{"id":219939,"date":"2021-05-31T06:51:34","date_gmt":"2021-05-31T09:51:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=219939"},"modified":"2021-05-31T06:51:36","modified_gmt":"2021-05-31T09:51:36","slug":"maioria-apoia-elevar-impostos-para-reduzir-a-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/05\/31\/maioria-apoia-elevar-impostos-para-reduzir-a-desigualdade\/","title":{"rendered":"Maioria apoia elevar impostos para reduzir a desigualdade"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meio a novo pico de pobreza e press\u00e3o para ampliar programas de renda, pesquisa in\u00e9dita do Datafolha para a Oxfam Brasil revela que a maioria dos brasileiros hoje \u00e9 favor\u00e1vel a aumentar a tributa\u00e7\u00e3o para financiar pol\u00edticas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio mais que dobrou desde 2017, saltando de 24% dos brasileiros para 56%. Nove em cada dez acham que reduzir a desigualdade deveria ser a prioridade do governo; e a maioria (68%) acredita que atacar a quest\u00e3o \u00e9 fundamental para o desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a taxa de pobreza no Brasil no maior patamar em cerca de 15 anos devido \u00e0 pandemia da Covid-19, o Congresso vem pressionando o governo Jair Bolsonaro (sem partido) a encontrar fontes para financiar um programa de distribui\u00e7\u00e3o de renda mais robusto; ou refor\u00e7ar o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio presidente tem interesse, pois sua popularidade vem acompanhando de perto, desde 2020, o pagamento do aux\u00edlio emergencial. Quanto maior o benef\u00edcio, mais brasileiros o aprovam.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, o governo chegou a ensaiar a cria\u00e7\u00e3o do Renda Brasil, que unificaria v\u00e1rios programas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Bolsonaro enterrou o assunto dizendo que n\u00e3o tiraria dinheiro &#8220;dos pobres para dar aos paup\u00e9rrimos&#8221; \u2013pois o programa eliminaria alguns benef\u00edcios para assalariados formais de menor renda.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de pobreza no Brasil, considerando quem vive com menos de R$ 246 ao m\u00eas (R$ 8 ao dia), subiu de 11% em 2019 para 16% no primeiro trimestre deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os brasileiros na mis\u00e9ria passaram de 24 milh\u00f5es para 35 milh\u00f5es, segundo dados da FGV Social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, o pagamento do aux\u00edlio emergencial mostrou como programas desse tipo t\u00eam impacto imediato: em agosto, no auge do pagamento do benef\u00edcio mensal de R$ 600, a taxa de miser\u00e1veis caiu para 4,6% (10,1 milh\u00f5es de pessoas), a menor da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre abril e julho deste ano, enquanto estiver sendo pago o novo aux\u00edlio m\u00e9dio de R$ 250, a pobreza extrema deve recuar dos 16% do primeiro trimestre para 13% (28 milh\u00f5es de pessoas).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de agosto, a tend\u00eancia \u00e9 que a taxa volte a subir se a economia n\u00e3o reagir, principalmente para os trabalhadores na informalidade \u2013cujas vagas, dependendo da ocupa\u00e7\u00e3o, encolheram at\u00e9 20% em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto se discute uma reforma tribut\u00e1ria no Congresso, a pesquisa Datafolha\/Oxfam revela que um percentual ainda maior de brasileiros (84%) apoia tributar principalmente os mais ricos para financiar pol\u00edticas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o, os mais ricos (com renda acima de cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, ou R$ 5.500) s\u00e3o os menos favor\u00e1veis a isso. Entre eles, a ades\u00e3o \u00e0 ideia \u00e9 de apenas 35%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 entre os que ganham at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 1.100) e que, em tese, poderiam ser beneficiados pelos programas, o apoio vai a 61%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo c\u00e1lculos do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) na FEA\/USP, cada R$ 100 redistribu\u00eddos do 1% mais rico no Brasil para os 30% mais pobres podem gerar uma expans\u00e3o na renda agregada de R$ 106,70, acelerando o consumo e o crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e1lculo leva em conta a estrutura distributiva e a propens\u00e3o das diferentes classes em consumir, em que os 10% mais pobres gastam 90% da sua renda adicional no consumo; e o 1% mais rico, 24%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o aumento do apoio da popula\u00e7\u00e3o em geral \u00e0 cobran\u00e7a de mais impostos de toda a sociedade pode ter liga\u00e7\u00e3o com a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pessoal dos brasileiros, que se veem mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa revela que 69% dos brasileiros agora se consideram membros da &#8220;classe m\u00e9dia baixa&#8221; ou &#8220;pobre&#8221;, um aumento de cinco pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve redu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na expectativa de mobilidade social, segundo o levantamento \u2013que ouviu presencialmente 2.079 pessoas em 130 munic\u00edpios do Brasil entre 7 e 15 de dezembro de 2020. A margem de erro da pesquisa \u00e9 de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jefferson Nascimento, coordenador da \u00e1rea de Justi\u00e7a Social e Econ\u00f4mica da Oxfam Brasil, o fato de agora a maioria da popula\u00e7\u00e3o aceitar mais impostos sobre a sociedade como um todo (e n\u00e3o apenas sobre os mais ricos) revela que h\u00e1 um entendimento de que novos programas s\u00e3o necess\u00e1rios e que precisam de financiamento para acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Parece ter ca\u00eddo a ficha de que \u00e9 preciso dinheiro para esses investimentos. H\u00e1 tamb\u00e9m uma percep\u00e7\u00e3o de que o Estado deve ser o respons\u00e1vel por pol\u00edticas de combate \u00e0 desigualdade, em linha com o que \u00f3rg\u00e3os como o FMI [Fundo Monet\u00e1rio Internacional] e Banco Mundial v\u00eam colocando&#8221;, afirma Nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos objetivos da pesquisa \u00e9 inserir o tema na discuss\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria que eventualmente governo e Congresso venham a perseguir nos pr\u00f3ximos meses \u2013para que haja mais equidade na arrecada\u00e7\u00e3o e aumento dos recursos para programas contra a desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalho do economista Pedro Ferreira de Souza, autor de &#8220;Uma Hist\u00f3ria da Desigualdade&#8221; (pr\u00eamio Jabuti em 2019), mostra que, na compara\u00e7\u00e3o com outras regi\u00f5es importantes (ou mesmo com a Am\u00e9rica Latina e sul da Europa), o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que menos arrecada tributos via Imposto de Renda \u2013por meio do qual s\u00e3o taxados sobretudo os mais ricos e, predominantemente, os empregados formais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao concentrar grande parte da carga tribut\u00e1ria bruta no consumo de bens e servi\u00e7os, o Brasil acaba onerando proporcionalmente mais os pobres \u2013que consomem quase toda a sua renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o avan\u00e7a e com t\u00e9rmino do novo aux\u00edlio emergencial previsto para julho, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na semana passada que o Congresso poder\u00e1 editar medida para prorrogar o programa &#8220;por um ou dois meses&#8221; \u2013mas sem dizer de onde vir\u00e3o os recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, o aux\u00edlio foi pago entre abril e dezembro empregando R$ 293 bilh\u00f5es. A rodada atual prev\u00ea inicialmente apenas R$ 44 bilh\u00f5es (15% do total do ano passado).<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Paulo Guedes (Economia) tamb\u00e9m tem se movimentado para criar alternativas e j\u00e1 anunciou programas ainda pouco detalhados \u2013e sem esconder a vantagem eleitoral que isso pode proporcionar.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 acelerar a reformula\u00e7\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, elevando o valor dos benef\u00edcios e ampliando o p\u00fablico antes da elei\u00e7\u00e3o de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 Folha, publicada na semana passada, Guedes declarou: &#8220;Agora vem a elei\u00e7\u00e3o? N\u00f3s vamos para o ataque. Vai ter Bolsa Fam\u00edlia melhorado, BIP [B\u00f4nus de Inclus\u00e3o Produtiva], o BIQ [B\u00f4nus de Incentivo \u00e0 Qualifica\u00e7\u00e3o], vai ter uma por\u00e7\u00e3o de coisa boa para voc\u00eas baterem palma. Tudo certinho, feito com seriedade, sem furar teto, sem confus\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos especialistas defendem o refor\u00e7o do Bolsa Fam\u00edlia como o caminho mais efetivo no combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa custa R$ 34,5 bilh\u00f5es ao ano, alcan\u00e7a 14,7 milh\u00f5es de fam\u00edlias e paga, em m\u00e9dia, R$ 190 ao m\u00eas \u2013valor inferior \u00e0s m\u00e9dias do aux\u00edlio emergencial de 2020 (R$ 600) e deste ano (R$ 250).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo proje\u00e7\u00f5es do Made, para cada R$ 100 distribu\u00eddos pela via do aux\u00edlio emergencial no ano passado, houve R$ 140 de aumento na renda agregada.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Bolsa Fam\u00edlia, por se tratar de pessoas extremamente pobres, o efeito multiplicador \u00e9 bem maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo c\u00e1lculos do economista Naercio Menezes, do Insper, para cada R$ 1 a mais per capita oferecido pelo programa, o PIB per capita do munic\u00edpio onde o dinheiro \u00e9 gasto aumenta R$ 4 \u2013da\u00ed a prefer\u00eancia de muitos especialistas pelo Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Folha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a novo pico de pobreza e press\u00e3o para ampliar programas de renda, pesquisa in\u00e9dita do Datafolha para a Oxfam Brasil revela que a&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":168286,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[107],"tags":[],"class_list":["post-219939","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=219939"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":219940,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219939\/revisions\/219940"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/168286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=219939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=219939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=219939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}