{"id":237247,"date":"2021-12-20T07:12:07","date_gmt":"2021-12-20T10:12:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=237247"},"modified":"2021-12-20T07:12:07","modified_gmt":"2021-12-20T10:12:07","slug":"uso-de-coronavac-no-brasil-despenca-para-menos-de-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2021\/12\/20\/uso-de-coronavac-no-brasil-despenca-para-menos-de-10\/","title":{"rendered":"Uso de Coronavac no Brasil despenca para menos de 10%"},"content":{"rendered":"<p>A vacina que deu in\u00edcio \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o contra Covid-19 no Brasil e chegou a 85% das doses aplicadas em mar\u00e7o, agora tem menos de 10% das aplica\u00e7\u00f5es \u2013e n\u00e3o deve ser comprada pelo governo federal no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>A Coronavac alcan\u00e7ou o bra\u00e7o dos brasileiros em janeiro. Foi o imunizante mais ministrado at\u00e9 abril contra Covid-19, com quase 40 milh\u00f5es de doses aplicadas nesse per\u00edodo. Isso significa que idosos, profissionais de sa\u00fade, ind\u00edgenas e outros grupos priorit\u00e1rios foram os principais vacinados com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan por meio de um acordo com a farmac\u00eautica chinesa Sinovac.<\/p>\n<p>A partir de maio, no entanto, a Coronavac come\u00e7ou a perder participa\u00e7\u00e3o nas vacinas aplicadas no pa\u00eds contra a doen\u00e7a causada pelo coronav\u00edrus. Agora, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os imunizantes eleitos para combater a pandemia em 2022 s\u00e3o Pfizer e AstraZeneca \u2013e nada de Coronavac.<\/p>\n<p>&#8220;As duas vacinas foram escolhidas por terem o registro definitivo na Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) e a aprova\u00e7\u00e3o por parte da Conitec (Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS)&#8221;, diz a pasta federal em nota.<br \/>\nTrocando em mi\u00fados: o governo federal n\u00e3o pretende comprar Coronavac para aplica\u00e7\u00e3o no ano que vem \u2013o que tem preocupado especialistas.<\/p>\n<p>A principal quest\u00e3o \u00e9 que a vacina do Butantan pode ser uma op\u00e7\u00e3o para a imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as abaixo de 12 anos, que deve ter in\u00edcio no ano que vem ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa. &#8220;Se a Coronavac licenciar para crian\u00e7as, o governo federal vai deixar de comprar?&#8221;, questiona o virologista Maur\u00edcio Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto.<\/p>\n<p>Por enquanto, apenas a vacina da Pfizer foi aprovada pela Anvisa para crian\u00e7as acima de cinco anos, na \u00faltima quinta (16). A dosagem ser\u00e1 menor do que aquela j\u00e1 utilizada para maiores de doze anos.<\/p>\n<p>S\u00f3 que as doses infantis ainda n\u00e3o foram compradas pela gest\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na sexta (17) o governo paulista chegou a encaminhar um of\u00edcio \u00e0 Pfizer comunicando o interesse na compra das vacinas, mas a empresa disse que s\u00f3 negocia com o governo federal.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Coronavac est\u00e1 em avalia\u00e7\u00e3o pela Anvisa para aplica\u00e7\u00e3o na faixa et\u00e1ria de tr\u00eas a 17 anos. O Butantan entregou uma nova solicita\u00e7\u00e3o \u00e0 ag\u00eancia na quarta (15). A ag\u00eancia tem o prazo de 30 dias para avaliar a solicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pedido anterior, feito em julho, ficou emperrado por falta de dados. Pa\u00edses como China, Chile, Equador e Indon\u00e9sia usam a Coronavac para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Para o imunologista Gustavo Cabral, pesquisador da USP com investiga\u00e7\u00f5es no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, n\u00e3o podemos &#8220;aposentar&#8221; a Coronavac justamente por causa da demanda de imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e de adolescentes.<\/p>\n<p>&#8220;Na luta contra a pandemia, quanto mais somarmos, melhor ser\u00e1 o resultado&#8221;, diz. &#8220;A Pfizer \u00e9 uma \u00f3tima vacina, mas nunca \u00e9 bom depender de uma \u00fanica arma, se podemos ter v\u00e1rias que se completam.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o comprar mais Coronavac para o ano que vem, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recusou recentemente 15 milh\u00f5es de doses, que est\u00e3o paradas na f\u00e1brica do Instituto Butantan. Depois da negativa federal, o governo de S\u00e3o Paulo anunciou que iria reservar parte dessa sobra para aplica\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as e adolescentes \u2013quando isso for aprovado.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Instituto Butantan j\u00e1 cumpriu a entrega contratual de 100 milh\u00f5es de doses da vacina Coronavac. At\u00e9 o final de novembro, 82,4 milh\u00f5es de doses da Coronavac tinham sido aplicadas no Brasil na popula\u00e7\u00e3o acima de 18 anos. Isso significa 28,63% de todas as doses \u2013primeira, segunda e doses \u00fanicas \u2013ministradas desde janeiro.<\/p>\n<p>Em maio, a Coronavac foi ultrapassada pela Astrazeneca, que chegou a 70% das imuniza\u00e7\u00f5es naquele m\u00eas. Depois, perdeu tamb\u00e9m para Pfizer, que se tornou o principal imunizante contra Covid-19 a partir de agosto.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, em novembro, 8 em cada 10 doses contra Covid-19 aplicadas no Brasil foram da Pfizer (considerando primeira e segunda doses, al\u00e9m de dose \u00fanica). J\u00e1 a Janssen, que come\u00e7ou a ser aplicada em junho com dose \u00fanica no pa\u00eds \u2013e teve um pico de doses no m\u00eas seguinte\u2013, n\u00e3o chega a 2% de todas aplicadas contra Covid-19 at\u00e9 o final de novembro.<\/p>\n<p>Em nota \u00e0 reportagem, o governo do estado de S\u00e3o Paulo diz que a &#8220;Coronavac \u00e9 uma vacina segura e eficaz e integra um grupo de imunizantes fundamental para salvar vidas&#8221;, mas n\u00e3o se pronunciou especificamente sobre o an\u00fancio de que a vacina n\u00e3o ser\u00e1 adquirida pela pasta federal em 2022.<\/p>\n<p>Afirma ainda que &#8220;diante da in\u00e9rcia do governo federal, mobilizou estrat\u00e9gias junto ao Butantan para garantir imunizantes e a imuniza\u00e7\u00e3o dos brasileiros. Tamb\u00e9m de forma pioneira ocorreu o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o de grupos priorit\u00e1rios no Brasil ainda em janeiro, que s\u00f3 foi poss\u00edvel por esfor\u00e7o do Governo de S\u00e3o Paulo imediatamente ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa para o uso emergencial da Coronavac&#8221;.<\/p>\n<p>De todos os estados, S\u00e3o Paulo teve a maior participa\u00e7\u00e3o da Coronavac de janeiro at\u00e9 o final de novembro: a vacina representou 34,1% das doses aplicadas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Butantan disse, em nota \u00e0 reportagem, que &#8220;a produ\u00e7\u00e3o de vacinas seguir\u00e1 um planejamento que ser\u00e1 acordado com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de acordo com as demandas do pa\u00eds&#8221;. Tamb\u00e9m refor\u00e7ou an\u00fancio feito na \u00faltima ter\u00e7a (7), em evento com a Sinovac, de que a Coronavac ser\u00e1 atualizada contra a variante \u00f4micron. A ideia \u00e9 que a nova vers\u00e3o da vacina esteja dispon\u00edvel em tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>O retrato da distribui\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o contra Covid-19 por fabricante foi tabulado pela reportagem diretamente no DataSUS (sistema de informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade). Isso foi feito antes de o sistema sair do ar nesta sexta (10) por causa de um ataque hacker.<br \/>\nO DataSUS identifica todas as pessoas imunizadas com um c\u00f3digo individual, acompanhado de informa\u00e7\u00f5es sobre idade, grupo priorit\u00e1rio de vacina\u00e7\u00e3o, data da imuniza\u00e7\u00e3o e lote da vacina recebida.<\/p>\n<p>Foram tabuladas todas as primeiras e segundas doses e doses \u00fanicas aplicadas desde o in\u00edcio da campanha vacinal no pa\u00eds, em janeiro, at\u00e9 o \u00faltimo dia de novembro.<\/p>\n<p>FolhaPress<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vacina que deu in\u00edcio \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o contra Covid-19 no Brasil e chegou a 85% das doses aplicadas em mar\u00e7o, agora tem menos de 10% das aplica\u00e7\u00f5es \u2013e n\u00e3o deve ser comprada pelo governo federal no pr\u00f3ximo ano. A Coronavac alcan\u00e7ou o bra\u00e7o dos brasileiros em janeiro. Foi o imunizante mais ministrado at\u00e9 abril contra Covid-19, com quase 40 milh\u00f5es de doses aplicadas nesse per\u00edodo. Isso significa que idosos, profissionais de sa\u00fade, ind\u00edgenas e outros grupos priorit\u00e1rios foram os principais vacinados com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan por meio de um acordo com a farmac\u00eautica chinesa Sinovac. A partir de maio, no entanto, a Coronavac come\u00e7ou a perder participa\u00e7\u00e3o nas vacinas aplicadas no pa\u00eds contra a doen\u00e7a causada pelo coronav\u00edrus. Agora, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os imunizantes eleitos para combater a pandemia em 2022 s\u00e3o Pfizer e AstraZeneca \u2013e nada de Coronavac. &#8220;As duas vacinas foram escolhidas por terem o registro definitivo na Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) e a aprova\u00e7\u00e3o por parte da Conitec (Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS)&#8221;, diz a pasta federal em nota. Trocando em mi\u00fados: o governo federal n\u00e3o pretende comprar Coronavac para aplica\u00e7\u00e3o no ano que vem \u2013o que tem preocupado especialistas. A principal quest\u00e3o \u00e9 que a vacina do Butantan pode ser uma op\u00e7\u00e3o para a imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as abaixo de 12 anos, que deve ter in\u00edcio no ano que vem ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa. &#8220;Se a Coronavac licenciar para crian\u00e7as, o governo federal vai deixar de comprar?&#8221;, questiona o virologista Maur\u00edcio Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. Por enquanto, apenas a vacina da Pfizer foi aprovada pela Anvisa para crian\u00e7as acima de cinco anos, na \u00faltima quinta (16). A dosagem ser\u00e1 menor do que aquela j\u00e1 utilizada para maiores de doze anos. S\u00f3 que as doses infantis ainda n\u00e3o foram compradas pela gest\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na sexta (17) o governo paulista chegou a encaminhar um of\u00edcio \u00e0 Pfizer comunicando o interesse na compra das vacinas, mas a empresa disse que s\u00f3 negocia com o governo federal. J\u00e1 a Coronavac est\u00e1 em avalia\u00e7\u00e3o pela Anvisa para aplica\u00e7\u00e3o na faixa et\u00e1ria de tr\u00eas a 17 anos. O Butantan entregou uma nova solicita\u00e7\u00e3o \u00e0 ag\u00eancia na quarta (15). A ag\u00eancia tem o prazo de 30 dias para avaliar a solicita\u00e7\u00e3o. O pedido anterior, feito em julho, ficou emperrado por falta de dados. Pa\u00edses como China, Chile, Equador e Indon\u00e9sia usam a Coronavac para crian\u00e7as e adolescentes. 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De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Instituto Butantan j\u00e1 cumpriu a entrega contratual de 100 milh\u00f5es de doses da vacina Coronavac. At\u00e9 o final de novembro, 82,4 milh\u00f5es de doses da Coronavac tinham sido aplicadas no Brasil na popula\u00e7\u00e3o acima de 18 anos. Isso significa 28,63% de todas as doses \u2013primeira, segunda e doses \u00fanicas \u2013ministradas desde janeiro. Em maio, a Coronavac foi ultrapassada pela Astrazeneca, que chegou a 70% das imuniza\u00e7\u00f5es naquele m\u00eas. Depois, perdeu tamb\u00e9m para Pfizer, que se tornou o principal imunizante contra Covid-19 a partir de agosto. Para se ter uma ideia, em novembro, 8 em cada 10 doses contra Covid-19 aplicadas no Brasil foram da Pfizer (considerando primeira e segunda doses, al\u00e9m de dose \u00fanica). 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