{"id":234213,"date":"2021-10-31T10:01:17","date_gmt":"2021-10-31T13:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=234213"},"modified":"2021-10-31T10:01:19","modified_gmt":"2021-10-31T13:01:19","slug":"apos-19-meses-auxilio-emergencial-chega-ao-fim-neste-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/10\/31\/apos-19-meses-auxilio-emergencial-chega-ao-fim-neste-domingo\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 19 meses, aux\u00edlio emergencial chega ao fim neste domingo"},"content":{"rendered":"\n<p>Foram 19 meses, 9 parcelas, v\u00e1rias prorroga\u00e7\u00f5es, muitas d\u00favidas, aplicativos, filas. Mas neste domingo, quando a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) depositar a \u00faltima parcela aos trabalhadores nascidos em dezembro, chega ao fim o Aux\u00edlio Emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p>A ajuda, essencial para milh\u00f5es de brasileiros durante os meses de crise aguda provocada pela pandemia do coronav\u00edrus, foi &#8216;minguando&#8217; ao longo dos meses. De parcelas de R$ 600 a 67 milh\u00f5es de pessoas, atendeu no \u00faltimo m\u00eas 25 milh\u00f5es, com parcelas de R$ 200.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte desses 25 milh\u00f5es dever\u00e1 passar a receber o Aux\u00edlio Brasil a partir de novembro. Mas para pelo menos 22 milh\u00f5es, toda ajuda acaba \u2013 e fica a incerteza de como sobreviver, se alimentar e pagar as contas, em um pa\u00eds empobrecido e com quase 14 milh\u00f5es de desempregados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para elas, o fim do programa traz o medo da fome e o aumento do endividamento. A alta dos pre\u00e7os, principalmente dos alimentos, e a falta de perspectivas para conseguir um emprego agravam ainda mais a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 estamos em desespero h\u00e1 muito tempo\u201d. \u00c9 assim que a dona de casa Luciana Nunes, de 50 anos, resume o que tem vivido desde que passou a receber R$ 250 de aux\u00edlio em abril deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, tanto ela quanto uma de suas filhas recebiam o benef\u00edcio. Foram cinco meses ganhando R$ 1,2 mil. Juntando com a aposentadoria por invalidez do marido, a renda da fam\u00edlia dobrou. Com isso, ela conseguia pagar as contas em dia e at\u00e9 passou a consumir produtos que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de comprar, como cremes, maquiagens, rem\u00e9dios, roupas e cal\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo quando o valor ao aux\u00edlio foi reduzido pela metade em setembro, os R$ 600 que as duas colocavam em casa ainda ajudavam bastante a fam\u00edlia, que mora em Iguatu (CE).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, a volta do aux\u00edlio em abril deste ano trouxe novas regras e reduziu novamente o valor. Com isso, a filha perdeu o direito ao benef\u00edcio e a fam\u00edlia s\u00f3 contava com os R$ 250 mensais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO problema \u00e9 que o valor do aux\u00edlio caiu bem quando os pre\u00e7os explodiram. As coisas b\u00e1sicas como alimenta\u00e7\u00e3o, conta de luz e g\u00e1s aumentaram consideravelmente. Estamos consumindo a mesma quantidade de energia e pagando o dobro\u201d, conta Luciana.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, eles acabaram se endividando no cart\u00e3o de cr\u00e9dito para pagar as compras do supermercado. \u201cEstamos muito, mas muito endividados. A gente compra no cart\u00e3o, parcela a fatura e n\u00e3o sobra nada de dinheiro\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando recebia R$ 1,2 mil do aux\u00edlio, a fam\u00edlia conseguia guardar pelo menos 10% da renda. E era poss\u00edvel colocar v\u00e1rios tipos de carne na mesa, incluindo de primeira. Mas, agora a realidade \u00e9 outra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 um bom tempo n\u00e3o estamos comendo mais carne. N\u00e3o estamos passando fome, mas \u00e9 o que mais estamos temendo\u201d, lamenta Luciana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela e as duas filhas, de 21 e 27 anos, est\u00e3o tentando arrumar algum trabalho. \u201cMas aqui \u00e9 dif\u00edcil conseguir at\u00e9 um bico. Est\u00e1 todo mundo sem dinheiro e a cidade \u00e9 pequena\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a dona de casa, o aux\u00edlio era essencial para pagar as contas da casa. Com o fim do benef\u00edcio, Luciana ter\u00e1 de se virar com a aposentadoria do marido que, segundo ela, \u00e9 baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSimplesmente n\u00e3o sabemos o que vamos fazer porque esse dinheiro vai fazer falta. S\u00f3 de pensar bate uma agonia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pandemia, a dona de casa Silmara Margutti, 29 anos, e seu marido ficaram sem emprego. Foi o dinheiro do aux\u00edlio emergencial que segurou as despesas da fam\u00edlia, que mora em Monte Alto (SP), durante um ano e meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Silmara viu o valor do aux\u00edlio encolher \u2013 come\u00e7ou em R$ 600 no ano passado at\u00e9 cair para R$ 150 neste ano \u2013, mas ainda assim o dinheiro foi a \u00fanica garantia de renda na casa, j\u00e1 que o marido \u00e9 pedreiro e nem sempre consegue trabalho. A \u00faltima parcela do benef\u00edcio foi paga neste m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApesar de ter diminu\u00eddo muito, era um valor que ca\u00eda todo m\u00eas e ajudava a pagar as contas&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 duas semanas, Silmara foi morar numa casa que seu pai cedeu para sua fam\u00edlia. Isso deve aliviar um pouco as despesas. O problema \u00e9 que, com a pandemia, Silmara e o marido ficaram sem trabalho e n\u00e3o conseguiram pagar as contas nem o aluguel da casa onde moravam. Agora as d\u00edvidas se acumularam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi o aux\u00edlio que segurou as nossas despesas no ano passado, mas, mesmo assim, n\u00e3o deu pra pagar tudo. Eu tenho vergonha de ficar devendo, mas a gente n\u00e3o tinha outra renda&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Silmara conta que chegou a contar com doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas para ter comida em casa. Ela n\u00e3o consegue comprar carne h\u00e1 bastante tempo. &#8220;Compro mais salsicha, ovo e alguns legumes, que \u00e9 mais barato&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Silmara come\u00e7ou a fazer churros para fora, mas teve que parar porque ela n\u00e3o tem os R$ 200 necess\u00e1rios para comprar uma pe\u00e7a da fritadeira que quebrou.<\/p>\n\n\n\n<p>A dona de casa conta que desde o come\u00e7o da pandemia n\u00e3o comprou mais roupas nem sapatos para as filhas, que t\u00eam 6 e 13 anos, e eles nunca mais comeram pizza.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ver minhas filhas pedir roupas e sapatos e n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de comprar me machuca muito. A gente ia quase toda semana em pizzaria com elas. Agora a gente s\u00f3 pensa nas prioridades, que s\u00e3o as contas e a comida, e nisso j\u00e1 vai tudo que a gente ganha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim do aux\u00edlio, ela reza para que marido consiga trabalho fixo. \u201cSem esse dinheiro vai ficar muito complicado. Ele garantia nossa alimenta\u00e7\u00e3o e pagava parte das contas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O sonho de reabrir a lanchonete de hot dog gourmet que eles tinham em Cajoti (SP) est\u00e1 cada vez mais distante. \u201cA gente se mudou bem quando come\u00e7ou a pandemia. Mas ainda tenho esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Ajuda quem est\u00e1 desempregado&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Juliana Cerqueira Santana, de 19 anos, vai ser muito dif\u00edcil viver sem o dinheiro do aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O aux\u00edlio me ajuda muito. Com o dinheiro, tenho condi\u00e7\u00e3o de comprar alimento e g\u00e1s&#8221;, afirma Juliana. &#8220;\u00c9 uma \u00f3tima ajuda para quem est\u00e1 desempregado&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Com dificuldade para encontrar trabalho, ela deixou a casa da m\u00e3e em S\u00e3o Francisco do Conde e se mudou para Salvador, na Bahia, onde mora com o pai. &#8220;Pela dificuldade de encontrar um emprego (na cidade da minha m\u00e3e), comecei a morar com o meu pai.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu \u00faltimo trabalho foi em 2019 como ajudante num restaurante. Hoje, ela cursa o \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio e planeja ser engenheira. Desde que ficou desempregada, diz que o que mais fez foi entregar curr\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea chega com um curr\u00edculo e sempre dizem que v\u00e3o te ligar, mas nunca ligam ou mandam mensagem&#8221;, conta. &#8221; E, agora, vai ser mais complicado. Estava pensando em come\u00e7ar um curso t\u00e9cnico e o dinheiro do aux\u00edlio poderia ajudar bastante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;N\u00e3o sei como vou me virar&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>Cibele da Silva, 32 anos, estava em contagem regressiva para receber a \u00faltima parcela do benef\u00edcio, em 30 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o sei como vou me virar. \u00c9 um dinheiro que entra para comprar o g\u00e1s de cozinha&#8221;, diz Cibele, moradora de Belford Roxo. &#8220;O g\u00e1s est\u00e1 custando R$ 110.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Cibele foi benefici\u00e1ria do aux\u00edlio emergencial desde que o programa come\u00e7ou, no ano passado. Com a renova\u00e7\u00e3o, passou a receber R$ 375.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m usava o dinheiro para comprar rem\u00e9dio para o meu filho mais novo, de tr\u00eas anos. Ele est\u00e1 doente j\u00e1 tem um m\u00eas mais ou menos. Eu estou tendo de comprar rem\u00e9dio porque a farm\u00e1cia do posto de sa\u00fade n\u00e3o tem o medicamento que ele precisa. Esse dinheiro salva a gente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do filho de tr\u00eas anos, Cibele mora com o marido e com outro filho de 12 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, sem o aux\u00edlio, a fam\u00edlia de Cibele s\u00f3 ter\u00e1 a renda do trabalho do marido. Ele \u00e9 informal e recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu at\u00e9 converso com meu marido. Falo que, quando a gente for comprar g\u00e1s de novo, sem o dinheiro do aux\u00edlio, vamos ter de parcelar em tr\u00eas, quatro vezes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018A gente come por causa de doa\u00e7\u00f5es\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Elza Reis Gomes, de 57 anos, est\u00e1 lutando para arrumar um trabalho porque o aux\u00edlio emergencial vai acabar. Neste m\u00eas, ela recebe a \u00faltima parcela de R$ 250.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de diarista e cuidadora de idosos, ela j\u00e1 trabalhou com eventos e como ajudante geral. \u201cNem roupa pra passar aparece. Pelo menos consegui arrumar uma faxina por m\u00eas que paga R$ 150, mas s\u00f3 isso n\u00e3o d\u00e1\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Moradora de Campinas (SP), Maria Elza sustenta sozinha seus filhos de 24 e 36 anos, al\u00e9m de quatro gatos. A esperan\u00e7a dos tr\u00eas \u00e9 conseguir uma recoloca\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses com a abertura de vagas tempor\u00e1rias para as vendas de Natal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEconomizo tudo que posso. A gente consegue comer por causa de doa\u00e7\u00f5es de vizinhos e da igreja porque mal consigo ir ao supermercado com esses R$ 250\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o dinheiro do aux\u00edlio, ela paga as contas de \u00e1gua, luz e g\u00e1s. &#8220;A\u00ed se sobra alguma coisa eu compro as misturas, mas \u00e9 uma de cada vez\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Elza diz que \u201ccarne n\u00e3o sabe o que \u00e9 h\u00e1 muito tempo\u201d. A fam\u00edlia tem se virado com ovos, salsicha e, quando d\u00e1, frango e calabresa. \u201cQuem mais sente essa alta de pre\u00e7os somos n\u00f3s, os mais humildes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada, Maria Elza caminhou cerca de duas horas at\u00e9 o Ceasa para pegar frutas que foram doadas no local.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, Maria Elza se diz otimista com o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 anos passo dificuldade e luto para sobreviver com o pouco que tenho. N\u00e3o gosto de depender dos outros, mas agora n\u00e3o tem jeito. Trabalho desde os 8 anos e vou continuar lutando para arrumar trabalho&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram 19 meses, 9 parcelas, v\u00e1rias prorroga\u00e7\u00f5es, muitas d\u00favidas, aplicativos, filas. 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