{"id":224485,"date":"2021-07-13T09:30:39","date_gmt":"2021-07-13T12:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=224485"},"modified":"2021-07-13T09:30:41","modified_gmt":"2021-07-13T12:30:41","slug":"desmatamento-na-amazonia-leva-a-morte-filhotes-de-harpia-maior-ave-do-bioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/07\/13\/desmatamento-na-amazonia-leva-a-morte-filhotes-de-harpia-maior-ave-do-bioma\/","title":{"rendered":"Desmatamento na Amaz\u00f4nia leva \u00e0 morte filhotes de harpia, maior ave do bioma"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;A ca\u00e7a e, consequentemente, a alimenta\u00e7\u00e3o das harpias (Harpia harpyja), a maior ave predadora da Amaz\u00f4nia e uma das fortes do planeta, est\u00e3o sendo afetadas pelo desmatamento do bioma. Pesquisadores chegaram a observar filhotes da ave morrerem de inani\u00e7\u00e3o em \u00e1reas devastadas pela retirada de \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisa publicada no \u00faltimo dia 30 de junho na revista Scientific Reports aponta um n\u00edvel de desmate m\u00e1ximo que as harpias suportam ao seu redor a ponto de conseguirem gerar filhotes e aliment\u00e1-los. Esse limite \u00e9 de at\u00e9 50% de perda de vegeta\u00e7\u00e3o nos arredores do ninho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas pequenos gavi\u00f5es-reais mortos por falta de comida observadas por cientistas, por exemplo, estavam em \u00e1reas com desmate de 53% at\u00e9 63%, considerando um raio de 3 km em rela\u00e7\u00e3o ao ninho.<\/p>\n\n\n\n<p>A inani\u00e7\u00e3o ocorreu pela dificuldade dos pais das pequenas aves em encontrar comida nos arredores. Em um dos ninhos observados por armadilhas fotogr\u00e1ficas, as refei\u00e7\u00f5es dos filhotes demoravam consistentemente mais do que 15 dias. O tempo \u00e9 consideravelmente maior do que o intervalo t\u00edpico esperado de entrega de comida para filhotes: cerca de 2,5 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento leva ao estresse alimentar desse tipo de animal, um predador de topo de cadeia e sens\u00edvel \u00e0 disponibilidade de comida devido \u00e0s suas elevadas necessidades metab\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p>As harpias \u2014 que t\u00eam f\u00eameas que chegam a pesar 7 kg \u2014&nbsp;t\u00eam entre suas presas favoritas as pregui\u00e7as e primatas de tamanho m\u00e9dio, normalmente encontrados em meio ao dossel das \u00e1rvores. Al\u00e9m disso, essas aves precisam de cerca de 800 gramas de comida por dia e costumam instalar seus ninhos \u2014 locais nos quais permanecem por d\u00e9cadas \u2014 em \u00e1rvores normalmente cobica\u00e7adas pela ind\u00fastria madeireira, de patamares acima de 40 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as harpias t\u00eam um ciclo reprodutivo de 30 a 36 meses, no qual colocam no m\u00e1ximo dois ovos. Mas somente uma avezinha ser\u00e1 criada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso tudo e do desmatamento crescente, \u00e9 poss\u00edvel enxergar o risco que esses animais correm. Ele \u00e9 considerado vulner\u00e1vel ao risco de extin\u00e7\u00e3o, segundo a lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os autores do estudo, a Amaz\u00f4nia \u00e9 a \u00faltima fortaleza das harpias. Na mata atl\u00e2ntica, h\u00e1 raros registros dessa ave.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2012, h\u00e1 tend\u00eancia de aumento de desmatamento na Amaz\u00f4nia. Nos \u00faltimos anos, a devasta\u00e7\u00e3o explodiu na floresta, superando 11 mil km\u00b2 derrubados em um ano, segundo o registro mais recente do Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo publicado na Scientific Reports concentraram suas observa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de fronteira de desmatamento, mais especificamente na regi\u00e3o norte do estado do Mato Grosso, o segundo colocado no ranking dos estados mais derrubam a Amaz\u00f4nia \u2014 1.779 km\u00b2 desmatados ou cerca de 16% do total da derrubada, segundo o dado mais recente. A maior parte do desmatamento no Mato Grosso \u00e9 ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, 16 ninhos foram objeto de observa\u00e7\u00e3o a partir de armadilhas fotogr\u00e1ficas e de an\u00e1lises de detritos de esqueletos em volta dos locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores do estudo afirmam que os gavi\u00f5es-reais provavelmente est\u00e3o ficando cada mais isolados em fragmentos florestais relativamente pequenos. \u201cEssas harpias ir\u00e3o, provavelmente, depender de interven\u00e7\u00f5es para manejo populacional, que podem incluir a transloca\u00e7\u00e3o de animais jovens e suplementa\u00e7\u00e3o alimentar\u201d, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Alimenta\u00e7\u00e3o Entre as presas preferidas das harpias dos ninhos observados est\u00e3o poucas esp\u00e9cies. A pregui\u00e7a-real ou Unau (Choloepus didactylus) representava cerca de 24% das entregas de alimento nos ninhos. Em seguida, apareceram o macaco-prego (Sapajus apella), representando 18% das entregas, e o macaco-barrigudo (Lagothrix cana), em cerca de 7% das capturas documentadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores observaram que mesmo em \u00e1reas muito desmatadas o estilo de captura (pregui\u00e7as e primatas) permanecia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHarpias dependiam principalmente de grandes presas arb\u00f3reas e quase n\u00e3o mudavam para vertebrados terrestres em campo aberto\u201d, dizem os autores.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram registrados algumas capturas de gamb\u00e1s, araras e de mutuns-de-penacho. \u201cAs harpias foram, portanto, incapazes de mudar para esp\u00e9cies de presas n\u00e3o-florestais em nossa \u00e1rea de estudo\u201d, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p><em>FOLHAPRESS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;A ca\u00e7a e, consequentemente, a alimenta\u00e7\u00e3o das harpias (Harpia harpyja), a maior ave predadora da Amaz\u00f4nia e uma das fortes do planeta, est\u00e3o sendo afetadas&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":224486,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-224485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-o-site"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224485"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":224487,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224485\/revisions\/224487"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}