{"id":221220,"date":"2021-06-11T09:12:40","date_gmt":"2021-06-11T12:12:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=221220"},"modified":"2021-06-11T09:12:42","modified_gmt":"2021-06-11T12:12:42","slug":"infeccao-por-dengue-cai-77-em-teste-com-bacteria-em-mosquito-aedes-aegypti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/06\/11\/infeccao-por-dengue-cai-77-em-teste-com-bacteria-em-mosquito-aedes-aegypti\/","title":{"rendered":"Infec\u00e7\u00e3o por dengue cai 77% em teste com bact\u00e9ria em mosquito &#8216;Aedes aegypti&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>Um m\u00e9todo que usa bact\u00e9rias em mosquitos conseguiu reduzir em 77% os casos de dengue, segundo um estudo publicado na prestigiosa revista cient\u00edfica The New England Journal of Medicine.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, realizado na cidade de Yogyakarta (Indon\u00e9sia), comprovou a efic\u00e1cia da estrat\u00e9gia Wolbachia em reduzir a capacidade do mosquito de espalhar a dengue, e ampliou as esperan\u00e7as para conter a doen\u00e7a que infectou mais de 1 milh\u00e3o de pessoas no Brasil em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos preliminares com o mesmo m\u00e9todo\u00a0realizados pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) no estado do Rio de Janeiro apontaram resultados promissores: &#8220;redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 77% dos casos de\u00a0dengue\u00a0e 60% de\u00a0chikungunya\u00a0nas \u00e1reas que receberam os\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0com\u00a0<em>Wolbachia<\/em>, quando comparado com \u00e1reas que n\u00e3o receberam&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um estudo em curso em Belo Horizonte nos mesmos moldes do que foi realizado na Indon\u00e9sia. &#8220;A expectativa \u00e9 que em at\u00e9 quatro anos, que \u00e9 o tempo do estudo, seja poss\u00edvel conhecer o impacto do M\u00e9todo Wolbachia no controle das arboviroses em Belo Horizonte&#8221;, disse em comunicado o pesquisador da Fiocruz e l\u00edder do m\u00e9todo Wolbachia no Brasil Luciano Moreira.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O inimigo do inimigo<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/dcYD9RwD6LsuZWZADD5G_YRM3gE=\/0x0:800x450\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/c\/F\/AxgUxaTvGq7y2DJA0HEg\/aedes-getty.jpg\" alt=\"M\u00e9todo tem grande potencial contra outras doen\u00e7as transmitidas pelo mosquito, como zika, febre amarela e febre chicungunha \u2014 Foto: Getty Images via BBC\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>M\u00e9todo tem grande potencial contra outras doen\u00e7as transmitidas pelo mosquito, como zika, febre amarela e febre chicungunha \u2014 Foto: Getty Images via BBChttps:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-38\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo conduzido na Indon\u00e9sia usou mosquitos infectados com a bact\u00e9ria&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>. Uma das pesquisadores do experimento, Katie Anders, descreve o micro-organismo como um &#8220;milagre natural&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>&nbsp;n\u00e3o causa danos ao mosquito&nbsp;e toma conta das mesmas partes do corpo que o v\u00edrus da dengue precisa para ser espalhado pelo vetor.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A bact\u00e9ria compete por recursos e torna bem mais dif\u00edcil para o v\u00edrus da dengue para se replicar, ent\u00e3o \u00e9 bem menos prov\u00e1vel que o mosquito cause a infec\u00e7\u00e3o quando pica algu\u00e9m.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O experimento na Indon\u00e9sia utilizou 5 milh\u00f5es de ovos de mosquito infectados com a&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>. Os ovos foram colocados em potes de \u00e1gua na cidade a cada duas semanas, e o processo de constituir uma popula\u00e7\u00e3o infectada de mosquitos levou nove meses.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/tLgLfBbn0MwPs0gukLgixB0NhBY=\/0x0:800x450\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/5\/s\/B3uA87SCa38YSyce5YsQ\/world-mosquito-programme-2.jpg\" alt=\"Estudo agora est\u00e1 em expans\u00e3o na Indon\u00e9sia; no Brasil, experimento semelhante deve apresentar resultados em alguns anos em Belo Horizonte \u2014 Foto: World Mosquito Programme via BBC\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Estudo agora est\u00e1 em expans\u00e3o na Indon\u00e9sia; no Brasil, experimento semelhante deve apresentar resultados em alguns anos em Belo Horizonte \u2014 Foto: World Mosquito Programme via BBC<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade de cerca de 300 mil habitantes foi dividida pelos pesquisadores em 24 zonas, e esses mosquitos foram liberados em metade delas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo apontou uma redu\u00e7\u00e3o de 77% no n\u00famero de casos de dengue e de 86% na quantidade de pessoas que precisam de atendimento hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Isso \u00e9 bastante animador. Para ser honesta, \u00e9 melhor do que esper\u00e1vamos&#8221;, disse Anders \u00e0 BBC.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia se mostrou t\u00e3o bem-sucedida que os mosquitos foram espalhados pela cidade inteira, e agora o projeto est\u00e1 sendo expandido para \u00e1reas no entorno de Yogyakarta a fim de tentar eliminar a dengue da regi\u00e3o.https:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-38\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Anders, que tamb\u00e9m \u00e9 diretora de avalia\u00e7\u00e3o de impacto do Programa Mundial de Mosquitos, afirmou que a estrat\u00e9gia &#8220;pode ter um impacto ainda maior quando implantado em grande escala nas grandes cidades do mundo, onde a dengue \u00e9 um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A bact\u00e9ria&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>&nbsp;se mostrou tamb\u00e9m bastante manipul\u00e1vel e&nbsp;pode alterar a fertilidade de seus hospedeiros para garantir que eles passem o micro-organismo para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que, uma vez que a&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>&nbsp;esteja estabelecida,&nbsp;ela pode continuar a ajudar a controlar as infec\u00e7\u00f5es por um longo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa estrat\u00e9gia contrasta com outras tentativas de controlar a doen\u00e7a, como inseticidas ou soltura de mosquitos macho inf\u00e9rteis, que precisam ser refeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>O experimento publicado na New England Journal of Medicine representa um marco significativo ap\u00f3s anos de pesquisa, j\u00e1 que a&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>&nbsp;\u00e9 uma bact\u00e9ria presente em cerca de 60% dos insetos, inclusive em alguns mosquitos, mas n\u00e3o costuma aparecer naturalmente na esp\u00e9cie de mosquito que transmite a dengue, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos com modelos matem\u00e1ticos que tentam calcular e entender o espalhamento de doen\u00e7as preveem que&nbsp;a&nbsp;<em>Wolbachia<\/em>&nbsp;poderia ser suficiente para suprimir completamente a dengue&nbsp;caso ela se estabele\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/p>\n\n\n\n<p>David Hamer, professor de medicina e sa\u00fade global da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, afirmou que o m\u00e9todo tem grande potencial contra outras doen\u00e7as transmitidas pelo mosquito, como\u00a0zika,\u00a0febre amarela\u00a0e febre\u00a0chikungunya.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por que o mosquito &#8216;Aedes aegypti&#8217; transmite tantas doen\u00e7as<\/h4>\n\n\n\n<p>Poucas pessoas ouviam falar da dengue h\u00e1 50 anos, mas nas \u00faltimas d\u00e9cadas epidemias t\u00eam avan\u00e7ado dramaticamente. Em 1970, apenas nove pa\u00edses enfrentavam a doen\u00e7a. Atualmente, h\u00e1 mais de 400 milh\u00f5es de casos por ano no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A dengue \u00e9 conhecida em algumas localidades como &#8220;febre quebra-ossos&#8221; porque causa dos dores agudas nos m\u00fasculos e ossos e epidemias explosivas podem lotar hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerado uma das esp\u00e9cies de mosquito mais difundidas no planeta pela Ag\u00eancia Europeia para Preven\u00e7\u00e3o e Controle de Doen\u00e7as (ECDC, na sigla em ingl\u00eas), o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;\u2013 nome que significa &#8220;odioso do Egito&#8221; \u2013 \u00e9 combatido no Brasil desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Alguns fatores contribuem para tornar o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;um agente t\u00e3o eficiente para a transmiss\u00e3o desses v\u00edrus. Entre eles est\u00e3o, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Surgido na \u00c1frica em locais silvestres, o mosquito chegou \u00e0s Am\u00e9ricas em navios ainda na \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espa\u00e7o ideal para sua prolifera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele se especializou em dividir o espa\u00e7o com o homem&#8221;, afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O mosquito prefere \u00e1gua limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um m\u00ednimo de \u00e1gua parada, seus ovos se desenvolvem.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um aspecto que tamb\u00e9m favorece a reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de&nbsp;a f\u00eamea colocar em m\u00e9dia 100 ovos de cada vez, mas n\u00e3o fazer isso em um \u00fanico local. Em vez disso, ela os distribui por diferentes pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Extermin\u00e1-lo tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil. Segundo o Centro de Preven\u00e7\u00e3o e Controle de Doen\u00e7as dos Estados Unidos, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;\u00e9 &#8220;muito resistente&#8221;, o que faz com que &#8220;sua popula\u00e7\u00e3o volte ao seu estado original rapidamente ap\u00f3s interven\u00e7\u00f5es naturais ou humanas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes. No in\u00edcio do s\u00e9culo passado, o epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra ele no combate \u00e0 febre amarela. Em 1958, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade declarou o pa\u00eds livre do Aedes aegypti.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas, como o mesmo n\u00e3o havia ocorrido em pa\u00edses vizinhos, o mosquito voltou a ser detectado no fim dos anos 1960. Foi erradicado novamente em 1973 \u2013 e retornou mais uma vez tr\u00eas anos mais tarde. &#8220;Hoje n\u00e3o falamos mais em erradica\u00e7\u00e3o. Sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil a bi\u00f3loga Denise Valle, pesquisadora do laborat\u00f3rio de biologia molecular de flaviv\u00edrus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p>g1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um m\u00e9todo que usa bact\u00e9rias em mosquitos conseguiu reduzir em 77% os casos de dengue, segundo um estudo publicado na prestigiosa revista cient\u00edfica The New&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":221221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-221220","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/221220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=221220"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/221220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":221222,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/221220\/revisions\/221222"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/221221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=221220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=221220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=221220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}