{"id":28191,"date":"2017-09-09T05:00:38","date_gmt":"2017-09-09T08:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=28191"},"modified":"2017-09-09T05:00:38","modified_gmt":"2017-09-09T08:00:38","slug":"funaro-entregou-r-114-mi-em-dinheiro-vivo-a-geddel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/09\/09\/funaro-entregou-r-114-mi-em-dinheiro-vivo-a-geddel\/","title":{"rendered":"Funaro entregou R$ 11,4 mi em dinheiro vivo a Geddel"},"content":{"rendered":"<section class=\"l-noticia\">Operador financeiro dos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o do ex-deputado Eduardo Cunha e do chamado \u201cPMDB da C\u00e2mara\u201d, o doleiro L\u00facio Funaro revela em detalhes, no acordo de dela\u00e7\u00e3o, como funcionava a entrega de malas de propina para o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Na edi\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a circular nesta sexta-feira, VEJA revela com exclusividade os principais trechos do roteiro apresentado pelo doleiro no acordo. Segundo Funaro, em apenas dois anos, 2014 e 2015, Geddel recebeu 11,4 milh\u00f5es de reais em dinheiro vivo divididos em 11 entregas operadas pelo doleiro. Os pacotes de dinheiro eram levados em um jato particular e entregue ao pr\u00f3prio ex-ministro em um hangar privado do Aeroporto Internacional de Salvador. Funaro tamb\u00e9m cita entregas em hot\u00e9is de S\u00e3o Paulo e da capital baiana. Ele diz ter entregue propina at\u00e9 na festa de 15 anos da filha de Geddel.<\/p>\n<p>\u201cAo descer do avi\u00e3o (com a mala de dinheiro), era indagado por Geddel a respeito da quantia que estava sendo entregue. Geddel demonstrava naturalidade ao receber os valores\u201d, diz Funaro. \u201cRecorda-se de ter entregue dinheiro para Geddel em S\u00e3o Paulo, no Hotel Renaissense, na Alameda Santos, e uma vez em Salvador, no Hotel Pestana, no dia em que a filha de Geddel estava fazendo uma festa para comemorar seus 15 anos\u201d, complementa o doleiro.<\/p>\n<p>Geddel voltou a ser preso em regime fechado, pela Pol\u00edcia Federal, na manh\u00e3 desta sexta-feira. Ele foi detido no \u00faltimo dia 3 de julho, por decis\u00e3o do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, tendo sido transferido para a pris\u00e3o domiciliar nove dias depois, por decis\u00e3o do desembargador Ney Belo. Agora, o ex-ministro ser\u00e1 levado de volta para Bras\u00edlia, onde cumprir\u00e1 a nova deten\u00e7\u00e3o preventiva, tamb\u00e9m assinada por Vallisney. O juiz ainda determinou a pris\u00e3o do advogado Gustavo Ferraz e mandados de busca e apreens\u00e3o nas casas de Geddel, da m\u00e3e dele, e de Ferraz.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o acontece tr\u00eas dias depois da Opera\u00e7\u00e3o Tesouro Perdido, a descoberta de um apartamento que serviria de \u201cbunker\u201d para o ex-ministro. Ap\u00f3s uma den\u00fancia an\u00f4nima, a PF fez no im\u00f3vel maior apreens\u00e3o de dinheiro em esp\u00e9cie da hist\u00f3ria do pa\u00eds: 51 milh\u00f5es de reais. Segundo os policiais, as digitais do ex-ministro foram encontradas nas c\u00e9dulas e nas caixas que guardavam o valor dentro do apartamento.<\/p>\n<p>No acordo de dela\u00e7\u00e3o, o doleiro L\u00facio Funaro apresentou aos investigadores da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) registros de trocas de mensagens de celular com Geddel, hist\u00f3ricos de voos do jatinho que fazia o \u201cdelivery\u201d das malas para o ex-ministro, planilhas de pagamentos e, em alguns casos, at\u00e9 extratos banc\u00e1rios das opera\u00e7\u00f5es. Amigo pessoal de Temer, Geddel foi ministro da Secretaria de Governo e tinha aval do presidente para comandar as rela\u00e7\u00f5es do Planalto com o Congresso. Na dela\u00e7\u00e3o, o doleiro narra em detalhes como funcionou o propinoduto na Vice-Presid\u00eancia de Pessoa Jur\u00eddica da Caixa Econ\u00f4mica Federal, entre 2011 e 2015, per\u00edodo em que Geddel comandou a reparti\u00e7\u00e3o. Funaro descreve o ex-ministro, \u201camigo e interlocutor de Temer\u201d, como um \u201cforte arrecadador de doa\u00e7\u00f5es e propinas\u201d.<\/p>\n<p>Em 2014, por exemplo, Funaro diz ter feito nove entregas de dinheiro vivo a Geddel. Uma de 600.000 reais e outra de 500.000 reais em fevereiro, uma de 800.000 reais em mar\u00e7o, 1 milh\u00e3o em maio, mais 1 milh\u00e3o em julho, 1,5 milh\u00e3o em agosto, 3,2 milh\u00f5es em setembro, 1,2 milh\u00e3o em outubro e 500.000 em dezembro. Em 2015, foram duas entregas de 500.000 reais cada.<\/p>\n<p>Durante os governos do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, o grupo do PMDB da C\u00e2mara apoderou-se de cargos estrat\u00e9gicos no banco. Funaro conta que os peemedebistas usavam a influ\u00eancia pol\u00edtica para favorecer empres\u00e1rios dispostos a pagar milion\u00e1rias propinas para acessar as linhas de financiamento da Caixa.<\/p>\n<p>Funcionava assim. Ora L\u00facio Funaro ora Eduardo Cunha faziam os contatos com empres\u00e1rios interessados em obter empr\u00e9stimos junto ao banco. Depois de negociar os valores da propina, Cunha negociava a libera\u00e7\u00e3o dos recursos com Geddel, que ocupava a vice-presid\u00eancia de Pessoa Jur\u00eddica do banco. Quando o dinheiro saia, a propina era paga \u00e0s empresas do doleiro L\u00facio Funaro, que providenciava a partilha da propina.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que o PMDB comandou o esquema na Caixa, cerca de 5 bilh\u00f5es de reais, a sua maioria extra\u00eddos do FI-FGTS, um fundo de investimentos em infraestrutura administrado pela Caixa, foram liberados para empresas que pagaram aos peemedebistas mais de 170 milh\u00f5es de reais em propinas.<\/p>\n<p>L\u00facio conta que conheceu Geddel por interm\u00e9dio de Eduardo Cunha. O doleiro pagou propina pela primeira vez a Geddel depois de o peemedebista ter favorecido o empres\u00e1rio Joesley Batista, da J&amp;F, em um neg\u00f3cio de 300 milh\u00f5es de reais. O primeiro encontro ocorreu no hangar da Ibero Star, no aeroporto de Salvador. Funaro desceu com a mala recheada de dinheiro, conversou com Geddel por menos de dez minutos e voltou para o avi\u00e3o. Um encontro frio e r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Com o tempo, por\u00e9m, as entregas tornaram-se cada vez mais frequentes e Geddel, perdeu a cerim\u00f4nia. L\u00facio passou a entregar malas de dinheiro para o peemedebista em hot\u00e9is de S\u00e3o Paulo e Salvador e at\u00e9 no anivers\u00e1rio de 15 anos da filha de Geddel. O doleiro lembra que era comum, nas entregas de propina, ser recebido por um Geddel ansioso no aeroporto. Segundo o doleiro, durante os minutos que estava com o ex-ministro no hangar para repassar as malas, os dois \u201cconversavam brevemente sobre pol\u00edtica e sobre as pr\u00f3ximas opera\u00e7\u00f5es vislumbradas\u201d. L\u00facio diz no acordo que<\/p>\n<p>A rotina de entregas seguiu firme e forte mesmo depois da deflagra\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. L\u00facio conta que n\u00e3o interrompeu o esquema porque ele e Geddel acharam que as investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato na Petrobras n\u00e3o iriam se expandir para outros setores do governo. O esquema mudou quando L\u00facio passou a figurar como potencial alvo da pol\u00edcia. O delator conta que, um pouco antes de ser preso, recebeu um recado de Geddel para que interrompesse os pagamentos. \u201cN\u00e3o\u2026 Para. D\u00e1 uma segurada e depois n\u00f3s acertamos isso a\u00ed\u201d, disse Geddel.<\/p>\n<p>A \u00faltima opera\u00e7\u00e3o realizada por Geddel na Caixa ocorreu em 2015 e rendeu 20 milh\u00f5es de reais em propina. O empres\u00e1rio Joesley Bastista pediu a Funaro a libera\u00e7\u00e3o de um cr\u00e9dito de 2,7 bilh\u00f5es de reais, para a compra da Alpargatas, combinando o pagamento de uma comiss\u00e3o de 3% pela opera\u00e7\u00e3o. L\u00facio pediu a Geddel a libera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito no banco. Antes de receber a propina, no entanto, Funaro foi alvo de mandados de busca e apreens\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, o que assustou Geddel, que avisou: \u201cDeixa esse dinheiro a\u00ed com voc\u00ea, n\u00e3o quero saber desse dinheiro, n\u00e3o sei o que pode lhe acontecer, se precisar voc\u00ea j\u00e1 tem dinheiro contigo\u201d<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com\u00a0<\/em>Veja<em>\/Foto: Google<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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Funaro descreve o ex-ministro, \u201camigo e interlocutor de Temer\u201d, como um \u201cforte arrecadador de doa\u00e7\u00f5es e propinas\u201d. Em 2014, por exemplo, Funaro diz ter feito nove entregas de dinheiro vivo a Geddel. Uma de 600.000 reais e outra de 500.000 reais em fevereiro, uma de 800.000 reais em mar\u00e7o, 1 milh\u00e3o em maio, mais 1 milh\u00e3o em julho, 1,5 milh\u00e3o em agosto, 3,2 milh\u00f5es em setembro, 1,2 milh\u00e3o em outubro e 500.000 em dezembro. Em 2015, foram duas entregas de 500.000 reais cada. Durante os governos do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, o grupo do PMDB da C\u00e2mara apoderou-se de cargos estrat\u00e9gicos no banco. Funaro conta que os peemedebistas usavam a influ\u00eancia pol\u00edtica para favorecer empres\u00e1rios dispostos a pagar milion\u00e1rias propinas para acessar as linhas de financiamento da Caixa. Funcionava assim. Ora L\u00facio Funaro ora Eduardo Cunha faziam os contatos com empres\u00e1rios interessados em obter empr\u00e9stimos junto ao banco. Depois de negociar os valores da propina, Cunha negociava a libera\u00e7\u00e3o dos recursos com Geddel, que ocupava a vice-presid\u00eancia de Pessoa Jur\u00eddica do banco. Quando o dinheiro saia, a propina era paga \u00e0s empresas do doleiro L\u00facio Funaro, que providenciava a partilha da propina. No per\u00edodo em que o PMDB comandou o esquema na Caixa, cerca de 5 bilh\u00f5es de reais, a sua maioria extra\u00eddos do FI-FGTS, um fundo de investimentos em infraestrutura administrado pela Caixa, foram liberados para empresas que pagaram aos peemedebistas mais de 170 milh\u00f5es de reais em propinas. L\u00facio conta que conheceu Geddel por interm\u00e9dio de Eduardo Cunha. O doleiro pagou propina pela primeira vez a Geddel depois de o peemedebista ter favorecido o empres\u00e1rio Joesley Batista, da J&amp;F, em um neg\u00f3cio de 300 milh\u00f5es de reais. O primeiro encontro ocorreu no hangar da Ibero Star, no aeroporto de Salvador. Funaro desceu com a mala recheada de dinheiro, conversou com Geddel por menos de dez minutos e voltou para o avi\u00e3o. Um encontro frio e r\u00e1pido. Com o tempo, por\u00e9m, as entregas tornaram-se cada vez mais frequentes e Geddel, perdeu a cerim\u00f4nia. L\u00facio passou a entregar malas de dinheiro para o peemedebista em hot\u00e9is de S\u00e3o Paulo e Salvador e at\u00e9 no anivers\u00e1rio de 15 anos da filha de Geddel. O doleiro lembra que era comum, nas entregas de propina, ser recebido por um Geddel ansioso no aeroporto. Segundo o doleiro, durante os minutos que estava com o ex-ministro no hangar para repassar as malas, os dois \u201cconversavam brevemente sobre pol\u00edtica e sobre as pr\u00f3ximas opera\u00e7\u00f5es vislumbradas\u201d. L\u00facio diz no acordo que A rotina de entregas seguiu firme e forte mesmo depois da deflagra\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. L\u00facio conta que n\u00e3o interrompeu o esquema porque ele e Geddel acharam que as investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato na Petrobras n\u00e3o iriam se expandir para outros setores do governo. O esquema mudou quando L\u00facio passou a figurar como potencial alvo da pol\u00edcia. O delator conta que, um pouco antes de ser preso, recebeu um recado de Geddel para que interrompesse os pagamentos. \u201cN\u00e3o\u2026 Para. D\u00e1 uma segurada e depois n\u00f3s acertamos isso a\u00ed\u201d, disse Geddel. 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