{"id":206469,"date":"2021-02-12T08:42:47","date_gmt":"2021-02-12T11:42:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=206469"},"modified":"2021-02-12T08:42:50","modified_gmt":"2021-02-12T11:42:50","slug":"pesquisadores-brasileiros-comprovam-presenca-do-coronavirus-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/02\/12\/pesquisadores-brasileiros-comprovam-presenca-do-coronavirus-no-ar\/","title":{"rendered":"Pesquisadores brasileiros comprovam presen\u00e7a do coronav\u00edrus no ar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CTDN), sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),\u00a0comprovaram a presen\u00e7a do coronav\u00edrus em part\u00edculas do ar. A pesquisa,\u00a0que est\u00e1 sendo desenvolvida desde o ano passado,\u00a0\u00e9 um dos poucos estudos no mundo que conseguiram apresentar essa evid\u00eancia, validada por m\u00e9todos cient\u00edficos, e refor\u00e7a o alerta para o risco existente em locais mal ventilados ou com pouca circula\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cOs principais resultados dessa etapa da pesquisa s\u00e3o importantes porque apresentam evid\u00eancias, baseadas em m\u00e9todos cient\u00edficos, da presen\u00e7a de coronav\u00edrus em aeross\u00f3is. Mais uma comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que o coronav\u00edrus pode estar no ar\u201d, disse o pesquisador Ricardo Passos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um artigo com esses resultados, assinado por Passos, Marina Silveira e J\u00f4natas Abrah\u00e3o, foi publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista &#8220;Environmental Research&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os aeross\u00f3is, foco dessa pesquisa, s\u00e3o part\u00edculas microsc\u00f3picas e invis\u00edveis, que, pelo baixo peso e massa, t\u00eam a tend\u00eancia de ficar suspensos no ar. O estudo, feito em parceria com o Instituto de Ci\u00eancia Biol\u00f3gicas da UFMG, analisou dois hospitais de Belo Horizonte, em dois momentos diferentes da pandemia, al\u00e9m de ambientes externos, como pontos de \u00f4nibus, estacionamentos e cal\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Passos, a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era estudar a transmiss\u00e3o do v\u00edrus por got\u00edculas de saliva, que podem chegar a 1 ou 2 metros, mas, sim, essas part\u00edculas invis\u00edveis,\u00a0que podem atingir dist\u00e2ncias maiores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEssa evid\u00eancia vem se juntar a alguns outros relatos j\u00e1 publicados em outros pa\u00edses no intuito de se chamar a aten\u00e7\u00e3o para essa rota de transmiss\u00e3o a\u00e9rea\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/y1-HtlM4FAedxls6ndOVUEYCV2E=\/0x175:959x1045\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/C\/y\/tlwriXQAaNZlBCLcJXjA\/c70310f3-92b5-4bd0-a83d-7de0c65f0f25.jpg\" alt=\"Pesquisa comprova presen\u00e7a do coronav\u00edrus no ar \u2014 Foto: Ricardo Passos\/UFMG\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisa comprova presen\u00e7a do coronav\u00edrus no ar \u2014 Foto: Ricardo Passos\/UFMG<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha da realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa em hospitais n\u00e3o se deu ao acaso. \u201cPara comprovar a presen\u00e7a desse v\u00edrus no ar, a gente usou ambientes hospitalares como modelo, como ambiente controlado, em que a gente saberia que havia a presen\u00e7a de pacientes contaminados, ou seja, uma fonte de aeross\u00f3is contaminados e tamb\u00e9m que haveria o controle rigoroso quanto ao uso de EPIs pela equipe do hospital\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar aos resultados e validar a hip\u00f3tese inicial, os pesquisadores do CDTN usaram equipamentos capazes de sugar o ar e faz\u00ea-lo passar em membranas filtrantes. E, mesmo diante de todas as dificuldades em se fazer essa \u201ccaptura\u201d,&nbsp;o estudo conseguiu verificar a presen\u00e7a do v\u00edrus em cinco amostras, por meio da identifica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo gen\u00e9tico do SARS-CoV-2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As coletas foram feitas entre 25 de maio e 4 de junho em um hospital e entre 9 de junho e 17 de julho no outro. Os nomes das unidade de sa\u00fade n\u00e3o foram divulgados. J\u00e1 os ambientes externos foram monitorados de 25 de maio a 6 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/MKzGUa7hMtoQAQZ4Y2gFj-A1Xx0=\/0x0:960x1280\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/w\/y\/rR7w4RTxAzZ6lRg49yXg\/cdtn.jpg\" alt=\"Pesquisa monitorou dois hospitais em BH \u2014 Foto: Ricardo Passos\/Arquivo Pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisa monitorou dois hospitais em BH \u2014 Foto: Ricardo Passos\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As amostras com coronav\u00edrus foram encontradas no segundo hospital, em quatro ambientes, entre eles o CTI.&nbsp;Passos chama a aten\u00e7\u00e3o para dois fatores: o agravamento da pandemia no in\u00edcio do segundo semestre, aumentando a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos, e a presen\u00e7a de um sistema de circula\u00e7\u00e3o de ar menos eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador destaca que em uma das salas onde o v\u00edrus foi encontrado havia inclusive ventila\u00e7\u00e3o natural, mas pouca circula\u00e7\u00e3o do ar. Nos ambientes externos, n\u00e3o houve amostras que contivessem o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Risco de ambientes mal ventilados<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante das evid\u00eancias cient\u00edficas de que o coronav\u00edrus est\u00e1 no ar, o pesquisador acredita que deveriam ser&nbsp;pensadas estrat\u00e9gias mais efetivas&nbsp;para evitar a transmiss\u00e3o da Covid-19 pela rota a\u00e9rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para exemplificar a forma como o v\u00edrus se espalha, Passos recorre a uma cena simples do cotidiano: a de uma pessoa fumando.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA fuma\u00e7a de um cigarro, a gente v\u00ea sendo emitida por uma pessoa e, em pouco tempo, essa fuma\u00e7a se espalha pelo ambiente e a gente consegue sentir o cheiro do cigarro, dessa fuma\u00e7a, at\u00e9 em dist\u00e2ncias muito grandes\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma,\u00a0o coronav\u00edrus pode se espalhar pelo ar, quando uma pessoa est\u00e1 respirando, falando ou mesmo cantando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsses aeross\u00f3is que s\u00e3o gerados podem se acumular nesses ambientes e vir a constituir uma fonte muito significativa de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Ele acrescenta que, nesse caso, o risco existe mesmo que as pessoas estejam distantes uma da outra&nbsp;ou at\u00e9 depois que a pessoa contaminada tenha deixado o ambiente. Por isso, o risco em locais sem uma ventila\u00e7\u00e3o eficiente, como casas de shows ou bares, \u00e9 alto.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNa vocaliza\u00e7\u00e3o, se a pessoa est\u00e1 falando, gritando ou cantando, isso est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 quantidade de aeross\u00f3is emitidos. Imagine um ambiente fechado em que um cantor est\u00e1 contaminado e n\u00e3o sabe que est\u00e1. Vai cantar sem a m\u00e1scara e, quanto mais alto cantar, mais aeross\u00f3is emite e isso vai se acumulando nesse ambiente\u201d, destaca.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passos cita um artigo publicado pela revista &#8220;Nature&#8221;, no in\u00edcio deste m\u00eas, que afirma que&nbsp;o v\u00edrus \u00e9 transmitido predominantemente pelo ar, tanto pelas got\u00edculas quanto pelos aeross\u00f3is, e em menor grau pelo contato com superf\u00edcies. E, por isso, segundo o artigo, deveriam ser enfatizadas a import\u00e2ncia do uso das m\u00e1scaras, al\u00e9m da busca por medidas para melhorar a ventila\u00e7\u00e3o dos ambientes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00e3o \u00e9 tarde para pensar em medidas mais efetivas. (&#8230;) Se tiver que concentrar investimento, pensar em situa\u00e7\u00e3o de mais risco, teria que pensar em priorizar a circula\u00e7\u00e3o do ar\u201d, diz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s04.video.glbimg.com\/x240\/8586195.jpg\" alt=\"Pesquisas desenvolvidas em MG estudam o novo coronav\u00edrus no ar e no esgoto\" title=\"Pesquisas desenvolvidas em MG estudam o novo coronav\u00edrus no ar e no esgoto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas desenvolvidas em MG estudam o novo coronav\u00edrus no ar e no esgoto<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Pr\u00f3ximos passos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a publica\u00e7\u00e3o dos resultados da fase inicial do estudo, os pesquisadores j\u00e1 focam nos pr\u00f3ximos passos. Atualmente em parceria com o Departamento de Engenharia Ambiental e Sanit\u00e1ria (Desa) da UFMG, o CDTN pesquisa os aeross\u00f3is em esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outra frente, os pesquisadores iniciaram an\u00e1lises em casas de pessoas com Covid-19, para avaliar fatores como\u00a0a dist\u00e2ncia percorrida pelo v\u00edrus e para quantificar os riscos. Eles ainda pretendem estudar, por meio de modelos matem\u00e1ticos, as melhores estrat\u00e9gias de circula\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CTDN), sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),\u00a0comprovaram a presen\u00e7a do coronav\u00edrus em part\u00edculas do ar. A pesquisa,\u00a0que est\u00e1 sendo desenvolvida desde o ano passado,\u00a0\u00e9 um dos poucos estudos no mundo que conseguiram apresentar essa evid\u00eancia, validada por m\u00e9todos cient\u00edficos, e refor\u00e7a o alerta para o risco existente em locais mal ventilados ou com pouca circula\u00e7\u00e3o do ar. \u201cOs principais resultados dessa etapa da pesquisa s\u00e3o importantes porque apresentam evid\u00eancias, baseadas em m\u00e9todos cient\u00edficos, da presen\u00e7a de coronav\u00edrus em aeross\u00f3is. Mais uma comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que o coronav\u00edrus pode estar no ar\u201d, disse o pesquisador Ricardo Passos. Um artigo com esses resultados, assinado por Passos, Marina Silveira e J\u00f4natas Abrah\u00e3o, foi publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista &#8220;Environmental Research&#8221;. Os aeross\u00f3is, foco dessa pesquisa, s\u00e3o part\u00edculas microsc\u00f3picas e invis\u00edveis, que, pelo baixo peso e massa, t\u00eam a tend\u00eancia de ficar suspensos no ar. O estudo, feito em parceria com o Instituto de Ci\u00eancia Biol\u00f3gicas da UFMG, analisou dois hospitais de Belo Horizonte, em dois momentos diferentes da pandemia, al\u00e9m de ambientes externos, como pontos de \u00f4nibus, estacionamentos e cal\u00e7adas. Segundo Passos, a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era estudar a transmiss\u00e3o do v\u00edrus por got\u00edculas de saliva, que podem chegar a 1 ou 2 metros, mas, sim, essas part\u00edculas invis\u00edveis,\u00a0que podem atingir dist\u00e2ncias maiores. \u201cEssa evid\u00eancia vem se juntar a alguns outros relatos j\u00e1 publicados em outros pa\u00edses no intuito de se chamar a aten\u00e7\u00e3o para essa rota de transmiss\u00e3o a\u00e9rea\u201d, afirma. Pesquisa comprova presen\u00e7a do coronav\u00edrus no ar \u2014 Foto: Ricardo Passos\/UFMG A escolha da realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa em hospitais n\u00e3o se deu ao acaso. \u201cPara comprovar a presen\u00e7a desse v\u00edrus no ar, a gente usou ambientes hospitalares como modelo, como ambiente controlado, em que a gente saberia que havia a presen\u00e7a de pacientes contaminados, ou seja, uma fonte de aeross\u00f3is contaminados e tamb\u00e9m que haveria o controle rigoroso quanto ao uso de EPIs pela equipe do hospital\u201d, explica o pesquisador. Para chegar aos resultados e validar a hip\u00f3tese inicial, os pesquisadores do CDTN usaram equipamentos capazes de sugar o ar e faz\u00ea-lo passar em membranas filtrantes. E, mesmo diante de todas as dificuldades em se fazer essa \u201ccaptura\u201d,&nbsp;o estudo conseguiu verificar a presen\u00e7a do v\u00edrus em cinco amostras, por meio da identifica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo gen\u00e9tico do SARS-CoV-2. As coletas foram feitas entre 25 de maio e 4 de junho em um hospital e entre 9 de junho e 17 de julho no outro. Os nomes das unidade de sa\u00fade n\u00e3o foram divulgados. J\u00e1 os ambientes externos foram monitorados de 25 de maio a 6 de agosto. Pesquisa monitorou dois hospitais em BH \u2014 Foto: Ricardo Passos\/Arquivo Pessoal As amostras com coronav\u00edrus foram encontradas no segundo hospital, em quatro ambientes, entre eles o CTI.&nbsp;Passos chama a aten\u00e7\u00e3o para dois fatores: o agravamento da pandemia no in\u00edcio do segundo semestre, aumentando a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos, e a presen\u00e7a de um sistema de circula\u00e7\u00e3o de ar menos eficiente. O pesquisador destaca que em uma das salas onde o v\u00edrus foi encontrado havia inclusive ventila\u00e7\u00e3o natural, mas pouca circula\u00e7\u00e3o do ar. Nos ambientes externos, n\u00e3o houve amostras que contivessem o v\u00edrus. Risco de ambientes mal ventilados Diante das evid\u00eancias cient\u00edficas de que o coronav\u00edrus est\u00e1 no ar, o pesquisador acredita que deveriam ser&nbsp;pensadas estrat\u00e9gias mais efetivas&nbsp;para evitar a transmiss\u00e3o da Covid-19 pela rota a\u00e9rea. Para exemplificar a forma como o v\u00edrus se espalha, Passos recorre a uma cena simples do cotidiano: a de uma pessoa fumando. \u201cA fuma\u00e7a de um cigarro, a gente v\u00ea sendo emitida por uma pessoa e, em pouco tempo, essa fuma\u00e7a se espalha pelo ambiente e a gente consegue sentir o cheiro do cigarro, dessa fuma\u00e7a, at\u00e9 em dist\u00e2ncias muito grandes\u201d, afirma. Da mesma forma,\u00a0o coronav\u00edrus pode se espalhar pelo ar, quando uma pessoa est\u00e1 respirando, falando ou mesmo cantando. \u201cEsses aeross\u00f3is que s\u00e3o gerados podem se acumular nesses ambientes e vir a constituir uma fonte muito significativa de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Ele acrescenta que, nesse caso, o risco existe mesmo que as pessoas estejam distantes uma da outra&nbsp;ou at\u00e9 depois que a pessoa contaminada tenha deixado o ambiente. Por isso, o risco em locais sem uma ventila\u00e7\u00e3o eficiente, como casas de shows ou bares, \u00e9 alto. \u201cNa vocaliza\u00e7\u00e3o, se a pessoa est\u00e1 falando, gritando ou cantando, isso est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 quantidade de aeross\u00f3is emitidos. Imagine um ambiente fechado em que um cantor est\u00e1 contaminado e n\u00e3o sabe que est\u00e1. Vai cantar sem a m\u00e1scara e, quanto mais alto cantar, mais aeross\u00f3is emite e isso vai se acumulando nesse ambiente\u201d, destaca. Passos cita um artigo publicado pela revista &#8220;Nature&#8221;, no in\u00edcio deste m\u00eas, que afirma que&nbsp;o v\u00edrus \u00e9 transmitido predominantemente pelo ar, tanto pelas got\u00edculas quanto pelos aeross\u00f3is, e em menor grau pelo contato com superf\u00edcies. E, por isso, segundo o artigo, deveriam ser enfatizadas a import\u00e2ncia do uso das m\u00e1scaras, al\u00e9m da busca por medidas para melhorar a ventila\u00e7\u00e3o dos ambientes. \u201cN\u00e3o \u00e9 tarde para pensar em medidas mais efetivas. (&#8230;) Se tiver que concentrar investimento, pensar em situa\u00e7\u00e3o de mais risco, teria que pensar em priorizar a circula\u00e7\u00e3o do ar\u201d, diz. Pesquisas desenvolvidas em MG estudam o novo coronav\u00edrus no ar e no esgoto Pr\u00f3ximos passos Com a publica\u00e7\u00e3o dos resultados da fase inicial do estudo, os pesquisadores j\u00e1 focam nos pr\u00f3ximos passos. Atualmente em parceria com o Departamento de Engenharia Ambiental e Sanit\u00e1ria (Desa) da UFMG, o CDTN pesquisa os aeross\u00f3is em esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto. Em outra frente, os pesquisadores iniciaram an\u00e1lises em casas de pessoas com Covid-19, para avaliar fatores como\u00a0a dist\u00e2ncia percorrida pelo v\u00edrus e para quantificar os riscos. Eles ainda pretendem estudar, por meio de modelos matem\u00e1ticos, as melhores estrat\u00e9gias de circula\u00e7\u00e3o do ar. 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