{"id":261715,"date":"2023-01-05T09:36:54","date_gmt":"2023-01-05T12:36:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=261715"},"modified":"2023-01-05T09:36:54","modified_gmt":"2023-01-05T12:36:54","slug":"censo-2022-populacao-que-vive-nas-ruas-segue-invisivel-nas-estatisticas-oficiais-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2023\/01\/05\/censo-2022-populacao-que-vive-nas-ruas-segue-invisivel-nas-estatisticas-oficiais-do-pais\/","title":{"rendered":"Censo 2022: popula\u00e7\u00e3o que vive nas ruas segue invis\u00edvel nas estat\u00edsticas oficiais do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<header class=\"pg-newDetail__header\">\n<div class=\"gs-container\">\n<div class=\"pg-newDetail__header__content\">\n<p class=\"pg-newDetail__resume\"><em><strong>\u00daltima estimativa feita por \u00f3rg\u00e3o oficial indicava que, antes da pandemia, havia mais de 220 mil pessoas vivendo nas ruas das cidades brasileiras.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"pg-newDetail__main gs-container\">\n<p>Basta ter olhos para ver o aumento avassalador de pessoas vivendo nas ruas das grandes cidades brasileiras desde o come\u00e7o da pandemia. Por\u00e9m, ser vista n\u00e3o basta para que essa popula\u00e7\u00e3o seja lembrada e inclu\u00edda em pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 ela precisa ser contada, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Exclu\u00eddos do Censo Demogr\u00e1fico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), os brasileiros que vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua tendem a permanecer invis\u00edveis nas estat\u00edsticas oficiais do pa\u00eds pelos pr\u00f3ximos dez anos, quando nova opera\u00e7\u00e3o censit\u00e1ria dever\u00e1 ser realizada no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;O Censo Demogr\u00e1fico coleta as informa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o domiciliada. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que a pessoa tenha um domic\u00edlio como local de moradia permanente para que ela seja recenseada. Aquelas pessoas que moram fora de domic\u00edlio, moram na rua efetivamente, elas n\u00e3o ser\u00e3o recenseadas&#8221;, esclareceu o gerente t\u00e9cnico do Censo, Luciano Duarte.<\/p>\n<p><strong>Precariedade recenseada<\/strong><\/p>\n<p>Duarte ressalvou que \u201cmesmo as pessoas que moram em situa\u00e7\u00e3o de precariedade extrema, em alguma estrutura domiciliar muito inadequada, ser\u00e3o recenseadas\u201d.<\/p>\n<p>O gerente do Censo afirmou ao g1 que \u201cpessoas que vivem em barracas, trailers, dentro de carro, em qualquer estrutura que ela tenha como local de moradia permanente o seu domic\u00edlio, elas ser\u00e3o recenseadas, basta que esse domic\u00edlio seja considerado como uma estrutura, ainda que inadequada, com teto, com parede. Ent\u00e3o, mesmo que seja de forma muito rudimentar o domic\u00edlio, estas pessoas ser\u00e3o recenseadas\u201d.<\/p>\n<p>Todavia, ao ser questionado se barracas, trailers e carros podem ser consideradas moradias permanentes mesmo que n\u00e3o estejam localizados em logradouros fixos, Duarte afirmou que \u201cesses exemplos n\u00e3o constituem moradias permanente em hip\u00f3tese alguma, estando ou n\u00e3o localizadas em um endere\u00e7o fixo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs barracas de lona, pl\u00e1stico ou tecido s\u00e3o consideradas domic\u00edlios improvisados em qualquer circunst\u00e2ncia, exceto se utilizadas como estruturas para abrigamento institucional \u2013 caso dos abrigos de refugiados de Roraima\u201d, disse.<br \/>\nEle acrescentou que \u201ca classifica\u00e7\u00e3o dessas moradias, assim como de todos os demais tipos e esp\u00e9cies de domic\u00edlios \u00e9 realizada em campo pelo recenseador a partir do treinamento recebido e com o apoio conceitual dos supervisores, quando necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Questionado sobre a contradi\u00e7\u00e3o, o IBGE n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p><strong>Retrocesso legislativo<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 2009, ano de v\u00e9spera da realiza\u00e7\u00e3o do \u00faltimo Censo, um decreto presidencial instituindo a Pol\u00edtica Nacional para a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua recomendava a contagem da popula\u00e7\u00e3o de rua pelo IBGE.<\/p>\n<p>Passados dez anos, por\u00e9m, um novo decreto, dessa vez editado pelo Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos e assinado pela vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica, revogou n\u00e3o s\u00f3 a referida recomenda\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m institui\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Pol\u00edtica Nacional para a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua.<\/p>\n<p><strong>Sem domic\u00edlio e sem pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o vice-coordenador nacional da Pastoral do Povo de Rua, Padre Marcos Augusto Brito Mendes, a contagem populacional \u00e9 indispens\u00e1vel para se pensar e estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes para o atendimento \u00e0s necessidades de todos os habitantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA Pastoral do Povo de Rua vem h\u00e1 muito tempo insistindo para que o Censo n\u00e3o fique baseado no conceito domiciliar, porque ele exclui a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Sem uma contagem, fica imposs\u00edvel pensar o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas para essa popula\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou Padre Marcos.<br \/>\n\u00c9 por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas que o estado pode atuar na garantia da reprodu\u00e7\u00e3o da vida material \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, ou seja, viabilizar o acesso de todo cidad\u00e3o aos direitos b\u00e1sicos de moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;As pol\u00edticas p\u00fablicas podem contribuir assim com a redistribui\u00e7\u00e3o da renda, amplia\u00e7\u00e3o dos direitos dos cidad\u00e3os e democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade&#8221;, destacou o Movimento Nacional de Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua.<\/p>\n<p><strong>Centenas de milhares<\/strong><\/p>\n<p>A estimativa oficial mais recente indica que havia, em fevereiro deste ano, cerca de 161,8 mil fam\u00edlias vivendo em situa\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds. Esse \u00e9 o n\u00famero de fam\u00edlias nessa situa\u00e7\u00e3o inscritas no Cadastro \u00danico do governo federal e, segundo a pr\u00f3pria Secretaria Especial do Desenvolvimento Social, vinculada ao Minist\u00e9rio da Cidadania, n\u00e3o representa o tamanho real da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cOs dados s\u00e3o coletados pelos munic\u00edpios, a partir da autodeclara\u00e7\u00e3o do respons\u00e1vel familiar, e inseridos no sistema, o que n\u00e3o representa a totalidade de fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de rua na cidade\u201d, informou a pasta.<\/p>\n<p>A \u00fanica contagem oficial da popula\u00e7\u00e3o que vive nas ruas do pa\u00eds foi feita em 2009 pelo ent\u00e3o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome \u2013 mas tamb\u00e9m n\u00e3o retratava a real dimens\u00e3o desse fen\u00f4meno social no pa\u00eds. Batizada Pesquisa Nacional sobre a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua, ela apontou 31.992 mil pessoas maiores de 18 anos vivendo nas ruas.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito em 71 cidades, sendo 48 munic\u00edpios com mais de 300 mil habitantes e 23 capitais, das quais S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre foram exclu\u00eddas.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tenha dado um retrato fiel da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds, a pesquisa foi pioneira ao apontar o perfil de quem vive nesta condi\u00e7\u00e3o. Contrariando o senso comum, por exemplo, ela indicou que 70,9% da popula\u00e7\u00e3o de rua exercia atividade remunerada e 58,6% afirmaram ter uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Crescimento expressivo e mudan\u00e7a dr\u00e1stica no perfil<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Padre Marcos, da Pastoral do Povo de Rua, a despeito da aus\u00eancia de estat\u00edsticas oficiais, \u00e9 incontest\u00e1vel o crescimento expressivo da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua desde o come\u00e7o da pandemia. T\u00e3o relevante quanto o aumento, segundo o p\u00e1roco, foi a mudan\u00e7a do perfil de quem vive nas ruas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cOs grupos que trabalham com as pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua comentam assustados n\u00e3o s\u00f3 o crescimento dessa popula\u00e7\u00e3o como a dr\u00e1stica mudan\u00e7a do perfil dessas pessoas. Com o in\u00edcio da pandemia, as pessoas come\u00e7aram a perder a suas moradias e a popula\u00e7\u00e3o de rua tem um incremento absurdo n\u00e3o s\u00f3 de adultos, mas de fam\u00edlias inteiras, incluindo crian\u00e7as e adolescentes\u201d, disse Padre Marcos.<br \/>\nDiante do fen\u00f4meno, a Pastoral deu in\u00edcio, ainda em 2020, ao movimento Despejo Zero, numa tentativa de frear o aumento da popula\u00e7\u00e3o vivendo nas ruas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cMuitas fam\u00edlias foram para as ruas porque, sem renda, eram despejadas por falta do pagamento de aluguel. Quando iniciamos a campanha, houve esse freio esperado. Mas as fam\u00edlias que j\u00e1 haviam sido despejadas continuaram nas ruas. Por falta de pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o houve movimento reverso, ou seja, de volta ao lar\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) a partir de informa\u00e7\u00f5es das prefeituras de cerca de 2 mil munic\u00edpios (menos da metade do total de cidades brasileiras, portanto) mostrou que, entre 2020 e 2022, aumentou em mais de 30% o n\u00famero de pessoas vivendo nas ruas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo este estudo do Ipea, divulgado no dia 8 de dezembro, o Brasil chegou ao final de 2022 com uma popula\u00e7\u00e3o de rua estimada em 281.472 pessoas, mais que o triplo do estimado em 2012, que era de 90.480 \u2013 crescimento de 211% em uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Na mesma d\u00e9cada, a popula\u00e7\u00e3o brasileira total aumentou apenas 11%, quase um ter\u00e7o do crescimento estimado da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;O crescimento da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua se d\u00e1 em ordem de magnitude superior ao crescimento vegetativo da popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, tal crescimento se acelerou nos \u00faltimos anos&#8221;, enfatizou o Ipea.<\/p>\n<p>FONTE: Click PB<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00daltima estimativa feita por \u00f3rg\u00e3o oficial indicava que, antes da pandemia, havia mais de 220 mil pessoas vivendo nas ruas das cidades brasileiras. 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