{"id":21461,"date":"2017-06-09T13:14:40","date_gmt":"2017-06-09T16:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=21461"},"modified":"2017-06-09T13:18:14","modified_gmt":"2017-06-09T16:18:14","slug":"ato-que-separou-princesa-da-pb-completa-87-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/06\/09\/ato-que-separou-princesa-da-pb-completa-87-anos\/","title":{"rendered":"Ato que separou Princesa da PB completa 87 anos"},"content":{"rendered":"<p>Princesa Isabel, Para\u00edba, 9 de junho de 1930. Naquele dia, o coronel e deputado estadual Jos\u00e9 Pereira, o prefeito Jos\u00e9 Fraz\u00e3o de Medeiros Lima e o presidente da C\u00e2mara, Manoel Rodrigues Sinh\u00f4, assinaram decreto redigido pelo professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito de Recife, Odilon Nestor Barros Ribeiro, proclamando a autonomia pol\u00edtica e administrativa do munic\u00edpio de Princesa Isabel em rela\u00e7\u00e3o ao Estado da Para\u00edba. O decreto que criou o \u201cTerrit\u00f3rio Livre de Princesa\u201d faz 87 anos hoje. O documento foi publicado 12 dias depois- 21 de junho- na primeira p\u00e1gina do Jornal de Princeza.<\/p>\n<p>O decreto, segundo o historiador Paulo Mariano, que \u00e9 natural de Princesa e pai da doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Serioja Rodrigues Cordeiro Mariano (professora do curso de Hist\u00f3ria da Universidade Federal da Para\u00edba- UFPB), apenas formalizou a separa\u00e7\u00e3o de Princesa do Estado da Para\u00edba, fato constatado desde 28 de fevereiro do mesmo ano, como frisa o pr\u00f3prio documento.<\/p>\n<p>\u201cFica decretada e proclamada provisoriamente a independ\u00eancia do munic\u00edpio de Princeza, deixando o mesmo de fazer parte do Estado da Para\u00edba, do qual est\u00e1 separado desde 28 de fevereiro do corrente ano\u201d, diz o primeiro artigo do decreto. O artigo segundo afirma: \u201cPassa o munic\u00edpio de Princeza a constituir, com seus limites atuais, um territ\u00f3rio livre que ter\u00e1 a denomina\u00e7\u00e3o de Territ\u00f3rio de Princeza\u201d.<\/p>\n<p>O artigo terceiro diz: \u201cO Territ\u00f3rio de Princeza, assim constitu\u00eddo, permanece subordinado politicamente ao poder p\u00fablico federal, conforme se acha estabelecido na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica dos Estados Unidos do Brasil\u201d. Por fim, o artigo quarto afirma: \u201cEnquanto, pelos meios populares, n\u00e3o se fizer sua organiza\u00e7\u00e3o legal, ser\u00e1 o Territ\u00f3rio regido pela administra\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria do mesmo territ\u00f3rio. Cidade de Princeza, em 09 de junho de 1930\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Paulo Mariano, a partir do decreto de 1930, \u201cPrincesa ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional e internacional\u201d. \u201cTinha suas pr\u00f3prias leis, seu hino, sua bandeira, seu jornal, seus ministros e seu Ex\u00e9rcito\u201d, frisou. De acordo com o historiador, at\u00e9 o temido cangaceiro Virgulino Ferreira, conhecido popularmente como Lampi\u00e3o, foi convidado pelo delegado de Pol\u00edcia de Pianc\u00f3, Manoel C\u00e2ndido, para lutar contra os revoltosos de Princesa. \u201cO conceituado \u00f3rg\u00e3o de imprensa norte-americana, Time, dedicou uma longa mat\u00e9ria a respeito do Territ\u00f3rio de Princeza\u201d, assegura Paulo Mariano no livro \u201cPrincesa antes e depois de 30\u201d, publicado pela Editora Ideia (2015), em segunda edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada.<\/p>\n<p>No livro, Paulo Mariano diz que o Jornal do Commercio, de Recife, publicou no dia 14 de junho de 1930, que a Junta Governativa do Territ\u00f3rio Livre de Princesa tencionava baixar decretos para organizar sua pol\u00edcia com 2 mil homens e regulamentar a cobran\u00e7a de impostos. \u201cE segundo Joaquim Inojosa, no seu livro Rep\u00fablica de Princesa, a junta governativa chegou a decretar a pena de morte, com fuzilamento sem processo, para aquele que ofendesse (defloarasse) mo\u00e7as\u201d, diz Paulo Mariano no livro.<\/p>\n<p><strong>Advers\u00e1rio do presidente<\/strong><\/p>\n<p>Mas, por que Princesa se rebelou contra a Para\u00edba? Esse assunto \u00e9 de dom\u00ednio p\u00fablico: O coronel Jos\u00e9 Pereira, chefe pol\u00edtico local, era advers\u00e1rio do presidente do Estado, Jo\u00e3o Pessoa, a quem declarou guerra. No entanto, conforme Paulo Mariano, antes da guerra de Princesa, Jos\u00e9 Pereira e Jo\u00e3o Pessoa eram aliados, embora sem muitas afinidades. O descontentamento do coronel aumentou ainda mais depois que Jo\u00e3o Pessoa disse, em mat\u00e9ria publicada no Jornal A Uni\u00e3o, ter verificado que a Para\u00edba \u201cestava enfeudada \u00e0s chefias pol\u00edticas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO chefe pol\u00edtico situacionista n\u00e3o se limitava \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es ou aos seus deveres partid\u00e1rios. Nos munic\u00edpios, sobretudo, com honrosas excep\u00e7\u00f5es, elle, intervinha discricionariamente no mechanismo administrativo. Arrecadava e dispunha, como bem entendia, das receitas p\u00fablicas. Tributava e n\u00e3o era tributado. Fazia justi\u00e7a mas n\u00e3o se deixava justi\u00e7ar. Tornava-se, como de v\u00ea, um elemento pernicioso, em vez de ser um agente estimulador&#8230;\u201d, disse Jo\u00e3o Pessoa em A Uni\u00e3o no dia 11 de outubro de 1929, um ano depois de ter assumido o governo.<\/p>\n<p>Mesmo sendo atingido diretamente por farpas que partiam de Jo\u00e3o Pessoa, Jos\u00e9 Pereira, continuou apoiando o presidente como mostra telegrama por ele enviado ao secret\u00e1rio de Interior e Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, publicado no jornal A Uni\u00e3o no dia 15 de outubro de 1929. No telegrama Jos\u00e9 Pereira declarava estar firme no apoio \u00e0 Alian\u00e7a Liberal e \u00e0s candidaturas de Get\u00falio Vargas e Jo\u00e3o Pessoa a presidente e vice da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>O telegrama: \u201cPrinceza -13- Cheguei hontem, encontrando maior ordem munic\u00edpio. Nosso partido coheso, e gra\u00e7as a Deus ainda n\u00e3o conta uma deser\u00e7\u00e3o. Todos firmes lado Alian\u00e7a Liberal- Jos\u00e9 Pereira\u201d.<\/p>\n<p>No dia 19 de fevereiro de 1930, segundo Paulo Mariano, Jo\u00e3o Pessoa, na tentativa de contornar uma crise pol\u00edtica provocada pela diverg\u00eancia na composi\u00e7\u00e3o da chapa para deputado federal, foi a Princesa se encontrar com Jos\u00e9 Pereira. Levou o secret\u00e1rio Jos\u00e9 Am\u00e9rico, o coronel El\u00edsio Sobreira (comandante da For\u00e7a P\u00fablica) e o diretor de saneamento da Capital, Antenor Navarro.<\/p>\n<p>\u201cA comitiva foi recebida com festa. Em que pese as sucessivas conversas, o presidente e Jos\u00e9 Pereira, chefe pol\u00edtico princesense, n\u00e3o encontraram um denominador comum. O coronel, descontente com o crit\u00e9rio adotado para efeito de forma\u00e7\u00e3o da chapa, rompe com o presidente\u201d, frisa Paulo Mariano.<\/p>\n<p>A partir do rompimento, no dia 22 de fevereiro de 1930, teve in\u00edcio o processo que resultou na chamada guerra e Princesa. Paulo Mariano frisa no livro que o rompimento com Jo\u00e3o Pessoa fora combinado com os primos do presidente paraibano, com sobrenome Pessoa de Queiroz, que moravam em Recife, e dominavam um imp\u00e9rio industrial, jornal\u00edstico e mercantil na Capital pernambucana.<\/p>\n<p>Mas por que Jos\u00e9 Pereira usou como pretexto a forma\u00e7\u00e3o da chapa para deputado federal para romper com Jo\u00e3o Pessoa. Porque, segundo Paulo Mariano, o partido do presidente, do qual Pereira fazia parte, o PRP (Partido Republicano da Para\u00edba), por meio da Comiss\u00e3o Executiva, reunida em 17 de fevereiro de 1930, excluiu todos os candidatos \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o e deixou apenas Carlos Pessoa, primo de Jo\u00e3o Pessoa.\u00a0 Na verdade, a escolha dos candidatos teria sido feita por Jo\u00e3o Pessoa e n\u00e3o pelo partido.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pereira enviou telegrama a Jo\u00e3o Pessoa, dizendo que a escolha dos candidatos \u00e0 revelia da Comiss\u00e3o Executiva \u201ccaracteriza palp\u00e1vel desrespeito\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse div\u00f3rcio afasta os compromissos velhos baluartes da vit\u00f3ria de 1915 para com os princ\u00edpios desse partido que V. Excia. acaba de falsear. Por isso tudo, delibero adotar a chapa nacional, concedendo liberdade meus amigos para usarem direito voto consoante lhes ditar opini\u00e3o, comprometendo-me ainda defend\u00ea-los se qualquer ato de viol\u00eancia do governo atentar contra direito voto assegurado Constitui\u00e7\u00e3o. Sauda\u00e7\u00f5es. Jos\u00e9 Pereira\u201d, diz o telegrama enviado a Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>A repres\u00e1lia veio dois dias depois, em 24 de fevereiro de 1930. \u201cO presidente Jo\u00e3o Pessoa, visando desestabilizar o poder de mando do coronel, retira (demite) os funcion\u00e1rios do Estado lotados em Princesa, quase todos parentes e amigos de Jos\u00e9 Pereira, e exonera o prefeito Jos\u00e9 Fraz\u00e3o de Medeiros Lima, o vice-prefeito Glic\u00e9rio Florentino Diniz, e o adjunto de promotor Manoel Medeiros Lima, indicados pelo chefe pol\u00edtico princesense\u201d, afirma Paulo Mariano no seu livro.<\/p>\n<p>Em 28 de fevereiro de 1930, a guerra teve in\u00edcio. O Estado refor\u00e7ou sua for\u00e7a policial e o coronel Jos\u00e9 Pereira fez a mesma coisa. Os confrontos foram inevit\u00e1veis. Houve combates entre as duas for\u00e7as em Patos, \u00c1gua Branca, Pianc\u00f3, Teixeira, Santana dos Garrotes, Imaculada. A revolta de espalhou por v\u00e1rios munic\u00edpios.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o presidencial aconteceu em 1\u00ba de 1930, um dia ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra na Para\u00edba. A chapa da Alian\u00e7a Liberal (Get\u00falio Vargas-Jo\u00e3o Pessoa) foi derrotada no Pa\u00eds. A chapa vitoriosa foi a da Concentra\u00e7\u00e3o Republicana (J\u00falio Prestes-Vital Soares). Get\u00falio obteve 40,41% dos votos. Jo\u00e3o Pessoa ficou com 40,11%. Na \u00e9poca, o eleitor votava separadamente para presidente e vice. Vitorioso, J\u00falio Prestes teve 59,39%. Seu vice, Vital Soares, teve 59,67%.<\/p>\n<p>Dia 9 de junho, Princesa se separou da Para\u00edba. Em 26 de julho, Jo\u00e3o Pessoa foi assassinado. A guerra s\u00f3 terminou no dia 17 de agosto. O assassinato de Jo\u00e3o Pessoa foi um dos motivos da revolu\u00e7\u00e3o de 1930. Derrotado nas urnas, Get\u00falio liderou um golpe de Estado que retirou do poder o presidente <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Washington_Lu%C3%ADs\">Washington Lu\u00eds<\/a> no dia <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/24_de_outubro\">24 de outubro<\/a> de 1930 e impediu a posse do presidente eleito, J\u00falio Prestes. Ele assumiu o Governo Provis\u00f3rio, transformado em uma ditadura que durou 15 anos.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<div class=\"assinatura pull-left\">Correio da Para\u00edba\/Foto: Adelson Barbosa dos Santos Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a><strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0veja nossas mat\u00e9rias e fotos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode enviar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do Portal Cariri em A\u00e7\u00e3o pelo WhatsApp (83) 9 9634.5791, (83) 9 9601-1162.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Princesa Isabel, Para\u00edba, 9 de junho de 1930. 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