{"id":22983,"date":"2017-07-03T18:53:53","date_gmt":"2017-07-03T21:53:53","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=22983"},"modified":"2017-07-03T18:53:53","modified_gmt":"2017-07-03T21:53:53","slug":"transtorno-disforico-pre-menstrual-a-super-tpm-que-leva-algumas-mulheres-a-internacao-psiquiatrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/07\/03\/transtorno-disforico-pre-menstrual-a-super-tpm-que-leva-algumas-mulheres-a-internacao-psiquiatrica\/","title":{"rendered":"Transtorno disf\u00f3rico pr\u00e9-menstrual: a &#8216;super TPM&#8217; que leva algumas mulheres \u00e0 interna\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Para a maioria das mulheres, a tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual \u00e9 uma parte desagrad\u00e1vel, mas suport\u00e1vel do ciclo de cada m\u00eas. Mas entre 5% e 8% das mulheres em idade f\u00e9rtil t\u00eam sintomas t\u00e3o severos que podem chegar a ser fatais.<\/p>\n<p>Laura, de 38 anos, notou pela primeira vez que tinha um problema quando estava com 17.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia eu ca\u00ed. Estava ofegante e minha m\u00e3e chamou m\u00e9dicos para me sedar&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Laura sofria com ansiedade e ataques de p\u00e2nico. S\u00f3 podia fazer trabalhos tempor\u00e1rios porque n\u00e3o conseguia manter um emprego est\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Todo m\u00eas, eu me cansava tanto, que tinha que dormir 18 horas durante tr\u00eas dias. Comecei a ter pensamentos suicidas&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Laura apresentava s\u00edndrome pr\u00e9-menstrual severa, tamb\u00e9m chamada de transtorno disf\u00f3rico pr\u00e9-menstrual (TDPM), patologia reconhecida oficialmente e caracterizada por sintomas intensos &#8211; como irritabilidade e depress\u00e3o associadas ao per\u00edodo pr\u00e9-menstrual &#8211; que interferem na capacidade de uma pessoa viver normalmente.<\/p>\n<p>Quem sofre dessa s\u00edndrome pode manifestar sintomas por at\u00e9 tr\u00eas semanas durante o m\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Psicose e manias<\/strong><\/p>\n<p>Sarah, de 23 anos, come\u00e7ou a ter TDPM aos 14. &#8220;Tinha ansiedade e depress\u00e3o e, com o tempo, psicose &#8211; eu via coisas &#8211; e tamb\u00e9m tinha manias.&#8221;<\/p>\n<p>Ela foi hospitalizada e diagnosticada com transtorno bipolar e passou um ano inteiro entrando e saindo de uma unidade psiqui\u00e1trica hospitalar para adolescentes.<\/p>\n<p>&#8220;Com frequ\u00eancia, o diagn\u00f3stico de TDPM \u00e9 mal feito&#8221;, diz o professor e ginecologista John Studd.<\/p>\n<p>&#8220;Como os sintomas s\u00e3o c\u00edclicos, os psiquiatras \u00e0s vezes acreditam que seja um transtorno bipolar, e ent\u00e3o os pacientes seguem um tratamento durante anos com terapias e antipsic\u00f3ticos como o l\u00edtio.&#8221;<\/p>\n<p><strong>F\u00faria sem motivo<\/strong><\/p>\n<p>Rachael, de 35 anos, tem sintomas de TDPM desde os 14 e diz ter experimentado momentos de f\u00faria &#8220;nos quais poderia ter matado algu\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acordava no meio da noite me sentindo furiosa sem nenhum motivo e come\u00e7ava a quebrar pratos.&#8221;<\/p>\n<p>Foi seu ex-parceiro que a diagnosticou corretamente pela primeira vez, uma d\u00e9cada depois.<\/p>\n<p>&#8220;Eu li as informa\u00e7\u00f5es sobre a doen\u00e7a e disse: &#8216;Meu Deus, essa sou eu&#8217;. Eu falava para os m\u00e9dicos sobre o que sentia, mas eles me davam somente antidepressivos e medica\u00e7\u00e3o para ansiedade.&#8221;<\/p>\n<p>Com o tempo, a vida dela desmoronou. Ela deixou o trabalho na pol\u00edcia e os filhos ficaram com a av\u00f3 durante seis semanas.<\/p>\n<p>&#8220;Cheguei a um ponto em que eles iriam me internar em um hospital psiqui\u00e1trico. Em certo momento, estava dirigindo e me deu vontade de bater contra um caminh\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p>O que Laura, Sarah e Rachael compartilham s\u00e3o as dificuldades para conseguir com que os profissionais m\u00e9dicos reconhe\u00e7am essa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Agora tenho um ginecologista que est\u00e1 convencido de que tenho TDPM, mas meu psiquiatra ainda diz que tenho transtorno bipolar com um componente hormonal&#8221;, diz Sarah.<\/p>\n<p>Um m\u00e9dico disse a Laura que ela deveria se sentir sortuda por n\u00e3o viver na Idade M\u00e9dia, porque poderiam t\u00ea-la queimado como uma &#8220;bruxa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O que costuma chamar a aten\u00e7\u00e3o ao ver uma mulher nesta condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a quantidade de tempo que leva at\u00e9 que ela seja levada a s\u00e9rio, e o qu\u00e3o aliviada ela se sente quando finalmente algu\u00e9m lhe oferece tratamentos baseados em provas&#8221;, afirma o ginecologista Nick Panay, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional sobre a S\u00edndrome Pr\u00e9-Menstrual do Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;Quase sempre (a TDPM) \u00e9 trat\u00e1vel&#8221;, afirma o m\u00e9dico Studd, que normalmente receita tratamento hormonal com estrog\u00eanio e um gel cut\u00e2neo.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 a maneira segura de dominar o ciclo e os sintomas c\u00edclicos.&#8221;<\/p>\n<p>No come\u00e7o deste ano, um estudo apontou que a TDPM pode estar relacionada com uma vulnerabilidade gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 muito emocionante&#8221;, disse Panay. &#8220;Uma vez que se encontra um fator gen\u00e9tico causador dessa doen\u00e7a, abre-se a possibilidade de desenvolver um teste de diagn\u00f3stico e terapias gen\u00e9ticas espec\u00edficas. Mas a investiga\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em fase muito inicial, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 perspectivas imediatas de que estas op\u00e7\u00f5es estejam dispon\u00edveis nos pr\u00f3ximos anos. Mas definitivamente h\u00e1 progressos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e3o Laura, Sarah e Rachael<\/strong><\/p>\n<p>O gel hormonal funcionou para Raquel. &#8220;J\u00e1 n\u00e3o tenho pensamentos suicidas. Quase n\u00e3o discuto com meu parceiro. \u00c9 uma melhoria de 95%&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela agora planeja estudar Psicologia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu adorava trabalhar para a pol\u00edcia e tinha um bom sal\u00e1rio. Depois, aconteceu tudo isso e achei que nunca mais voltaria a ser parte ativa e construtiva da socidade. Por isso agora acredito que meu destino seja ajudar outras mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>Sarah depende de uma combina\u00e7\u00e3o de quatro tratamentos para controlar seu ciclo. Mas a estrat\u00e9gia s\u00f3 funciona durante seis meses, quando chega uma nova reca\u00edda.<\/p>\n<p>Por isso, ela est\u00e1 considerando retirar o \u00fatero e os ov\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Fui internada em hospital psiqui\u00e1trico duas vezes no ver\u00e3o passado e pensei: isso n\u00e3o pode continuar dessa maneira.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre a retirada do ov\u00e1rio, ela conta que muita gente a advertiu dizendo que ela poderia se arrepender por n\u00e3o poder engravidar depois. Mas ela defende a op\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o quero trazer ningu\u00e9m para este mundo para depois causar algum dano a eles ou a mim.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Recentemente, durante uma crise grave quase tentei me matar. \u00c0s vezes penso que \u00e9 melhor fazer a opera\u00e7\u00e3o do que voltar a passar por isso.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isso, Sarah se concentra em concluir a universidade. Ela vive com a esperan\u00e7a de um futuro em que possa &#8220;viajar, fazer planos com anteced\u00eancia e poder comprometer-se com algo durante um ano ou mais&#8221;. &#8220;Tenho essa determina\u00e7\u00e3o e isso me faz bem.&#8221;<\/p>\n<p>Laura tamb\u00e9m se mant\u00e9m otimista: &#8220;2017 \u00e9 o ano em que tudo isso se resolver\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 esperando a aprova\u00e7\u00e3o para fazer a histerectomia (remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica do \u00fatero).<\/p>\n<p>Aos 38 anos, ela n\u00e3o t\u00eam poupan\u00e7a ou uma carreira, mas tem um parceiro que a apoia.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 coisas que eu sei que posso conseguir. Imagine o que eu posso fazer com quatro semanas no m\u00eas&#8221;, diz, empolgada.<\/p>\n<p>Laura lidera um projeto chamado\u00a0<i>Vicious Cycle\u00a0<\/i>(ciclo vicioso), para disseminar informa\u00e7\u00f5es sobre a doen\u00e7a para que os m\u00e9dicos a conhe\u00e7am melhor.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m administra um grupo de Facebook de apoio a pacientes &#8211; que tem sido de grande ajuda tamb\u00e9m para Rachael e Sarah.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Com BBC\/Foto: Google<\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a><strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0veja nossas mat\u00e9rias e fotos. 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