{"id":266039,"date":"2023-04-06T08:20:27","date_gmt":"2023-04-06T11:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=266039"},"modified":"2023-04-06T08:20:27","modified_gmt":"2023-04-06T11:20:27","slug":"pobres-e-negras-estao-na-ponta-da-superexploracao-do-trafico-de-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2023\/04\/06\/pobres-e-negras-estao-na-ponta-da-superexploracao-do-trafico-de-drogas\/","title":{"rendered":"Pobres e negras est\u00e3o na ponta da superexplora\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<p class=\"col-10 offset-1 animated fadeInDown dealy-900 display-8 display-md-8 alt-font font-italic my-1 text-center\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mulheres s\u00e3o expostas a uma s\u00e9rie de viol\u00eancias, apontam especialistas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mulheres pobres e negras est\u00e3o na ponta da superexplora\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas e expostas a uma s\u00e9rie de viol\u00eancias, avaliam especialistas ouvidas pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Al\u00e9m disso, a repress\u00e3o \u00e0 venda dessas subst\u00e2ncias pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica acaba atingindo de forma desigual as camadas mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAssim como as mulheres negras s\u00e3o a base do mercado formal de trabalho, com os menores sal\u00e1rios, com trabalhos informais, na quest\u00e3o da ind\u00fastria do tr\u00e1fico internacional, isso n\u00e3o vai ser diferente\u201d, diz a cofundadora da Iniciativa Negra por uma Nova Pol\u00edtica de Drogas, Nath\u00e1lia Oliveira.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria aproxima\u00e7\u00e3o com o com\u00e9rcio ilegal ocorre a partir de condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias, destaca a pesquisadora Luana Malheiro, autora do livro Tornar-se Mulher Usu\u00e1ria de Crack.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o do mercado entra no Brasil, no Uruguai e na Am\u00e9rica Latina inteira capturando essas companheiras que n\u00e3o t\u00eam escolaridade, n\u00e3o t\u00eam acesso ao mercado formal, e que s\u00e3o chefes de fam\u00edlia, est\u00e3o ali criando os filhos sozinhas. O \u00fanico trabalho mais acess\u00edvel para a mulher com um filho \u00e9 o mercado local de drogas, que est\u00e1 crescendo cada vez mais e sempre tem um espa\u00e7o\u201d, explica a especialista que faz parte da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA) e da Rede Latino Americana e Caribenha de Mulheres que Usam Drogas.<\/p>\n<h2>Ciclo de viol\u00eancias<\/h2>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o em uma atividade de risco pode, de acordo com Luana Malheiro, agravar a situa\u00e7\u00e3o dessas pessoas. \u201cA mulher entrou no mercado de drogas para sustentar a fam\u00edlia, passou por uma s\u00e9rie de viol\u00eancias e acaba entrando no consumo abusivo de drogas para esquecer ou lidar com essas viol\u00eancias\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>A pesquisadora acompanhou mulheres usu\u00e1rias de crack em Salvador e consumidoras de pasta base no Uruguai. Ao se aproximar desses cen\u00e1rios, identificou a viol\u00eancia de g\u00eanero como elemento constante. \u201cO estupro, a viol\u00eancia sexual, \u00e9 uma quest\u00e3o que \u00e9 muito comentada. Tem produzido trauma, tem produzido sofrimento. E o consumo da droga vem como esse caminho de aguentar essas dores, essas mem\u00f3rias, esses traumas que n\u00e3o foram trabalhados. Muitas das mulheres n\u00e3o tinham acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, detalha sobre algumas das percep\u00e7\u00f5es a partir das pesquisas em campo.<\/p>\n<p>Ao procurarem ajuda, essas mulheres tamb\u00e9m encontram pouco amparo nos servi\u00e7os p\u00fablicos, acrescenta Luana. \u201cPoucos servi\u00e7os de sa\u00fade voltados a aten\u00e7\u00e3o de pessoas que usam drogas t\u00eam espa\u00e7os espec\u00edficos para mulheres. E os servi\u00e7os est\u00e3o sempre cheios de homens\u201d, diz.<\/p>\n<p>Esses espa\u00e7os deixam de atender necessidades espec\u00edficas dessa popula\u00e7\u00e3o, segundo a pesquisadora. \u201cS\u00e3o servi\u00e7os que n\u00e3o t\u00eam salas de lact\u00e2ncia [para amamenta\u00e7\u00e3o], que n\u00e3o est\u00e3o preparados para receber uma m\u00e3e que tem um filho. Acabam produzindo um monte de barreiras de acesso\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Nega\u00e7\u00e3o da maternidade<\/h2>\n<p>O consumo de drogas \u00e9, inclusive, um argumento usado para afastar as m\u00e3es dos filhos, como aponta Nath\u00e1lia Oliveira. \u201cMuitas mulheres que s\u00e3o usu\u00e1rias de crack quando t\u00eam seus filhos, no hospital s\u00e3o desencorajadas a seguir com a maternidade. Ou muitas vezes as crian\u00e7as j\u00e1 v\u00e3o para um processo de ado\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ela destaca que isso acontece n\u00e3o s\u00f3 com mulheres em grande vulnerabilidade. Segundo ela, em div\u00f3rcios, alguns parceiros se valem da alega\u00e7\u00e3o que a m\u00e3e usa drogas em disputas judiciais pela guarda dos filhos.<\/p>\n<p>A pesquisadora do sistema carcer\u00e1rio, Dina Alves, avalia que as puni\u00e7\u00f5es por tr\u00e1fico afetam de maneira expandida as fam\u00edlias e comunidades negras. \u201cA m\u00e3e n\u00e3o pode ter contato com seu filho. Ent\u00e3o, ele \u00e9 retirado da sua guarda, levado para algu\u00e9m da fam\u00edlia que possa cuidar. Normalmente, \u00e9 outra mulher preta \u2013 uma av\u00f3 ou uma tia. Ou quando n\u00e3o tem outra pessoa da fam\u00edlia que possa exercer o cuidado, a crian\u00e7a \u00e9 levada para centros de cuidado ou para ado\u00e7\u00e3o\u201d, enumera.<\/p>\n<p>\u201cUma outra popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria que cumpre pena fora do sistema prisional visto como lugar f\u00edsico. Porque a\u00ed se produz uma outra popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 punida, que s\u00e3o as crian\u00e7as\u201d, ressalta a pesquisadora.<\/p>\n<h2>Gera\u00e7\u00e3o de renda<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover lazyload\" title=\"Isaac Amorim\/MJSP\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FefIQ7aqxTpfZTHpgAIe_PJIb24=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/52766212706_ba7b8d53fa_o.jpg?itok=qI_-aJmo\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 23\/03\/2023-Semin\u00e1rio de Lan\u00e7amento da Estrat\u00e9gia Nacional de Acesso a Direito para Mulheres na Pol\u00edtica sobre Drogas-SENAD.  -  Foto: Isaac Amorim\/MJSP\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p class=\"meta\"><em><strong>A secretaria Nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas, Martha Machado, faz discurso durante Lan\u00e7amento da Estrat\u00e9gia Nacional de Acesso a Direito para Mulheres na Pol\u00edtica sobre Drogas-SENAD. &#8211; Foto:\u00a0Isaac Amorim\/MJSP<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para evitar a exposi\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e0s redes ilegais, a Secretaria Nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas (Senad) do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a prop\u00f5e a\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o de renda e apoio \u00e0s comunidades. Em mar\u00e7o, a pasta lan\u00e7ou um edital, que fica aberto at\u00e9 o dia 21 de abril, para fomentar projetos que apoiem mulheres que usam drogas. Ser\u00e3o disponibilizados R$ 6 milh\u00f5es para fortalecer grupos e coletivos de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201c[Essas mulheres] est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e acabam sendo cooptadas, aliciadas pelo tr\u00e1fico de drogas, mas que a gente poderia investir nessas mulheres, oferecer alternativas de trabalho e renda para essas mulheres, evitar o envolvimento com o tr\u00e1fico\u201d, enfatizou a titular da Senad, Martha Machado, em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria reconhece a situa\u00e7\u00e3o de extrema fragilidade a que as mulheres s\u00e3o submetidas nos mercados ilegais. \u201cDentro da cadeia do tr\u00e1fico de drogas as mulheres tamb\u00e9m sofrem uma s\u00e9rie de viol\u00eancias e opress\u00f5es, s\u00e3o usadas com mulas. \u00c0s vezes v\u00edtimas de outros crimes, tanto viol\u00eancia sexual como tr\u00e1fico de pessoas. A gente gostaria de trabalhar para evitar esse tipo de aliciamento\u201d, acrescenta.<\/p>\n<h2>Repara\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de danos<\/h2>\n<p>Marta explica que a Senad est\u00e1 sendo recomposta pelo governo atual e voltando a coordenar, em di\u00e1logo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o s\u00f3 os aspectos repressivos da pol\u00edtica de drogas, mas tamb\u00e9m o atendimento e a preven\u00e7\u00e3o ao uso.<\/p>\n<p>Dentro dessas possibilidades, est\u00e3o tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o de danos, que buscam atenuar os problemas decorrentes do consumo abusivo de subst\u00e2ncias, entendendo que algumas pessoas n\u00e3o querem ou n\u00e3o conseguem interromper completamente o uso. \u201cN\u00f3s apoiamos a redu\u00e7\u00e3o de danos e constru\u00edmos pol\u00edticas junto com a rede de atendimento, junto com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Luana Malheiro defende que a redu\u00e7\u00e3o de danos seja entendida de uma forma ampla e tome protagonismo no lugar das a\u00e7\u00f5es repressivas.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente defende uma pol\u00edtica com redu\u00e7\u00e3o de danos, com justi\u00e7a social, com repara\u00e7\u00e3o, \u00e9 entendendo que a gente consegue pensar para esses territ\u00f3rios uma outra presen\u00e7a do Estado. Para que o Estado possa pensar ali de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, cultura, lazer. A redu\u00e7\u00e3o de danos trabalha com essa ideia ampliada. Voc\u00ea precisa cuidar do sujeito dentro da comunidade, com arte, com cultura, com diversos recursos terap\u00eauticos\u201d, explica.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres s\u00e3o expostas a uma s\u00e9rie de viol\u00eancias, apontam especialistas Mulheres pobres e negras est\u00e3o na ponta da superexplora\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas e expostas&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":266040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-266039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266039"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":266041,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266039\/revisions\/266041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}