{"id":232409,"date":"2021-10-04T11:48:29","date_gmt":"2021-10-04T14:48:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=232409"},"modified":"2021-10-04T11:48:32","modified_gmt":"2021-10-04T14:48:32","slug":"lava-do-vulcao-de-la-palma-se-transformara-em-vidro-sob-a-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/10\/04\/lava-do-vulcao-de-la-palma-se-transformara-em-vidro-sob-a-agua\/","title":{"rendered":"Lava do vulc\u00e3o de La Palma se transformar\u00e1 em vidro sob a \u00e1gua"},"content":{"rendered":"\n<p>O encontro entre a lava e o mar de La Palma est\u00e1 gerando algo mais do que grandes colunas de fuma\u00e7a. Debaixo d\u2019\u00e1gua, a intera\u00e7\u00e3o entre duas massas t\u00e3o enormes e com tanta diferen\u00e7a de temperatura est\u00e1 alterando a natureza e a forma da pr\u00f3pria corrente de lava. Algumas mudan\u00e7as ser\u00e3o pouco duradouras, mas outras persistir\u00e3o por milhares de anos. O fen\u00f4meno mais imediato e caracter\u00edstico \u00e9 a vitrifica\u00e7\u00e3o de sua parte externa. Mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da enorme mobiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica em terra, mar e ar, as condi\u00e7\u00f5es debaixo d\u2019\u00e1gua complicam o estudo da lava. O Instituto Espanhol de Oceanografia, que opera a partir do navio Ram\u00f3n Margalef, est\u00e1 colhendo amostras da \u00e1gua e realizando a batimetria da \u00e1rea. Mas n\u00e3o h\u00e1 c\u00e2meras subaqu\u00e1ticas instaladas e se aguarda a chegada do submarino n\u00e3o tripulado de que disp\u00f5e. Ainda assim, e com base no tipo de erup\u00e7\u00e3o, os dois tipos de lava expelida pelo vulc\u00e3o e no que aconteceu em erup\u00e7\u00f5es semelhantes no passado, os cientistas podem antecipar o que est\u00e1 ocorrendo com a corrente de lava submarina.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que acontece ao juntar lava a mais de 800 graus (perdeu cerca de 200 graus no trajeto desde que saiu do vulc\u00e3o da Cumbre Vieja) com a \u00e1gua do mar a cerca de 24 graus \u00e9 que a corrente se fragmenta de forma violenta e repentina. Mas n\u00e3o explode (para fora, como acontece na boca do vulc\u00e3o). O que acontece s\u00e3o principalmente implos\u00f5es. O contraste t\u00e9rmico provoca a solidifica\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que se contrai. Paralelamente, boa parte do material mais exposto \u00e0 \u00e1gua se quebra e se desprende, s\u00e3o os hidroclastos, vers\u00e3o submarina dos piroclastos. O processo permanece ativo enquanto continuar a chegar novo material do vulc\u00e3o. E \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pido que a rocha l\u00edquida se solidifica sem cristalizar.<\/p>\n\n\n\n<p>A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da lava n\u00e3o muda uma vez debaixo d\u2019\u00e1gua, mas sua natureza sim. O professor de geologia da Universidade de Barcelona Domingo Gimeno destaca que \u201ca corrente de lava se litifica [forma\u00e7\u00e3o de rocha] e a litifica\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pida que impede que os minerais presentes se cristalizem\u201d. Na lava existe uma grande variedade de elementos da tabela peri\u00f3dica, muitos deles met\u00e1licos: sil\u00edcio, oxig\u00eanio, alum\u00ednio, ferro, magn\u00e9sio, c\u00e1lcio, enxofre, tit\u00e2nio&#8230; Alguns deles aparecem em forma cristalina, como o sulfato de ferro ou o feldspato. Os cristais s\u00e3o uma forma de organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria que, simplificando, se repete de forma regular, organizada e sim\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em sua maioria, a rocha fundida \u00e9 uma massa amorfa rica em vidros vulc\u00e2nicos: um material s\u00f3lido, mas sem estrutura cristalina. As primeiras an\u00e1lises realizadas na lava de La Palma, realizadas por cientistas das universidades de La Laguna e Granada, mostram que ao menos 50% do material \u00e9 vidro vulc\u00e2nico. Apesar da confus\u00e3o que existe na Espanha e em outros pa\u00edses de l\u00edngua espanhola, vidro e cristal s\u00e3o dois extremos expostos no estado s\u00f3lido da mat\u00e9ria. E o choque com o mar faz com que boa parte da corrente de lava se solidifique em forma de vidro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcontece um ru\u00eddo ensurdecedor, como milh\u00f5es de vidros quebrados\u201d, diz Gimeno. \u201cO que acontece \u00e9 que, ao chegar, o mar esfria bruscamente a corrente, que se fragmenta. Deixa de ser um todo solid\u00e1rio e se expande acumulando brechas de vidro\u201d, acrescenta. Em geologia, as brechas vulc\u00e2nicas n\u00e3o s\u00e3o fissuras nem buracos, s\u00e3o rochas formadas pela aglomera\u00e7\u00e3o de materiais menores, os hidroclastos. Outro tipo de pedra que se forma s\u00e3o os hialoclastitos, tamb\u00e9m aglomera\u00e7\u00f5es, mas de materiais mais v\u00edtreos, que lembram a obsidiana, embora sem tanto brilho.<\/p>\n\n\n\n<p>O vulc\u00e3o de La Palma intriga os cientistas porque, sendo de tipo estromboliano, com uma erup\u00e7\u00e3o permanente de lavas relativamente fluidas salpicada de surtos explosivos, n\u00e3o se enquadra completamente nesta categoria. Um dos elementos que n\u00e3o se enquadram bem \u00e9 o tipo de lava. Durante os primeiros dias a corrente de lava era muito densa, rochosa e de avan\u00e7o lento. \u00c9 o que se conhece como lava tipo Aa, um nome tirado do havaiano, que significa lava \u00e1spera. Mas, nos \u00faltimos dias, a corrente acelerou devido ao aporte de materiais mais fluidos. As lavas de baixa viscosidade s\u00e3o chamadas de pahoehoe (macia, novamente do havaiano). Ambos os tipos influenciam tamb\u00e9m na forma final da praia que est\u00e1 sendo formada. Nessa parte da ilha, o novo fundo ser\u00e1 inclinado, cheio de arestas e de formas afiladas.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Jos\u00e9 Mangas, do Instituto da Oceanografia e Mudan\u00e7a Global (IOCAG), da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, lembra que seria necess\u00e1rio um rob\u00f4 submarino para observar como a lava avan\u00e7a. \u201cVai se adaptar \u00e0 topografia do fundo\u201d, comenta. Por cima, diz Mangas, \u201ca lava tipo Aa formar\u00e1 um campo de lava recente sobre a nova plataforma vulc\u00e2nica\u201d. Por baixo, \u201cenquanto continuar havendo novos aportes, a frente e os lados se quebrar\u00e3o, saindo como churros\u201d. Parte deles acabar\u00e1 no que os anglo-sax\u00f5es chamam de pillows lava, que s\u00e3o mais ou menos almofadadas dependendo da composi\u00e7\u00e3o da lava. No caso da erup\u00e7\u00e3o de La Palma, ser\u00e3o almofad\u00f5es, pois s\u00e3o pedras grandes, muito rugosas e cortantes. Outra parte se fragmentar\u00e1 nos hialoclastitos mencionados acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a partir do momento em que o encontro da lava e o mar provoca a vitrifica\u00e7\u00e3o da primeira, come\u00e7a o processo inverso. O vidro, apesar do que possa parecer, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o est\u00e1vel e, ao menos na natureza, est\u00e1 condenado a se cristalizar e deixar de ser amorfo. \u201cMinerais se formar\u00e3o em pouco tempo&#8230; dias, meses e anos, como argilas, ze\u00f3litas, \u00f3xidos. E em milhares de anos outros como feldspatos e quartzo de baixa temperatura, epidotos&#8230;\u201d lembra o ge\u00f3logo do ICOAG.<\/p>\n\n\n\n<p>En las dorsales oce\u00e1nicas y las erupciones en islas que llegan al mar es la habitual la formaci\u00f3n de lavas almohadilladas como las de la imagen.<\/p>\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O encontro entre a lava e o mar de La Palma est\u00e1 gerando algo mais do que grandes colunas de fuma\u00e7a. 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