{"id":209265,"date":"2021-03-08T06:38:28","date_gmt":"2021-03-08T09:38:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=209265"},"modified":"2021-03-08T06:38:31","modified_gmt":"2021-03-08T09:38:31","slug":"brasil-segue-na-contramao-do-mundo-e-tem-maior-alta-nos-obitos-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/03\/08\/brasil-segue-na-contramao-do-mundo-e-tem-maior-alta-nos-obitos-por-covid-19\/","title":{"rendered":"Brasil segue na contram\u00e3o do mundo e tem maior alta nos \u00f3bitos por COVID-19"},"content":{"rendered":"\n<p>No momento em que vive a pior fase da\u00a0<strong>pandemia<\/strong>, com recorde de v\u00edtimas e hospitais colapsando, o Brasil se v\u00ea na contram\u00e3o do mundo. O Pa\u00eds tem hoje a maior alta no n\u00famero de mortes por covid entre as dez na\u00e7\u00f5es com mais \u00f3bitos pela doen\u00e7a, segundo an\u00e1lise feita pelo Estad\u00e3o com base em dados do site\u00a0Our World in Data, projeto da Universidade de Oxford.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos dez pa\u00edses l\u00edderes em mortes no mundo, oito registraram queda na m\u00e9dia m\u00f3vel de novos&nbsp;<strong>\u00f3bitos<\/strong>&nbsp;na \u00faltima sextafeira em compara\u00e7\u00e3o com o dado de 14 dias atr\u00e1s. No mesmo per\u00edodo, essa m\u00e9dia subiu 30,5% no Brasil, passando de 1.037 mortes di\u00e1rias em 18 de fevereiro para 1.353 na sexta.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico outro pa\u00eds da lista que tamb\u00e9m registrou alta foi a \u00cdndia, mas em patamar muito inferior ao brasileiro (8,9%).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o&nbsp;<strong>Reino Unido<\/strong>, que tamb\u00e9m viveu o drama do surgimento de uma variante mais transmiss\u00edvel e da explos\u00e3o de mortes em janeiro, acumula queda de 49,4%. Os Estados Unidos tamb\u00e9m registram algum al\u00edvio. No intervalo analisado, a m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes baixou 8,7%. Tamb\u00e9m tiveram diminui\u00e7\u00e3o Espanha (-32,1%), Alemanha (-26,8%), M\u00e9xico (24,7%), Fran\u00e7a (-13%), R\u00fassia (-9%) e It\u00e1lia (-7,3%). A m\u00e9dia de mortes em todo o mundo recuou 9,7% no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os dez pa\u00edses, o Brasil tornou-se o primeiro em novas mortes por milh\u00e3o de habitantes na quinta, superando os EUA. Na \u00faltima sexta, o Pa\u00eds era respons\u00e1vel por 15% de todos os casos e mortes do mundo (considerando a m\u00e9dia m\u00f3vel).<br><br>A falta de coordena\u00e7\u00e3o nacional para a resposta \u00e0 pandemia, o\u00a0<strong>negacionismo\u00a0<\/strong>do presidente Jair Bolsonaro, medidas restritivas frouxas, baixa ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e o surgimento de uma variante criaram uma &#8220;tempestade perfeita&#8221;, nas palavras de especialistas. &#8220;Temos alta mobilidade da popula\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia ao cumprimento de medidas de distanciamento, variantes mais transmiss\u00edveis, sistema hospitalar perto do limite e m\u00e1 gest\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o por parte do governo. A\u00ed se formou a tempestade perfeita&#8221;, diz o m\u00e9dico brasileiro Ricardo Parolin Schnekenberg, doutorando em Oxford e colaborador do Imperial College London.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele relata as diferen\u00e7as na postura do governo brit\u00e2nico quando identificou uma nova cepa mais contagiosa. &#8220;Fecharam tudo em janeiro: lojas, restaurantes, igrejas, escolas. E tem puni\u00e7\u00f5es pesadas para quem descumpre. Mas o que faz a maioria da popula\u00e7\u00e3o aderir n\u00e3o \u00e9 a puni\u00e7\u00e3o, mas o entendimento de que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave, e isso vem com mensagens consistentes do governo, coisa que o Brasil nunca teve&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra diferen\u00e7a \u00e9 a velocidade da vacina\u00e7\u00e3o. O Reino Unido j\u00e1 tem 30,9% da popula\u00e7\u00e3o imunizada com ao menos uma dose &#8211; quase dez vezes mais do que o Brasil, com 3,5%. &#8220;Os Estados Unidos est\u00e3o vacinando 2 milh\u00f5es por dia e acabaram de contratar mais uma vacina, a da Janssen&#8221;, diz Marcia Castro, chefe do departamento de Sa\u00fade Global e Popula\u00e7\u00e3o da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade Harvard. &#8220;O Brasil poderia vacinar r\u00e1pido tamb\u00e9m. Tem experi\u00eancia e conhecimento, s\u00f3 faltaram as doses&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Alertas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o Bolsonaro tamb\u00e9m falhou ao ignorar alertas de especialistas sobre o risco da nova onda avassaladora. &#8220;A taxa de queda dos casos come\u00e7ou a desacelerar e virou estabiliza\u00e7\u00e3o em outubro, o que j\u00e1 indicava revers\u00e3o de tend\u00eancia. Em novembro come\u00e7amos a ver o aumento&#8221;, diz o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, da rede An\u00e1lise Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele monitora diariamente os principais indicadores da pandemia no Pa\u00eds e, em 17 de dezembro, publicou nas redes sociais an\u00e1lise que mostrava que um &#8220;tsunami&#8221; se aproximava. Ele e outros especialistas refutam o argumento de que o surgimento inesperado da variante levou ao cen\u00e1rio atual. &#8220;A pr\u00f3pria exist\u00eancia da variante se deu por causa do desrespeito das medidas de distanciamento. Fica parecendo que est\u00e1vamos fazendo tudo certo e demos o azar de ter uma variante que acabou com nossos esfor\u00e7os. Provavelmente, n\u00e3o haveria variante se estiv\u00e9ssemos fazendo um bom controle&#8221;, diz Schrarstzhaupt.<small>Continua depois da publicidade<\/small><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Minist\u00e9rio diz que repassou dinheiro para Estados<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Questionado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse manter esfor\u00e7o constante para garantir atendimento em sa\u00fade, tendo repassado aos Estados R$ 33,2 bilh\u00f5es para a\u00e7\u00f5es contra a covid-19. A pasta ressaltou que Estados e munic\u00edpios t\u00eam autonomia para definir medidas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>O minist\u00e9rio informou ainda que, como preven\u00e7\u00e3o e controle, preconiza o &#8220;uso de m\u00e1scaras, bem como evitar aglomera\u00e7\u00e3o, dist\u00e2ncia de pelo menos 1 metro entre as pessoas, etiqueta respirat\u00f3ria e higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o afirmou que est\u00e1 trabalhando para atender a todos no plano de vacina\u00e7\u00e3o. At\u00e9 agora, informa a pasta, mais de 17 milh\u00f5es de doses j\u00e1 foram distribu\u00eddas e a previs\u00e3o \u00e9 de que outras 29 milh\u00f5es sejam entregues ainda em mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Queda nos n\u00fameros s\u00f3 deve vir em 5 semanas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O abismo entre o Brasil e os demais pa\u00edses no controle da pandemia deve aumentar nas pr\u00f3ximas semanas, principalmente se o Pa\u00eds seguir com uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o lenta e se os governos estaduais recuarem rapidamente das quarentenas mais r\u00edgidas que ganharam espa\u00e7o nos \u00faltimos dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, com um patamar ainda alto de casos, o Pa\u00eds deve levar muito tempo para reverter a tend\u00eancia de aumento, enquanto outras na\u00e7\u00f5es mant\u00eam as infec\u00e7\u00f5es em baixa com reaberturas cautelosas e vacina\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo se tivermos um lockdown nacional rigoroso no Brasil, ainda demorar\u00edamos de tr\u00eas a quatro semanas para ver uma queda nas hospitaliza\u00e7\u00f5es e cinco a seis semanas para ter uma diminui\u00e7\u00e3o das mortes&#8221;, opina Ricardo Parolin Schnekenberg, doutorando da Universidade de Oxford e colaborador do Imperial College London nos estudos sobre covid-19 no Brasil.<small>Continua depois da publicidade<\/small><\/p>\n\n\n\n<p>Ele conta que, no Reino Unido, mesmo com o n\u00famero de novos \u00f3bitos em queda h\u00e1 mais de um m\u00eas, o lockdown come\u00e7ar\u00e1 a ser flexibilizado somente nesta semana, com a reabertura das escolas a partir de amanh\u00e3. Com\u00e9rcios n\u00e3o essenciais ser\u00e3o permitidos apenas em abril. J\u00e1 restaurantes e pubs poder\u00e3o reabrir em maio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um processo lento e cauteloso para que o n\u00famero de casos tenha uma redu\u00e7\u00e3o grande e qualquer surto seja mais facilmente controlado, e tamb\u00e9m para que d\u00ea tempo de mais gente ser imunizada&#8221;, afirma o m\u00e9dico brasileiro sobre a estrat\u00e9gia adotada pelo pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcia Castro, professora da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade Harvard, concorda que uma melhora nos indicadores s\u00f3 ser\u00e1 permitida em semanas. &#8220;A gente chegou a uma situa\u00e7\u00e3o em que nada vai fazer o problema ser resolvido r\u00e1pido. Para resolver r\u00e1pido, t\u00ednhamos de ter come\u00e7ado antes. Mas quanto mais demorarmos para fazer algo, mais vidas perderemos. As medidas restritivas e a amplia\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o, portanto, s\u00e3o para ontem&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aux\u00edlio<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para Schnekenberg, \u00e9 tamb\u00e9m urgente no Brasil que ocorra a oferta de socorro a pessoas e empresas em situa\u00e7\u00e3o financeira dif\u00edcil, justamente por conta dos efeitos da pandemia alongada. &#8220;N\u00e3o tem como exigir o cumprimento dessas restri\u00e7\u00f5es sem um aux\u00edlio financeiro tanto para trabalhadores quanto para empres\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, o aux\u00edlio emergencial foi pago a trabalhadores informais, desempregados e benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia. Com o agravamento da pandemia, h\u00e1 press\u00e3o por uma nova rodada de benef\u00edcios que ainda n\u00e3o foi definida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em><strong>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento em que vive a pior fase da\u00a0pandemia, com recorde de v\u00edtimas e hospitais colapsando, o Brasil se v\u00ea na contram\u00e3o do mundo. 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