{"id":216079,"date":"2021-04-28T11:31:56","date_gmt":"2021-04-28T14:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=216079"},"modified":"2021-04-28T11:31:59","modified_gmt":"2021-04-28T14:31:59","slug":"vacinas-testes-covidario-fake-news-entenda-23-acusacoes-previstas-pelo-governo-na-cpi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/04\/28\/vacinas-testes-covidario-fake-news-entenda-23-acusacoes-previstas-pelo-governo-na-cpi\/","title":{"rendered":"Vacinas, testes, &#8216;covid\u00e1rio&#8217;, fake news; entenda 23 acusa\u00e7\u00f5es previstas pelo governo na CPI"},"content":{"rendered":"\n<p>A CPI da Covid foi instalada nesta ter\u00e7a-feira (27), quando foram escolhidos oficialmente presidente, vice-presidente e relator da comiss\u00e3o. O governo conta com apenas 4 aliados entre os 11 membros titulares.<\/p>\n\n\n\n<p>A presid\u00eancia ficou nas m\u00e3os de Omar Aziz (PSD-AM), que se diz independente, mas possui boa rela\u00e7\u00e3o com o governo. A relatoria ficou a cargo de Renan Calheiros (MDB-AL), que segue linha de oposi\u00e7\u00e3o ao governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Preocupado com poss\u00edveis desdobramentos negativos da CPI, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) tentou prever prov\u00e1veis questionamentos. Encaminhou a minist\u00e9rios, ent\u00e3o, as 23 principais acusa\u00e7\u00f5es que, acredita, ser\u00e3o levantadas contra a atual gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que as pastas disponibilizem informa\u00e7\u00f5es para que o Planalto prepare uma defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja, abaixo, as 23 poss\u00edveis acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1 \u2014&nbsp;O governo foi negligente com processo de aquisi\u00e7\u00e3o da Coronavac e desacreditou a efic\u00e1cia da vacina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com o laborat\u00f3rio chin\u00eas Sinovac, \u00e9, atualmente, o principal imunizante aplicado na campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Patrocinada pelo principal advers\u00e1rio pol\u00edtico de Bolsonaro e governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o Doria (PSDB), a Coronavac foi alvo de cr\u00edticas constantes por parte de Bolsonaro antes da aprova\u00e7\u00e3o de uso pela Anvisa. A falta de apoio por parte do governo federal na produ\u00e7\u00e3o da vacina e a demora do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para comprar as doses podem ser apresentadas na CPI como elementos que contribu\u00edram para a lentid\u00e3o da imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As constantes cr\u00edticas sobre a efic\u00e1cia da Coronavac pelo presidente tamb\u00e9m devem ser mencionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro chegou a desautorizar o ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade, general Eduardo Pazuello, que havia anunciado acordo para compra de 46 milh\u00f5es de doses da Coronavac. A vacina s\u00f3 foi efetivamente adquirida pelo governo federal em janeiro deste ano, pouco antes do estado de S\u00e3o Paulo amea\u00e7ar iniciar uma vacina\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de janeiro, o presidente disse que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 nada comprovado cientificamente sobre essa vacina a\u00ed&#8221;, mesmo ap\u00f3s a Coronavac j\u00e1 ter tido efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a comprovadas e ter sido aprovada pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, o Brasil utiliza apenas duas vacinas. A Coronavac, que j\u00e1 teve 41,4 milh\u00f5es de doses disponibilizadas ao PNI (Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es), e a vacina Oxford\/AstraZeneca, produzida pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, que teve 20 milh\u00f5es de doses disponibilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, foram aplicadas pouco mais de 41,6 milh\u00f5es de vacinas no pa\u00eds, entre primeira e segunda dose, n\u00famero considerado ainda insuficiente diante do tamanho da popula\u00e7\u00e3o brasileira e da severidade da pandemia no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 \u2014&nbsp;O governo minimizou a gravidade da pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, o governo federal minimizou a dimens\u00e3o do problema e desacreditou medidas de preven\u00e7\u00e3o como o uso das m\u00e1scaras e o isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de chamar a doen\u00e7a de gripezinha, outras frases ditas por Bolsonaro ao longo dos \u00faltimos 14 meses incluem: &#8220;Est\u00e1 havendo uma histeria&#8221;; &#8220;parece que est\u00e1 come\u00e7ando a ir embora essa quest\u00e3o do v\u00edrus&#8221;; &#8220;tem que deixar de ser um pa\u00eds de maricas&#8221;; &#8221; essa conversinha de segunda onda&#8221; e &#8220;estamos vivendo um finalzinho de pandemia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa postura pode ser apresentada durante a CPI como neglig\u00eancia. O presidente tamb\u00e9m dever\u00e1 ser questionado sobre sua participa\u00e7\u00e3o constante em aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro tamb\u00e9m fez insinua\u00e7\u00f5es sobre o uso de m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o contra a Covid. &#8220;Come\u00e7am a aparecer os efeitos colaterais das m\u00e1scaras&#8221;, disse, sem dar mais detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu tenho minha opini\u00e3o sobre as m\u00e1scaras, cada um tem a sua, mas a gente aguarda um estudo sobre isso feito por pessoas competentes&#8221;, afirmou, embora o uso seja recomendado pela OMS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3 \u2014 O governo n\u00e3o incentivou a ado\u00e7\u00e3o de medidas restritivas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, Bolsonaro e boa parte dos ministros promoveram aglomera\u00e7\u00f5es em eventos oficiais e criticaram a orienta\u00e7\u00e3o de isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Criaram p\u00e2nico, n\u00e9? O problema est\u00e1 a\u00ed, lamentamos. Mas voc\u00ea n\u00e3o pode entrar em p\u00e2nico. Que nem a pol\u00edtica, de novo, de &#8216;fique em casa&#8217;. O pessoal vai morrer de fome, de depress\u00e3o?&#8221;, disse Bolsonaro, mesmo diante do momento mais severo da pandemia e com recordes di\u00e1rios no n\u00famero de mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>O Executivo chegou a entrar no STF (Supremo Tribunal Federal) com pedido, no in\u00edcio de janeiro deste ano, para impedir que governadores e prefeitos adotassem medidas de combate como isolamento social, quarentena e uso de m\u00e1scara. O argumento do governo Bolsonaro era que existia um &#8220;iminente perigo p\u00fablico&#8221;. O pedido acabou negado.<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro tamb\u00e9m defendeu, diversas vezes, a abertura de templos religiosos. Para isso, baixou um decreto em mar\u00e7o de 2020 classificando as atividades religiosas como servi\u00e7os essenciais. O mesmo decreto inclu\u00eda tamb\u00e9m casas lot\u00e9ricas no rol de atividades essenciais. As medidas acabaram vetadas pela Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4 \u2014&nbsp;O governo promoveu &#8216;tratamento precoce&#8217; sem evid\u00eancias cient\u00edficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de efic\u00e1cia, Bolsonaro costuma incentivar o uso de rem\u00e9dios como a hidroxicloroquina, chamados por ele de &#8220;tratamento precoce&#8221;.<br>Esses medicamentos n\u00e3o t\u00eam efic\u00e1cia comprovada contra o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas, al\u00e9m de incentivar a automedica\u00e7\u00e3o, esse tipo de postura pode promover uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, levando algumas pessoas a assumir o comportamento de risco. Em alguns casos, essas drogas podem provocar efeitos colaterais.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste ano, Bolsonaro criticou a aus\u00eancia do uso dos medicamentos em Manaus, cidade que vivia um agravamento da doen\u00e7a. &#8220;Mandamos ontem [segunda-feira (12)] o nosso ministro da Sa\u00fade [general Eduardo Pazuello, na \u00e9poca] para l\u00e1. Estava um caos. N\u00e3o faziam tratamento precoce.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o do ano passado, o presidente anunciou que o Ex\u00e9rcito iria intensificar a produ\u00e7\u00e3o de cloroquina em seus laborat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ex\u00e9rcito viabilizou recursos p\u00fablicos para a amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dois dias depois de Bolsonaro determinar ao ent\u00e3o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, o aumento da fabrica\u00e7\u00e3o da droga.<\/p>\n\n\n\n<p>A unidade favorecida foi o Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico Farmac\u00eautico do Ex\u00e9rcito. Foi ele que produziu 3,2 milh\u00f5es de comprimidos de cloroquina para atender o presidente. O Ex\u00e9rcito gastou R$ 1,1 milh\u00e3o em recursos p\u00fablicos com a empreitada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5 \u2014&nbsp;O governo retardou e negligenciou o enfrentamento \u00e0 crise no Amazonas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O general Eduardo Pazuello, ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade, admitiu que soube da possibilidade de falta de oxig\u00eanio no Amazonas no dia 8 de janeiro, uma semana antes do dia com mais mortes por asfixia no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O general foi avisado sobre a escassez cr\u00edtica do insumo em Manaus por integrantes do governo estadual, pela empresa que fornece o produto e at\u00e9 mesmo por uma cunhada sua que tinha um familiar &#8220;sem oxig\u00eanio para passar o dia&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pazuello tamb\u00e9m foi informado sobre problemas log\u00edsticos nas remessas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos 11 ind\u00edcios, que podem vir a ser usados como prova, refor\u00e7am que a c\u00fapula do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tinha conhecimento pr\u00e9vio sobre a grave escassez de oxig\u00eanio nos hospitais em Manaus e foi omissa diante do tamanho do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ind\u00edcios est\u00e3o em um relat\u00f3rio assinado pelo pr\u00f3prio ministro, em um documento da secretaria-executiva da pasta, em um plano de conting\u00eancias montado para lidar com a crise no Amazonas, em relat\u00f3rios de grupos independentes enviados ao estado e em emails e documentos da White Martins, empresa contratada pelo governo local para abastecer as unidades de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6 &#8211; O governo n\u00e3o promoveu campanhas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A atual gest\u00e3o poder\u00e1 ser questionada ao longo da CPI sobre a aus\u00eancia de campanhas de preven\u00e7\u00e3o. Ao longo dos 14 meses de pandemia praticamente n\u00e3o existiram a\u00e7\u00f5es por parte do governo federal para promover a preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante suas lives semanais, o presidente Bolsonaro costuma criticar as medidas indicadas por especialistas e pela OMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, o vice-presidente, Hamilton Mour\u00e3o (PRTB), admitiu que o governo federal deveria ter lan\u00e7ado desde o in\u00edcio da pandemia uma campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pelo uso de m\u00e1scaras e contra aglomera\u00e7\u00f5es. Ele disse ainda que foi uma falha da administra\u00e7\u00e3o federal n\u00e3o ter promovido esse tipo de a\u00e7\u00e3o.<br>&#8220;Eu julgo que n\u00f3s dever\u00edamos ter, desde o come\u00e7o, tido uma campanha em n\u00edvel federal \u2013 uma vez que as medidas locais pertencem aos gestores e isso \u00e9 inconteste \u2013 mas uma campanha s\u00e9ria de conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de lockdown ou n\u00e3o lockdown, mas uma quest\u00e3o das pessoas entenderem que elas t\u00eam que se resguardar o m\u00e1ximo poss\u00edvel, evitando, vamos dizer, aglomera\u00e7\u00f5es com gente que desconhecem&#8221;, disse em entrevista ao canal MyNews.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7 \u2014 O governo n\u00e3o coordenou o enfrentamento \u00e0 pandemia em \u00e2mbito nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das a\u00e7\u00f5es de combate ao novo coronav\u00edrus foram elaboradas por governadores e prefeitos de forma individual e descentralizada. Eles tomaram medidas como fechamento de estabelecimentos, incentivo ao isolamento, leis sobre uso de m\u00e1scaras e busca por vacinas.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Conass (Conselho de Secret\u00e1rios Estaduais de Sa\u00fade), Carlos Lula afirmou em mar\u00e7o deste ano, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que depois de dez meses de gest\u00e3o de Eduardo Pazuello, boa parte do grupo perdeu a paci\u00eancia com o ex-ministro. Ele disse que os sucessivos erros da pasta minaram a credibilidade do general.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele classificou o cen\u00e1rio da pandemia como horroroso e afirmou que o pior advers\u00e1rio no enfrentamento \u00e0 Covid-19 \u00e9 o presidente Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de coordena\u00e7\u00e3o das autoridades e uma sucess\u00e3o de erros cometidos pelo governo federal foram os principais respons\u00e1veis pela multiplica\u00e7\u00e3o das mortes causadas pela Covid-19 no pa\u00eds, segundo um estudo elaborado por um grupo acad\u00eamico que monitora as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento da pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores de universidades como a USP, o governo sabotou medidas adotadas por prefeituras e governos estaduais para proteger a popula\u00e7\u00e3o e foi incapaz de articular uma estrat\u00e9gia para realiza\u00e7\u00e3o de testes em massa, que permitiriam isolar pessoas infectadas e controlar a transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>8 \u2014&nbsp;O governo entregou a gest\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, durante a crise, a gestores n\u00e3o especializados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em maio do ano passado, ainda no in\u00edcio da crise do novo coronav\u00edrus e sob comando interino do general Pazuello, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ampliou o n\u00famero de militares em postos-chave.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo atingiu cargos estrat\u00e9gicos em \u00e1reas especializadas de assist\u00eancia em sa\u00fade. Somente em maio de 2020, ao menos 21 militares foram nomeados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da gest\u00e3o de Pazuello, sem experi\u00eancia pr\u00e9via na \u00e1rea, parte expressiva dos militares foi colocada em cargos de dire\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o na secretaria-executiva da pasta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra parte foi alocada em posi\u00e7\u00f5es mais t\u00e9cnicas, que costumavam ser ocupadas por especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9 \u2014&nbsp;O governo demorou a pagar o aux\u00edlio emergencial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O aux\u00edlio emergencial foi interrompido pelo governo federal em dezembro do ano passado e voltou a ser pago somente em abril deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O aux\u00edlio foi adotado em 2020 e viabilizou a libera\u00e7\u00e3o de gastos emergenciais do governo, que superou R$ 600 bilh\u00f5es. Neste ano, por\u00e9m, o Or\u00e7amento voltou a ser limitado, com autoriza\u00e7\u00e3o para gastos extraordin\u00e1rios pontuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Membros do Minist\u00e9rio da Economia chegaram a avaliar no in\u00edcio do ano que o repique da crise sanit\u00e1ria teria sido causado pelas celebra\u00e7\u00f5es de fim de ano e logo seria dissipado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a nova rodada do aux\u00edlio, o governo negociou com o Congresso a aprova\u00e7\u00e3o de uma PEC (Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o) para destravar a assist\u00eancia e estabelecer medidas de ajuste fiscal para crises futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente foi cobrado pela oposi\u00e7\u00e3o pela demora em entregar as tr\u00eas medidas provis\u00f3rias que estabeleciam os crit\u00e9rios e valores da nova rodada de aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>10 \u2014 Inefic\u00e1cia de programa de cr\u00e9dito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para tentar dar f\u00f4lego a empres\u00e1rios o governo criou o Pronampe (Programa Nacional de Apoio \u00e0s Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), em maio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, os empres\u00e1rios que captaram recursos por meio da linha tinham originalmente uma car\u00eancia de at\u00e9 oito meses para come\u00e7ar a pagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o programa s\u00f3 foi regulamentado em junho, a car\u00eancia dos primeiros empr\u00e9stimos come\u00e7ou a vencer entre fevereiro e mar\u00e7o de 2021, momento de acirramento da crise sanit\u00e1ria. Com o avan\u00e7o da pandemia e novas medidas de restri\u00e7\u00e3o que devem afetar o faturamento, os empres\u00e1rios pedem mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do aumento do prazo de pagamento das linhas de financiamento criadas durante a pandemia, um novo programa est\u00e1 sendo debatido. O Pronampe liberou R$ 37,5 bilh\u00f5es em cr\u00e9dito contratado no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>11 \u2014 O governo politizou a pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo Bolsonaro poder\u00e1 ser questionado sobre a politiza\u00e7\u00e3o da pandemia. Dois casos devem ganhar destaque: conflitos com Doria e embate com prefeitos e governadores em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Doria \u00e9 um dos nomes cotados para concorrer \u00e0 Presid\u00eancia em 2022 e, desde o in\u00edcio da pandemia, tem antagonizado Bolsonaro, chamando o presidente de negacionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Os embates entre os dois teriam sido um dos motivos que levaram Bolsonaro a refutar inicialmente a aquisi\u00e7\u00e3o da vacina Coronavac.<\/p>\n\n\n\n<p>Com outros governadores e prefeitos, Bolsonaro entrou em conflito, especialmente, por conta das restri\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o, criticadas pelo presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00eas n\u00e3o pararam durante a pandemia. Voc\u00eas n\u00e3o entraram na conversinha mole de &#8216;fica em casa&#8217;. Isso \u00e9 para os fracos, disse o presidente durante evento em Mato Grosso, em dezembro do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mais uma ofensiva contra governadores, Bolsonaro afirmou que o Ex\u00e9rcito pode ir &#8220;para a rua&#8221; para, segundo ele, reestabelecer o &#8220;direito de ir e vir e acabar com essa covardia de toque de recolher&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>12&nbsp;\u2014&nbsp;O governo falhou na implementa\u00e7\u00e3o da testagem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo federal foi criticado por n\u00e3o distribuir \u00e0 rede p\u00fablica e manter em um dep\u00f3sito em Guarulhos (SP) milh\u00f5es de testes para detectar o novo coronav\u00edrus, que ficaram perto de perder a validade.<\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostrou, em dezembro de 2020, que 6,86 milh\u00f5es de testes parados no local venceriam at\u00e9 janeiro. Outros 212.900 testes venceriam at\u00e9 fevereiro, e 70.800, em mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para solucionar a quest\u00e3o, a Anvisa prorrogou por quatro meses, em car\u00e1ter excepcional, a validade dos testes.<\/p>\n\n\n\n<p>A testagem \u00e9 apontada por especialistas como essencial para evitar que o v\u00edrus se dissemine de forma descontrolada. No entanto, o n\u00famero de testes no Brasil \u00e9 considerado baixo, o que impede o rastreamento da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo poder\u00e1 ser questionado na CPI sobre a falta de um plano efetivo de mapeamento da doen\u00e7a atrav\u00e9s de uma testagem regular e em grande quantidade. Mais de 14,3 milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 foram infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o in\u00edcio da pandemia no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>13 \u2014 Falta de insumos diversos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a lota\u00e7\u00e3o das UTIs por pacientes com Covid-19, medicamentos como sedativos, neurobloqueadores musculares e analg\u00e9sicos opioides come\u00e7aram a escassear ou at\u00e9 mesmo faltar em alguns hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p>No auge da pandemia, nos primeiros meses deste ano, em um momento em que v\u00e1rias cidades apontaram UTIs lotadas e falta de leitos, prefeitos enviaram um of\u00edcio a Bolsonaro e ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em que apontaram risco de falta de oxig\u00eanio e de medicamentos usados para intuba\u00e7\u00e3o de pacientes graves.<\/p>\n\n\n\n<p>Os rem\u00e9dios do chamado kit intuba\u00e7\u00e3o s\u00e3o essenciais para tratar casos graves de Covid-19. Eles garantem que o paciente seja intubado sem sentir dor ou que tente retirar o tubo de forma involunt\u00e1ria. Medicamentos alternativos passaram a ser usados pelos m\u00e9dicos para o procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, a Sa\u00fade passou a fazer requisi\u00e7\u00f5es administrativas que obrigam as f\u00e1bricas a destinar o excedente de sua produ\u00e7\u00e3o para a pasta, que depois redistribui os medicamentos para os estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os secret\u00e1rios de Sa\u00fade afirmam que essas requisi\u00e7\u00f5es impedem que estados e munic\u00edpios comprem os rem\u00e9dios de fornecedores nacionais. A alternativa tem sido recorrer a compras internacionais, como foi anunciado pelo governo de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>14 \u2014 Atraso no repasse de recursos destinados \u00e0 habilita\u00e7\u00e3o de leitos de UTI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A demora na san\u00e7\u00e3o do socorro financeiro fez com que estados acumulassem preju\u00edzos, especialmente no in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>A ajuda financeira de aproximadamente R$ 125 bilh\u00f5es para estados e munic\u00edpios durante a crise sanit\u00e1ria demorou para ser sancionada pelo presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa de socorro a estados e munic\u00edpios para enfrentamento da pandemia apresentou resultados desiguais entre esses entes da Federa\u00e7\u00e3o. Enquanto algumas administra\u00e7\u00f5es receberam recursos mesmo sem perda de arrecada\u00e7\u00e3o, outras n\u00e3o receberam dinheiro suficiente para compensar a queda nas receitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi o caso de oito estados, incluindo os quatro do Sudeste, e tr\u00eas capitais. Al\u00e9m disso, a distribui\u00e7\u00e3o de recursos n\u00e3o teve liga\u00e7\u00e3o com as necessidades desses locais para enfrentar a pandemia, quando se considera a rela\u00e7\u00e3o entre transfer\u00eancias e locais com maior n\u00famero de mortes por habitante, segundo uma nota t\u00e9cnica da Rede de Pesquisa Solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>15 \u2014 Impacto nos povos ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo Bolsonaro realizou trocas de comando em alguns dos 34 Dseis (Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena) existentes no pa\u00eds, e as mudan\u00e7as v\u00eam causando impactos negativos em algumas delas e na sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pelo menos quatro dos Dseis houve indica\u00e7\u00f5es de militares ou de aliados pol\u00edticos que acumulam acusa\u00e7\u00f5es de inexperi\u00eancia, trucul\u00eancia na intera\u00e7\u00e3o com as comunidades e m\u00e1 gest\u00e3o em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os casos est\u00e3o a de um coordenador trabalhando armado e intimidando ind\u00edgenas, barreiras sanit\u00e1rias removidas, desvio de verbas para o combate \u00e0 pandemia e suspeita de distribui\u00e7\u00e3o, para as aldeias, de cloroquina \u2013medicamento sem efic\u00e1cia comprovada para combater o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos exemplos do aparelhamento por militares e indicados pol\u00edticos, o Dsei-Leste Roraima teve cinco coordenadores num per\u00edodo de um ano e oito meses \u2013a partir de abril do ano passado, no come\u00e7o da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ind\u00edgenas fa\u00e7am parte do grupo priorit\u00e1rio para receber a vacina, o governo ainda n\u00e3o conseguiu completar a imuniza\u00e7\u00e3o. Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do dia 23 de abril, at\u00e9 agora, 76% dos ind\u00edgenas j\u00e1 receberam a primeira dose no Brasil, e 60%, a segunda dose.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>16 \u2014&nbsp;O governo atrasou a instala\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Combate \u00e0 Covid<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presidente Jair Bolsonaro anunciou no fim de mar\u00e7o deste ano a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea com representantes dos Tr\u00eas Poderes para coordenar as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi duramente criticada pela demora. O pa\u00eds j\u00e1 enfrentava o coronav\u00edrus havia mais de um ano, e o n\u00famero de mortes, na \u00e9poca, passava dos 300 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o an\u00fancio, governadores afirmaram que a ideia da cria\u00e7\u00e3o do grupo foi do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e n\u00e3o de Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com resultados pouco efetivos, at\u00e9 o momento, a cria\u00e7\u00e3o e os trabalhos realizados pelo grupo dever\u00e3o ser questionados ao longo da CPI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17 \u2014&nbsp;O governo n\u00e3o foi transparente e nem elaborou um plano de comunica\u00e7\u00e3o de enfrentamento \u00e0 Covid<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e9cnicos do TCU (Tribunal de Contas da Uni\u00e3o) afirmaram, em parecer da Secretaria de Controle Externo da Sa\u00fade do \u00f3rg\u00e3o, que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o teve estrat\u00e9gia na administra\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a Sa\u00fade ter informado ao tribunal ter gasto R$ 291 milh\u00f5es com a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o relacionadas \u00e0 Covid-19, a equipe de auditoria do tribunal considerou que algumas estrat\u00e9gias foram pouco eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo sugeriu que a pasta retome as entrevistas coletivas de imprensa para tratar da doen\u00e7a, com a frequ\u00eancia m\u00ednima de tr\u00eas vezes por semana.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo tamb\u00e9m parou de fornecer dados di\u00e1rios sobre o n\u00famero de cont\u00e1gios e o n\u00famero de \u00f3bitos, o que tamb\u00e9m foi criticado. Os dados t\u00eam sido consolidado por um cons\u00f3rcio de ve\u00edculos de imprensa que coleta as informa\u00e7\u00f5es diretamente com as secretarias estaduais de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>18 \u2014&nbsp;O governo n\u00e3o cumpriu recomenda\u00e7\u00f5es do TCU durante a pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os problemas identificados pelos auditores do TCU no processo que acompanha as a\u00e7\u00f5es do governo no controle da doen\u00e7a, est\u00e3o a falta de entrega de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, respiradores, kits de testes e irregularidades em contratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os t\u00e9cnicos tamb\u00e9m manifestaram preocupa\u00e7\u00e3o com o eventual descompasso entre o cronograma de fornecimento das vacinas contra a Covid e o de entrega das seringas e agulhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o tribunal, n\u00e3o h\u00e1 um planejamento &#8220;minimamente detalhado&#8221; para o combate \u00e0 pandemia, e representantes da pasta n\u00e3o compreendem como fun\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio a articula\u00e7\u00e3o com os entes subnacionais (governos estaduais e municipais).<br>O governo dever\u00e1 ser questionado sobre os apontamentos do \u00f3rg\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desabastecimento de medicamentos para a intuba\u00e7\u00e3o, sentido durante os picos de interna\u00e7\u00f5es, \u00e9 outro item que dever\u00e1 ser abordado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>19 \u2014 Brasil se tornou o epicentro da pandemia e &#8216;covid\u00e1rio&#8217; de novas cepas pela ina\u00e7\u00e3o do governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina se tornou o novo epicentro da pandemia de coronav\u00edrus durante os primeiros meses deste ano, e o Brasil \u00e9 o pa\u00eds mais preocupante, segundo apontou Michael Ryan, diretor-executivo da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), no fim de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ryan mencionou tamb\u00e9m o uso de cloroquina para o tratamento de Covid-19 no Brasil e ressaltou que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que o medicamento seja eficaz para combater a doen\u00e7a. A OMS apoia o uso de cloroquina apenas em estudos cl\u00ednicos em hospital, e sob acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds teve picos de 4.000 mortes por dia e m\u00e9dias di\u00e1rias de mais de 3.000 \u00f3bitos durante v\u00e1rias semanas. A maioria das capitais brasileiras teve ocupa\u00e7\u00e3o de leitos em hospitais em torno de 90% por muitas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos locais, a exemplo de Manaus, enfrentaram colapso do sistema de sa\u00fade, com falta de leitos e de oxig\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil se tornou um dos pa\u00edses com o maior n\u00famero de casos do mundo e chamou a aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica internacional, que teme que a grande circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no pa\u00eds facilite o surgimento de cepas mais perigosas ou capazes de burlar os imunizantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>20 \u2014 Generais Pazuello, Braga Netto e diversos militares n\u00e3o apresentaram diretrizes estrat\u00e9gicas para o combate \u00e0 Covid<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Auditoria do TCU divulgada em dezembro apontou que n\u00e3o h\u00e1 plano estrat\u00e9gico do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para o enfrentamento da pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Anexado ao processo, sob a relatoria do ministro relator Benjamin Zymler, o documento \u00e9 elaborado pela SecexSa\u00fade (Secretaria de Controle Externo da Sa\u00fade), que j\u00e1 produziu quatro relat\u00f3rios de acompanhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os auditores apontam que h\u00e1 entraves na compra de anest\u00e9sicos e na aquisi\u00e7\u00e3o de respiradores e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n\n\n\n<p>Exaltado como especialista em log\u00edstica, Pauzello enfrentou problemas tamb\u00e9m com a falta de planejamento para a compra e distribui\u00e7\u00e3o de seringas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pasta comandada pelo general tamb\u00e9m teve dificuldades para distribui vacinas, com erros de envio, como no caso dos lotes do Amazonas e do Amap\u00e1 que foram trocados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>21 \u2014&nbsp;O presidente Bolsonaro pressionou Mandetta e Teich para obrig\u00e1-los a defender o uso da hidroxicloroquina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A CPI da Covid deve tra\u00e7ar uma linha do tempo e iniciar os trabalhos esquadrinhando as raz\u00f5es que levaram \u00e0 queda dos ex-ministros da Sa\u00fade Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 entender, por exemplo, se houve e como se deu a press\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro para que o governo defendesse, no tratamento contra a Covid-19, o uso da hidroxicloroquina \u2013 medicamento sem efic\u00e1cia comprovada contra a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e1 avaliado se o presidente desautorizou que os dois ex-ministros articulassem medidas de restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o. Bolsonaro costuma criticar publicamente esse tipo de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>22 \u2014&nbsp;O governo federal recusou 70 milh\u00f5es de doses da vacina da Pfizer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo brasileiro rejeitou, no ano passado, proposta da farmac\u00eautica Pfizer que previa 70 milh\u00f5es de doses de vacinas at\u00e9 dezembro deste ano. Do total, 3 milh\u00f5es estavam previstos at\u00e9 fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de que pretendia comprar doses da vacina da empresa norte-americana ocorreu quase sete meses ap\u00f3s a primeira oferta apresentada, o que colocou o Brasil atr\u00e1s de outros pa\u00edses na aquisi\u00e7\u00e3o e no recebimento dos imunizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha feito reuni\u00f5es anteriores com representantes do governo, a farmac\u00eautica fez a primeira oferta em meados de agosto de 2020, segundo informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pfizer n\u00e3o foi a \u00fanica a ter propostas rejeitadas. Documentos mostram que outros laborat\u00f3rios tamb\u00e9m tiveram ofertas que previam entregas mais cedo ignoradas, a exemplo do Instituto Butantan, que hoje \u00e9 respons\u00e1vel por pelo menos 78% das vacinas j\u00e1 distribu\u00eddas no pa\u00eds contra a Covid.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, embora o ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade, o general Eduardo Pazuello, tenha afirmado que encontrou dificuldade em negocia\u00e7\u00f5es com o cons\u00f3rcio Covax Facility, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, pessoas ligadas \u00e0s conversas apontam que foi da pasta a decis\u00e3o de adquirir doses para apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o por meio da iniciativa, ao passo que existia a possibilitade de o Brasil comprar mais unidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>23 \u2014 O governo federal fabricou e disseminou&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;sobre a pandemia por interm\u00e9dio do seu gabinete do \u00f3dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo disseminou, por meio de parlamentares aliados, ministros e at\u00e9 mesmo do presidente Bolsonaro, informa\u00e7\u00f5es falsas sobre a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Constantemente, nas redes sociais ou em suas lives semanais, Bolsonaro incentiva o uso de rem\u00e9dios sem efic\u00e1cia, question o uso de m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o, critica a efic\u00e1cia de vacinas e desdenha da gravidade da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>As mensagens tamb\u00e9m costumam ser compartilhadas nas redes sociais por assessores e pelos filhos do presidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CPI da Covid foi instalada nesta ter\u00e7a-feira (27), quando foram escolhidos oficialmente presidente, vice-presidente e relator da comiss\u00e3o. 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