{"id":21240,"date":"2017-06-06T09:50:09","date_gmt":"2017-06-06T12:50:09","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=21240"},"modified":"2017-06-06T09:50:09","modified_gmt":"2017-06-06T12:50:09","slug":"pode-quatro-maneiras-como-a-pobreza-pode-afetar-o-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/06\/06\/pode-quatro-maneiras-como-a-pobreza-pode-afetar-o-cerebro\/","title":{"rendered":"PODE: Quatro maneiras como a pobreza pode afetar o c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">O nosso c\u00e9rebro pode ser afetado pela pobreza?<\/p>\n<p>Crian\u00e7as que vivem em condi\u00e7\u00f5es menos favorecidas apresentam, em geral, pior desempenho na escola.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o pode estar na m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00f5es de estresse no ambiente familiar ou na falta de aten\u00e7\u00e3o que recebem dos pais, entre outros fatores.<\/p>\n<p>Um n\u00famero cada vez maior de cientistas sugere, no entanto, que pode haver algo mais. Ser\u00e1 que a pobreza pode mudar a nossa forma de pensar?<\/p>\n<p>A BBC discutiu o tema a partir de quatro perspectivas com diferentes especialistas.<\/p>\n<p><strong>1. Sobrecarga mental<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Pe\u00e7a a um grupo de pessoas que memorize uma s\u00e9rie de sete d\u00edgitos. Conseguem se lembrar da sequ\u00eancia 7, 4, 2, 6, 2, 4, 9?&#8221;, prop\u00f5e Eldar Shafir, professor de ci\u00eancia comportamental e pol\u00edticas p\u00fablicas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto voc\u00ea guarda os n\u00fameros em sua mem\u00f3ria de curto prazo, tentando n\u00e3o esquecer, sua mente est\u00e1 literalmente cheia. Voc\u00ea tem menos espa\u00e7o cognitivo para outras coisas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Grande parte do trabalho desenvolvido por Shafir sugere que viver em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, tendo que fazer malabarismo com os poucos recursos que se tem e constantemente preocupado em como pagar as contas no fim do m\u00eas, tem efeito semelhante a guardar sete d\u00edgitos na cabe\u00e7a o tempo todo.<\/p>\n<p>&#8220;Isso faz com que voc\u00ea se esque\u00e7a de outras coisas, voc\u00ea fica com uma aten\u00e7\u00e3o limitada&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Para provar a liga\u00e7\u00e3o direta entre a pobreza e o funcionamento do c\u00e9rebro, o professor realizou v\u00e1rios experimentos.<\/p>\n<p>Em um deles, disse tanto a pessoas menos favorecidas quanto em boa situa\u00e7\u00e3o de vida o que teriam que fazer para consertar o carro.<\/p>\n<p>A alguns informou que o reparo custaria US$ 150 e a outros que ultrapassaria US$ 1.500, independentemente do status social.<\/p>\n<p>Em seguida, os submeteu a uma s\u00e9rie de testes cognitivos.<\/p>\n<p>Ao analisar os resultados, Shafir observou que os ricos tiveram desempenho semelhante, independentemente do valor que tiveram que pagar.<\/p>\n<p>J\u00e1 os mais pobres tiveram melhor desempenho quando a conta era menor.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a chegou a ser de 12 ou 13 pontos de quociente de intelig\u00eancia (QI).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um n\u00famero muito significativo, que pode fazer a diferen\u00e7a entre estar dentro da m\u00e9dia ou ser superdotado, por exemplo&#8221;.<\/p>\n<p>O experimento de Shafir sugere que a intelig\u00eancia pode ser afetada a curto prazo pela pobreza.<\/p>\n<p>Mas podemos dizer que a pobreza provoca altera\u00e7\u00f5es cerebrais a longo prazo?<\/p>\n<p><strong>2. Mal funcionamento geral<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Adoro interagir com pessoas mais velhas&#8221;, diz \u00e0 BBC Adina Zeki al Hazzuri, professora da Universidade de Miami que investiga o impacto da sociedade sobre a nossa sa\u00fade.<\/p>\n<p>Hazzuri pesquisa o envelhecimento cerebral. Ela acaba de concluir um estudo de acompanhamento de 3.500 adultos que tinham entre 18 e 30 anos em 1985.<\/p>\n<p>Por duas d\u00e9cadas, os participantes da pesquisa informaram suas rendas.<\/p>\n<p>&#8220;Quer\u00edamos medir a influ\u00eancia de um rendimento baixo no funcionamento do c\u00e9rebro a longo prazo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>As pessoas foram submetidas a tr\u00eas testes confi\u00e1veis \u200b\u200bpara detectar envelhecimento cognitivo.<\/p>\n<p>&#8220;Constatamos que pessoas que viveram em situa\u00e7\u00e3o de pobreza o tempo todo durante esses 20 anos tiveram resultados muito piores do que aquelas que nunca passaram por essa experi\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Hazzuri admite que \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o que acontece primeiro: se o c\u00e9rebro n\u00e3o funciona bem e, em seguida, fica-se mais pobre ou o inverso.<\/p>\n<p>Para tirar essa d\u00favida, os pesquisadores fizeram outra an\u00e1lise tomando como base uma amostra s\u00f3 de pessoas com alto n\u00edvel educacional e que estavam saud\u00e1veis \u200b\u200bno in\u00edcio do estudo.<\/p>\n<p>&#8220;A associa\u00e7\u00e3o entre a pobreza e a fun\u00e7\u00e3o cognitiva se manteve&#8221;, explica a professora. &#8220;Eu diria que a pobreza muda, sem d\u00favida, a forma como pensamos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>3. Freio ao desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>E o c\u00e9rebro das crian\u00e7as?<\/p>\n<p>&#8220;Corta o cora\u00e7\u00e3o ver o impacto que a pobreza tem em uma crian\u00e7a&#8221;, lamenta Katie McLaughlin, professora de psicologia na Universidade de Washington.<\/p>\n<p>McLaughlin \u00e9 especialista no estudo de crian\u00e7as em seus primeiros anos de vida, quando o c\u00e9rebro apresenta um desenvolvimento maior.<\/p>\n<p>Ela concentrou parte de seu trabalho em orfanatos na Rom\u00eania, onde a situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as era devastadora.<\/p>\n<p>&#8220;Se pudermos entender como essa forma extrema de pobreza afeta o desenvolvimento do c\u00e9rebro, talvez possamos aprender algo sobre o que acontece no c\u00e9rebro de crian\u00e7as que crescem na pobreza&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, McLaughlin observou como os c\u00e9rebros de crian\u00e7as que vivem em condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1ria s\u00e3o debilitados, especialmente em \u00e1reas que processam a linguagem complexa.<\/p>\n<p>&#8220;Os circuitos neurais e as conex\u00f5es projetadas para processar a informa\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o forem utilizados, desaparecem&#8221;, explica. &#8220;Se isso acontecer de forma cont\u00ednua e em larga escala, contribui para um estreitamento do c\u00f3rtex&#8221;.<\/p>\n<p>McLaughlin acrescenta que o enfraquecimento da massa cinzenta externa do c\u00e9rebro de crian\u00e7as de orfanatos da Rom\u00eania tamb\u00e9m foi observado em crian\u00e7as de \u00e1reas pobres dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A pesquisadora acredita que os c\u00e9rebros das crian\u00e7as romenas foram prejudicados por n\u00e3o receberem est\u00edmulos suficientes &#8211; talvez n\u00e3o se tenha conversado ou brincado com elas o bastante.<\/p>\n<p>E, de certa forma, ela afirma que o mesmo deve ter acontecido com os jovens americanos em bols\u00f5es de pobreza.<\/p>\n<p>A especialista reconhece, no entanto, que n\u00e3o h\u00e1 como garantir com certeza que haja uma rela\u00e7\u00e3o de causa-efeito entre a pobreza e a deteriora\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p><strong>4. Existe uma evid\u00eancia clara?<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Acho que h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias para estabelecer a rela\u00e7\u00e3o entre pobreza e mudan\u00e7as cerebrais, mas \u00e9 um campo de estudo relativamente recente &#8220;, diz Charles Nelson, professor de pediatria e neuroci\u00eancia da Universidade de Harvard.<\/p>\n<p>Mas algu\u00e9m j\u00e1 demonstrou que a pobreza causa mudan\u00e7as no c\u00e9rebro das pessoas, ou simplesmente se associa a pobreza a essas mudan\u00e7as?<\/p>\n<p>&#8220;O simples fato de n\u00e3o ganhar uma certa quantia de dinheiro n\u00e3o causa nada&#8221;, diz Nelson. &#8220;\u00c9 o que est\u00e1 relacionado \u00e0 aus\u00eancia de uma certa quantidade de dinheiro que parece causar (danos). Por exemplo, a falta de comida ou o fato de n\u00e3o ter acesso a um bom sistema de sa\u00fade ou o estresse elevado na fam\u00edlia que pode levar \u00e0 falta de cuidados&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que est\u00e1 crescendo o interesse da ci\u00eancia em decifrar a rela\u00e7\u00e3o entre a pobreza e o c\u00e9rebro, mas j\u00e1 sab\u00edamos que a pobreza \u00e9 ruim para a nossa sa\u00fade. Qual seria ent\u00e3o a novidade?<\/p>\n<p>&#8220;As ferramentas (de pesquisa) est\u00e3o mais sofisticadas e nos permitem avaliar o c\u00e9rebro, algo que n\u00e3o se podia fazer h\u00e1 10 anos&#8221;, diz Nelson.<\/p>\n<p>E mesmo que as conclus\u00f5es sejam parecidas ao que not\u00e1vamos empiricamente, o estudo \u00e9 v\u00e1lido para chamar a aten\u00e7\u00e3o ao tema.<\/p>\n<p>&#8220;A bonitas imagens do c\u00e9rebro parecem ter mais impacto do que imagens de crian\u00e7as famintas. Acho que as pessoas est\u00e3o vendo que h\u00e1 um pre\u00e7o biol\u00f3gico a ser pago por crescer na pobreza&#8221;, conclui Nelson.<\/p>\n<p>Para finalizar, voc\u00ea lembra da sequ\u00eancia de sete d\u00edgitos?<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>BBC\/Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a><strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0veja nossas mat\u00e9rias e fotos. 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