{"id":263345,"date":"2023-02-13T09:08:56","date_gmt":"2023-02-13T12:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=263345"},"modified":"2023-02-13T09:08:56","modified_gmt":"2023-02-13T12:08:56","slug":"indigenas-yanomami-mostram-impactos-sociais-graves-do-garimpo-ilegal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2023\/02\/13\/indigenas-yanomami-mostram-impactos-sociais-graves-do-garimpo-ilegal\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas yanomami mostram impactos sociais graves do garimpo ilegal"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<p class=\"col-10 offset-1 animated fadeInDown dealy-900 display-8 display-md-8 alt-font font-italic my-1 text-center\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios causou desorganiza\u00e7\u00e3o social de comunidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A presen\u00e7a do garimpo ilegal no Territ\u00f3rio Yanomami causa m\u00faltiplos impactos na vida social dos ind\u00edgenas. A crise humanit\u00e1ria \u00e9 mais vis\u00edvel no estado de sa\u00fade delicado, especialmente de crian\u00e7as e idosos, como visto nas \u00faltimas semanas, mas alcan\u00e7a ainda dimens\u00f5es culturais desse povo. Na \u00faltima semana, a reportagem da\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0visitou algumas vezes a Casa de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Casai), em Boa Vista, e tamb\u00e9m esteve no pr\u00f3prio Territ\u00f3rio Yanomami, no Polo Base de Surucu, entre\u00a0quinta\u00a0(9) e\u00a0sexta-feira (10). Durante as visitas,\u00a0conversou com os ind\u00edgenas e especialistas para entender melhor como eles percebem esses impactos.\u00a0<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1509984&amp;o=node\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1509984&amp;o=node\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p>&#8220;\u00c1gua suja para comer, estraga o peixe. Crian\u00e7as muito fracas. \u00c1gua bebe-se suja e barriga d\u00f3i muito&#8221;, diz\u00a0Enenexi Yanomami, que tenta descrever a situa\u00e7\u00e3o vivida por seus parentes na terra ind\u00edgena. A\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0encontrou o jovem ind\u00edgena, de 21 anos, na entrada da Casai. Segundo ele, j\u00e1 passavam de 60 dias sua estadia na capital para acompanhar familiares doentes. O retorno ao territ\u00f3rio, que depende de transporte a\u00e9reo, n\u00e3o tinha previs\u00e3o. &#8220;Faltam mais horas de voo para Surucucu&#8221;.<\/p>\n<p>Para ele, a presen\u00e7a do garimpo \u00e9 o que tem causado os danos que afetam seu povo. &#8220;Agora, tem que tirar garimpo. Quando tirar, tranquilo. Tem muito garimpo l\u00e1, [tem que ser] proibido&#8221;.<\/p>\n<p>M\u00e3e de duas crian\u00e7as internadas na Casai, Louv\u00e2nia Yanomami j\u00e1 perdeu a conta de quanto tempo est\u00e1 longe de\u00a0sua terra. Sem previs\u00e3o de alta, ela recebeu alerta dos m\u00e9dicos de que, se voltar, pode colocar a vida do filho menor em risco. A crian\u00e7a, que tem entre 1\u00a0e 2 anos, apresenta quadro de desnutri\u00e7\u00e3o severa e incha\u00e7o do abd\u00f4men.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover lazyload\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/j2dazA8jZPVQndyOBsLTfEvkR-I=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_9008.jpg?itok=grUjAvv0\" alt=\"Surucucu (RR), 09\/02\/2023 - Ind\u00edgenas yanomami acompanham deslocamento de equipes e material da For\u00e7a Nacional do SUS no aeroporto de Surucucu. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Surucucu (RR), 09\/02\/2023 &#8211; Ind\u00edgenas yanomami acompanham deslocamento de equipes e material da For\u00e7a Nacional do SUS no Aeroporto de Surucucu &#8211;\u00a0<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Eu estou muito cansada, tem muita gente aqui [Casai], d\u00e1 pra perceber. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. N\u00e3o vou deixar porque \u00e9 meu [filho] e n\u00e3o posso levar porque ele vai morrer&#8221;, relata, angustiada, com ajuda de um int\u00e9rprete. Em janeiro, a Casai chegou a abrigar mais de 700 pessoas, mas o local tem capacidade para pouco mais de 200. Houve uma redu\u00e7\u00e3o dessa superlota\u00e7\u00e3o, mas o espa\u00e7o ainda registra a presen\u00e7a de mais de 500 pessoas, segundo balan\u00e7o da semana passada do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Emerg\u00eancias (COE) do governo federal.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m reclama dos danos ambientais trazido pela explora\u00e7\u00e3o ilegal de min\u00e9rios \u00e9 Arokona Yanomama, com quem a reportagem conversou na Casai. Ele cita como o maquin\u00e1rio pesado de dragas e tratores afugenta animais de ca\u00e7a e polui a terra. &#8220;Cheiro ruim. Morre ca\u00e7a, morre tudo. A terra n\u00e3o \u00e9 boa, \u00e9 muito feio. M\u00e1quina de fuma\u00e7a entrou, por isso cheiro muito ruim. Contaminaram terra, contaminaram \u00e1gua, polu\u00edram peixe&#8221;, relata. Agora, para ca\u00e7ar um porco do mato, ele tem que andar por pelo menos 50 quil\u00f4metros para se afastar da \u00e1rea mais deteriorada.<\/p>\n<h2>Refer\u00eancia perdida<\/h2>\n<p>&#8220;O garimpo vai justamente atacar a cadeia alimentar b\u00e1sica dos yanomami. Eles s\u00e3o um povo de mobilidade territorial, vivem da ca\u00e7a, da pesca, da coleta e da agricultura. Nada mais triste, ent\u00e3o, do que um ca\u00e7ador yanomami n\u00e3o\u00a0ter\u00a0ca\u00e7a para suprir a fam\u00edlia&#8221;, explica a antrop\u00f3loga Maria Auxiliadora Lima de Carvalho. Ela trabalha h\u00e1 mais de 20 anos com o povo yanomami, em Roraima.<\/p>\n<p>&#8220;O povo yanomami nunca precisou de doa\u00e7\u00e3o de alimentos para sobreviver. Todo esse cen\u00e1rio de vulnerabilidade foi provocado. O maior mal ainda \u00e9 a presen\u00e7a do garimpeiro, do garimpo&#8221;, afirma o secret\u00e1rio especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Weibe Tapeba, que visitou o territ\u00f3rio na \u00faltima\u00a0quinta-feira (9).<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo alguns dos rituais mais sagrados dos yanomami est\u00e3o sendo drasticamente abalados pela atividade garimpeira e a desassist\u00eancia generalizada em sa\u00fade dentro do territ\u00f3rio. \u00c9 o caso das cerim\u00f4nias f\u00fanebres. Os yanomami n\u00e3o enterram seus mortos. Eles cremam os corpos de seus familiares falecidos e, depois, trituram os ossos at\u00e9 virar\u00a0p\u00f3. O processo pode levar semanas e, muitas vezes, inclui\u00a0uma fase final em que a comunidade realiza um ato de tomar mingau de banana com as cinzar do ente falecido.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover lazyload\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ilZLL4TDS7PS0GLLtd35J5fp24M=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_9417.jpg?itok=gXzQCxSp\" alt=\"Surucucu (RR), 09\/02\/2023 - Mulheres e crian\u00e7as yanomami em Surucucu, na Terra Ind\u00edgena Yanomami.  Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Surucucu (RR), 09\/02\/2023 &#8211; Mulheres e crian\u00e7as yanomami em Surucucu, na Terra Ind\u00edgena Yanomami &#8211;\u00a0<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Os yanomami fazem quest\u00e3o dos rituais f\u00fanebres, mas os mortos s\u00e3o tantos que n\u00e3o est\u00e1 havendo nem tempo para chor\u00e1-los&#8221;, afirma\u00a0a antrop\u00f3loga. Essas cerim\u00f4nias podem incluir tamb\u00e9m a presen\u00e7a de visitantes de aldeias diferentes e, nesses casos, os anfitri\u00f5es costumam oferecer um animal de ca\u00e7a, o que tem ficado escasso nas regi\u00f5es afetada pelo garimpo.<\/p>\n<p>A entrada\u00a0do \u00e1lcool na cultura yanomami, que n\u00e3o \u00e9 recente, mas tem se agravado, \u00e9 outro fator desestabilizador. O kaxiri, bebida\u00a0 feita de macaxeira cozida, n\u00e3o alco\u00f3lica, e muito tradicional, passou a ser fermentada pelos ind\u00edgenas para ficar com alto teor de \u00e1lcool, por influ\u00eancia dos garimpeiros, ainda durante a primeira invas\u00e3o ao territ\u00f3rio, no fim da d\u00e9cada de 80. &#8220;Isso fez aumentar casos de viol\u00eancia contra as mulheres\u00a0e de viol\u00eancia de uma forma geral&#8221;, explica Maria Auxiliadora. Tamb\u00e9m interferiu na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, fazendo com que ind\u00edgenas aumentassem a planta\u00e7\u00e3o de macaxeira para produzir a bebida, ampliando o ciclo do consumo de \u00e1lcool nas aldeias.<\/p>\n<h2>Juventude assediada<\/h2>\n<p>A antrop\u00f3loga tamb\u00e9m observa outro tipo de desestrutura\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria causada pelo garimpo. No primeiro grande surto de garimpagem ilegal na Terra Ind\u00edgena Yanomami, a partir da\u00a0segunda\u00a0metade da d\u00e9cada de 80, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas era formada por adultos. Atualmente, no entanto, a base da pir\u00e2mide et\u00e1ria ficou bem mais numerosa, com forte presen\u00e7a de adolescentes e jovens. No entanto, a grande maioria das escolas dentro do territ\u00f3rio foi\u00a0desativadas pelo governo do estado.<\/p>\n<p>&#8220;As pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o chegam para esses jovens. E eles s\u00e3o jovens, querem aventuras. Com isso, o garimpo assediou enormemente essa juventude, com acesso a armas, que eles apreciam muito, e outros objetos&#8221;, acrescenta a especialista.<\/p>\n<p>Ela cita o caso de ass\u00e9dio sexual de garimpeiros contra as mulheres ind\u00edgenas, que observou durante trabalho de campo na comunidade, onde permaneceu por v\u00e1rios anos, entre 2002 e 2009. Segundo a antrop\u00f3loga, as den\u00fancias que v\u00eam sendo reveladas agora, com a explos\u00e3o de garimpo no territ\u00f3rio, s\u00e3o bem prov\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;Com o garimpo o tempo todo e cada vez mais, \u00e9 bem poss\u00edvel que eles tenham feito sedu\u00e7\u00e3o. Elas gostam muito de sabonetes, \u00f3leo para cabelo, comida. Ent\u00e3o, essa troca por rela\u00e7\u00e3o sexual, seja consentida\u00a0ou n\u00e3o, \u00e9 desigual, porque h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es de poder bem claras&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>O governo federal investiga o caso de 30\u00a0meninas yanomami\u00a0que estariam gr\u00e1vidas de garimpeiros que atuam ilegalmente no territ\u00f3rio.<\/p>\n<h2>Esperan\u00e7a<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover lazyload\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/85h9VJj2ra8Uaxm6u3WlvrnVuE4=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_8946.jpg?itok=MaeD2gcK\" alt=\"Surucucu (RR), 09\/02\/2023 - Ind\u00edgenas yanomami acompanham deslocamento de equipes e material da For\u00e7a Nacional do SUS no aeroporto de Surucucu. 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A aldeia fica a cerca de 15 minutos de caminhada da pista de Surucucu.<\/p>\n<p>A demanda pela retomada das escolas ind\u00edgenas dentro do territ\u00f3rio ser\u00e1 levada ao governo federal, assegurou o secret\u00e1rio de Sa\u00fade Ind\u00edgena, Weibe Tapeba, durante visita que fez \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios causou desorganiza\u00e7\u00e3o social de comunidade A presen\u00e7a do garimpo ilegal no Territ\u00f3rio Yanomami causa m\u00faltiplos impactos na vida social dos ind\u00edgenas. 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