{"id":223164,"date":"2021-06-30T11:15:58","date_gmt":"2021-06-30T14:15:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=223164"},"modified":"2021-06-30T11:16:01","modified_gmt":"2021-06-30T14:16:01","slug":"perda-de-olfato-por-covid-19-pode-durar-um-ano-indica-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/06\/30\/perda-de-olfato-por-covid-19-pode-durar-um-ano-indica-estudo\/","title":{"rendered":"Perda de olfato por Covid-19 pode durar um ano, indica estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A perda de olfato que atinge alguns pacientes de Covid-19 pode persistir por ao menos um ano ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, mostra um acompanhamento cl\u00ednico feito ao longo de 12 meses com um grupo de pessoas diagnosticadas com anosmia (perda de olfato) ou hiposmia (redu\u00e7\u00e3o ou comprometimento).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo, j\u00e1 revisado por pares e publicado na rede aberta do Jama (Jornal da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Americana), \u00e9 de pesquisadores das universidades de Estrasburgo (Fran\u00e7a) e McGill (de Montreal, Canad\u00e1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo avaliado come\u00e7ou com 97 pacientes que tiveram perda aguda do olfato por mais de 7 dias. Ap\u00f3s 12 meses, ao menos duas pessoas ainda n\u00e3o haviam recuperado a fun\u00e7\u00e3o olfativa normal em testes objetivos, e outros 14 relatavam recupera\u00e7\u00e3o apenas parcial em question\u00e1rios subjetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o desses quadros \u00e9 relevante, dizem os autores do estudo, porque os efeitos de longo prazo da doen\u00e7a prejudicam a qualidade de vida dos pacientes. A perda de olfato foi o efeito que apareceu com mais frequ\u00eancia (43%) em doentes com Covid-19, de acordo com meta-an\u00e1lise de 215 estudos feita pela University College de Londres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pessoas com anosmia estabelecida sofrem por perderem o prazer ligado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, sentem-se mais vulner\u00e1veis por n\u00e3o conseguirem detectar alimentos estragados ou gases prejudicais. Tamb\u00e9m s\u00e3o mais ansiosas, inseguras quanto \u00e0 higiene pessoal e tendem ao isolamento social&#8221;, disse o m\u00e9dico neurologista Luciano Magalh\u00e3es Melo, colunista da Folha de S.Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No c\u00f4mputo geral, os pesquisadores avaliam que o progn\u00f3stico para a perda de olfato provocada pelo coronav\u00edrus \u00e9 &#8220;excelente&#8221;, j\u00e1 que 96,1% se recuperaram objetivamente em 12 meses. A porcentagem representa um ganho de 10% sobre os que haviam se recuperado ap\u00f3s seis meses: 85,9% dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um resultado intrigante do acompanhamento cl\u00ednico pode ser observado num subgrupo de cerca de metade dos pacientes, que fez tanto exames subjetivos quanto objetivos, a cada quatro meses. Uma parcela significativa deles relatou que suas fun\u00e7\u00f5es ainda estavam prejudicadas, embora os testes psicof\u00edsicos apontassem para resultados normais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o subjetiva era feita a partir de um question\u00e1rio sobre a percep\u00e7\u00e3o do paciente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria capacidade de sentir cheiros. J\u00e1 a objetiva foi feita a partir de exames conhecidos como testes de olfato Burghardt, que usam canetas de feltro com odores padronizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pesquisa liderada pela Universidade de Estrasburgo, os pacientes fizeram testes de limiar de odor \u2014 no qual cheiravam as canetas por alguns segundos, para avaliar o grau de percep\u00e7\u00e3o \u2014&nbsp;e de identifica\u00e7\u00e3o do odor \u2014 no qual deviam escolher qual de quatro alternativas era a mais precisa para o cheiro de determinada caneta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos 51 pacientes que fizeram os dois tipos de exame, ap\u00f3s os primeiros quatro meses 28 relatavam ainda n\u00e3o ter se recuperado, embora o exame objetivo indicasse que apenas 8 ainda possu\u00edam as fun\u00e7\u00f5es afetadas do ponto de vista psicof\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a l\u00edder da pesquisa, Marion Renaud, do departamento de otorrinolaringologia dos Hospitais Universit\u00e1rios de Estrasburgo, essa diferen\u00e7a aparece porque h\u00e1 pacientes que percebem a intensidade dos odores, mas se queixam de distor\u00e7\u00e3o dos cheiros, um dist\u00farbio qualitativo que se chama parosmia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tamb\u00e9m podemos ter pacientes que recuperaram o olfato, mas a intensidade da percep\u00e7\u00e3o dos odores \u00e9 menor do que antes&#8221;, diz ela. Segundo Marion, alguns podiam estar perto da pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima antes de pegar Covid-19 e, depois, embora ainda tenham resultados objetivos considerados normais, est\u00e3o mais pr\u00f3ximos do limite inferior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os 8 pacientes com resultados alterados no exame objetivo (15,7% dos 51 iniciais) foram testados mais uma vez oito meses ap\u00f3s o diagn\u00f3stico: nesse per\u00edodo, 6 haviam se recuperado, de acordo com os testes objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois pacientes permaneceram hip\u00f3smicos (com olfato abaixo do normal para a idade e o g\u00eanero) durante todos os 12 meses \u2014 de acordo com o relat\u00f3rio, um manteve limiar olfat\u00f3rio anormal e outro apresentou parosmia, ou seja, erro ao identificar o cheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No outro grupo, de 46 pacientes que foram submetidos apenas ao question\u00e1rio de avalia\u00e7\u00e3o subjetiva, 7 (15%) consideravam ter se recuperado totalmente ap\u00f3s quatro meses. Outros 6 diziam ter tido recupera\u00e7\u00e3o parcial e 33 (61,8%) n\u00e3o viam recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final dos 12 meses, eram 14 os ex-contaminados com Covid-19 que relatavam recupera\u00e7\u00e3o apenas parcial, o equivalente a 30,4% do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas afirmam que o resultado de seu trabalho apoia achados de pesquisa animal fundamental, que usaram exames de imagem e patologia p\u00f3s-morte e sugerem que a perda de olfato se d\u00e1 por inflama\u00e7\u00e3o do sistema nervoso perif\u00e9rico (nervos e g\u00e2nglios).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os autores, uma limita\u00e7\u00e3o do estudo \u00e9 que o grupo analisado era formado principalmente de mulheres (67, ou 69% do total) e pacientes mais jovens (idade m\u00e9dia de 38,8 anos e maioria com menos de 50 anos), dois fatores que podem propiciar uma recupera\u00e7\u00e3o olfat\u00f3ria completa mais r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Renaud, a \u00fanica forma j\u00e1 comprovada para melhorar a recupera\u00e7\u00e3o do olfato \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o olfativa. A t\u00e9cnica consiste em fazer o paciente cheirar frascos n\u00e3o identificados com alguns odores diferentes, como lim\u00e3o, canela ou eucalipto, durante dez segundos, concentrando a mente para tentar senti-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois a pessoa pode verificar embaixo do frasco se o aroma corresponde ao que sentiu e repetir a rodada outras vezes durante o dia. Como na fisioterapia, esse tratamento procura refazer o circuito de informa\u00e7\u00f5es entre o \u00f3rg\u00e3o e o c\u00e9rebro. Com o tempo, o paciente come\u00e7a a sentir o aroma com mais for\u00e7a e com o frasco a dist\u00e2ncias maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Renaud diz que, na fase aguda da perda do olfato, foi sugerido que o uso de corticosteroide por via oral poderia melhorar a recupera\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas o n\u00edvel de evid\u00eancia para o benef\u00edcio do tratamento m\u00e9dico de longo prazo (corticosteroide ou spray nasal de vitamina A) \u00e9 baixo&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>FolhaPress<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perda de olfato que atinge alguns pacientes de Covid-19 pode persistir por ao menos um ano ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, mostra um acompanhamento cl\u00ednico feito ao longo de 12 meses com um grupo de pessoas diagnosticadas com anosmia (perda de olfato) ou hiposmia (redu\u00e7\u00e3o ou comprometimento). O artigo, j\u00e1 revisado por pares e publicado na rede aberta do Jama (Jornal da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Americana), \u00e9 de pesquisadores das universidades de Estrasburgo (Fran\u00e7a) e McGill (de Montreal, Canad\u00e1). O grupo avaliado come\u00e7ou com 97 pacientes que tiveram perda aguda do olfato por mais de 7 dias. Ap\u00f3s 12 meses, ao menos duas pessoas ainda n\u00e3o haviam recuperado a fun\u00e7\u00e3o olfativa normal em testes objetivos, e outros 14 relatavam recupera\u00e7\u00e3o apenas parcial em question\u00e1rios subjetivos. Acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o desses quadros \u00e9 relevante, dizem os autores do estudo, porque os efeitos de longo prazo da doen\u00e7a prejudicam a qualidade de vida dos pacientes. A perda de olfato foi o efeito que apareceu com mais frequ\u00eancia (43%) em doentes com Covid-19, de acordo com meta-an\u00e1lise de 215 estudos feita pela University College de Londres. &#8220;Pessoas com anosmia estabelecida sofrem por perderem o prazer ligado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, sentem-se mais vulner\u00e1veis por n\u00e3o conseguirem detectar alimentos estragados ou gases prejudicais. Tamb\u00e9m s\u00e3o mais ansiosas, inseguras quanto \u00e0 higiene pessoal e tendem ao isolamento social&#8221;, disse o m\u00e9dico neurologista Luciano Magalh\u00e3es Melo, colunista da Folha de S.Paulo. No c\u00f4mputo geral, os pesquisadores avaliam que o progn\u00f3stico para a perda de olfato provocada pelo coronav\u00edrus \u00e9 &#8220;excelente&#8221;, j\u00e1 que 96,1% se recuperaram objetivamente em 12 meses. A porcentagem representa um ganho de 10% sobre os que haviam se recuperado ap\u00f3s seis meses: 85,9% dos pacientes. Um resultado intrigante do acompanhamento cl\u00ednico pode ser observado num subgrupo de cerca de metade dos pacientes, que fez tanto exames subjetivos quanto objetivos, a cada quatro meses. Uma parcela significativa deles relatou que suas fun\u00e7\u00f5es ainda estavam prejudicadas, embora os testes psicof\u00edsicos apontassem para resultados normais. A avalia\u00e7\u00e3o subjetiva era feita a partir de um question\u00e1rio sobre a percep\u00e7\u00e3o do paciente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria capacidade de sentir cheiros. J\u00e1 a objetiva foi feita a partir de exames conhecidos como testes de olfato Burghardt, que usam canetas de feltro com odores padronizados. Na pesquisa liderada pela Universidade de Estrasburgo, os pacientes fizeram testes de limiar de odor \u2014 no qual cheiravam as canetas por alguns segundos, para avaliar o grau de percep\u00e7\u00e3o \u2014&nbsp;e de identifica\u00e7\u00e3o do odor \u2014 no qual deviam escolher qual de quatro alternativas era a mais precisa para o cheiro de determinada caneta. Dos 51 pacientes que fizeram os dois tipos de exame, ap\u00f3s os primeiros quatro meses 28 relatavam ainda n\u00e3o ter se recuperado, embora o exame objetivo indicasse que apenas 8 ainda possu\u00edam as fun\u00e7\u00f5es afetadas do ponto de vista psicof\u00edsico. Segundo a l\u00edder da pesquisa, Marion Renaud, do departamento de otorrinolaringologia dos Hospitais Universit\u00e1rios de Estrasburgo, essa diferen\u00e7a aparece porque h\u00e1 pacientes que percebem a intensidade dos odores, mas se queixam de distor\u00e7\u00e3o dos cheiros, um dist\u00farbio qualitativo que se chama parosmia. &#8220;Tamb\u00e9m podemos ter pacientes que recuperaram o olfato, mas a intensidade da percep\u00e7\u00e3o dos odores \u00e9 menor do que antes&#8221;, diz ela. Segundo Marion, alguns podiam estar perto da pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima antes de pegar Covid-19 e, depois, embora ainda tenham resultados objetivos considerados normais, est\u00e3o mais pr\u00f3ximos do limite inferior. Os 8 pacientes com resultados alterados no exame objetivo (15,7% dos 51 iniciais) foram testados mais uma vez oito meses ap\u00f3s o diagn\u00f3stico: nesse per\u00edodo, 6 haviam se recuperado, de acordo com os testes objetivos. Dois pacientes permaneceram hip\u00f3smicos (com olfato abaixo do normal para a idade e o g\u00eanero) durante todos os 12 meses \u2014 de acordo com o relat\u00f3rio, um manteve limiar olfat\u00f3rio anormal e outro apresentou parosmia, ou seja, erro ao identificar o cheiro. No outro grupo, de 46 pacientes que foram submetidos apenas ao question\u00e1rio de avalia\u00e7\u00e3o subjetiva, 7 (15%) consideravam ter se recuperado totalmente ap\u00f3s quatro meses. Outros 6 diziam ter tido recupera\u00e7\u00e3o parcial e 33 (61,8%) n\u00e3o viam recupera\u00e7\u00e3o. Ao final dos 12 meses, eram 14 os ex-contaminados com Covid-19 que relatavam recupera\u00e7\u00e3o apenas parcial, o equivalente a 30,4% do grupo. Os cientistas afirmam que o resultado de seu trabalho apoia achados de pesquisa animal fundamental, que usaram exames de imagem e patologia p\u00f3s-morte e sugerem que a perda de olfato se d\u00e1 por inflama\u00e7\u00e3o do sistema nervoso perif\u00e9rico (nervos e g\u00e2nglios). Para os autores, uma limita\u00e7\u00e3o do estudo \u00e9 que o grupo analisado era formado principalmente de mulheres (67, ou 69% do total) e pacientes mais jovens (idade m\u00e9dia de 38,8 anos e maioria com menos de 50 anos), dois fatores que podem propiciar uma recupera\u00e7\u00e3o olfat\u00f3ria completa mais r\u00e1pida. Segundo Renaud, a \u00fanica forma j\u00e1 comprovada para melhorar a recupera\u00e7\u00e3o do olfato \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o olfativa. A t\u00e9cnica consiste em fazer o paciente cheirar frascos n\u00e3o identificados com alguns odores diferentes, como lim\u00e3o, canela ou eucalipto, durante dez segundos, concentrando a mente para tentar senti-los. Depois a pessoa pode verificar embaixo do frasco se o aroma corresponde ao que sentiu e repetir a rodada outras vezes durante o dia. Como na fisioterapia, esse tratamento procura refazer o circuito de informa\u00e7\u00f5es entre o \u00f3rg\u00e3o e o c\u00e9rebro. Com o tempo, o paciente come\u00e7a a sentir o aroma com mais for\u00e7a e com o frasco a dist\u00e2ncias maiores. Renaud diz que, na fase aguda da perda do olfato, foi sugerido que o uso de corticosteroide por via oral poderia melhorar a recupera\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas o n\u00edvel de evid\u00eancia para o benef\u00edcio do tratamento m\u00e9dico de longo prazo (corticosteroide ou spray nasal de vitamina A) \u00e9 baixo&#8221;, afirma. 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