{"id":282034,"date":"2024-03-10T13:50:38","date_gmt":"2024-03-10T16:50:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=282034"},"modified":"2024-03-10T13:50:38","modified_gmt":"2024-03-10T16:50:38","slug":"neurotecnologia-permitira-alterar-funcionamento-mental-diz-cientista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2024\/03\/10\/neurotecnologia-permitira-alterar-funcionamento-mental-diz-cientista\/","title":{"rendered":"Neurotecnologia permitir\u00e1 alterar funcionamento mental, diz cientista"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<p class=\"col-10 offset-1 animated fadeInDown dealy-900 display-8 display-md-8 alt-font font-italic my-1 text-center\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Espanhol Rafael Yuste defende &#8220;direito \u00e0 privacidade mental&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O neurobi\u00f3logo espanhol Rafael Yuste \u00e9 apontado como um dos mais influentes neurocientistas da atualidade. Admirador de seu conterr\u00e2neo, o m\u00e9dico Santiago Ram\u00f3n y Cajal, que recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1906 e \u00e9 considerado o \u201cpai de neuroci\u00eancia moderna\u201d, Yuste tornou-se um forte candidato a receber o principal pr\u00eamio cient\u00edfico mundial, gra\u00e7as a suas importantes contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1584347&amp;o=node\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1584347&amp;o=node\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover lazyload\" title=\"Neuro Technology Center\/Divulga\u00e7\u00e3o\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/mn7192LEdgJFn2A71-aOePFsDX8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/07\/rafael_yuste.jpg?itok=RqAgCZJj\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 07\/03\/2024 - Neurobiologo espanhol e professor da Universidade\u00a0de\u00a0Columbia, Rafael Yuste, fala sobre o desenvolvimento das neurotecnologias permitir\u00e1 o aprimoramento das atuais t\u00e9cnicas de tratamento de doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, como o uso de implantes cerebrais, abrindo um leque de novas op\u00e7\u00f5es\u00a0terap\u00eauticas. Foto: Neuro Technology Center\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p class=\"meta\">O neurobi\u00f3logo Rafael Yuste\u00a0defende a prote\u00e7\u00e3o dos dados obtidos com uso de neurotecnologias\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Neuro Technology Center\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Diretor do\u00a0<a href=\"https:\/\/ntc.columbia.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Neurotecnologia<\/a>\u00a0da Universidade de Columbia (Estados Unidos), onde tenta decifrar o c\u00f3digo neural (rela\u00e7\u00e3o entre conjuntos de neur\u00f4nios e o comportamento ou estado mental de indiv\u00edduos), ele\u00a0\u00e9 um dos idealizadores da Iniciativa Brain, lan\u00e7ada em 2014 pelo ent\u00e3o presidente norte americano, Barack Obama como forma de promover o desenvolvimento de t\u00e9cnicas e aparelhos que ajudem os especialistas a compreender o funcionamento da mente humana.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 um dos fundadores e principal porta-voz da\u00a0<a href=\"https:\/\/neurorightsfoundation.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Neurorights<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane um grupo de especialistas que prop\u00f5em a amplia\u00e7\u00e3o do rol de direitos humanos a fim de proteger os indiv\u00edduos da eventual m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o das neurotecnologias.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0<strong>\u00a0<\/strong><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o espanhol fala sobre os avan\u00e7os no desenvolvimento de inova\u00e7\u00f5es na \u00e1rea e defende a prote\u00e7\u00e3o dos dados obtidos por meio das neurotecnologias. &#8220;Propomos o direito \u00e0 privacidade mental. \u00c9 preciso proteger as informa\u00e7\u00f5es pessoais obtidas com o emprego de neurotecnologias, ou seja, os neurodados, da decodifica\u00e7\u00e3o sem consentimento pr\u00e9vio, mantendo-as em sigilo.&#8221;<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0O que s\u00e3o neurotecnologias? O senhor pode citar exemplos do quanto e como estas ferramentas e t\u00e9cnicas est\u00e3o presentes em nosso dia a dia?<br \/>\n<strong>Rafael Yuste:\u00a0<\/strong>S\u00e3o m\u00e9todos ou dispositivos usados para registrar os sinais el\u00e9tricos [do sistema nervoso] ou modificar a atividade cerebral. Os dispositivos podem ser invasivos, quando implantados no c\u00e9rebro \u2013 um\u00a0<em>chip<\/em>\u00a0ou um eletrodo, por exemplo \u2013 ou n\u00e3o invasivos \u2013 um capacete, \u00f3culos ou fone de ouvido. Hoje, a maior parte das neurotecnologias \u00e9 usada no ambiente cl\u00ednico. J\u00e1 h\u00e1 dezenas de milhares de pacientes em todo o mundo usando implantes cocleares [pr\u00f3tese eletr\u00f4nica utilizada para restaurar a audi\u00e7\u00e3o em pessoas com d\u00e9ficit funcional] ou estimuladores cerebrais para tratar doen\u00e7as como Parkinson ou depress\u00e3o. Tamb\u00e9m j\u00e1 h\u00e1 casos de pacientes nos quais est\u00e3o sendo testadas interfaces c\u00e9rebro-m\u00e1quinas. E, fora do \u00e2mbito cl\u00ednico, h\u00e1 companhias vendendo de capacetes que prometem medir os n\u00edveis de estresse e ajudar as pessoas a meditar a pulseiras capazes de registrar a atividade do sistema nervoso.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Por que tantas empresas e pa\u00edses t\u00eam investido tanto dinheiro no desenvolvimento e aperfei\u00e7oamento das chamadas neurotecnologias?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0Por ao menos tr\u00eas raz\u00f5es. A primeira, cient\u00edfica. O c\u00e9rebro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais um \u00f3rg\u00e3o do corpo: \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que d\u00e1 origem \u00e0 mente. Com novas tecnologias que nos permitam \u2018entrar\u2019 no c\u00e9rebro e registrar sua atividade, poderemos entender os seres humanos por dentro, ou seja, como nossa mente funciona. Consequentemente, mais cedo ou mais tarde, poderemos decifrar a atividade mental e, em alguns casos, alter\u00e1-la. O segundo motivo \u00e9 a import\u00e2ncia cl\u00ednica. Com novos m\u00e9todos ou dispositivos, poderemos desenvolver novos diagn\u00f3sticos e terapias para doen\u00e7as mentais, sejam elas neurodegenerativas ou neurol\u00f3gicas. A terceira raz\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mica. Muitas companhias tecnol\u00f3gicas apostam que, ap\u00f3s o\u00a0<em>smartphone<\/em>, a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o vir\u00e1 com um dispositivo cerebral, uma esp\u00e9cie de Iphone cerebral, um dispositivo que levaremos na cabe\u00e7a e com o qual nos conectaremos direta e rapidamente \u00e0 rede mundial de computadores. H\u00e1 ainda uma quarta raz\u00e3o: os objetivos militares. Alguns pa\u00edses, como a China, tamb\u00e9m est\u00e3o desenvolvendo neurotecnologia como ferramentas armamentistas e para incrementar a seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0O senhor e outros especialistas sustentam que o aperfei\u00e7oamento e a consequente intensifica\u00e7\u00e3o do uso das neurotecnologias suscitam novos problemas \u00e9ticos e sociais. Que problemas s\u00e3o esses?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0Em 2017, um grupo de 25 especialistas de diversas nacionalidades se reuniu na Universidade Columbia, em Nova York, para analisar os problemas \u00e9ticos e sociais das neurotecnologias. Essa reuni\u00e3o ocorreu no\u00a0<em>campus<\/em>\u00a0de Morningside Heights, raz\u00e3o pela qual o grupo passou a ser chamado de Grupo de Morningside. Identificamos cinco aspectos cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o aos quais o uso das neurotecnologias sem nenhum tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o provoca preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e sociais. E propusemos a amplia\u00e7\u00e3o dos direitos humanos para a inclus\u00e3o dos chamados neurodireitos. Nossa proposta \u00e9, com isso, protegermos esses cinco aspectos da atividade humana contra o potencial uso indevido ou abuso na utiliza\u00e7\u00e3o das neurotecnologias.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Quais s\u00e3o esses cinco aspectos que os senhores creem que precisam ser protegidos?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0Propomos o direito \u00e0 privacidade mental. \u00c9 preciso proteger as informa\u00e7\u00f5es pessoais obtidas com o emprego de neurotecnologias, ou seja, os neurodados, da decodifica\u00e7\u00e3o sem consentimento pr\u00e9vio, mantendo-as em sigilo. O segundo direito proposto estabelece o direito \u00e0 identidade pessoal, ou \u00e0 consci\u00eancia. Para que o uso da neurotecnologia n\u00e3o perturbe ou altere o senso de identidade, confundindo-o com os insumos tecnol\u00f3gicos usados para conectar as pessoas. O terceiro neurodireito \u00e9 o direito ao livre-arb\u00edtrio. Para que possamos continuar escolhendo a forma como nos comportamos sem interfer\u00eancias externas, sem a manipula\u00e7\u00e3o neurotecnol\u00f3gica. O quarto neurodireito prev\u00ea o acesso equitativo \u00e0s neurotecnologias de amplia\u00e7\u00e3o sensorial ou cognitiva. Importante esclarecer que, para a maioria dos especialistas, esse melhoramento de certas fun\u00e7\u00f5es mentais j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo. Basta pensarmos nos aplicativos que nos fornecem informa\u00e7\u00f5es que, de outra forma, ter\u00edamos que memorizar, como os localizadores por GPS ou agendas. Queremos prevenir as desigualdades decorrentes do maior ou menor acesso a essas tecnologias. O \u00faltimo dos cinco neurodireitos diz respeito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o contra as chances do uso das neurotecnologias injetar caracter\u00edsticas discriminat\u00f3rias em nossos c\u00e9rebros, combatendo express\u00f5es preconceituosas no design do algoritmo que determina o funcionamento desses dispositivos.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o a esse quinto ponto, o Grupo Morningside tamb\u00e9m prop\u00f5e que cientistas, empreendedores e empresas prestem uma esp\u00e9cie de juramento parecido com o que \u00e9 feito pelos m\u00e9dicos. Qual o objetivo disso?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0A ideia \u00e9 copiar a medicina, cujas t\u00e9cnicas tamb\u00e9m servem para manipular o corpo humano e cujas regras \u00e9ticas se aplicam a todos os m\u00e9dicos do mundo, que t\u00eam que prestar o Juramento de Hip\u00f3crates, prometendo s\u00f3 empregar o que aprenderam para ajudar os seus pacientes. Queremos copiar essa ideia e introduzir nas neuroci\u00eancias o Juramento Tecnocr\u00e1tico, com o qual todos os que desenvolvem e administram a neurotecnologia se comprometam a empregar seus conhecimentos e as t\u00e9cnicas a seu dispor para ajudar as pessoas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0O debate sobre a necessidade de os legisladores reconhecerem e protegerem os neurodireitos vem conquistando espa\u00e7o em diferentes pa\u00edses. Da mesma forma como a discuss\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de mais investimentos no desenvolvimento de neurotecnologias que permitam aos cientistas avan\u00e7ar nas pesquisas sobre o funcionamento do sistema nervoso e da mente humana. Como o senhor avalia o atual momento? Qu\u00e3o perto estamos de ver essas propostas se tornarem algo efetivo?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0S\u00e3o duas coisas distintas. Os neurodireitos j\u00e1 foram acolhidos no Chile, onde uma emenda constitucional foi aprovada para proteger a atividade cerebral. No Brasil tamb\u00e9m j\u00e1 h\u00e1 uma\u00a0proposta de emenda constitucional\u00a0tramitando no Congresso Nacional, semelhante \u00e0 que o Chile aprovou. Da mesma forma como no M\u00e9xico. Uruguai e Espanha devem seguir por esse caminho. E n\u00f3s, do Grupo Morningside, estamos trabalhando junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas [ONU] para que esta incorpore os neurodireitos a seus tratados internacionais sobre direitos humanos. Ao mesmo tempo, estamos trabalhando em n\u00edveis nacionais e estaduais, como no Rio Grande do Sul, no Brasil, e no Colorado, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0H\u00e1 o risco de a regulamenta\u00e7\u00e3o dos neurodireitos e a prote\u00e7\u00e3o dos neurodados retardarem o desenvolvimento das neurotecnologias?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0Via de regra, o uso das neurotecnologias \u00e9 menos problem\u00e1tico no ambiente cl\u00ednico, regulamentado por leis que j\u00e1 protegem a privacidade dos pacientes. O que nos preocupa \u00e9 quando esses dispositivos e t\u00e9cnicas come\u00e7am a ser usados para outros fins, em outros espa\u00e7os, sem a necessidade do aval de um m\u00e9dico ou profissional sujeito a um c\u00f3digo de \u00e9tica. Ou seja, o que nos preocupa \u00e9 a potencial populariza\u00e7\u00e3o de aparelhos que qualquer pessoa poder\u00e1 adquirir e usar em casa, para diversos fins, e que poder\u00e3o recolher e transmitir neurodados para um servidor capaz de armazen\u00e1-los e decodific\u00e1-los. \u00c9 preciso antecipar-se a isso e proteger a todos, dentro e fora de hospitais e cl\u00ednicas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Mas n\u00e3o h\u00e1 o risco de isso desestimular investimentos, retardando os resultados dos estudos?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0Isso n\u00e3o significa impedir que empresas fa\u00e7am neg\u00f3cios ou pesquisas. Trata-se de, principalmente, estabelecer a obrigatoriedade de os respons\u00e1veis protegerem os dados cerebrais com o mesmo rigor com que empresas de biomedicina devem proteger as informa\u00e7\u00f5es pessoais de seus pacientes. Uma das formas de fazer isso \u00e9 estabelecendo que os dispositivos desenvolvidos por empresas neurotecnol\u00f3gicas sejam inspecionados por ag\u00eancias de regula\u00e7\u00e3o. Neste sentido, cabe destacar que, h\u00e1 pouco tempo, a Neurorights Foundation estudou os contratos de 30 companhias de neurotecnologia e concluiu que os clientes dessas empresas est\u00e3o totalmente desprotegidos diante da falta de estruturas legais e regulat\u00f3rias nacionais e internacional. Em todos os contratos analisados havia as chamadas \u2018letras pequenas\u2019, cl\u00e1usulas que quase ningu\u00e9m l\u00ea. E segundo as quais os clientes transferiam o direito sobre seus neurodados a terceiros. Inclusive para que as companhias os vendessem ou os transferissem a outras empresas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0\u00c9 poss\u00edvel afirmar que, em breve, detentores das novas tecnologias poder\u00e3o ler nossos pensamentos e interferir em nossos comportamentos?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0O desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial j\u00e1 possibilitou o uso de dispositivos neurotecnol\u00f3gicos n\u00e3o invasivos capazes de decifrar a linguagem, imagens mentais e emo\u00e7\u00f5es. Isso j\u00e1 foi feito. H\u00e1 pouco tempo, com o uso da interface c\u00e9rebro-m\u00e1quina, um neurocirurgi\u00e3o de S\u00e3o Francisco [EUA] conseguiu reconstruir a linguagem e as emo\u00e7\u00f5es de uma mulher paralisada h\u00e1 v\u00e1rios anos, decodificando-as e reproduzindo-as com o uso de um computador. Para mim, isso \u00e9 algo semelhante \u00e0 explos\u00e3o da primeira bomba at\u00f4mica, pois significa que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel decodificar a atividade mental de uma pessoa. Com isso, acredito que, em mais cinco ou dez anos, descobriremos como come\u00e7ar a modificar a atividade cerebral. E, hoje, o \u00fanico pa\u00eds cuja popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 efetivamente protegida contra o eventual uso indevido disso \u00e9 o Chile, onde j\u00e1 houve, inclusive, um caso em que a Corte Suprema ordenou que uma companhia de neurotecnologia apagasse todos os dados relativos \u00e0 atividade cerebral de um cidad\u00e3o e se submetesse \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Regula\u00e7\u00e3o M\u00e9dica.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Ao mesmo tempo em que prop\u00f5e a regulamenta\u00e7\u00e3o dos neurodireitos, apontando os riscos do uso tecnol\u00f3gico indevido, o senhor defende a import\u00e2ncia do desenvolvimento das neurotecnologias. O senhor \u00e9 otimista? Acredita que as possibilidades positivas superam os eventuais riscos?<br \/>\n<strong>Yuste:<\/strong>\u00a0Sim. Sou muito otimista. Dediquei minha vida e minha carreira ao desenvolvimento de neurotecnologias e \u00e0 tentativa de compreender como o c\u00e9rebro funciona para auxiliar quem precisa de ajuda urgente. N\u00e3o h\u00e1, no mundo, quem hoje n\u00e3o tenha um parente ou conhecido sofrendo com um transtorno neurodegenerativo como as doen\u00e7as de Alzheimer ou de Parkinson ou mesmo com ansiedade, esquizofrenia e outras enfermidades para as quais ainda n\u00e3o encontramos cura. Temos que ajudar esses pacientes, e as neurotecnologias nos possibilitam fazer isso. S\u00f3 que as mesmas tecnologias que nos permitir\u00e3o decodificar a mente de um esquizofr\u00eanico e reprogram\u00e1-la poder\u00e3o ser usadas para fazer o mesmo com uma pessoa dita normal. Da\u00ed a necessidade de assegurarmos que essas t\u00e9cnicas s\u00f3 sejam usadas para ajudar quem realmente necessita.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espanhol Rafael Yuste defende &#8220;direito \u00e0 privacidade mental&#8221; O neurobi\u00f3logo espanhol Rafael Yuste \u00e9 apontado como um dos mais influentes neurocientistas da atualidade. Admirador de&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":282035,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[],"class_list":["post-282034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-o-site"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282034"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":282036,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282034\/revisions\/282036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/282035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}