e0 vida, igualmente ao dos humanos. Esse valor s\u00f3 passa realmente a existir quando uma esp\u00e9cie nova \u00e9 descrita para a sociedade, deixando de ser \u201can\u00f4nima\u201d. Nesse momento, caso a esp\u00e9cie esteja em risco de extin\u00e7\u00e3o, medidas de prote\u00e7\u00e3o podem ser legalmente tomadas para evitar o seu desaparecimento do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma esp\u00e9cie descrita traz consigo uma grande quantidade de compostos qu\u00edmicos que podem ser exclusivos e com potencial para a farmacologia e biotecnologia. Por isso, as queimadas e os desmatamentos desenfreados de ecossistemas, como no Pantanal e na Floresta Amaz\u00f4nica, podem levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que ainda nem conhecemos e, com isso, podemos tamb\u00e9m perder subst\u00e2ncias que poderiam ser muito \u00fateis para a humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre ressalta que nos estudos de novas descobertas, as esp\u00e9cies s\u00e3o coletadas nos seus ambientes naturais e depois cuidadosamente analisadas em laborat\u00f3rio, sob microsc\u00f3pio. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, as caracter\u00edsticas anat\u00f4micas dos indiv\u00edduos s\u00e3o comparadas com as das esp\u00e9cies conhecidas pela ci\u00eancia, o que pode demorar anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, os pesquisadores podem chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que se trata de uma esp\u00e9cie conhecida ou de uma nova, tendo em vista a quantidade de diferen\u00e7as encontradas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s esp\u00e9cies conhecidas. Se realmente for uma esp\u00e9cie nova, um artigo cient\u00edfico deve ser redigido e posteriormente publicado em revista cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova esp\u00e9cie foi descrita em homenagem a Adelmar Gomes Bandeira (in memoriam), ex-docente da UFPB e principal respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do doutorado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas-Zoologia da federal paraibana. Em sua carreira, se tornou o primeiro pesquisador a estudar sobre a ecologia desses insetos nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da Tauritermes bandeirai, mais duas esp\u00e9cies foram descritas em sua homenagem: a Ruptitermes bandeirai e a Amitermes bandeirai. Isso demonstra o quanto ele era respeitado pelos pesquisadores da sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. 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