{"id":206460,"date":"2021-02-12T08:28:19","date_gmt":"2021-02-12T11:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=206460"},"modified":"2021-02-12T08:28:29","modified_gmt":"2021-02-12T11:28:29","slug":"brasil-tem-aumento-de-5-nos-assassinatos-em-2020-ano-marcado-pela-pandemia-do-novo-coronavirus-alta-e-puxada-pela-regiao-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/02\/12\/brasil-tem-aumento-de-5-nos-assassinatos-em-2020-ano-marcado-pela-pandemia-do-novo-coronavirus-alta-e-puxada-pela-regiao-nordeste\/","title":{"rendered":"Brasil tem aumento de 5% nos assassinatos em 2020, ano marcado pela pandemia do novo coronav\u00edrus; alta \u00e9 puxada pela regi\u00e3o Nordeste"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil teve uma alta de 5% nos assassinatos em 2020 na compara\u00e7\u00e3o com 2019, ap\u00f3s dois anos consecutivos de queda. \u00c9 o que mostra o \u00edndice nacional de homic\u00eddios criado pelo&nbsp;<strong>G1<\/strong>, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, foram registradas 43.892 mortes violentas, contra 41.730 em 2019. Ou seja, 2.162 mortes a mais. Est\u00e3o contabilizadas no n\u00famero as v\u00edtimas de homic\u00eddios dolosos (incluindo os feminic\u00eddios), latroc\u00ednios e les\u00f5es corporais seguidas de morte.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento de mortes aconteceu mesmo durante a pandemia do novo coronav\u00edrus e foi puxado principalmente pelo Nordeste, que teve um aumento expressivo nos assassinatos: 20%. \u00c9 importante ressaltar que a regi\u00e3o tamb\u00e9m foi a grande respons\u00e1vel pela queda de mortes nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o Sul tamb\u00e9m teve uma leve alta. J\u00e1 nas outras regi\u00f5es (Norte, Centro-Oeste e Sudeste), o n\u00famero de crimes violentos foi menor na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. A regi\u00e3o Norte teve a queda mais acentuada: &#8211; 11%. Ao todo, mais da metade dos estados registrou uma alta. Houve aumento dos assassinatos em 14 unidades da federa\u00e7\u00e3o.https:\/\/d2d8746c28b93398173dd81b9461ccef.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/yJtnr9mqjb8fA7ZtCt-5AKR2Auo=\/0x0:1300x1976\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/g\/E\/FGkCTcQfCoj45AWxYiSg\/assassinatosfinal.jpg\" alt=\"Mesmo com pandemia, ano de 2020 registra alta nos assassinatos \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo com pandemia, ano de 2020 registra alta nos assassinatos \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados apontam que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>houve&nbsp;43.892 assassinatos em 2020, o que significa&nbsp;2.162 mortes a mais&nbsp;que em 2019<\/li><li>a&nbsp;regi\u00e3o Nordeste&nbsp;foi a principal respons\u00e1vel pela alta no pa\u00eds:&nbsp;20% de aumento<\/li><li>o&nbsp;Cear\u00e1&nbsp;foi o destaque negativo, com um&nbsp;aumento de 81% nas mortes<\/li><li>14 estados&nbsp;apresentaram&nbsp;alta de assassinatos&nbsp;no per\u00edodo<\/li><li>4 estados&nbsp;tiveram&nbsp;altas superiores a 15%: Para\u00edba, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o e Cear\u00e1<\/li><li>a&nbsp;maior queda&nbsp;se deu na&nbsp;regi\u00e3o Norte: -11%<\/li><li>o&nbsp;Par\u00e1&nbsp;foi o estado com a&nbsp;maior diminui\u00e7\u00e3o de mortes: -19%<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-datawrapper wp-block-embed-datawrapper\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"ose-datawrapper ose-uid-f6a15fda2aa7eec0398525c82299e74a ose-embedpress-responsive\" style=\"width:600px; height:550px; max-height:550px; max-width:100%; display:inline-block;\" data-embed-type=\"Datawrapper\"><iframe allowFullScreen=\"true\" title=\"Taxa de crimes violentos por 100 mil habitantes\" aria-label=\"Column Chart\" id=\"datawrapper-chart-pezTH\" data-src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/pezTH\/8\/\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"width: 0; min-width: 100% !important; border: none;\" height=\"550\" data-external=\"1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe><script type=\"text\/javascript\">window.addEventListener(\"message\",function(a){if(void 0!==a.data[\"datawrapper-height\"]){var e=document.querySelectorAll(\"iframe\");for(var t in a.data[\"datawrapper-height\"])for(var r,i=0;r=e[i];i++)if(r.contentWindow===a.source){var d=a.data[\"datawrapper-height\"][t]+\"px\";r.style.height=d}}});<\/script><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O levantamento, que compila os dados m\u00eas a m\u00eas, faz parte do Monitor da Viol\u00eancia, uma parceria do\u00a0<strong>G1\u00a0<\/strong>com o N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (NEV-USP) e o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/87MHwMhp5oVoqYX2urFp42-ztGg=\/0x0:1300x2442\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/I\/b\/ClwdzxTsqtKiyX80mZqQ\/mapavariacoesv.jpg\" alt=\"Mapa mostra alta de assassinatos em 14 estados \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mapa mostra alta de assassinatos em 14 estados \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O que dizem os dados<\/h4>\n\n\n\n<p>Para Bruno Paes Manso, do NEV-USP, varia\u00e7\u00f5es bruscas nos indicadores, como as ocorridas nos estados do Nordeste principalmente, n\u00e3o costumam estar ligadas necessariamente a quest\u00f5es estruturais, como n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, desigualdade, renda, entre outros fatores que costumam produzir efeitos de m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Essas mudan\u00e7as acentuadas podem ser mais bem compreendidas quando observados fatores circunstanciais em cada estado, como por exemplo: a din\u00e2mica do mercado criminal e as decorrentes disputas entre grupos armados locais e a for\u00e7a pol\u00edtica da autoridade estadual e sua capacidade de implementar pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e de controlar os excessos e crimes praticados pela pol\u00edcia&#8221;, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Samira Bueno e Renato S\u00e9rgio de Lima, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, os n\u00fameros indicam que o pa\u00eds perdeu a oportunidade de transformar a redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios verificada em 2018 e 2019 em um ciclo virtuoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da din\u00e2mica do crime organizado e do fato de o Brasil ser uma importante rota de passagem para o escoamento da coca\u00edna para a Europa, o que tem ampliado os conflitos, eles apontam leis e decretos que afrouxaram o controle de armas como um agravante para o cen\u00e1rio da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Reverter este cen\u00e1rio passa pelo investimento em recursos humanos e financeiros, como em qualquer pol\u00edtica p\u00fablica, mas tamb\u00e9m pela ado\u00e7\u00e3o de medidas j\u00e1 largamente documentadas como efetivas em outros contextos&#8221;, afirmam.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 evidente que o trabalho policial, pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o, investimento em investiga\u00e7\u00e3o e um modelo de atua\u00e7\u00e3o mais estrat\u00e9gico, com integra\u00e7\u00e3o entre as diferentes ag\u00eancias e investimento financeiro, s\u00e3o e foram importantes para redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de viol\u00eancia em v\u00e1rios estados. Mas dados da execu\u00e7\u00e3o do Fundo Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica indicam que, mesmo com mais recursos financeiros, o pa\u00eds n\u00e3o conseguiu frear a escalada da viol\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Itq5mQEM67ZJuuX6qLQ1QEZ5YoM=\/0x0:1300x1538\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/F\/C\/li0TTjRRWCRHJ5wfcySQ\/mesamesfinal.jpg\" alt=\"Os assassinatos m\u00eas a m\u00eas no Brasil \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os assassinatos m\u00eas a m\u00eas no Brasil \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cear\u00e1: al\u00e9m do motim<\/h4>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um ano de queda, o n\u00famero de mortes violentas no estado do Cear\u00e1 disparou: passou de 2.235 em 2019 para 4.039 em 2020. Ao contr\u00e1rio de outros estados, o isolamento social estimulado pelas autoridades por conta da pandemia da Covid-19 n\u00e3o impediu o aumento das mortes em nenhum dos 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das causas deste aumento, segundo especialistas, \u00e9 o\u00a0motim dos policiais militares que ocorreu h\u00e1 um ano, em fevereiro de 2020. Durante os 13 dias da greve policial, houve 312 homic\u00eddios, uma m\u00e9dia de 26 por dia. Antes, a m\u00e9dia era de 8 por dia. Mas o fato n\u00e3o \u00e9 o suficiente para explicar, por exemplo, o aumento de 105% em abril, no primeiro m\u00eas das medidas de isolamento social no estado, afirmam os estudiosos.https:\/\/d2d8746c28b93398173dd81b9461ccef.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/px7iX4ghWO8GcbOA9G0VtJk7ZW8=\/0x0:1200x800\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/C\/d\/AMQnpyQB2M6nACanRfJA\/violencia-ceara.jpg\" alt=\"Motim da pol\u00edcia no Cear\u00e1 \u00e9 apontado como um dos motivos para o aumento dos assassinatos \u2014 Foto: Alex Gomes\/O Povo\/AFP\/Arquivo\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Motim da pol\u00edcia no Cear\u00e1 \u00e9 apontado como um dos motivos para o aumento dos assassinatos \u2014 Foto: Alex Gomes\/O Povo\/AFP\/Arquivo<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ricardo Moura, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade Federal do Cear\u00e1, fevereiro e abril foram os meses mais violentos desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentes causas explicam o fen\u00f4meno, segundo Moura, entre elas as disputas territoriais das fac\u00e7\u00f5es criminosas. Um exemplo \u00e9 o assassinato do\u00a0coroinha Jefferson Brito Teixeira, de 14 anos, morto em Barra do Cear\u00e1, em Fortaleza, em agosto. A \u00c1rea Integrada de Seguran\u00e7a que o bairro integra teve a maior queda em 2019 e o maior aumento do estado em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico,\u00a0o rapaz foi morto devido a tr\u00eas cortes que tinha na sobrancelha. Os envolvidos no crime acreditaram que os cortes simbolizavam uma fac\u00e7\u00e3o criminosa rival. Um funcion\u00e1rio da par\u00f3quia, por\u00e9m, diz que o rapaz n\u00e3o tinha envolvimento com crimes e que o bairro vive com medo, sob o controle de fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAqui hoje o bairro \u00e9 dividido por fac\u00e7\u00f5es. A par\u00f3quia fica numa regi\u00e3o comandada por uma fac\u00e7\u00e3o. Aqui pertinho, a apenas duas quadras, j\u00e1 \u00e9 de outra. A\u00ed fica a confus\u00e3o. N\u00e3o podemos nem atravessar a rua. N\u00e3o conseguimos realizar nosso trabalho de maneira perfeita por conta da viol\u00eancia\u201d, desabafa.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/x_i74v4E-whVo_hvCplGuMoW9O0=\/0x0:1300x1346\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/g\/b\/2mr8zvRVOn02BvzJBBcQ\/cearafinal.jpg\" alt=\"Cear\u00e1 tem a maior alta nos assassinatos em 2020 \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Cear\u00e1 tem a maior alta nos assassinatos em 2020 \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1<\/p>\n\n\n\n<p>Outro motivo para o aumento nos registros, segundo Moura, \u00e9 que a pol\u00edcia tem trabalhado no limite com seu efetivo e tem priorizado as \u00e1reas ricas e tur\u00edsticas. Com as demiss\u00f5es ap\u00f3s o motim e a necessidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo de isolamento social, a pol\u00edcia ficou sobrecarregada, reduzindo sua capacidade de controlar essas tens\u00f5es latentes, seja das disputas do crime organizado, seja de brigas entre cidad\u00e3os, afirma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Sem policiamento e com as ruas mais vazias, a possibilidade de se tirar a vida de algu\u00e9m e n\u00e3o ser investigado \u00e9 muito grande&#8221;, avalia o pesquisador.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos meses em que foi iniciada a retomada das atividades, de junho a setembro, observa-se um crescimento menor do que o resto do ano. J\u00e1 em outubro, com a campanha eleitoral, o n\u00famero de assassinatos volta a aumentar, por conta de disputas locais violentas, principalmente nas cidades menores. &#8220;No \u00faltimo trimestre, houve pelo menos uma chacina grande, de cinco pessoas, nas cidades do interior&#8221;, aponta Moura. Segundo ele, a curva de mortes violentas sobe de forma parecida em 2016, tamb\u00e9m ano de elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, afirma Moura, \u00e9 preciso levar em conta a compara\u00e7\u00e3o com os baixos n\u00fameros de 2019, ano em que houve uma redu\u00e7\u00e3o de conflitos entre fac\u00e7\u00f5es criminosas. &#8220;Houve um arrefecimento dos conflitos porque ele antecedeu dois anos de confrontos intensos. Ent\u00e3o, uma hip\u00f3tese \u00e9 a de que os recursos escassearam. Al\u00e9m disso, opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia da pol\u00edcia conseguiram realizar uma asfixia financeira da GDE [Guardi\u00f5es do Estado], que tirou a capacidade do grupo de atuar &#8211; abrindo caminho para o Comando Vermelho tomar conta de novas \u00e1reas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Par\u00e1: acomoda\u00e7\u00e3o do crime organizado<\/h4>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Par\u00e1 foi o estado com a maior queda no n\u00famero de mortes violentas em 2020: 543 assassinatos a menos, uma varia\u00e7\u00e3o de -19% em compara\u00e7\u00e3o com 2019.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/_Z3hWvfib1LOP0e3KHNSX2wpZRY=\/0x0:1300x1346\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/4\/B\/Azh9YQTAaOFC8WaH6k6A\/parafinal.jpg\" alt=\"Par\u00e1 registra a maior queda nos assassinatos em 2020 \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Par\u00e1 registra a maior queda nos assassinatos em 2020 \u2014 Foto: Elcio Horiuchi\/G1<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador Aiala Couto, da Universidade do Estado do Par\u00e1 (UEPA) e do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, h\u00e1 duas for\u00e7as hegem\u00f4nicas que influenciam a queda dos \u00edndices de criminalidade: uma relacionada ao Estado e outra relacionada \u00e0 atividade il\u00edcita, sobretudo ao narcotr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje temos uma presen\u00e7a maior da Pol\u00edcia Militar nas ruas e tamb\u00e9m tivemos v\u00e1rias pris\u00f5es de grupos milicianos que promoviam execu\u00e7\u00f5es de forma descontrolada na periferia, que atingia principalmente a popula\u00e7\u00e3o jovem negra&#8221;, explica Couto.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ele aponta que, a partir de pesquisas emp\u00edricas nos bairros de Bel\u00e9m, nota-se uma mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o do crime, que se aproxima do modelo seguido por fac\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Os bairros onde houve uma redu\u00e7\u00e3o das mortes violentas foram os mesmos em que o tr\u00e1fico de drogas imp\u00f4s um modelo de organiza\u00e7\u00e3o proibindo assaltos, brigas de vizinho e de marido e mulher. Mas os dados [da Secretaria de Seguran\u00e7a] n\u00e3o mostram essa din\u00e2mica&#8221;, diz o pesquisador, que d\u00e1 como exemplos os bairros Terra Firme e Barreiros, em Bel\u00e9m.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele pondera, por\u00e9m, que o Par\u00e1 \u00e9 uma \u00e1rea importante na rota do tr\u00e1fico e, portanto, de interesse dos grandes grupos criminosos organizados. Por isso, pode ser que haja conflitos futuramente. &#8220;Ainda estamos em uma din\u00e2mica de redu\u00e7\u00e3o dos dados de criminalidade, mas a quantidade de droga apreendida cresceu de forma significativa&#8221;, afirma Couto.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00cdndice nacional de homic\u00eddios<\/h4>\n\n\n\n<p>A ferramenta criada pelo&nbsp;<strong>G1&nbsp;<\/strong>permite o acompanhamento dos dados de v\u00edtimas de crimes violentos m\u00eas a m\u00eas no pa\u00eds. Est\u00e3o contabilizadas as v\u00edtimas de homic\u00eddios dolosos (incluindo os feminic\u00eddios), latroc\u00ednios e les\u00f5es corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos comp\u00f5em os chamados crimes violentos letais e intencionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Jornalistas do&nbsp;<strong>G1&nbsp;<\/strong>espalhados pelo pa\u00eds solicitam os dados, via assessoria de imprensa e via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, seguindo o padr\u00e3o metodol\u00f3gico utilizado pelo f\u00f3rum no Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo federal anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um sistema similar ainda na gest\u00e3o do ex-ministro Sergio Moro. Os dados, no entanto, n\u00e3o est\u00e3o atualizados como os da ferramenta do&nbsp;<strong>G1<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados coletados m\u00eas a m\u00eas pelo\u00a0<strong>G1\u00a0<\/strong>n\u00e3o incluem as mortes em decorr\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o policial. Isso porque h\u00e1 uma dificuldade maior em obter esses dados em tempo real e de forma sistem\u00e1tica com os governos estaduais. O balan\u00e7o de 2019 foi realizado dentro do Monitor da Viol\u00eancia, separadamente, e foi\u00a0publicado em abril. O do primeiro semestre de 2020 foi\u00a0publicado em setembro. O fechado do ano de 2020 ainda ser\u00e1 divulgado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil teve uma alta de 5% nos assassinatos em 2020 na compara\u00e7\u00e3o com 2019, ap\u00f3s dois anos consecutivos de queda. \u00c9 o que mostra&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":206461,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,2],"tags":[],"class_list":["post-206460","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206460"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206460\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":206462,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206460\/revisions\/206462"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/206461"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}