{"id":228631,"date":"2021-08-23T09:41:15","date_gmt":"2021-08-23T12:41:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=228631"},"modified":"2021-08-23T09:41:17","modified_gmt":"2021-08-23T12:41:17","slug":"pesquisa-busca-vacina-contra-hiv-com-tecnologia-similar-a-da-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/08\/23\/pesquisa-busca-vacina-contra-hiv-com-tecnologia-similar-a-da-covid\/","title":{"rendered":"Pesquisa busca vacina contra HIV com tecnologia similar \u00e0 da Covid"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma vacina com tecnologia semelhante \u00e0 usada na imuniza\u00e7\u00e3o contra Covid-19 est\u00e1 sendo testada em centros de pesquisa brasileiros para prevenir a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV, o v\u00edrus causador da Aids. A pesquisa est\u00e1 na fase tr\u00eas, quando s\u00e3o realizados testes em seres humanos. Os resultados saem em dois anos e meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a Faculdade de Medicina da USP acaba de aderir a um cons\u00f3rcio internacional que busca novas solu\u00e7\u00f5es para eliminar o HIV de dentro das c\u00e9lulas dos pacientes infectados. Outros grupos, como o da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo), tamb\u00e9m perseguem o mesmo objetivo em diferentes projetos de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 40 anos dos primeiros diagn\u00f3sticos de Aids, nos Estados Unidos, a doen\u00e7a que j\u00e1 matou mais de 35 milh\u00f5es de pessoas no mundo, das quais 350 mil no Brasil, continua mobilizando pesquisadores em busca da cura.<\/p>\n\n\n\n<p>A meta da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) \u00e9 acabar com a epidemia de Aids at\u00e9 2030, mas as desigualdades de acesso a m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o e de tratamento ainda s\u00e3o gritantes, especialmente nos pa\u00edses de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora existam avan\u00e7os importantes na preven\u00e7\u00e3o, tratamento e controle do HIV, os pacientes seguem precisando de terapia antirretroviral cont\u00ednua e correm o risco de agravamento do quadro de sa\u00fade e de morte caso haja interrup\u00e7\u00e3o. Sem contar o estigma que ainda circunda a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tudo mundo fala em pandemia, pandemia, pandemia. Mas vivemos h\u00e1 40 anos uma pandemia da Aids, que infecta milh\u00f5es de pessoas no mundo todo, que causa mortes todos os anos no Brasil e que parece, para muita gente, que acabou. Talvez seja mais f\u00e1cil eliminar ou controlar bem a pandemia de Covid-19 do que a de HIV&#8221;, afirma o infectologista Esper Kall\u00e1s, professor titular da USP e que lidera pesquisas sobre HIV na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A USP integra o projeto de vacina contra a Aids chamado Mosaico, patrocinado pela farmac\u00eautica Janssen e que envolve institui\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos, Europa e Am\u00e9rica Latina, com mais de 3.800 pessoas. No Brasil, participam centros de pesquisa em S\u00e3o Paulo, Manaus, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 verificar a efic\u00e1cia de um imunizante contra o HIV tipo 1 e seus subtipos mais frequentes nas Am\u00e9ricas e na Europa. H\u00e1 outro estudo &#8220;primo-irm\u00e3o&#8221; do Mosaico sendo feito na \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a partir da plataforma da Janssen usada no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 que surgiu a ideia de aplicar a mesma tecnologia para buscar um imunizante contra o HIV, utilizando, inclusive, o mesmo vetor, o adenov\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o infectologista Bernardo Porto Maia, coordenador do projeto no Instituto de Infectologia Emilio Ribas (SP), o adenovirus26, causador de resfriado comum, \u00e9 alterado em laborat\u00f3rio para n\u00e3o causar a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse adenov\u00edrus modificado \u00e9 acoplado um mosaico de estruturas gen\u00e9ticas dos mais diversos subtipos de HIV tipo 1 circulantes nos territ\u00f3rios onde o estudo acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando recebe essa vacina, o adenov\u00edrus funciona como um cavalo de Troia para conseguir expor o indiv\u00edduo ao HIV. A pessoa n\u00e3o se infecta com o v\u00edrus, mas entra em contato com estruturas gen\u00e9ticas dele a ponto de induzir uma resposta de defesa contra esse v\u00edrus&#8221;, explica Maia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fase pr\u00e9-cl\u00ednica do Mosaico, feita com chimpanz\u00e9s, os pesquisadores chegaram a um grau de efic\u00e1cia de 67%. Por\u00e9m, isso ainda precisa ser comprovado em humanos. &#8220;N\u00e3o sabemos se em humanos vai ser igual, menor ou maior. Mas a gente acredita que, pelas caracter\u00edsticas da vacina, vai haver uma efic\u00e1cia relevante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outros estudos no mundo buscando uma vacina contra o HIV, mas o Mosaico \u00e9 hoje o que est\u00e1 em fase mais avan\u00e7ada. Projetos anteriores pouco prosperaram. Um deles, realizado na Tail\u00e2ndia, alcan\u00e7ou efic\u00e1cia de 31%, considerada muito baixa para uma vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O HIV tem uma diversidade gen\u00e9tica muito grande, que dificulta a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica estrat\u00e9gia de vacina global. Mas \u00e9 na viv\u00eancia de momentos cr\u00edticos de sa\u00fade p\u00fablica que se tem os maiores avan\u00e7os de pesquisa. Talvez o HIV se beneficie desse conhecimento que a Covid-19 tem trazido para a ci\u00eancia e a produ\u00e7\u00e3o de vacina e de novas tecnologias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra linha de pesquisa promissora busca novas solu\u00e7\u00f5es para bloquear e trancar o HIV dentro das c\u00e9lulas do paciente infectado e, por meio de engenharia gen\u00e9tica, eliminar o v\u00edrus e alcan\u00e7ar a cura.<\/p>\n\n\n\n<p>O Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP acaba de se unir a uma rede global de pesquisadores que persegue esse objetivo. O cons\u00f3rcio tem investimentos de US$ 26,5 milh\u00f5es do NIH (Institutos Nacionais de Sa\u00fade dos EUA) por cinco anos. \u00c9 liderado por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es americanas (Gladstone Institute, Scripps Research Florida e Weil Cornell Medicine), que tem colaboradores pelo mundo. No Brasil, o grupo da USP foi o \u00fanico escolhido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A cura \u00e9 um anseio da comunidade cient\u00edfica desde a descoberta do v\u00edrus. Todo mundo tentou e nunca deu certo at\u00e9 aparecer o Timothy Ray Brown [primeira pessoa curada do HIV e que morreu ano passado v\u00edtima de c\u00e2ncer]&#8221;, diz o infectologista Kall\u00e1s, coordenador da pesquisa no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Brown, que ficou conhecido como &#8220;paciente de Berlim&#8221;, curou-se ap\u00f3s receber transplante de medula \u00f3ssea de um doador com resist\u00eancia natural ao v\u00edrus da Aids. Depois dele, Adam Castillejo, o &#8220;paciente de Londres&#8221;, tamb\u00e9m se livrou do v\u00edrus por meio do mesmo m\u00e9todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como fazer transplante de medula em todo mundo \u00e9 invi\u00e1vel, v\u00e1rias estrat\u00e9gias de remiss\u00e3o sustentada do HIV come\u00e7aram a ser buscadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores desafios tem sido encontrar formas eficazes de &#8220;acordar&#8221; o HIV dentro das c\u00e9lulas e elimin\u00e1-lo. Uma pessoa em tratamento antirretroviral tem um reservat\u00f3rio muito pequeno de c\u00e9lulas com o v\u00edrus HIV e elas costumam ficar escondidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Kall\u00e1s, um diferencial do centro da USP \u00e9 contar com profissionais que buscam estabelecer um contato mais pr\u00f3ximo com a comunidade mais vulner\u00e1vel ao HIV no Brasil, como homens que fazem sexo com homens, mulheres trans e profissionais do sexo, para participarem dos estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um das propostas ser\u00e1 avaliar a intera\u00e7\u00e3o do HIV em mulheres trans que fazem uso da reposi\u00e7\u00e3o hormonal. Segundo algumas teorias, esses horm\u00f4nios interferem na din\u00e2mica do v\u00edrus nesses reservat\u00f3rios e isso pode dar pistas para novos tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas pesquisas conduzidas pela Unifesp, a estrat\u00e9gia de tratamento combina dois tipos de medicamentos tamb\u00e9m com objetivo de acordar o v\u00edrus, tirando-o do estado de lat\u00eancia, e matar a c\u00e9lula com o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo piloto, com 30 volunt\u00e1rios distribu\u00eddos em seis bra\u00e7os, tr\u00eas pacientes tiveram a doen\u00e7a controlada, sendo que um deles chegou a ser considerado curado ap\u00f3s o HIV desaparecer de suas amostras sangu\u00edneas. Mas no fim do ano passado, ele voltou a apresentar o v\u00edrus. A hip\u00f3tese, ainda sob estudo, \u00e9 que tenha sido reinfectado por um novo subtipo de HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o infectologista Ricardo Sobhie Diaz, que lidera o grupo de pesquisa da Unifesp, at\u00e9 o final deste ano ser\u00e1 iniciada nova fase dos testes cl\u00ednicos, com algumas adapta\u00e7\u00f5es do tratamento em rela\u00e7\u00e3o ao protocolo inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e3o acompanhados 70 volunt\u00e1rios, sendo que 60 v\u00e3o receber o novo tratamento com a combina\u00e7\u00e3o de medicamentos e outros dez ser\u00e3o o grupo controle, que vai usar coquetel antirretroviral convencional. &#8220;Tivemos mais de 500 pessoas querendo participar do estudo. As pessoas t\u00eam vontade de, eventualmente, deixar de tomar rem\u00e9dio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Diaz diz que a pandemia atrasou o in\u00edcio dessa segunda etapa do estudo. &#8220;N\u00e3o seria \u00e9tico trazer pessoas que est\u00e3o bem [com o tratamento tradicional] para vir todos os meses para um ambiente hospitalar participar de estudo&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>FolhaPress<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vacina com tecnologia semelhante \u00e0 usada na imuniza\u00e7\u00e3o contra Covid-19 est\u00e1 sendo testada em centros de pesquisa brasileiros para prevenir a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV,&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":228632,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,16],"tags":[],"class_list":["post-228631","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228631","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=228631"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228631\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":228633,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228631\/revisions\/228633"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228632"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=228631"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=228631"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=228631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}