{"id":276905,"date":"2023-11-06T08:18:11","date_gmt":"2023-11-06T11:18:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=276905"},"modified":"2023-11-06T08:18:11","modified_gmt":"2023-11-06T11:18:11","slug":"desigualdades-de-genero-e-raca-sobrecarregam-mulheres-no-cuidar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2023\/11\/06\/desigualdades-de-genero-e-raca-sobrecarregam-mulheres-no-cuidar\/","title":{"rendered":"Desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a sobrecarregam mulheres no cuidar"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<p class=\"col-10 offset-1 animated fadeInDown dealy-900 display-8 display-md-8 alt-font font-italic my-1 text-center\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Tema da reda\u00e7\u00e3o do Enem vai ganhar pol\u00edtica nacional em 2024<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como em todos os anos, o tema da reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) tem ampla repercuss\u00e3o no pa\u00eds. Na tarde de ontem domingo (5), primeiro dia das provas do Enem 2023, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) divulgou o tema do texto dissertativo\u00a0exigido pelo exame: &#8220;Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil&#8221;.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1564647&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1564647&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (Pnad) Cont\u00ednua 2022, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE),\u00a0as mulheres dedicam, em m\u00e9dia, 21,3 horas semanais aos afazeres dom\u00e9sticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens utilizam 11,7 horas.\u00a0Ao detalhar a propor\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico entre as mulheres, a pesquisa verificou que as pretas t\u00eam o maior \u00edndice de realiza\u00e7\u00e3o das tarefas (92,7%), superando as pardas (91,9%) e brancas (90,5%).<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Fabio Rodrigues Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FoSYyO9Xerc19EVsBikqfF8a_uM=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/907753-ebc_pro%20equidade_-3128.jpg?itok=5ftFATen\" alt=\"Bras\u00edlia - EBC assina o termo de Compromisso da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Programa de Pr\u00f3-Equidade de G\u00eanero e Ra\u00e7a. Na foto, La\u00eds Abramo, da OIT Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil)\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><strong>Fabio Rodrigues Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas ouvidas pela reportagem, penaliza excessivamente as mulheres, principalmente negras, criando barreiras para entrada no mercado de trabalho em igualdade de condi\u00e7\u00f5es, bem como para a participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica e em outros espa\u00e7os sociais ainda dominado por homens.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma realidade para a qual n\u00e3o se presta muita aten\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma naturaliza\u00e7\u00e3o de que a tarefa de cuidar das pessoas \u00e9 algo que compete \u00e0s mulheres, algo que se entende como uma natureza feminina. Isso tem a ver como uma forma que se organiza as tarefas de g\u00eanero na sociedade, a provis\u00e3o de recursos, o que sobrecarrega as fam\u00edlias&#8221;, aponta a soci\u00f3loga La\u00eds Abramo (foto), secret\u00e1ria nacional de Cuidados e Fam\u00edlia, \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome (MDS).<\/p>\n<p>Para ela, que est\u00e1 \u00e0 frente de um grupo de trabalho (GT) para elaborar a Pol\u00edtica Nacional de Cuidados, o tema ter sido cobrado na reda\u00e7\u00e3o do Enem \u00e9 algo muito necess\u00e1rio. &#8220;Sabemos da import\u00e2ncia dessa prova em termos de democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior e de que todos os temas colocados na reda\u00e7\u00e3o s\u00e3o momentos de reflex\u00e3o. Quando vi, fiquei muito contente&#8221;, comentou em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>A expectativa de La\u00eds Abramo \u00e9 que, em maio do ano que vem, o governo federal apresente propostas de um marco normativo que reconhe\u00e7a efetivamente o direito ao cuidado, e os direitos de quem cuida, al\u00e9m de fomentar a amplia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas j\u00e1 existentes e at\u00e9 mesmo a cria\u00e7\u00e3o de novos direitos.<\/p>\n<p>A jornalista e pesquisadora Ism\u00e1lia Afonso, oficial para os temas de g\u00eanero e ra\u00e7a do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, tamb\u00e9m destaca o alcance que o assunto ganhou ao ser cobrado na prova do Enem, &#8220;que tem uma for\u00e7a para pautar do debate p\u00fablico&#8221;. &#8220;Al\u00e9m disso, o tema da reda\u00e7\u00e3o parte da ideia de que a gente olha para desigualdade, n\u00e3o se discute se o problema existe ou n\u00e3o. Isso nos coloca em outro patamar de discuss\u00e3o&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Autora do livro Nem trabalha nem estuda? Desigualdade de g\u00eanero e ra\u00e7a na trajet\u00f3ria das jovens da periferia de Bras\u00edlia (Appris, 2018), a pesquisadora tamb\u00e9m argumenta que a invisibilidade do trabalho de cuidado feito por mulheres, n\u00e3o apenas no Brasil, \u00e9 uma express\u00e3o da desigualdade de g\u00eanero, ou seja, da estrutura social que valoriza homens e mulheres de maneiras diferentes. &#8220;Homens n\u00e3o s\u00e3o preparados para naturalizar certos tipos de trabalho, enquanto mulheres s\u00e3o socialmente constru\u00eddas para isso. Ainda que haja legisla\u00e7\u00f5es que remunerem mulheres pelo trabalho de cuidar, a gente precisa fomentar uma mudan\u00e7a cultural&#8221;, defendeu em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias internacionais<\/h2>\n<p>A retomada das pol\u00edticas sociais por igualdade de g\u00eanero no pa\u00eds, que foram descontinuadas nos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m busca colocar o Brasil no patamar de outros pa\u00edses latino-americanos que avan\u00e7aram nos \u00faltimos anos. Um decreto editado pelo governo argentino, em 2021, passou a reconhecer o cuidado materno como tempo de servi\u00e7o considerado para a concess\u00e3o de aposentadoria.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos, desde o come\u00e7o dessa discuss\u00e3o, olhando muito para as experi\u00eancias internacionais. Existem v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que est\u00e3o mais avan\u00e7ados na estrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas nacionais de cuidado&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>La\u00eds Abramo cita uma experi\u00eancia de Bogot\u00e1, capital da Col\u00f4mbia, que instituiu os chamados Quarteir\u00f5es do Cuidado, que s\u00e3o equipamentos p\u00fablicos como lavanderias coletivas, cozinhas solid\u00e1rias e restaurantes populares concentrados em um raio territorial pequeno, como forma mitigar o tempo e o esfor\u00e7o do trabalho de cuidado.<\/p>\n<p>No Brasil, a secret\u00e1ria nacional de Cuidados e Fam\u00edlias destaca, por exemplo, o pagamento adicional de R$ 150 aos benefici\u00e1rios do programa Bolsa Fam\u00edlia com crian\u00e7as at\u00e9 6 anos de idade, que\u00a0foi institu\u00eddo em mar\u00e7o.\u00a0&#8220;O cuidado \u00e9 um direito humano. Todas as pessoas precisam de cuidado. E a gente entende que o cuidado \u00e9 um trabalho, que implica muitas horas di\u00e1rias ao longo da vida inteira. Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer com que a provis\u00e3o desse cuidado recaia sobre as mulheres de maneira n\u00e3o remunerada&#8221;, argumenta La\u00eds Abramo.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima quarta-feira (8), em Bras\u00edlia, o governo federal vai sediar um semin\u00e1rio internacional, envolvendo altas autoridades da \u00e1rea de assist\u00eancia social dos pa\u00edses do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), justamente para debater o fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre o cuidado. O evento ocorre no contexto da presid\u00eancia tempor\u00e1ria do Brasil \u00e0 frente do bloco regional sul-americano.<\/p>\n<h2>Propostas em debate<\/h2>\n<p>Entre as propostas que est\u00e3o em debate no GT criado pelo governo federal est\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-maternidade para m\u00e3es que est\u00e3o fora do mercado de trabalho. A licen\u00e7a-paternidade, atualmente de apenas 5 dias para trabalhadores com carteira assinada, \u00e9 considerada insuficiente por especialistas. Tamb\u00e9m est\u00e1 em estudo a ideia de instituir uma licen\u00e7a-parental, que seria um per\u00edodo de afastamento a ser dividido entre os pais ou respons\u00e1veis legais da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m metas na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o que t\u00eam impacto direto na mitiga\u00e7\u00e3o desse trabalho n\u00e3o-remunerado, como a meta de ampliar o acesso \u00e0 creche para 50% das crian\u00e7as de 0 a 3 anos. Atualmente, essa cobertura est\u00e1 em 35%. A amplia\u00e7\u00e3o da escola em tempo integral desde o Ensino Fundamental tamb\u00e9m \u00e9 considerada medida fundamental para evitar que mulheres tenham que abdicar de trabalho ou carreira para cuidar dos filhos durante o turno em que n\u00e3o est\u00e3o na escola.<\/p>\n<p>Para Ism\u00e1lia Afonso, enfrentar esse desafio requer um leque amplo de medidas, inclusive um novo pacto social. &#8220;Precisamos atuar tanto do ponto de vista das pol\u00edticas p\u00fablicas quanto do ponto de vista de um novo acordo social, sobre quem faz o qu\u00ea dentro das fam\u00edlias, dentro do mundo trabalho n\u00e3o remunerado e dentro da estrutura social que atribui poderes diferentes para homens e mulheres&#8221;, diz.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tema da reda\u00e7\u00e3o do Enem vai ganhar pol\u00edtica nacional em 2024 Como em todos os anos, o tema da reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) tem ampla repercuss\u00e3o no pa\u00eds. Na tarde de ontem domingo (5), primeiro dia das provas do Enem 2023, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) divulgou o tema do texto dissertativo\u00a0exigido pelo exame: &#8220;Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil&#8221;. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (Pnad) Cont\u00ednua 2022, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE),\u00a0as mulheres dedicam, em m\u00e9dia, 21,3 horas semanais aos afazeres dom\u00e9sticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens utilizam 11,7 horas.\u00a0Ao detalhar a propor\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico entre as mulheres, a pesquisa verificou que as pretas t\u00eam o maior \u00edndice de realiza\u00e7\u00e3o das tarefas (92,7%), superando as pardas (91,9%) e brancas (90,5%). Fabio Rodrigues Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil Essa situa\u00e7\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas ouvidas pela reportagem, penaliza excessivamente as mulheres, principalmente negras, criando barreiras para entrada no mercado de trabalho em igualdade de condi\u00e7\u00f5es, bem como para a participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica e em outros espa\u00e7os sociais ainda dominado por homens. &#8220;\u00c9 uma realidade para a qual n\u00e3o se presta muita aten\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma naturaliza\u00e7\u00e3o de que a tarefa de cuidar das pessoas \u00e9 algo que compete \u00e0s mulheres, algo que se entende como uma natureza feminina. Isso tem a ver como uma forma que se organiza as tarefas de g\u00eanero na sociedade, a provis\u00e3o de recursos, o que sobrecarrega as fam\u00edlias&#8221;, aponta a soci\u00f3loga La\u00eds Abramo (foto), secret\u00e1ria nacional de Cuidados e Fam\u00edlia, \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome (MDS). Para ela, que est\u00e1 \u00e0 frente de um grupo de trabalho (GT) para elaborar a Pol\u00edtica Nacional de Cuidados, o tema ter sido cobrado na reda\u00e7\u00e3o do Enem \u00e9 algo muito necess\u00e1rio. &#8220;Sabemos da import\u00e2ncia dessa prova em termos de democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior e de que todos os temas colocados na reda\u00e7\u00e3o s\u00e3o momentos de reflex\u00e3o. Quando vi, fiquei muito contente&#8221;, comentou em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil. A expectativa de La\u00eds Abramo \u00e9 que, em maio do ano que vem, o governo federal apresente propostas de um marco normativo que reconhe\u00e7a efetivamente o direito ao cuidado, e os direitos de quem cuida, al\u00e9m de fomentar a amplia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas j\u00e1 existentes e at\u00e9 mesmo a cria\u00e7\u00e3o de novos direitos. A jornalista e pesquisadora Ism\u00e1lia Afonso, oficial para os temas de g\u00eanero e ra\u00e7a do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, tamb\u00e9m destaca o alcance que o assunto ganhou ao ser cobrado na prova do Enem, &#8220;que tem uma for\u00e7a para pautar do debate p\u00fablico&#8221;. &#8220;Al\u00e9m disso, o tema da reda\u00e7\u00e3o parte da ideia de que a gente olha para desigualdade, n\u00e3o se discute se o problema existe ou n\u00e3o. Isso nos coloca em outro patamar de discuss\u00e3o&#8221;, observa. Autora do livro Nem trabalha nem estuda? Desigualdade de g\u00eanero e ra\u00e7a na trajet\u00f3ria das jovens da periferia de Bras\u00edlia (Appris, 2018), a pesquisadora tamb\u00e9m argumenta que a invisibilidade do trabalho de cuidado feito por mulheres, n\u00e3o apenas no Brasil, \u00e9 uma express\u00e3o da desigualdade de g\u00eanero, ou seja, da estrutura social que valoriza homens e mulheres de maneiras diferentes. &#8220;Homens n\u00e3o s\u00e3o preparados para naturalizar certos tipos de trabalho, enquanto mulheres s\u00e3o socialmente constru\u00eddas para isso. Ainda que haja legisla\u00e7\u00f5es que remunerem mulheres pelo trabalho de cuidar, a gente precisa fomentar uma mudan\u00e7a cultural&#8221;, defendeu em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil. Refer\u00eancias internacionais A retomada das pol\u00edticas sociais por igualdade de g\u00eanero no pa\u00eds, que foram descontinuadas nos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m busca colocar o Brasil no patamar de outros pa\u00edses latino-americanos que avan\u00e7aram nos \u00faltimos anos. Um decreto editado pelo governo argentino, em 2021, passou a reconhecer o cuidado materno como tempo de servi\u00e7o considerado para a concess\u00e3o de aposentadoria. &#8220;Estamos, desde o come\u00e7o dessa discuss\u00e3o, olhando muito para as experi\u00eancias internacionais. Existem v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que est\u00e3o mais avan\u00e7ados na estrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas nacionais de cuidado&#8221;, aponta. La\u00eds Abramo cita uma experi\u00eancia de Bogot\u00e1, capital da Col\u00f4mbia, que instituiu os chamados Quarteir\u00f5es do Cuidado, que s\u00e3o equipamentos p\u00fablicos como lavanderias coletivas, cozinhas solid\u00e1rias e restaurantes populares concentrados em um raio territorial pequeno, como forma mitigar o tempo e o esfor\u00e7o do trabalho de cuidado. No Brasil, a secret\u00e1ria nacional de Cuidados e Fam\u00edlias destaca, por exemplo, o pagamento adicional de R$ 150 aos benefici\u00e1rios do programa Bolsa Fam\u00edlia com crian\u00e7as at\u00e9 6 anos de idade, que\u00a0foi institu\u00eddo em mar\u00e7o.\u00a0&#8220;O cuidado \u00e9 um direito humano. Todas as pessoas precisam de cuidado. E a gente entende que o cuidado \u00e9 um trabalho, que implica muitas horas di\u00e1rias ao longo da vida inteira. Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer com que a provis\u00e3o desse cuidado recaia sobre as mulheres de maneira n\u00e3o remunerada&#8221;, argumenta La\u00eds Abramo. Na pr\u00f3xima quarta-feira (8), em Bras\u00edlia, o governo federal vai sediar um semin\u00e1rio internacional, envolvendo altas autoridades da \u00e1rea de assist\u00eancia social dos pa\u00edses do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), justamente para debater o fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre o cuidado. O evento ocorre no contexto da presid\u00eancia tempor\u00e1ria do Brasil \u00e0 frente do bloco regional sul-americano. Propostas em debate Entre as propostas que est\u00e3o em debate no GT criado pelo governo federal est\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-maternidade para m\u00e3es que est\u00e3o fora do mercado de trabalho. A licen\u00e7a-paternidade, atualmente de apenas 5 dias para trabalhadores com carteira assinada, \u00e9 considerada insuficiente por especialistas. Tamb\u00e9m est\u00e1 em estudo a ideia de instituir uma licen\u00e7a-parental, que seria um per\u00edodo de afastamento a ser dividido entre os pais ou respons\u00e1veis legais da crian\u00e7a. H\u00e1 tamb\u00e9m metas na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o que t\u00eam impacto direto na mitiga\u00e7\u00e3o desse trabalho n\u00e3o-remunerado, como a meta de ampliar o acesso \u00e0 creche para 50% das crian\u00e7as de 0 a 3 anos. Atualmente, essa cobertura est\u00e1 em 35%. 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