{"id":193633,"date":"2020-10-26T06:32:26","date_gmt":"2020-10-26T09:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=193633"},"modified":"2020-10-26T06:32:26","modified_gmt":"2020-10-26T09:32:26","slug":"pandemia-tornou-prisao-ainda-mais-ardua-para-mulheres-diz-pesquisa-da-ufpb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/10\/26\/pandemia-tornou-prisao-ainda-mais-ardua-para-mulheres-diz-pesquisa-da-ufpb\/","title":{"rendered":"Pandemia tornou pris\u00e3o ainda mais \u00e1rdua para mulheres, diz pesquisa da UFPB"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisa desenvolvida pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), na Penitenci\u00e1ria de Recupera\u00e7\u00e3o Feminina Maria Julia Maranh\u00e3o, no bairro de Mangabeira, em Jo\u00e3o Pessoa, revela que a pandemia do novo coronav\u00edrus tornou a pris\u00e3o ainda mais \u00e1rdua para as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00danicos aspectos humanizados da pena, a suspens\u00e3o da visita dos filhos e da entrega de presentes pelas av\u00f3s maternas aos domingos, devido \u00e0s medidas de biosseguran\u00e7a, endureceu o encarceramento das mulheres nesta quarentena.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora N\u00fabia Guedes, respons\u00e1vel pelo estudo, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Fl\u00e1via Pires, se a pris\u00e3o para as mulheres j\u00e1 era uma experi\u00eancia mais dif\u00edcil do que para os homens por causa da maternidade, com a pandemia, todos os problemas sociais dessas mulheres recrudesceram.<\/p>\n\n\n\n<p>Na linguagem das encarceradas, \u201ca mulher, quando \u00e9 m\u00e3e, tira duas cadeias&#8221;. \u201cAs presas sofrem por estarem sem suas fam\u00edlias, que s\u00e3o matrifocais, ou seja, caracterizadas pelo fato de a mulher constituir o alicerce financeiro e afetivo. Nessa configura\u00e7\u00e3o familiar, a paternidade \u00e9 algo ausente por diversos motivos, tais como abandono, pais presos ou mortos\u201d, conta a pesquisadora da UFPB.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo N\u00fabia Guedes, que estuda o tema h\u00e1 mais de dois anos, as presas s\u00e3o amorosas com seus filhos. Em suas fam\u00edlias, a av\u00f3 materna \u00e9 o esteio, porque cria os netos mesmo antes do evento da pris\u00e3o. S\u00e3o chamadas de \u201cmainha\u201d, de \u201cm\u00e3ezinha\u201d ou de \u201cmam\u00e3e\u201d. Muitas vezes, m\u00e3es e av\u00f3s maternas se confundem.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutoranda do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da federal paraibana, as mulheres presas, em sua maioria, n\u00e3o t\u00eam visita \u00edntima, fato motivado por abandono ou porque seus parceiros t\u00eam conflito com a justi\u00e7a. A fila do pres\u00eddio feminino, comparada \u00e0 do masculino, \u00e9 um grande marcador para se perceber que as mulheres s\u00e3o abandonadas quando presas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00fabia Guedes relata que, de 2010 a 2019, houve um encarceramento em massa de mulheres no pa\u00eds,&nbsp;conforme dados do Infopen, sistema de informa\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas do sistema penitenci\u00e1rio brasileiro. A pol\u00edtica de drogas, nesse sentido,&nbsp; vem sendo um v\u00e9rtice de aprisionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPris\u00e3o, no Brasil, tem cor, etnia espec\u00edfica e, na atualidade, g\u00eanero. As mulheres v\u00eam sendo o grande alvo de encarceramento. Isso traz desdobramentos sociais diversos, refletidos nas crian\u00e7as. A aus\u00eancia da m\u00e3e causa sofrimento psicol\u00f3gico, problemas na hora de dormir e queixas de febre emocional\u201c, alerta a pesquisadora da UFPB.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem as visitas das crian\u00e7as por conta da pandemia, essa situa\u00e7\u00e3o deve piorar. N\u00fabia Guedes aponta que os filhos das presas n\u00e3o t\u00eam atendimento psicol\u00f3gico privado por serem pobres e n\u00e3o h\u00e1, por parte do Estado, atendimento, muito menos nas escolas p\u00fablicas em que est\u00e3o matriculadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs filhos das presas se encontram imersos no sistema prisional, sob o fundamento do exerc\u00edcio de direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, no caso dos beb\u00eas encarcerados, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao conv\u00edvio familiar, direitos esses preconizados pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente,&nbsp; pela Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, al\u00e9m de outras legisla\u00e7\u00f5es esparsas\u201d, refor\u00e7a a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>No ponto de vista de N\u00fabia Guedes, no sistema carcer\u00e1rio brasileiro, h\u00e1 uma forma err\u00f4nea de se administrar, porque considera, majoritariamente, o que pensam burocratas, gestores de grande de n\u00edveis, bachar\u00e9is e&nbsp; especialistas de diversas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs fam\u00edlias, inclusive as crian\u00e7as, devem ser ouvidas. Da\u00ed a import\u00e2ncia da antropologia para as institui\u00e7\u00f5es. Esses atores sociais (presos e fam\u00edlia) s\u00e3o invis\u00edveis para uma sociedade que sobeja vingan\u00e7a e vendetas, corroborado com os desvios de fun\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o do Estado em pol\u00edticas p\u00fablicas que envolvam essas pessoas. H\u00e1 uma escassez de pesquisas em pris\u00f5es,\u00a0 pois esses trabalhos acad\u00eamicos n\u00e3o s\u00e3o de interesse da sociedade, tampouco do poder p\u00fablico\u201d, critica a pesquisadora da UFPB.<\/p>\n\n\n\n<p>ClickPB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa desenvolvida pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), na Penitenci\u00e1ria de Recupera\u00e7\u00e3o Feminina Maria Julia Maranh\u00e3o, no bairro&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":193634,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,2],"tags":[],"class_list":["post-193633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193633"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":193635,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193633\/revisions\/193635"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=193633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=193633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}