{"id":189143,"date":"2020-09-21T07:51:14","date_gmt":"2020-09-21T10:51:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=189143"},"modified":"2020-09-21T07:51:14","modified_gmt":"2020-09-21T10:51:14","slug":"nenhuma-vacina-existente-ou-em-teste-vai-baguncar-o-seu-genoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/09\/21\/nenhuma-vacina-existente-ou-em-teste-vai-baguncar-o-seu-genoma\/","title":{"rendered":"Nenhuma vacina, existente ou em teste, vai bagun\u00e7ar o seu genoma"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Mesmo as que incluem material gen\u00e9tico viral foram projetadas para minimizar as possibilidades de intera\u00e7\u00e3o desse material com o genoma das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mas, antes de mais nada, \u00e9 preciso desmistificar o que pode significar isso. A quest\u00e3o \u00e9 que a gente est\u00e1 sujeito a uma chuva de DNA externo o tempo inteiro, e o organismo lida com esse material gen\u00e9tico ex\u00f3geno sempre&#8221;, diz o virologista Fl\u00e1vio da Fonseca, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e do centro de pesquisas CT-Vacinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bact\u00e9rias e certos tipos de invasores virais, como os retrov\u00edrus, por vezes transferem sua informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para o DNA de seus hospedeiros, com efeitos que podem ser negativos, neutros ou mesmo positivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o passar de milh\u00f5es de anos, esses trechos de DNA podem at\u00e9 virar &#8220;f\u00f3sseis&#8221; incrustados no genoma humano. Estima-se que algo entre 1% e 5% do material gen\u00e9tico da esp\u00e9cie humana seja formado pelos chamados retrov\u00edrus end\u00f3genos, ou seja, informa\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria viral que passou por esse processo de incorpora\u00e7\u00e3o a partir de antigos retrov\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria deles n\u00e3o parece ter efeito nenhum no organismo, mas acredita-se que retrov\u00edrus end\u00f3genos ajudaram na evolu\u00e7\u00e3o da placenta, a bolsa protetora dos fetos que se forma durante a gesta\u00e7\u00e3o na maioria dos mam\u00edferos. Nesse caso, a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica deles foi &#8220;reciclada&#8221; e reutilizada pelos ancestrais dos mam\u00edferos atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os v\u00edrus que causam doen\u00e7as hoje dependem da capacidade de induzir as c\u00e9lulas que invadem a usar os genes virais (os quais podem ser formados por DNA ou por uma mol\u00e9cula aparentada a ele, o RNA) a produzir novas c\u00f3pias dos pr\u00f3prios v\u00edrus. As c\u00e9lulas humanas infectadas funcionam, grosso modo, como uma f\u00e1brica dominada por rob\u00f4s que passa a produzir mais rob\u00f4s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto a maior parte desses invasores virais (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos retrov\u00edrus, que incluem parasitas como o HIV, causador da Aids) n\u00e3o precisa modificar o genoma das c\u00e9lulas humanas para conseguir isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto as vacinas baseadas no pr\u00f3prio coronav\u00edrus inativado (in\u00f3cuo), como a que est\u00e1 sendo testada por uma empresa chinesa em parceria com o Instituto Butantan (SP), n\u00e3o trazem esse risco \u2013os coronav\u00edrus n\u00e3o agem como os retrov\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais ou menos a mesma coisa vale para vacinas que est\u00e3o usando vetores virais \u2013ou seja, v\u00edrus geneticamente modificados para carregar um pequeno trecho do material gen\u00e9tico do coronav\u00edrus, feito de RNA. \u00c9 o caso da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, que tamb\u00e9m est\u00e1 sendo testada no Brasil, e a vacina russa, Sputnik V.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esses v\u00edrus em geral s\u00e3o desenhados para serem n\u00e3o replicativos, ou seja, n\u00e3o fecham o ciclo de produ\u00e7\u00e3o de novas c\u00f3pias virais&#8221;, explica Fonseca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, outra abordagem, testada por institutos de pesquisa e empresas nos EUA, envolve o uso do RNA do v\u00edrus. Esse tipo de abordagem, embora ainda n\u00e3o tenha chegado a produzir vacinas comerciais, teoricamente seria ainda mais seguro, porque as mol\u00e9culas de RNA, que s\u00e3o usadas pela c\u00e9lula como &#8220;receita&#8221; para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, s\u00e3o facilmente &#8220;desmontadas&#8221; pelo organismo e n\u00e3o fazem parte do genoma localizado no n\u00facleo da c\u00e9lula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que a presen\u00e7a delas levasse a altera\u00e7\u00f5es no genoma, seria preciso um maquin\u00e1rio molecular especializado que fizesse uma vers\u00e3o do RNA em formato de DNA e o inserisse dentro do material gen\u00e9tico humano \u2013de novo, algo que simplesmente n\u00e3o ocorre espontaneamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As vacinas nunca s\u00e3o projetadas para isso. Seu papel \u00e9 induzir imunidade, que \u00e9 um objetivo completamente diferente&#8221;, diz o pesquisador da UFMG.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo as que incluem material gen\u00e9tico viral foram projetadas para minimizar as possibilidades de intera\u00e7\u00e3o desse material com o genoma das pessoas. &#8220;Mas, antes de&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":189144,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,16],"tags":[],"class_list":["post-189143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=189143"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":189145,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189143\/revisions\/189145"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/189144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=189143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=189143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=189143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}