{"id":258303,"date":"2022-10-18T08:13:19","date_gmt":"2022-10-18T11:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=258303"},"modified":"2022-10-18T08:13:19","modified_gmt":"2022-10-18T11:13:19","slug":"8-em-cada-10-jovens-tiveram-problemas-recentes-de-saude-mental-aponta-datafolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2022\/10\/18\/8-em-cada-10-jovens-tiveram-problemas-recentes-de-saude-mental-aponta-datafolha\/","title":{"rendered":"8 em cada 10 jovens tiveram problemas recentes de sa\u00fade mental, aponta Datafolha"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Oito em cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de sa\u00fade mental, segundo dados in\u00e9ditos de pesquisa Datafolha.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Durante suas crises de ansiedade, cada vez mais frequentes, a atriz e influenciadora manauara Evelyn F\u00e9lix, 23, passou a filmar o pr\u00f3prio rosto angustiado, \u00e0s vezes com os olhos cheios d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;Queria mostrar um outro lado da minha vida, muito diferente daquela rotina fake das redes sociais&#8221;, diz. &#8220;Cheguei num lugar em que me sentia vazia e desesperada. \u00c0s vezes, n\u00e3o queria nem acordar&#8221;, lembra ela, que hoje est\u00e1 em tratamento.<\/p>\n<p>As imagens foram publicadas numa rede social e o v\u00eddeo viralizou. \u00c9 um sinal dos tempos.<\/p>\n<p>Oito em cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de sa\u00fade mental, segundo dados in\u00e9ditos de pesquisa Datafolha.<\/p>\n<p>A maioria desses jovens sofreu com pensamentos negativos (66%), dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o (58%) e crise de ansiedade (53%). E uma minoria significativa relatou ter transtornos alimentares (20%) e pensamentos suicidas (13%) ou ainda ter ferido o pr\u00f3prio corpo por meio de automutila\u00e7\u00e3o (6%). Mais da metade (51%) considera sua sa\u00fade mental como regular, ruim ou p\u00e9ssima.<\/p>\n<p>No levantamento, foram ouvidos mil jovens entre 15 e 29 anos em 12 de algumas das maiores capitais do pa\u00eds. Feita em 20 e 21 de julho deste ano, a pesquisa tem margem de erro de tr\u00eas pontos percentuais, para mais ou para menos.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o dessas sensa\u00e7\u00f5es e comportamentos n\u00e3o pode ser tomada como diagn\u00f3stico, afirma a psiquiatra da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia Gabriela Viegas Stump, que atua no Hospital das Cl\u00ednicas e no S\u00edrio Liban\u00eas, ambos em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Por outro lado, os relatos da sensa\u00e7\u00e3o de tristeza, ansiedade ou do que os jovens autodenominaram como depress\u00e3o, afirma a profissional, ou indicam que essas pessoas est\u00e3o com um problema de sa\u00fade mental ou precisam ser tomadas como fator de risco de desenvolverem problemas no futuro.<\/p>\n<p>Esses e outros sintomas enfrentados pelos jovens brasileiros em tempos recentes se intensificaram ap\u00f3s a pandemia da Covid-19, ao mesmo tempo em que aumentou o diagn\u00f3stico formal de ansiedade e de depress\u00e3o entre crian\u00e7as e adolescentes no mundo inteiro, numa esp\u00e9cie de pandemia de adoecimento mental.<\/p>\n<p>&#8220;Estudos mostram claramente um aumento do \u00edndice de problemas de sa\u00fade mental entre jovens e uma intensifica\u00e7\u00e3o desse aumento no p\u00f3s-pandemia&#8221;, afirma Stump. Ela aponta que houve tanto uma crescente nos problemas entre pessoas que j\u00e1 tinham patologias pr\u00e9vias quanto uma amplia\u00e7\u00e3o de quadros novos de depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p>Especialistas apontam que a vulnerabilidade jovem tem a ver tamb\u00e9m com a maior exposi\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia dom\u00e9stica e parental que ocorreu no per\u00edodo de confinamento e com a perda de fatores importantes de prote\u00e7\u00e3o da mente, como a frequ\u00eancia \u00e0 escola ou universidade e a pr\u00e1tica de atividades esportivas, aspectos prejudicados nos \u00faltimos anos por causa da pandemia.<\/p>\n<p>De acordo com a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), metade de todas as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental come\u00e7am por volta dos 14 anos, mas a grande maioria dos casos n\u00e3o \u00e9 diagnosticada ou tratada. E as consequ\u00eancias dessa falta de cuidado tem repercuss\u00f5es na vida adulta, limitando oportunidades futuras.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise feita no \u00e2mbito da LSE (London School of Economics), no Reino Unido, estima que transtornos mentais que levam jovens \u00e0 incapacidade ou \u00e0 morte acarretam uma redu\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es para as economias de quase US$ 390 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>A pesquisa Datafolha Jovem aponta que esses problemas s\u00e3o mais relatados por meninas e mulheres (90%) do que por meninos e homens (76%). Tamb\u00e9m surge com maior frequ\u00eancia entre pessoas que se identificam como LGBTQIA+ (92%) do que entre aqueles que se declaram heterossexuais (81%).<\/p>\n<p>Uma maior suscetibilidade da mulher a alguns sintomas, afirma Stump, podem estar relacionados \u00e0s quest\u00f5es hormonais da adolesc\u00eancia. &#8220;Mas devemos levar em considera\u00e7\u00e3o que existe uma diferen\u00e7a cultural de g\u00eanero e que mulheres parecem ter menos vergonha do que homens de se colocar no lugar de algu\u00e9m que precisa de cuidados de sa\u00fade mental&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Estudos internacionais tamb\u00e9m apontaram que pessoas LGBTQIA+ t\u00eam duas vezes mais chances de se sentirem deprimidas e de 2 a 6 vezes mais risco de cometerem suic\u00eddio.<br \/>\n&#8220;S\u00e3o pessoas que t\u00eam menos suporte emocional da fam\u00edlia, mais chance de sofrer bullying, de viver em meios segregados, de n\u00e3o poder expressar sua identidade. Tudo isso torna a popula\u00e7\u00e3o LGBT como a de maior risco de problemas de sa\u00fade mental&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>A literatura m\u00e9dica internacional que se debru\u00e7a sobre a quest\u00e3o da sa\u00fade mental p\u00f3s-pandemia aponta que jovens se queixam de solid\u00e3o duas vezes mais que outras faixas et\u00e1rias. Pesquisas tamb\u00e9m apontam que automutila\u00e7\u00e3o e idea\u00e7\u00f5es suicidas aumentaram no grupo em todo o planeta.<\/p>\n<p>No Canad\u00e1, pensamentos suicidas cresceram de 6% para 18% entre jovens. Nos Estados Unidos, de 17% para 27%. Na China, de 23% para 30%.<\/p>\n<p>&#8220;Houve um aumento muito importante de tentativa de suic\u00eddio de adolescentes. Nunca tive tantos pacientes internados por tentativa de tirar a pr\u00f3pria vida&#8221;, relata a psiquiatra.<\/p>\n<p>Stump salienta a import\u00e2ncia do crescente movimento de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade e de diminui\u00e7\u00e3o de estigmas, o que permite que mais pessoas se sintam \u00e0 vontade para buscar ajuda.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso que haja uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o de que existem possibilidades de tratamento psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico para problemas de sa\u00fade mental&#8221;, alerta. &#8220;S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es trat\u00e1veis, e com repercuss\u00f5es muito importantes no bem-estar das pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>Foi assim com a influenciadora de Manaus Evelyn F\u00e9lix. &#8220;Fiquei anos tentando viver de maneira boa sem o aux\u00edlio de ningu\u00e9m e, depois de muito sofrimento, decidi buscar ajuda de algu\u00e9m que n\u00e3o me julgasse pelos meus pensamentos e que me ajudasse a encontrar novos meios de lidar ou reverter minhas crises&#8221;, diz. &#8220;A ajuda profissional tem sido fundamental&#8221;, comemora.<\/p>\n<p>FONTE: Click PB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito em cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de sa\u00fade mental, segundo dados in\u00e9ditos de pesquisa Datafolha. 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