{"id":23938,"date":"2017-07-17T11:06:47","date_gmt":"2017-07-17T14:06:47","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=23938"},"modified":"2017-07-17T11:06:47","modified_gmt":"2017-07-17T14:06:47","slug":"abandonar-bebes-e-caso-de-policia-e-de-saude-publica-especialistas-alertam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/07\/17\/abandonar-bebes-e-caso-de-policia-e-de-saude-publica-especialistas-alertam\/","title":{"rendered":"Abandonar beb\u00eas \u00e9 caso de pol\u00edcia e de sa\u00fade p\u00fablica; especialistas alertam"},"content":{"rendered":"<p>A maternidade \u00e9 uma fase esperada e bastante desejada por grande parte das mulheres. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um universo desconhecido e encarado com temor por tantas outras. Neste \u00faltimo caso a rea\u00e7\u00e3o da nova m\u00e3e com a maternidade pode chegar a diversos n\u00edveis de complica\u00e7\u00e3o que podem lev\u00e1-las, em situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas, a abandonar o seu beb\u00ea ap\u00f3s o nascimento. Tal realidade, no pa\u00eds, n\u00e3o chega a ser incomum.<strong>\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/www.portalcorreio.com.br\/noticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n<\/a><\/strong><br \/>\nEm julho deste ano, um rec\u00e9m-nascido foi abandonado no munic\u00edpio de Monteiro, Agreste paraibano, a 310 quil\u00f4metros de Jo\u00e3o Pessoa. A crian\u00e7a foi encontrada sem roupas, com in\u00edcio de hipoglicemia por n\u00e3o ter se alimentado ap\u00f3s nascer e precisou ser socorrida pelo Samu. Outro caso que ficou conhecido aconteceu em Jo\u00e3o Pessoa, em 2015, quando um beb\u00ea morreu asfixiado ap\u00f3s ter sido deixado em um tambor de lixo, no bairro Jos\u00e9 Am\u00e9rico.<\/p>\n<p>O abandono de beb\u00eas \u00e9 mais um daqueles temas que, al\u00e9m de tratado como caso de pol\u00edcia, precisa ser discutido como caso de sa\u00fade p\u00fablica. A maternidade \u00e9 uma fase da vida da mulher que necessita de acompanhamento de profissionais da medicina, como m\u00e9dicos especialistas, e tamb\u00e9m de psic\u00f3logos. De acordo com a psic\u00f3loga Raphaela Abrantes, tais aux\u00edlios podem fazer toda diferen\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o entre a m\u00e3e e o beb\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cO acompanhamento psicol\u00f3gico a essas m\u00e3es durante a gesta\u00e7\u00e3o pode fazer total diferen\u00e7a em suas percep\u00e7\u00f5es sobre a maternidade. Desconstruindo cren\u00e7as negativas sobre elas mesmas, sobre sua capacidade de ser m\u00e3e. Esse \u00e9 um tema complexo e pode ser explorado diante de v\u00e1rias facetas. Mas o mais importante \u00e9 lembrar que pessoas feridas, ferem. E que buscar suporte profissional \u00e9 essencial para sa\u00fade mental, f\u00edsica e energ\u00e9tica\u201d, analisou.<\/p>\n<p><strong>Rejei\u00e7\u00e3o e abandono\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A depress\u00e3o p\u00f3s-parto \u00e9 uma das patologias mais conhecidas que acometem mulheres ap\u00f3s darem \u00e0 luz. Ela se d\u00e1 por fatores biol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e sociais, decorrentes de uma nova realidade que surge para a mulher, que passa a ter sob sua responsabilidade um novo ser. Segundo a psic\u00f3loga e professora da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), Deborah Cabral, a doen\u00e7a n\u00e3o necessariamente vai resultar em abandono.<\/p>\n<p>\u201cA depress\u00e3o p\u00f3s-parto caracteriza-se por um transtorno psicoafetivo, em que a m\u00e3e rejeita o beb\u00ea em raz\u00e3o de o seu estado biopsicossocial estar afetado com a nova realidade de ser m\u00e3e e suas novas exig\u00eancias. E que n\u00e3o necessariamente est\u00e1 relacionada com o desejo ou n\u00e3o pela maternidade. Mesmo porque a depress\u00e3o p\u00f3s-parto pode se manifestar em uma gesta\u00e7\u00e3o e na outra n\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 a semente de eventuais atitudes dr\u00e1sticas tomadas pelas m\u00e3es que sofrem ou n\u00e3o com depress\u00e3o p\u00f3s-parto. \u00c9 imposs\u00edvel dissociar, ainda, a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca que os espa\u00e7os sociais vulner\u00e1veis e pobres, t\u00e3o comuns da realidade brasileira, constituem com a maternidade. Esse conjunto de fatores explica muito dos problemas que as m\u00e3es enfrentam durante a gesta\u00e7\u00e3o e ap\u00f3s o nascimento da crian\u00e7a. De acordo com Raphaela v\u00e1rias s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es para que uma mulher chegue a pensar na hip\u00f3tese tr\u00e1gica do abandono.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pesquisas que indicam que \u00e9 no contexto de pobreza do Brasil que se encontra a maioria dos casos de abandono. Uma pessoa que viveu sem conhecer o que \u00e9 o amor familiar muito provavelmente n\u00e3o vai poder dar o que n\u00e3o teve, porque n\u00e3o o conhece. O desafeto vira um ciclo de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. M\u00e3es com hist\u00f3rias de abandono e neglig\u00eancia em suas vidas comp\u00f5em o grupo que conduz tal caracter\u00edstica \u00e0s suas experi\u00eancias maternas. Trata-se de um ciclo vicioso, em que o drama do abandono se reproduz, ou seja, o abandonado abandona.\u201d, disse a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p><strong>Homem tamb\u00e9m faz parte do problema<\/strong><\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o sobre o abandono de beb\u00eas, dificilmente se coloca em pauta o papel do homem nesta trag\u00e9dia social. Se o pai, normalmente, n\u00e3o usa as m\u00e3os para abandonar o beb\u00ea e tra\u00e7ar o destino final de uma crian\u00e7a enquanto seu filho, ele muitas vezes \u00e9 o respons\u00e1vel por construir essa estrada obscura para a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma das principais causas para a m\u00e3e se decidir por realizar um abandono \u00e9 o companheiro. \u00c0s vezes presente, influenciando, pressionando e at\u00e9 contribuindo fisicamente com o abandono, \u00e0s vezes ausente, n\u00e3o assumindo o filho e concretizando o primeiro abandono da rela\u00e7\u00e3o do potencial n\u00facleo familiar.<\/p>\n<p>\u201cO hist\u00f3rico familiar e a cren\u00e7a de que n\u00e3o ser\u00e3o capazes de criar seus filhos fazem com que m\u00e3es entendam que ficar com a crian\u00e7a pode p\u00f4r em risco o desenvolvimento da pr\u00f3pria crian\u00e7a Al\u00e9m da estrutura familiar, a aus\u00eancia do genitor, seja f\u00edsica ou afetiva, tamb\u00e9m s\u00e3o estimulantes para essa motiva\u00e7\u00e3o\u201d, argumentou Raphaela.<br \/>\n<strong><br \/>\nPapel do conselho tutelar<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQuando um beb\u00ea \u00e9 encontrado, a pol\u00edcia e o Conselho Tutelar normalmente s\u00e3o acionados. Respons\u00e1vel por zelar pelos direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes, o Conselho passa a ter sob sua tutela as crian\u00e7as abandonadas. Segundo a conselheira tutelar da Jo\u00e3o Pessoa, Carmen L\u00facia Meireles, os primeiros procedimentos s\u00e3o comunicar \u00e0 Vara da Inf\u00e2ncia e Juventude para estudo do caso e levar o beb\u00ea para uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u201cImediatamente comunicamos ao juiz da Inf\u00e2ncia, tentamos localizar a fam\u00edlia ou providenciamos a coloca\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em uma institui\u00e7\u00e3o de acolhimento. Na Vara da Inf\u00e2ncia contamos com o Projeto Acolher que avalia o caso e essa crian\u00e7a pode ir para ado\u00e7\u00e3o ou ficar com os parentes mais pr\u00f3ximos, ap\u00f3s as an\u00e1lises\u201d, explicou a conselheira.<\/p>\n<p><strong>Abandono \u00e9 crime<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAbandono de incapaz \u00e9 posto no c\u00f3digo penal brasileiro no cap\u00edtulo da periclita\u00e7\u00e3o da vida e da sa\u00fade, no artigo 133, que diz que \u00e9 crime \u201cAbandonar pessoa que est\u00e1 sob seu cuidado, guarda, vigil\u00e2ncia ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono\u201d. A san\u00e7\u00e3o \u00e9 deten\u00e7\u00e3o de 6 meses a 3 anos. Se o abandono resultar em les\u00e3o corporal de natureza grave ao beb\u00ea a pena passa a ser reclus\u00e3o, de 1 a 5 anos. Se resulta em morte, a pena de reclus\u00e3o \u00e9 de 4 a 12 anos.<\/p>\n<p><strong><em>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Com Portal Correio \/Foto:Reprodu\u00e7\u00e3o\/ABr\/Ilustra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a><strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0veja nossas mat\u00e9rias e fotos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode enviar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do Portal Cariri em A\u00e7\u00e3o pelo WhatsApp (83) 9 9634.5791, (83) 9 9601-1162.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maternidade \u00e9 uma fase esperada e bastante desejada por grande parte das mulheres. 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