{"id":252239,"date":"2022-08-07T23:28:28","date_gmt":"2022-08-08T02:28:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=252239"},"modified":"2022-08-07T23:28:28","modified_gmt":"2022-08-08T02:28:28","slug":"pesquisas-identificam-efeito-anticancer-na-aspirina-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2022\/08\/07\/pesquisas-identificam-efeito-anticancer-na-aspirina-entenda\/","title":{"rendered":"Pesquisas identificam efeito antic\u00e2ncer na aspirina; entenda"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"background: #f5f6f8; margin: 8.25pt 0cm 7.5pt; text-align: center;\"><em><b><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: #151515;\">Revis\u00e3o de pesquisas que somam dados de 8,3 mil mulheres indica que o rem\u00e9dio pode reduzir o risco de tumor de ov\u00e1rio em 13%. A a\u00e7\u00e3o preventiva em outras partes do corpo, como o est\u00f4mago e a pr\u00f3stata, tamb\u00e9m foi constatada<\/span><\/b><\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 3,5 mil anos, j\u00e1 se usava a casca do salgueiro como analg\u00e9sico e antit\u00e9rmico. Desse material, seria extra\u00edda, muito tempo depois, a salicilina, princ\u00edpio ativo que daria origem, em 1889, a um medicamento patenteado como aspirina. Tamb\u00e9m indicada para prevenir doen\u00e7as cardiovasculares em um grupo espec\u00edfico de pacientes, a droga milenar come\u00e7ou um novo cap\u00edtulo em sua hist\u00f3ria mais recentemente, com pesquisas que associam o uso frequente e em baixa dosagem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do risco de alguns tipos de c\u00e2ncer. Agora, uma revis\u00e3o de 17 pesquisas publicada no Journal of Clinical Oncology mostra que o \u00e1cido acetilsalic\u00edlico pode diminuir em 13% os casos de tumores de ov\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os autores do artigo, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, se debru\u00e7aram sobre a literatura cient\u00edfica que investigou a rela\u00e7\u00e3o da aspirina com a doen\u00e7a. No total, os estudos avaliados inclu\u00edam mais de 8,3 mil pessoas. A principal conclus\u00e3o \u00e9 a de que, em mulheres com m\u00faltiplos fatores de risco para c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, como hist\u00f3rico familiar, muta\u00e7\u00f5es nos genes BRAC 1 e 2 e endometriose, o uso frequente do rem\u00e9dio em baixa dosagem esteve estatisticamente associado a um risco menor de desenvolvimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo Britton Trabert, pesquisadora do Instituto Huntsman de C\u00e2ncer da universidade, o c\u00e2ncer de ov\u00e1rio \u00e9 o tumor ginecol\u00f3gico mais letal, atr\u00e1s do cervical. &#8220;Essa nova pesquisa \u00e9 promissora, porque mostra um passo poss\u00edvel que as pessoas com maior risco de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio podem tomar para reduzir o risco de desenvolver a doen\u00e7a&#8221;, diz. A oncologista ressalta, por\u00e9m, que apenas um m\u00e9dico pode avaliar o benef\u00edcio do medicamento para cada paciente. &#8220;As pessoas devem consultar os seus profissionais de sa\u00fade antes de iniciar uma nova medica\u00e7\u00e3o, a fim de equilibrar mais adequadamente quaisquer riscos potenciais com os benef\u00edcios potenciais.&#8221;<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores separaram os fatores de risco em subgrupos: endometriose, obesidade, hist\u00f3ria familiar de c\u00e2ncer de mama ou ov\u00e1rio, hist\u00f3rico reprodutivo, uso de contraceptivos orais e laqueadura. Tamb\u00e9m classificaram os casos de acordo com a quantidade de fatores que cada paciente apresentava: nenhum, um e dois ou mais. Essas \u00faltimas, segundo a avalia\u00e7\u00e3o, foram as que mais se beneficiaram do uso frequente da aspirina. &#8220;Esperamos que pacientes e m\u00e9dicos possam usar essa pesquisa para ter uma conversa embasada sobre poss\u00edveis medidas preventivas&#8221;, afirma a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Os resultados v\u00e3o ao encontro de outros estudos que detectaram uma associa\u00e7\u00e3o entre o medicamento e a redu\u00e7\u00e3o de risco de alguns tipos de c\u00e2ncer, como colorretal, mama, pr\u00f3stata e de est\u00f4mago (Veja arte). &#8220;O c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria, onde h\u00e1 aumento desenfreado de c\u00e9lulas, formando os tumores malignos. O que os pesquisadores hipotetizaram \u00e9 que se fosse utilizado um anti-inflamat\u00f3rio de baixa pot\u00eancia, poderia haver uma diminui\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer em geral&#8221;, explica Ramon Andrade de Mello, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e professor de oncologia da Universidade Nove de Julho, em S\u00e3o Paulo. Experimentos com c\u00e9lulas e animais, em laborat\u00f3rios, demonstraram que a subst\u00e2ncia tem atividade antitumoral.<\/p>\n<h3>Medicamento pode reduzir a mortalidade<\/h3>\n<p>Algumas pesquisas tamb\u00e9m encontraram evid\u00eancias estat\u00edsticas de que o medicamento pode reduzir a mortalidade em pessoas que t\u00eam a doen\u00e7a. No ano passado, uma meta-an\u00e1lise da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, descobriu que o \u00e1cido acetilsalic\u00edlico est\u00e1 associado a uma redu\u00e7\u00e3o de 20% no risco de morte em pacientes oncol\u00f3gicos que tomam uma dose do rem\u00e9dio por dia.<\/p>\n<p>Os pesquisadores brit\u00e2nicos fizeram a revis\u00e3o de 118 estudos com um total de 250 mil pacientes de 18 tipos de tumores. &#8220;Nosso estudo sugere que a aspirina n\u00e3o apenas ajuda a reduzir o risco de morte, mas tamb\u00e9m reduz a propaga\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer dentro do corpo \u2014 a chamada dissemina\u00e7\u00e3o metast\u00e1tica&#8221;, conta o autor principal, Peter Elwood, que estuda os efeitos do medicamento h\u00e1 meia d\u00e9cada. &#8220;Existe agora um consider\u00e1vel corpo de evid\u00eancias para sugerir uma redu\u00e7\u00e3o significativa na mortalidade em pacientes com c\u00e2ncer que tomam aspirina, e esse benef\u00edcio parece n\u00e3o estar restrito a um ou alguns tipos de c\u00e2ncer&#8221;, destaca.<\/p>\n<h3>Cautela<\/h3>\n<p>Apesar dos resultados otimistas, a aspirina est\u00e1 longe de ser uma panaceia na oncologia. Se muitos estudos descobriram indica\u00e7\u00f5es de que a droga pode reduzir o risco de incid\u00eancia e mortalidade, outros n\u00e3o encontraram essa associa\u00e7\u00e3o. Um deles, publicado recentemente, mostrou que o medicamento foi incapaz de diminuir a recorr\u00eancia de c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>O estudo incluiu 3.021 participantes de 18 a 70 anos diagnosticadas com c\u00e2ncer de mama invasivo prim\u00e1rio Her2-negativo. Acompanhadas por 20 meses, as pacientes com esse perfil da doen\u00e7a foram divididas em dois grupos, sendo que, em ambos, foi realizado o tratamento convencional. Por\u00e9m, metade recebeu, al\u00e9m disso, uma dose di\u00e1ria de aspirina. Comparado \u00e0s mulheres que tomaram placebo, n\u00e3o houve, entre as primeiras, risco menor de recidiva do tumor. &#8220;Embora a inflama\u00e7\u00e3o provavelmente desempenhe um papel na progress\u00e3o do c\u00e2ncer, a aspirina n\u00e3o \u00e9 recomendada para preven\u00e7\u00e3o da recorr\u00eancia de c\u00e2ncer de mama&#8221;, disse, em nota, Wendy Y. Chen, oncologista do Instituto Dana Farber, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo.<\/p>\n<p>Segundo Reitan Ribeiro, cirurgi\u00e3o oncol\u00f3gico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO), \u00e9 preciso cautela na prescri\u00e7\u00e3o da aspirina para pacientes com c\u00e2ncer. &#8220;Temos de tomar cuidado, n\u00e3o se deve sair por a\u00ed tomando aspirina. At\u00e9 porque o efeito esperado (de preven\u00e7\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 obtido em curto prazo. \u00c9 necess\u00e1rio usar o rem\u00e9dio por d\u00e9cadas para que funcione&#8221;, observa. Quanto \u00e0 pesquisa recente que associa a redu\u00e7\u00e3o do risco de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, Ribeiro, que tamb\u00e9m \u00e9 titular da ginecologia oncol\u00f3gica do Hospital Erasto Gaertner, diz que \u00e9 um bom resultado, mas que precisa ser mais estudado. &#8220;Parece promissor, mas ainda n\u00e3o se pode indicar \u00e0s pacientes como uma forma segura de evitar a doen\u00e7a&#8221;, diz. (PO)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>tr\u00eas perguntas para Fernando Maluf, oncologista e fundador do Instituto Vencer o C\u00e2ncer<\/h3>\n<p><strong>O que poderia explicar o efeito potencialmente protetor da aspirina em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de ov\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><em>A aspirina tem efeitos antic\u00e2ncer, e um dos mais importantes \u00e9 a inativa\u00e7\u00e3o da ciclooxigenase, que \u00e9 uma enzima respons\u00e1vel pelo crescimento, invas\u00e3o e met\u00e1stase do tumor. Al\u00e9m disso, a aspirina exerce um efeito antiplaquet\u00e1rio e anti-inflamat\u00f3rio, e ambos esses efeitos inibem a carcinog\u00eanese e o poder metast\u00e1tico do tumor.<\/em><\/p>\n<p><strong>Esse mesmo medicamento foi associado a eventos adversos, como risco de sangramento, uma ocorr\u00eancia associada ao tratamento de v\u00e1rios c\u00e2nceres. Como saber se o risco ser\u00e1 menor que o benef\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p><em>O sangramento em pacientes com c\u00e2ncer de ov\u00e1rio secund\u00e1rio \u00e0 aspirina \u00e9 absolutamente pequeno. Obviamente, n\u00e3o se fala no uso imediato em um p\u00f3s-operat\u00f3rio ou em pacientes que tenham alguma outra doen\u00e7a hematol\u00f3gica. Mas em pacientes que usam a aspirina sem nenhuma doen\u00e7a hematol\u00f3gica, o sangramento n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>Do ponto de vista cl\u00ednico, quais as implica\u00e7\u00f5es do estudo? \u00c9 poss\u00edvel prever quais subgrupos ser\u00e3o mais beneficiados?<\/strong><\/p>\n<p><em>Se esse estudo for confirmado por novos estudos, talvez, a aspirina seja parte da terap\u00eautica do c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, aliado \u00e0 cirurgia, \u00e0 quimioterapia e aos inibidores da Parp (medicamentos orais usados em pacientes que t\u00eam muta\u00e7\u00f5es nos genes BRCA1 e BRAC2). \u00c9 dif\u00edcil saber quais grupos ser\u00e3o beneficiados porque, na verdade, essa meta-an\u00e1lise n\u00e3o teve como objetivo ver isso.<\/em><\/p>\n<p>FONTE: Correio Braziliense<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revis\u00e3o de pesquisas que somam dados de 8,3 mil mulheres indica que o rem\u00e9dio pode reduzir o risco de tumor de ov\u00e1rio em 13%. 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