{"id":195947,"date":"2020-11-20T09:32:29","date_gmt":"2020-11-20T12:32:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=195947"},"modified":"2020-11-20T09:32:29","modified_gmt":"2020-11-20T12:32:29","slug":"acesso-de-negros-a-escolas-cresceu-na-ultima-decada-mas-ensino-da-cultura-e-historia-afro-brasileira-ainda-e-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/11\/20\/acesso-de-negros-a-escolas-cresceu-na-ultima-decada-mas-ensino-da-cultura-e-historia-afro-brasileira-ainda-e-desafio\/","title":{"rendered":"Acesso de negros a escolas cresceu na \u00faltima d\u00e9cada, mas ensino da cultura e hist\u00f3ria afro-brasileira ainda \u00e9 desafio"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cUm dia, um pai nos procurou, chorando. Disse que o filho de 4 anos n\u00e3o queria ir para a escola, porque&nbsp;o amigo falou que n\u00e3o gosta de sentar perto de crian\u00e7a preta\u201d, afirma Humberto Baltar, professor e idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho uma aluna negra, pequena, que \u00e9 chamada de urubu pelos colegas. Outro, de macaco. Outro, tem o apelido de negresco\u201d, revela a professora Lidiane Lima, uma das 10 vencedoras do pr\u00eamio Educador Nota 10, da edi\u00e7\u00e3o de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>A educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 um direito constitucional, garantido a todos. Mas, para as crian\u00e7as negras do pa\u00eds, h\u00e1 desafios particulares que ainda precisam ser enfrentados.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora\u00a0a presen\u00e7a de negros (pretos e pardos) em escolas do pa\u00eds tenha crescido nos \u00faltimos dez anos, as\u00a0diferen\u00e7as raciais nos \u00edndices de educa\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o frequentes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Evas\u00e3o:&nbsp;<\/strong>a propor\u00e7\u00e3o de jovens de 15 a 29 anos que n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio e n\u00e3o estudavam em 2019 era&nbsp;maior entre pretos e pardos (55,4%)&nbsp;do que entre brancos (43,4%).<\/li><li><strong>Anos de estudo:&nbsp;<\/strong>pretos e pardos t\u00eam menos anos de estudo (8,6), em m\u00e9dia, se comparado aos brancos (10,4).<\/li><li><strong>Reprova\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;\u00e9&nbsp;menor a propor\u00e7\u00e3o de pretos e pardos que estudam na s\u00e9rie correta de acordo com a idade (85,8%). Entre alunos brancos, o percentual \u00e9 de 90,4%.<\/li><li><strong>Analfabetismo:<\/strong>&nbsp;a falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais frequente tamb\u00e9m entre negros. O \u00edndice daqueles que&nbsp;n\u00e3o sabem ler e escrever \u00e9 maior na popula\u00e7\u00e3o negra (8,9%), do que na branca (3,6%). Os dados s\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>H\u00e1 17 anos, a Lei 10639 foi aprovada para alterar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e incluir no curr\u00edculo a&nbsp;obrigatoriedade do ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira nas escolas p\u00fablicas e privadas do pa\u00eds. O objetivo \u00e9 resgatar a contribui\u00e7\u00e3o do negro na forma\u00e7\u00e3o do Brasil, sem restringir o tema \u00e0 escravid\u00e3o, elevando a auto-estima de alunos pretos e pardos. Embora exista h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, a lei ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente implementada nas escolas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cAinda n\u00e3o rompemos com essa imagem do indiv\u00edduo negro ora submisso, ora perigoso\u201d, afirma a doutora em Hist\u00f3ria Pol\u00edtica Iamara da Silva Viana, professora da PUC-Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente acha que exclus\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falta de acesso \u00e0 escola. Mas ela tamb\u00e9m \u00e9 operada dentro da escola. N\u00e3o \u00e9 porque tem garantia de ingresso que todos v\u00e3o se sentir inclu\u00eddos no processo. Presen\u00e7a f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de inclus\u00e3o&#8221;, afirma o professor e historiador Higor Ferreira, que pesquisa escravos, libertos e livres de cor na capital do Rio de Janeiro no s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00eddeo abaixo mostra como o racismo \u00e9 tratado nas escolas e iniciativas que buscam uma educa\u00e7\u00e3o mais inclusiva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s02.video.glbimg.com\/x240\/8661501.jpg\" alt=\"Especialistas lembram que racismo vai al\u00e9m da viol\u00eancia e agress\u00f5es verbais\" title=\"Especialistas lembram que racismo vai al\u00e9m da viol\u00eancia e agress\u00f5es verbais\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Especialistas lembram que racismo vai al\u00e9m da viol\u00eancia e agress\u00f5es verbais<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A luta do negro para ter educa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Documentos hist\u00f3ricos apontam que o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o era valorizado pelos negros, mesmo quando as leis imperiais dificultavam a aprendizagem deles.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Saber ler e escrever, ali\u00e1s, n\u00e3o era comum no Brasil Imp\u00e9rio. O\u00a0Censo de 1890, feito um ano ap\u00f3s a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, aponta que havia 14,3 milh\u00f5es de pessoas no Brasil. Entre elas, 12,2 milh\u00f5es n\u00e3o sabiam ler ou escrever.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Embora a\u00a0primeira lei sobre educa\u00e7\u00e3o do Brasil, de 1827, n\u00e3o exclua os negros \u2013 porque \u201cn\u00e3o se precisa proibir o que n\u00e3o \u00e9 corriqueiro\u201d, segundo Ferreira \u2013 outra lei, editada pela\u00a0Prov\u00edncia do Rio de Janeiro em 1837, proibia a presen\u00e7a nas escolas de &#8220;escravos e pretos africanos&#8221; e de pessoas com &#8220;mol\u00e9stias contagiosas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso demonstra que o cen\u00e1rio \u00e9 mais complexo do que se imagina. Quem tem mais propens\u00e3o a ficar com doen\u00e7a contagiosa? Comunidades mais pauperizadas, formadas por negros libertos ou filhos deles\u201d, afirma Ferreira. \u201cOs negros n\u00e3o s\u00e3o proibidos, eles podem ir \u00e0 escola, mas temos provas de que nem sempre a acolhida \u00e9 a melhor\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro deste cen\u00e1rio, houve iniciativas lideradas por negros para educar seus filhos. Uma delas \u00e9 a\u00a0escola fundada por\u00a0Pretextato dos Passos e Silva, em 1853.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dossi\u00ea feito por Pretextato, encontrado no Arquivo Nacional pela pesquisadora Adriana Silva, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), traz a informa\u00e7\u00e3o que \u201cem algumas escolas ou col\u00e9gios, os pais dos alunos de cor branca n\u00e3o querem que seus filhos ombreiem com os de cor preta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m descrevia que os alunos negros n\u00e3o tinham boa acolhida nas escolas e que ele mesmo, por ser &#8220;preto&#8221;, foi convocado pelos pais de fam\u00edlia para abrir uma \u201cpequena escola de instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, admitindo seus filhos da cor preta, e parda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ferreira tamb\u00e9m destaca exemplos de\u00a0autodidatismo, como o de Luiz Gama. &#8220;Quem ensinou Luiz Gama a ler e escrever foi um amigo, um companheiro da mesma fazenda em que ele trabalhava&#8221;, conta Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, temos relatos de senhores botando escravos para ler e escrever, pensando nesta instru\u00e7\u00e3o como &#8216;neg\u00f3cio&#8217;, porque poderia vend\u00ea-los por um pre\u00e7o maior&#8221;, afirma. &#8220;Ensino era estrat\u00e9gico, e para o cativo tamb\u00e9m era interessante, porque se ele se alforriasse, teria mais chances [de sobreviv\u00eancia]&#8221;, relata Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Racismo na educa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/0GapDxpCDHqdUgy_u50gQ6wGDII=\/0x0:5184x3456\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/2\/m\/kLGZ0pS6GBUhQB88idgg\/wayne-lee-sing-zyzzf6zsewi-unsplash.jpg\" alt=\"Racismo na escola pode estar presente at\u00e9 quando os alunos n\u00e3o escolhem o colega para brincar por causa da cor da pele, diz Humberto Baltar, professor e idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes. \u2014 Foto:  Wayne Lee-Sing \/ Unsplash\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Racismo na escola pode estar presente at\u00e9 quando os alunos n\u00e3o escolhem o colega para brincar por causa da cor da pele, diz Humberto Baltar, professor e idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes. \u2014 Foto: Wayne Lee-Sing \/ Unsplash<\/p>\n\n\n\n<p>167 anos ap\u00f3s a escola do Pretextato, em 2020 ainda h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que selecionam os estudantes pela cor de suas peles, afirma Luana Tolentino, educadora, mestre em educa\u00e7\u00e3o, autora do livro &#8220;Outra educa\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel: feminismo, antirracismo e inclus\u00e3o em sala de aula&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O racismo na escola est\u00e1 naquelas que negam matr\u00edculas para estudantes negros, na divis\u00e3o das salas, em geral, colocando estudantes negros em turmas consideradas de menor rendimento&#8221;, afirma Tolentino. &#8220;E no curr\u00edculo, que ainda \u00e9 extremamente branco e euroc\u00eantrico. Muitas vezes, na maior parte do tempo, completamente alheio e distante da realidade destes estudantes&#8221;, analisa.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Das nove escolas que pesquisei para colocar meu filho, s\u00f3 uma coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica buscava trazer a diversidade cultural para as crian\u00e7as. E eu moro no Rio, uma das cidades mais plurais do Brasil&#8221;, diz Baltar, do coletivo Pais Pretos Presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A crian\u00e7a preta n\u00e3o se v\u00ea no material, n\u00e3o se v\u00ea nas aulas, n\u00e3o se v\u00ea nas falas dos educadores, e n\u00e3o se v\u00ea nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Agora chamam de bullying, mas todo mundo sabe que \u00e9 racismo quando uma crian\u00e7a n\u00e3o tem amiguinhos no recreio por causa do seu tom de pele. Isso \u00e9 racismo estrutural&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cultura afro-brasileira na sala de aula<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/ERcDkdXcBOKHPp9dPPFZqryd5Xk=\/0x0:4032x3024\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/j\/A\/rBXzAtRVuhSoI7efvs0Q\/foto-06-08-2020-12-13-36.jpg\" alt=\"Alunos do projeto 'Eu posso ser poeta', de Lidiane Lima, uma das vencedoras do pr\u00eamio Educador Nota 10: aprender sobre cultura e hist\u00f3ria afro-brasileira muda a auto-imagem dos alunos. \u2014 Foto: Nidiacris Ribeiro\/Trupe Filmes\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Alunos do projeto &#8216;Eu posso ser poeta&#8217;, de Lidiane Lima, uma das vencedoras do pr\u00eamio Educador Nota 10: aprender sobre cultura e hist\u00f3ria afro-brasileira muda a auto-imagem dos alunos. \u2014 Foto: Nidiacris Ribeiro\/Trupe Filmes<\/p>\n\n\n\n<p>Para educadores, ensinar a hist\u00f3ria e a cultura afro-brasileira pode mudar a percep\u00e7\u00e3o dos alunos sobre si e sobre o espa\u00e7o que ocupam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Descolonizar o curr\u00edculo, para mim, \u00e9 di\u00e1rio, fa\u00e7o isso o ano todo&#8221;, afirma Lidiane Lima, professora de portugu\u00eas que foi uma das vencedoras do pr\u00eamio Educador Nota 10 de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto premiado, inclusive, trabalha com o slam (poesia perif\u00e9rica), o RAP, e a literatura afro-brasileira para estimular a auto-estima dos alunos e resgatar a identidade de suas cores. O trabalho foi desenvolvido com alunos do 6\u00ba ao 9\u00ba ano do ensino fundamental em uma escola municipal de S\u00e3o Paulo, antes da pandemia. Ao fim, os alunos publicaram um livro de poesias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O objetivo \u00e9 desconstruir o imagin\u00e1rio forjado pelo Ocidente para explicar a escravid\u00e3o, de que \u00c1frica \u00e9 formada por pessoas selvagens, sem conhecimento. E trago esculturas do povo iorub\u00e1. Por meio delas, de gravuras, e pinturas, vou reconstruindo outra historia sobre \u00c1frica. Cabe\u00e7as de if\u00e9, o retrato do imperador Mansa Mu\u00e7a, o homem mais rico que j\u00e1 existiu&#8221;, explica Lima.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;\u00c9 legal os alunos saberem que descendem de povos que eram reis e rainhas, donos de grandes imp\u00e9rios&#8221;, diz a educadora premiada.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/w5TZMBrts5WPuJ5SANnGJnk4QlU=\/0x0:4032x3024\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/l\/8\/JfrQfWQTqSV2iAENPYmQ\/foto-06-08-2020-15-19-13.jpg\" alt=\"Lidiane Lima, uma das dez vencedoras do pr\u00eamio Educador Nota 10 \u2014 Foto: Nidiacris Ribeiro\/Trupe Filmes\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Lidiane Lima, uma das dez vencedoras do pr\u00eamio Educador Nota 10 \u2014 Foto: Nidiacris Ribeiro\/Trupe Filmes<\/p>\n\n\n\n<p>Outra professora que leva o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira para dentro das salas de aula \u00e9 Catia Pereira, que d\u00e1 aulas h\u00e1 24 anos em uma escola privada em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Escolho textos de autoria negra para trabalhar em sala de aula, ou textos que tematizam a quest\u00e3o negra&#8221;, diz a professora de portugu\u00eas. Da turma de 42 alunos, somente um \u00e9 negro. &#8220;Quando a gente pensa em uma educa\u00e7\u00e3o antirracista, \u00e9 para todos, tanto para protagonistas (negros) quanto aliados (n\u00e3o negros)&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Forma\u00e7\u00e3o do professor<\/h4>\n\n\n\n<p>Para Lucimar Felisberto dos Santos, p\u00f3s-doutora em hist\u00f3ria e pesquisadora do Instituto Hoju, houve um ingresso tardio de homens negros e mulheres negras nas universidades, o que levou ao atraso nas pesquisas \u00e9tnico-raciais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando entrei na universidade, em 1997, o dado era que 2% dos universit\u00e1rios eram negros&#8221;, afirma. &#8220;Isso fez com que as pessoas negras, com for\u00e7a para sensibilizar as brancas em espa\u00e7os de decis\u00f5es pol\u00edticas, demorassem a aparecer. Quando se tem homens e mulheres negras pensando a reestrutura\u00e7\u00e3o curricular, as demandas destes setores da sociedade v\u00e3o estar l\u00e1&#8221;, defende Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O mais problem\u00e1tico \u00e9 fazer entender que a quest\u00e3o racial \u00e9 de toda uma sociedade e n\u00e3o de um grupo espec\u00edfico&#8221;, diz a p\u00f3s-doutora, que defende que professores n\u00e3o negros tamb\u00e9m abracem o ensino da cultura e hist\u00f3ria afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o percentual de alunos negros e pardos no ensino superior subiu para 38,14%, segundo o Censo do Ensino Superior, do MEC. Ainda assim, h\u00e1 desigualdades. Dos 3,2 milh\u00f5es de alunos pretos e pardos na gradua\u00e7\u00e3o em 2019, a minoria (882.977) estudava em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. A maior parte, 2,3 milh\u00f5es de alunos, estudava na rede privada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Paola Prandini, co-fundadora do AfroeducA\u00e7\u00e3o, entidade que produz a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas para a equidade racial brasileira, hoje \u00e9 raro encontrar um professor que n\u00e3o conhe\u00e7a a Lei 10639 (que prev\u00ea o ensino da cultura e hist\u00f3ria afro-brasileira nas escolas), mas a aplica\u00e7\u00e3o precisa melhorar.<\/p>\n\n\n\n<p>A entidade faz pelo terceiro ano seguido a campanha #tiraraleidopapel, com\u00a0v\u00eddeos nas redes sociais\u00a0para refletir sobre a import\u00e2ncia da aplica\u00e7\u00e3o desta legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Avan\u00e7amos em alguns pontos, como por exemplo o conhecimento em torno da lei, ou de quem fale que n\u00e3o tem acesso a material pedag\u00f3gico, porque tem muito material dispon\u00edvel hoje em dia, em v\u00e1rios formatos: YouTube, site, portal, podcast, na linguagem que quisermos imaginar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Papel das escolas<\/h4>\n\n\n\n<p>Prandini afirma que, apesar da lei 10639 e dos materiais dispon\u00edveis, ainda h\u00e1 desafios para implement\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda assim encontramos escolas em que, infelizmente, n\u00e3o se trabalha com a tem\u00e1tica [do negro na sociedade brasileira] ou trabalha restritivamente s\u00f3 nesta semana da Consci\u00eancia Negra. Isso n\u00e3o \u00e9 o que a lei determina. Ela determina que hist\u00f3rias e quest\u00f5es da cultura afro-brasileiras devam ser trabalhadas transversalmente em todas as disciplinas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A exclus\u00e3o n\u00e3o acontece de um dia para outro, ela \u00e9 constru\u00edda&#8221;, afirma Denise Carreira, coordenadora da A\u00e7\u00e3o Educativa, que luta para melhorar as rela\u00e7\u00f5es raciais nas escolas. A associa\u00e7\u00e3o desenvolveu uma metodologia gratuita, em parceria com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), para identificar o racismo nas escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;T\u00eam professores e professoras comprometidos com a luta antirracista, mas ainda precisam ser mais reconhecidos nas escolas. As secretarias de Educa\u00e7\u00e3o t\u00eam que ampliar o investimento na forma\u00e7\u00e3o do professorado&#8221;, defende Carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUm dia, um pai nos procurou, chorando. 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