{"id":265308,"date":"2023-03-27T10:19:30","date_gmt":"2023-03-27T13:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=265308"},"modified":"2023-03-27T10:19:30","modified_gmt":"2023-03-27T13:19:30","slug":"pesquisadores-da-usp-testam-tecnica-que-diagnostica-cancer-em-amostras-de-saliva-e-urina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2023\/03\/27\/pesquisadores-da-usp-testam-tecnica-que-diagnostica-cancer-em-amostras-de-saliva-e-urina\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da USP testam t\u00e9cnica que diagnostica c\u00e2ncer em amostras de saliva e urina"},"content":{"rendered":"<header class=\"pg-newDetail__header\">\n<div class=\"gs-container\">\n<div class=\"pg-newDetail__header__content\">\n<p class=\"pg-newDetail__resume\"><em><strong>M\u00e9todo analisa &#8216;impress\u00e3o digital&#8217; da doen\u00e7a em subst\u00e2ncias qu\u00edmicas produzidas naturalmente pelo corpo humano.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"pg-newDetail__main gs-container\">\n<p>Pesquisadores da Faculdade de Ci\u00eancias Famarc\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto (FCRP) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) desenvolveram uma t\u00e9cnica para diagnosticar o c\u00e2ncer a partir da an\u00e1lise de amostras de saliva e urina.<\/p>\n<p>As amostras s\u00e3o analisadas em laborat\u00f3rio para identificar altera\u00e7\u00f5es nos perfis de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis, que formam uma esp\u00e9cie de \u201cimpress\u00e3o digital\u201d da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo, ainda experimental, pode vir a ser uma alternativa menos invasiva e mais barata para diagnosticar as diversas formas da doen\u00e7a futuramente.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais cedo a doen\u00e7a for detectada, maiores s\u00e3o a chance de um tratamento efetivo ser iniciado\u201d, explica o farmac\u00eautico e bioqu\u00edmico Bruno Ruiz Brand\u00e3o da Costa, um dos autores da pesquisa. \u201cS\u00f3 que tem um problema: no c\u00e2ncer, principalmente nos est\u00e1gios iniciais, \u00e9 muito dif\u00edcil voc\u00ea ter sintomas espec\u00edficos da doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia de um diagn\u00f3stico precoce aumentar as chances de cura, os custos com equipamentos e exames utilizados para detectar a doen\u00e7a e as filas no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) podem atrasar a descoberta do c\u00e2ncer e, consequentemente, dificultar o tratamento.<\/p>\n<p>Por isso, a t\u00e9cnica traz uma perspectiva otimista no combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO nosso m\u00e9todo de coleta de saliva, se n\u00e3o me engano, um entre oitenta pacientes reclamou. E de urina tamb\u00e9m, a coleta \u00e9 simples e n\u00e3o invasiva, ent\u00e3o o desenvolvimento desse tipo de m\u00e9todo \u00e9 muito importante\u201d, pontua Costa.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.clickpb.com.br\/media\/filer_public\/c0\/c2\/c0c2b7f8-82fb-479e-9037-c0732588d5d9\/259f1549-32c1-4b5c-8a7e-ebaa1074e2b9.webp\" data-image=\"252150\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n<p><em>Cientista manipula amostras em teste de laborat\u00f3rio \u2014 Foto: Feevale\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>In\u00edcio da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Costa, a linha de pesquisa surgiu quando o orientador do estudo, o professor Bruno Spinosa, percebeu que um parente com c\u00e2ncer suava bastante. O professor passou a investigar se haveria subst\u00e2ncias no suor do paciente relacionadas \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando Costa ingressou no doutorado, a pesquisa se voltou para outras amostras biol\u00f3gicas facilmente coletadas: a saliva e a urina. O trabalho, que rendeu um artigo publicado na revista cient\u00edfica Journal of Breath Research, estuda as poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es que o c\u00e2ncer provoca em subst\u00e2ncias qu\u00edmicas produzidas naturalmente pelo corpo humano chamadas de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (VOCs).<\/p>\n<p>Em pacientes com c\u00e2ncer, pode haver o surgimento de novos VOCs ou altera\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o dos compostos. Essas mudan\u00e7as de perfil podem ser detectadas por meio de an\u00e1lises qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>O objetivo da pesquisa foi comparar o perfil dos VOCs de pessoas saud\u00e1veis com os de pacientes com c\u00e2ncer. Apesar do equipamento utilizado no estudo n\u00e3o distinguir quais subst\u00e2ncias est\u00e3o sendo analisadas, a an\u00e1lise de perfil j\u00e1 rendeu resultados animadores para os pesquisadores: os \u00edndices chegam a 84,8% de sensibilidade e 88,33% de especificidade.<\/p>\n<p>Os pesquisadores escolheram trabalhar com an\u00e1lises de amostras de pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o e c\u00e2ncer gastrointestinal, duas das formas mais comuns da doen\u00e7a. O material foi coletado dos ambulat\u00f3rios da \u00e1rea de Oncologia Cl\u00ednica do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina (HC-FMUSP) de Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.clickpb.com.br\/media\/filer_public\/3b\/e1\/3be1c696-ad7b-4b2f-91d3-a607c3de1ad7\/hc.webp\" data-image=\"252149\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n<p><em>Hospital das Cl\u00ednicas no campus da USP em Ribeir\u00e3o Preto \u2014 Foto: Luciano Tolentino\/EPTV<\/em><\/p>\n<p><strong>O processo<\/strong><\/p>\n<p>As amostras eram colocadas em um frasco que era fechado, aquecido e agitado. As subst\u00e2ncias que eram de interesse dos pesquisadores s\u00e3o vol\u00e1teis e, portanto, elas passavam para a fase de vapor, onde eram analisadas.<\/p>\n<p>O equipamento separava os compostos, que geravam um sinal chamado de \u201cpico\u201d. O conjunto de picos \u00e9 chamado de \u201ccromatograma\u201d que, por sua vez, permite que os pesquisadores comparem os perfis para verificar as diferen\u00e7as entre amostras saud\u00e1veis e de pessoas com c\u00e2ncer e identificar a \u201cimpress\u00e3o digital\u201d da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m avaliou dados de apenas um material biol\u00f3gico e tamb\u00e9m de amostras h\u00edbridas, ou seja, combinando as amostras de saliva e de urina. Confira os resultados:<\/p>\n<ul>\n<li>Nos\u00a0<strong>modelos individuais<\/strong>, ou seja, que analisaram apenas uma amostra, a urina se destacou como a melhor op\u00e7\u00e3o para detectar c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. Os \u00edndices foram de 84,8% de sensibilidade e 82,3% de especificidade.<\/li>\n<li>J\u00e1 para detectar o c\u00e2ncer gastrointestinal, a amostra de saliva teve os melhores resultados: a taxa de sensibilidade foi de 78,6% e 87,5% de especificidade.<\/li>\n<li>Nos\u00a0<strong>modelos h\u00edbridos<\/strong>, que analisam uma combina\u00e7\u00e3o das duas amostras, o c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o obteve \u00edndices de 75,5% de sensibilidade e 88,3% de especificidade. O c\u00e2ncer gastrointestinal teve \u00edndices de, respectivamente, 69,8% e 87%.<\/li>\n<\/ul>\n<p>De acordo com Costa, existe a possibilidade de que determinadas amostras sejam mais eficazes para detectar certos tipos de c\u00e2ncer. \u201cAs subst\u00e2ncias vol\u00e1teis presentes na saliva n\u00e3o s\u00e3o iguais necessariamente \u00e0s subst\u00e2ncias vol\u00e1teis presentes na urina\u201d, explica o farmac\u00eautico bioqu\u00edmico.<\/p>\n<p>Por isso, a combina\u00e7\u00e3o de duas amostras contribuem para a diferen\u00e7a dos \u00edndices do modelo h\u00edbrido em rela\u00e7\u00e3o ao modelo \u00fanico. Apesar disso, o pesquisador afirma que os \u00edndices mais baixos n\u00e3o significam que um tipo de amostra n\u00e3o seja adequado para detectar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cNo c\u00e2ncer g\u00e1strico, por exemplo, a gente n\u00e3o conseguiu bons resultados para an\u00e1lise de urina. Isso n\u00e3o quer dizer dizer que a urina n\u00e3o seria uma boa matriz, porque o nosso n\u00famero de volunt\u00e1rios foi bem restrito\u201d, explica Costa.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.clickpb.com.br\/media\/filer_public\/21\/b6\/21b65be9-04dd-4c1d-b8a2-35f5b7898ed2\/teste-covid2.webp\" data-image=\"252148\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n<p><em>T\u00e9cnica desenvolvida em Ribeir\u00e3o Preto analisa amostras de saliva e urina em busca de &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; do c\u00e2ncer \u2014 Foto: TV Globo\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de ampliar o n\u00famero de volunt\u00e1rios, Costa destaca que seria interessante analisar a efic\u00e1cia do m\u00e9todo em diferentes grupos de pessoas.<\/p>\n<p>\u201cComparar em mulher, homem, pessoas fumantes, n\u00e3o fumantes, que bebem ou n\u00e3o\u201d, exemplifica. \u201cO nosso grupo foi mais restrito, mas sim, foram resultados bem interessantes\u201d.<\/p>\n<p>O pesquisador destaca tamb\u00e9m a possibilidade de outros laborat\u00f3rios, que contam com outros tipos de equipamentos, testarem o m\u00e9todo para ver se os resultados s\u00e3o semelhantes. Depois disso, seria preciso validar e analisar em uma rotina cl\u00ednica.<\/p>\n<p>O farmac\u00eautico n\u00e3o descarta que a pesquisa possa dar origem a outros estudos que, futuramente, possam desenvolver meios de detectar o c\u00e2ncer em exames de rotina, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cTalvez possa existir alguma t\u00e9cnica derivada da que a gente utilizou que seja ainda mais simples e barata, e que depois seja implementada. Porque na pesquisa, uma coisa puxa a outra. Na ci\u00eancia, nada se faz sozinho\u201d.<\/p>\n<p>FONTE: Click PB<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9todo analisa &#8216;impress\u00e3o digital&#8217; da doen\u00e7a em subst\u00e2ncias qu\u00edmicas produzidas naturalmente pelo corpo humano. 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