{"id":197971,"date":"2020-12-08T06:34:31","date_gmt":"2020-12-08T09:34:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=197971"},"modified":"2020-12-08T06:34:31","modified_gmt":"2020-12-08T09:34:31","slug":"diplomata-e-cientista-nuclear-paraibano-ernesto-junior-e-um-dos-100-negros-mais-influentes-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/12\/08\/diplomata-e-cientista-nuclear-paraibano-ernesto-junior-e-um-dos-100-negros-mais-influentes-do-mundo\/","title":{"rendered":"Diplomata e cientista nuclear, paraibano Ernesto J\u00fanior \u00e9 um dos 100 negros mais influentes do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Paraibano, Ernesto Batista Man\u00e9 J\u00fanior, 37 anos, atua com excel\u00eancia no que se disp\u00f5e a fazer: ao longo da vida, foi gar\u00e7om, professor de ingl\u00eas, programador e pesquisador. Atualmente, concilia duas diferentes carreiras de destaque, nas quais encontrou uma intersec\u00e7\u00e3o num nicho que alia todas as suas habilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Diplomata pelo Itamaraty e cientista nuclear, o f\u00edsico pela Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) foi reconhecido como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo na \u00e1rea de pol\u00edtica e governan\u00e7a na lista Most Influential People of Africa Descent (Mipad).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 doutor em f\u00edsica nuclear pela Universidade de Manchester (Inglaterra), onde fez interc\u00e2mbio de gradua\u00e7\u00e3o; pesquisador no Cern, o maior laborat\u00f3rio de f\u00edsica de part\u00edculas do mundo, em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a; e fez dois p\u00f3s-doutorados: pelo Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Nuclear e de Part\u00edculas do Canad\u00e1 e pela Universidade Princeton, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A viv\u00eancia no exterior foi um dos fatores que o atra\u00edram para a carreira diplom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do programa de a\u00e7\u00f5es afirmativas do Itamaraty (que, com uma bolsa, apoia pessoas negras a estudar para o concurso), preparou-se para o certame por dois anos at\u00e9 aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ernesto se desfez dos dreads no cabelo pouco antes da formatura como diplomata justamente por causa do clima da capital federal, \u201cmuito quente em algumas \u00e9pocas do ano\u201d. O pai dele, de quem herdou o nome, morreu em 2014 e foi cremado no mesmo dia que Ernesto tomou posso com diplomata.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo entrar no Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, eu me mostrei aberto para trabalhar com todos os temas da pol\u00edtica brasileira e foi uma feliz coincid\u00eancia me envolver com \u00e1reas ligadas a desarmamento e n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u201d, relata. \u00c9 nessa tem\u00e1tica que ele vem se especializando nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ernesto fala ingl\u00eas, espanhol, franc\u00eas e alem\u00e3o. Como diplomata, n\u00e3o foi removido para fora do Brasil, mas fez viagens a servi\u00e7o. Um ponto alto foi viajar com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) por tr\u00eas meses, passando por pa\u00edses da Europa e da \u00c1sia, al\u00e9m de Nova York, nos EUA. Ele foi o s\u00e9timo diplomata brasileiro nomeado para participar do programa, existente desde a d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo p\u00f3s-doutorado, em Princeton, Ernesto ficou um ano, com licen\u00e7a de estudo do Itamaraty, e aprofundou os conhecimentos sobre desarmamento e capacitou-se para atuar com diplomacia nuclear. \u201cEra um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas desenhado por f\u00edsicos\u201d, descreve.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o conseguiria fazer essa pesquisa se fosse s\u00f3 f\u00edsico ou se fosse s\u00f3 diplomata. Diplomatas f\u00edsicos existem, mas, sem falsa mod\u00e9stia, n\u00e3o existem outros diplomatas com esse background de p\u00f3s-doutorado em f\u00edsica nuclear produzindo nessa \u00e1rea al\u00e9m deste que vos fala\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ra\u00edzes africanas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Filho de uma contadora e servidora p\u00fablica brasileira e de um economista e professor de Guin\u00e9-Bissau de quem herdou o nome, Ernesto passou os primeiros anos da vida morando em S\u00e3o Paulo. \u201cMinha m\u00e3e j\u00e1 tinha dois filhos, conheceu meu pai, com quem teve mais dois: eu e minha irm\u00e3. N\u00f3s quatro crescemos juntos e constitu\u00edmos o n\u00facleo familiar da minha inf\u00e2ncia\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse n\u00facleo morou no Conjunto Residencial da Universidade de S\u00e3o Paulo (Crusp), quando o pai de Ernesto foi estudar na USP. O paraibano passou por escolas p\u00fablicas e particulares com bolsas. No ensino m\u00e9dio, formou-se como t\u00e9cnico em inform\u00e1tica pelo Instituto Federal da Para\u00edba (IFPB).<\/p>\n\n\n\n<p>Professores dessa \u00e9poca e da gradua\u00e7\u00e3o na UFPB s\u00e3o mentores de Ernesto at\u00e9 hoje. Apesar de ter crescido com tr\u00eas irm\u00e3os, Ernesto tem outros, por parte de pai, em Jo\u00e3o Pessoa, em Cabo Verde e na Guin\u00e9-Bissau. Buscando aproximar-se de suas ra\u00edzes, viajou para a Guin\u00e9-Bissau, onde passou quase um m\u00eas entre 2010 e 2011. \u201cMeus av\u00f3s ainda moravam l\u00e1. Conheci duas irm\u00e3s, tios e primos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao visitar uma na\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m antiga col\u00f4nia portuguesa, Ernesto se sentiu numa viagem ao passado, como se estivesse visitando o Brasil p\u00f3s-independ\u00eancia. \u201c\u00c9 um pa\u00eds que foi col\u00f4nia por mais tempo e sofre at\u00e9 hoje, de maneira mais recente e aguda, os efeitos do colonialismo\u201d, conta. Foi a primeira vez dele na \u00c1frica e gerou muitas reflex\u00f5es. Ernesto fez um di\u00e1rio de viagem detalhado sobre a experi\u00eancia que est\u00e1 sendo transformada em livro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Racismo fora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o doutorado no Reino Unido, ele precisava fazer constantes viagens ao Cern, na fronteira entre a Fran\u00e7a e a Su\u00ed\u00e7a. \u201cOs oficiais de imigra\u00e7\u00e3o ficavam desconfiados sobre o porqu\u00ea de eu ficar entrando e saindo do Reino Unido. N\u00e3o acreditavam na minha hist\u00f3ria de ser um f\u00edsico pesquisador\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fronteira entre a Su\u00ed\u00e7a e a Fran\u00e7a, foi confundido com um traficante na abordagem por um oficial franc\u00eas. \u201cSe eu fosse uma pessoa com fen\u00f3tipo caucasiano, ele n\u00e3o teria demonstrado o mesmo tratamento\u201d, percebe.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Vancouver, no Canad\u00e1, ao retornar de viagem para a Guin\u00e9-Bissau, tamb\u00e9m foi abordado de um modo diferente. O racismo permeava outros contextos. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel dizer que a cor da minha pele n\u00e3o influenciava a maneira como eu me relacionava com as pessoas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu vivi e vivo num misto entre a meritocracia e o racismo. Sou reconhecido por v\u00e1rias pessoas, mas isso n\u00e3o significa que as pessoas com que me relacionei n\u00e3o tinham um vi\u00e9s negativo por causa da cor da minha pele.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>ClickPB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paraibano, Ernesto Batista Man\u00e9 J\u00fanior, 37 anos, atua com excel\u00eancia no que se disp\u00f5e a fazer: ao longo da vida, foi gar\u00e7om, professor de ingl\u00eas,&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":197972,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,103,104],"tags":[],"class_list":["post-197971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-mundo","category-paraiba"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197971"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":197973,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197971\/revisions\/197973"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/197972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}