{"id":227135,"date":"2021-08-07T08:37:41","date_gmt":"2021-08-07T11:37:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=227135"},"modified":"2021-08-07T08:37:43","modified_gmt":"2021-08-07T11:37:43","slug":"fui-queimada-espancada-humilhada-diz-mulher-vitima-de-violencia-domestica-por-26-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/08\/07\/fui-queimada-espancada-humilhada-diz-mulher-vitima-de-violencia-domestica-por-26-anos\/","title":{"rendered":"&#8216;Fui queimada, espancada, humilhada&#8217;, diz mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica por 26 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Adriana (nome fict\u00edcio)* ainda era adolescente quando come\u00e7ou a namorar seu agressor. Apaixonada, ela jamais imaginaria que o futuro seria t\u00e3o doloroso. Anos depois foram morar juntos. Vinte e seis anos vivendo de agress\u00f5es, torturas e viol\u00eancia. Foi a Lei Maria da Penha, que neste s\u00e1bado (7) completa 15 anos, que de certa forma a salvou. No dia em que decidiu dar um basta na situa\u00e7\u00e3o, foi at\u00e9 a delegacia e relatou tudo que vivia. Quando chegou em casa, mostrou o Boletim de Ocorr\u00eancia ao marido. No mesmo dia ele saiu da resid\u00eancia. Embora n\u00e3o tenha sido preso, a situa\u00e7\u00e3o fez com que Adriana ganhasse a liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana \u00e9 apenas uma das tantas mulheres que s\u00e3o agredidas todos os dias. Pelo menos sete mulheres s\u00e3o violentadas por dia na Para\u00edba. De acordo com a Coordena\u00e7\u00e3o das Delegacias da Mulher na Para\u00edba (Coordeam), em todo o ano de 2020, 2.750 inqu\u00e9ritos policiais foram instaurados nas delegacias da mulher do estado. Em 2021, s\u00e3o 746 inqu\u00e9ritos de janeiro a abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos inqu\u00e9ritos j\u00e1 instaurados, 3.524 medidas protetivas foram homologadas em delegacias de Pol\u00edcia Civil no ano passado, al\u00e9m de 598 homologadas em delegacias online, totalizando 4.122. Em 2021, nos quatro primeiros meses do ano, j\u00e1 s\u00e3o 1.384 medidas protetivas homologadas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Ele achava que eu era um objeto dele&#8217;<\/h4>\n\n\n\n<p>Adriana tenta, mas n\u00e3o consegue explicar porque era v\u00edtima de tantas agress\u00f5es. J\u00e1 levou socos, tapas, foi espancada e torturada com fio desencapado, levando choques. \u201cBastava eu conversar com outra pessoa, ele me dava um tapa na cara\u201d, revela Adriana.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o parecia inofensivo, mas j\u00e1 reclamava da roupa que Adriana vestia e era bastante ciumento. \u201cFui deixando, relevando, at\u00e9 que chegamos a ter a conviv\u00eancia a dois. Foi quando tudo piorou\u201d, conta Adriana.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia aumentou e ela come\u00e7ou a ser espancada e torturada. \u201cTive at\u00e9 tortura em choque, ele me queimava, tenho cicatriz de queimaduras tamb\u00e9m. Eu levava soco, apanhei de fio de cabo de a\u00e7o\u201d, relembra.N\u00e3o havia motivos. Nunca h\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEle achava que eu era um objeto dele. Eu nunca esqueci uma vez que eu fui buscar \u00e1gua para a m\u00e3e dele. Quando entrei, eu j\u00e1 fui recebida com murro porque. Eu ca\u00ed e j\u00e1 fui rapidamente chutada por ele. E ele dizendo que eu n\u00e3o deveria ter feito isso e que eu teria que aguentar as consequ\u00eancias\u201d, conta Adriana.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando as agress\u00f5es aconteciam, Adriana passava um bom tempo sem ver as pessoas e sem sair de casa, pois ele a mantinha presa. Quando algu\u00e9m percebia as marcas, ela dava a desculpa de que havia ca\u00eddo ou batido em algum local.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os quatro filhos presenciaram as viol\u00eancias. Inclusive, Adriana chegou a abortar um filho, com apenas dois meses de gravidez, quando apanhou nas costas pelo marido. \u201cN\u00e3o entendo o que levava ele a fazer isso\u201d, lamenta. As agress\u00f5es f\u00edsicas vinham juntas com a viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica. Na \u00e9poca, Adriana n\u00e3o trabalhava e dependia financeiramente do marido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/hYdnTIxyH6VtD9BcHYwWD7A1t1M=\/0x0:1796x1010\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/x\/s\/5vp9MjTVaAGCpjrbvO6g\/comunidade-mais-segura-exposicao-o-sileico-que-fere-foto-02.jpg\" alt=\"Fotografia da exposi\u00e7\u00e3o &quot;O sil\u00eancio que fere&quot; \u2014 Foto: \u00cdris Silva\/Arquivo Pessoal\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fotografia da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;O sil\u00eancio que fere&#8221; \u2014 Foto: \u00cdris Silva\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje com 45 anos, Adriana diz que jamais esqueceu o que passou, mas tamb\u00e9m lembra com orgulho de ter dado o primeiro passo para romper o ciclo de viol\u00eancia. \u201cEu n\u00e3o aguentava mais ver os meus filhos ficando doentes. Minhas filhas n\u00e3o podiam ver ele chegar no port\u00e3o que j\u00e1 tremiam e choravam. Eu precisava me libertar daquilo. Fui queimada, espancada, humilhada, tra\u00edda\u201d, conta Adriana.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca Adriana estava com c\u00e2ncer e mesmo assim continuava sofrendo com as agress\u00f5es. No dia que decidiu acabar com essa situa\u00e7\u00e3o, Adriana conta que estava lavando lou\u00e7a quando, mais uma vez, foi violentada. Ela pegou uma das facas que estavam na pia e tentou matar o marido, dizendo a ele que a partir daquele dia ele nunca mais bateria nela e pediu para que sa\u00edsse de casa. Depois disso, foi at\u00e9 a delegacia e revelou tudo que estava acontecendo. Com o Boletim de Ocorr\u00eancia, ela perguntou se ele queria sair por bem ou por mal.<\/p>\n\n\n\n<p>As marcas, no entanto, ficaram. No corpo e na mente. Desenvolveu uma depress\u00e3o e sempre que olhar as cicatrizes lembra cada agress\u00e3o que sofreu e cada gota de sangue derramada. \u201cEu lembro das minhas filhas me alisando, quando eu estava no ch\u00e3o, pedindo para eu levantar, limpar o sangue que estava em mim\u201d, desabafa Adriana. H\u00e1 nove anos Adriana vive a liberdade de decidir pela pr\u00f3pria vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/0L7mdZRhTFSDH89U9o62tJVM62I=\/0x0:1819x1023\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/q\/S\/2hWbMnQmqDLZBYfdl7LA\/comunidade-mais-segura-exposicao-o-sileico-que-fere-foto-10.jpg\" alt=\"Fotografia da exposi\u00e7\u00e3o &quot;O sil\u00eancio que fere&quot; \u2014 Foto: \u00cdris Silva\/Arquivo Pessoal\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fotografia da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;O sil\u00eancio que fere&#8221; \u2014 Foto: \u00cdris Silva\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o &#8216;O sil\u00eancio que fere&#8217;<\/h4>\n\n\n\n<p>Adriana \u00e9 uma das mulheres fotografadas pela professora e fot\u00f3grafa \u00cdris Silva para a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;O sil\u00eancio que fere&#8221;, que tamb\u00e9m ilustra esta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o se integra \u00e0s diversas do Comunidade Mais Segura do Projeto de Redu\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia, executado no Conjunto M\u00e1rio Andreazza, em Bayeux, pelo Servi\u00e7o Pastoral dos Migrantes do Nordeste (SPM-NE). A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado da parceria do SPM-NE e do Centro de Mulheres Jardim Esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/4FXMLA6wF9EMT-TLB6-omwf1qbk=\/0x0:1797x1011\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/B\/E\/3hcS2GSwGNFu1LTQmExg\/comunidade-mais-segura-exposicao-o-sileico-que-fere-foto-04.jpg\" alt=\"Fotografia da exposi\u00e7\u00e3o &quot;O sil\u00eancio que fere&quot; exp\u00f5e os tipos de viol\u00eancia contra a mulher \u2014 Foto: \u00cdris Silva\/Arquivo Pessoal\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fotografia da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;O sil\u00eancio que fere&#8221; exp\u00f5e os tipos de viol\u00eancia contra a mulher \u2014 Foto: \u00cdris Silva\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo s\u00e3o 23 fotografias em que as pr\u00f3prias mulheres atendidas pelo Centro de Mulheres Jardim da Esperan\u00e7a contribu\u00edram para a recria\u00e7\u00e3o de cenas que retratam dor, tristeza, humilha\u00e7\u00e3o, medo, mas tamb\u00e9m esperan\u00e7a e supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sil\u00eancio que fere&#8221; aponta para a supera\u00e7\u00e3o. As mulheres envolvidas no projeto conseguiram falar da viol\u00eancia e ajudaram a reconstruir em cada cena fotografada a representa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que um dia j\u00e1 reconheceram. Mas, j\u00e1 n\u00e3o reconhecem porque conseguiram quebrar o chamado ciclo da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 que a partir da exposi\u00e7\u00e3o, mulheres que vivenciaram a viol\u00eancia possam se inspirar na hist\u00f3ria dessas mulheres e consigam se reerguer e as que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e viol\u00eancia dom\u00e9stica possam quebrar esse ciclo com a ajuda das ferramentas e servi\u00e7os que atuam no enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica&#8221;, relata \u00cdris.<\/p>\n\n\n\n<p>G1PB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana (nome fict\u00edcio)* ainda era adolescente quando come\u00e7ou a namorar seu agressor. Apaixonada, ela jamais imaginaria que o futuro seria t\u00e3o doloroso. Anos depois foram&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":227136,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-227135","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=227135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":227137,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227135\/revisions\/227137"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/227136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=227135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=227135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=227135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}