{"id":239007,"date":"2022-01-17T11:34:41","date_gmt":"2022-01-17T14:34:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=239007"},"modified":"2022-01-17T11:34:41","modified_gmt":"2022-01-17T14:34:41","slug":"brasil-acumula-problemas-em-serie-de-testagem-em-momento-de-alta-da-omicron","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2022\/01\/17\/brasil-acumula-problemas-em-serie-de-testagem-em-momento-de-alta-da-omicron\/","title":{"rendered":"Brasil acumula problemas em s\u00e9rie de testagem em momento de alta da \u00f4micron"},"content":{"rendered":"<p>A explos\u00e3o de casos da Covid-19 no Brasil com o avan\u00e7o da variante \u00f4micron voltou a expor lacunas na estrat\u00e9gia nacional de testagem. Cl\u00ednicas, farm\u00e1cias e servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o conseguem atender a procura por diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Com atraso, o governo passou a discutir o uso do autoteste em casa, produto distribu\u00eddo h\u00e1 meses em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que h\u00e1 larga subnotifica\u00e7\u00e3o de casos no Brasil. Os dados oficiais mostram 22 milh\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es desde o come\u00e7o da crise sanit\u00e1ria, ou seja, cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisa Datafolha publicada neste s\u00e1bado (15) mostrou que um em cada quatro brasileiros com 16 ou mais anos de idade diz ter sido diagnosticado com Covid desde o in\u00edcio da pandemia. S\u00e3o 42 milh\u00f5es de pessoas infectadas, quase o dobro do total de casos registrados oficialmente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estudo da Universidade de Washington projeta n\u00famero maior: 47% se infectaram no Brasil ao menos uma vez at\u00e9 o dia 3. Seriam cerca de 98 milh\u00f5es de infectados.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o considera na modelagem diversos pontos, como dados oficiais com cruzamento de dados di\u00e1rios de rede social, deslocamento por geolocaliza\u00e7\u00e3o, taxa de circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e tamanho da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A epidemiologista Fatima Marinho, que integra a rede de pesquisadores que envia os dados brasileiros \u00e0 Universidade de Washington, disse que os n\u00fameros oficiais do Brasil s\u00e3o subnotificados por causa da baixa testagem.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas n\u00e3o v\u00e3o fazer teste se a oferta n\u00e3o for ampla. No Brasil, pela baixa testagem somente os casos mais sintom\u00e1ticos e os mais graves s\u00e3o detectados&#8221;, disse Marinho.<\/p>\n<p>&#8220;Com a simultaneidade da epidemia da influenza A [H3N2] e da variante \u00f4micron, sem testes dispon\u00edveis est\u00e1 dif\u00edcil distinguir entre uma doen\u00e7a e a outra&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Quase dois anos ap\u00f3s o come\u00e7o da pandemia, o governo Jair Bolsonaro (PL) ainda patina para consolidar uma pol\u00edtica de testes. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade chegou a negligenciar compras de insumos e deixar vencer exames do &#8220;padr\u00e3o-ouro&#8221;, o RT-PCR.<\/p>\n<p>O ministro Marcelo Queiroga (Sa\u00fade) aposta na entrega dos testes de ant\u00edgeno, modelo considerado r\u00e1pido e eficaz. A ideia \u00e9 distribuir cerca de 30 milh\u00f5es de unidades ainda em janeiro.<\/p>\n<p>Os dados levantados pela universidade americana consideram a estimativa de infec\u00e7\u00f5es entre pessoas sintom\u00e1ticas e assintom\u00e1ticas. Nesse \u00faltimo caso, o paciente pode transmitir o v\u00edrus mesmo sem apresentar sinais da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Para o epidemiologista Pedro Hallal, o Brasil n\u00e3o tem uma pol\u00edtica de testagem para Covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil faz testes assistencialmente, quase de forma aleat\u00f3ria, sem crit\u00e9rio algum. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma desigualdade gigante na testagem. As pessoas pobres t\u00eam menos acesso aos testes, embora tenham mais risco de Covid-19&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse, em nota, que j\u00e1 entregou mais de 27 milh\u00f5es de testes RT-PCR, al\u00e9m de 43 milh\u00f5es de exames de ant\u00edgeno.<\/p>\n<p>Entidades m\u00e9dicas como a Abrasco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva) cobraram do governo federal e da Anvisa uma pol\u00edtica de testagem mais ampla e a permiss\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o do autoteste no Brasil.<\/p>\n<p>Essas organiza\u00e7\u00f5es apontam que at\u00e9 pacientes com sintomas da Covid podem n\u00e3o estar isolados pela falta de diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Em nota divulgada na quarta-feira (12), a Abramed (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina Diagn\u00f3stica) alertou para risco de falta insumos necess\u00e1rios nos exames da Covid-19. A entidade recomendou prioriza\u00e7\u00e3o de exames a pacientes &#8220;segundo uma escala de gravidade&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 os secret\u00e1rios estaduais de Sa\u00fade cobraram de Queiroga mais verba para abertura de pontos de testagem em massa. A proposta \u00e9 de um aporte de R$ 4 por teste enviado pelo minist\u00e9rio a cada estado ou munic\u00edpio.<\/p>\n<p>A Anvisa quer liberar o autoteste no come\u00e7o desta semana. Queiroga sinalizou que o governo n\u00e3o deve entregar exame caseiro no SUS.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito heterog\u00eaneo, de muitos contrastes. A aloca\u00e7\u00e3o deste recurso para aquisi\u00e7\u00e3o de autoteste, distribuir para a popula\u00e7\u00e3o em geral, pode n\u00e3o ter resultado da pol\u00edtica p\u00fablica que n\u00f3s esperamos&#8221;, disse o ministro \u00e0 imprensa na sexta-feira (14).<\/p>\n<p>Os especialistas apontam que o autoteste ajudaria a enfrentar essa nova fase da pandemia. Mas dizem que \u00e9 preciso planejamento e educa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Universidade de Washington tamb\u00e9m projeta que o pico de infec\u00e7\u00f5es neste cen\u00e1rio de preval\u00eancia da \u00f4micron no Brasil deve ocorrer em fevereiro.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que o pa\u00eds tenha 2,3 milh\u00f5es de casos diariamente at\u00e9 3 de fevereiro, no pior cen\u00e1rio. No entanto, quando a proje\u00e7\u00e3o leva em conta a terceira dose para a popula\u00e7\u00e3o e o uso de m\u00e1scara, esse n\u00famero \u00e9 reduzido.<\/p>\n<p>No pior cen\u00e1rio, a pesquisa tamb\u00e9m projeta 30 mil \u00f3bitos pela Covid de 3 de janeiro a 1 de maio.<\/p>\n<p>&#8220;Esperamos um pico [de infec\u00e7\u00f5es] e casos graves, com estresse das unidades de sa\u00fade, mas n\u00e3o um impacto t\u00e3o grande na mortalidade. Estados com menor cobertura de vacinas v\u00e3o experimentar maior severidade de casos e maior mortalidade, a vacina est\u00e1 protegendo contra a morte&#8221;, disse Marinho.<\/p>\n<p>&#8220;A procura por pronto-socorro vai aumentar a ponto de esgotar a capacidade de assist\u00eancia, a vacina tem segurado a hospitaliza\u00e7\u00e3o na UTI e morte, mas o excesso de doentes nos hospitais poder\u00e1 tem impacto negativo na taxa de letalidade hospitalar&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O governo chegou a deixar encalhar cerca de 7 milh\u00f5es de conjuntos incompletos de testes RT-PCR, no fim de 2020, com validade curta.<\/p>\n<p>A Anvisa renovou a vida \u00fatil destes exames por mais quatro meses. O governo correu para desovar o estoque e chegou a tentar empurrar um lote de 1 milh\u00e3o de exames quase vencidos ao Haiti.<\/p>\n<p>Ao assumir o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em mar\u00e7o do ano passado, Queiroga prometeu apostar em testes r\u00e1pidos de ant\u00edgeno. Apenas em setembro o governo lan\u00e7ou uma campanha para uso em massa destes produtos, prevendo a entrega de 60 milh\u00f5es de unidades feitas na Fiocruz.<\/p>\n<p>Deste volume, o ministro promete entregar 30 milh\u00f5es em janeiro de 2022, momento de explos\u00e3o da procura nos postos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em novembro de 2021, o governo repetiu falhas e estocava 1,2 milh\u00e3o de exames que venceriam naquele m\u00eas. Integrantes da pasta dizem que a maior parte deste lote venceu.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio disse que os exames n\u00e3o venceram, mas n\u00e3o divulgou dados sobre estoque.<\/p>\n<p>Pressionada pela \u00f4micron, a Sa\u00fade ainda quer comprar 4 milh\u00f5es de testes de diagn\u00f3stico que detectam tanto a Covid como influenza A e B.<\/p>\n<p>Para Hallal, uma boa pol\u00edtica de testagem deveria ter, pelo menos, tr\u00eas camadas.<br \/>\n&#8220;A primeira seria assistencial, que identifica precocemente os casos atrav\u00e9s do servi\u00e7o de sa\u00fade ao rastrear os contatos dos casos confirmados e auxiliar no isolamento dos suspeitos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o epidemiologista tamb\u00e9m defende a testagem por amostragem, para mapear o percentual da popula\u00e7\u00e3o infectada em diferentes momentos da pandemia. Por este caminho \u00e9 poss\u00edvel identificar os gargalos da testagem assistencial, disse ele.<\/p>\n<p>O terceiro ponto \u00e9 refor\u00e7ar a vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica e identificar quais vers\u00f5es do v\u00edrus est\u00e3o circulando.<\/p>\n<p>&#8220;Em cada um dos tr\u00eas pontos o Brasil tem desempenho vexat\u00f3rio. Uma pol\u00edtica de testagem demora algum tempo para ser planejada e colocada em pr\u00e1tica&#8221;, disse Hallal. &#8220;Se continuar nesse ritmo, nossa testagem para a \u00f4micron vai come\u00e7ar depois de ter passado a onda da variante&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>FolhaPress<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explos\u00e3o de casos da Covid-19 no Brasil com o avan\u00e7o da variante \u00f4micron voltou a expor lacunas na estrat\u00e9gia nacional de testagem. 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