{"id":285922,"date":"2024-05-27T07:50:28","date_gmt":"2024-05-27T10:50:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=285922"},"modified":"2024-05-27T07:50:28","modified_gmt":"2024-05-27T10:50:28","slug":"escolas-que-disputam-olimpiada-de-matematica-se-saem-melhor-no-enem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2024\/05\/27\/escolas-que-disputam-olimpiada-de-matematica-se-saem-melhor-no-enem\/","title":{"rendered":"Escolas que disputam Olimp\u00edada de Matem\u00e1tica se saem melhor no Enem"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<p class=\"col-10 offset-1 animated fadeInDown dealy-900 display-8 display-md-8 alt-font font-italic my-1 text-center\" style=\"text-align: center;\"><strong>\u00c9 o que mostra pesquisa do Iede, organiza\u00e7\u00e3o de estudos em educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os alunos de escolas com altas taxas de participa\u00e7\u00e3o na Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas (Obmep) t\u00eam obtido melhores resultados no Exame Nacional de Ensino M\u00e9dio (Enem). \u00c9 o que mostra\u00a0pesquisa\u00a0conduzida pelo Interdisciplinaridade e Evid\u00eancias no Debate Educacional (Iede), organiza\u00e7\u00e3o que se dedica a estudos\u00a0em educa\u00e7\u00e3o. Divulgado nesta segunda-feira (27), o estudo revela ainda que essas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m registram maiores taxas de aprova\u00e7\u00f5es de seus alunos e menores distor\u00e7\u00f5es na equival\u00eancia entre idade e s\u00e9rie.<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1597341&amp;o=node\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1597341&amp;o=node\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p>No crit\u00e9rio de alta participa\u00e7\u00e3o, foram enquadradas as escolas em que pelo menos 65% dos estudantes classificados participaram da segunda fase. Nessas institui\u00e7\u00f5es, constatou-se que o aprendizado em matem\u00e1tica n\u00e3o beneficia apenas dos estudantes que se destacam na disciplina, mas toda a turma. &#8220;A Olimp\u00edada de Matem\u00e1tica vai ter\u00a0impacto maior em todos os estudantes se ela gerar mais mobiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, observa o pesquisador e diretor executivo do Iede, Ernesto Faria.<\/p>\n<p>Em um recorte no grupo de escolas que tiveram alunos conquistando pr\u00eamios na Obmep, mas que n\u00e3o registraram alta participa\u00e7\u00e3o, chamou aten\u00e7\u00e3o a desigualdade interna. Nesses casos, apesar de se verificar aumento das m\u00e9dias no Enem, observa-se tamb\u00e9m maior discrep\u00e2ncia entre as notas dos alunos. &#8220;Se a Olimp\u00edada de Matem\u00e1tica n\u00e3o gera efeito mobilizador na escola, ela pode acabar ajudando apenas um determinado perfil de alunos. E a\u00ed perde-se o potencial de contribuir com a melhoria de alunos que estariam registrando mais baixo desempenho&#8221;, alerta Ernesto.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia da nota na prova da matem\u00e1tica do Enem, considerando todas as institui\u00e7\u00f5es onde houve alunos que conquistaram medalhas na Obmep, foi de 516,1. Entre aquelas que n\u00e3o participaram ou que n\u00e3o foram\u00a0premiados, a m\u00e9dia cai para 488,5.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foi avaliado o desempenho no Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb), aplicado a cada dois anos pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o desde 1990. Por meio dele, s\u00e3o produzidos indicadores educacionais referentes \u00e0s regi\u00f5es, unidades da Federa\u00e7\u00e3o, munic\u00edpios e institui\u00e7\u00f5es de ensino. Com base nos dados levantados, s\u00e3o realizadas an\u00e1lises envolvendo a qualidade, a equidade e a efici\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o praticada nos diversos n\u00edveis governamentais.<\/p>\n<p>As escolas com alunos que conquistam medalhas na Obmep registraram no Saeb m\u00e9dia de 270,3 pontos para o ensino fundamental e de 288,8 para o ensino m\u00e9dio. Aquelas que n\u00e3o participaram ou n\u00e3o tiveram premiados apresentaram m\u00e9dias de 240,2 e 269,8, respectivamente.<\/p>\n<p>&#8220;A Olimp\u00edada \u00e9 um programa muito importante que gerou a\u00e7\u00f5es de mobiliza\u00e7\u00e3o e de reconhecimento da matem\u00e1tica nas escolas. Mas \u00e9 preciso ter esse olhar de como n\u00e3o promover desigualdade. E a\u00ed passa por avaliar o que mais a gente pode fazer. O potencial da Olimp\u00edada \u00e9 enorme. Ela tem essa capacidade de chegada nas escolas e j\u00e1 tem gerado resultados. Mas poder ser ainda mais transformador&#8221;, avalia Ernesto Faria.<\/p>\n<p>De acordo com ele, o envolvimento na Obmep tamb\u00e9m favorece o acesso ao ensino superior. As escolas com altas taxas de participa\u00e7\u00e3o e alunos premiados tem maiores percentuais de estudantes que alcan\u00e7am m\u00e9dia no Enem compat\u00edvel com as exig\u00eancias para admiss\u00e3o em faculdades p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n<p>Criada em 2005, a Obmep \u00e9 considerada atualmente importante pol\u00edtica p\u00fablica para promover o ensino da matem\u00e1tica no pa\u00eds. A competi\u00e7\u00e3o \u00e9 organizada pelo Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada (Impa), unidade de ensino e pesquisa vinculada ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) e ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC). A 19\u00aa edi\u00e7\u00e3o, disputada neste ano, registrou dois recordes. Em 99,9% dos munic\u00edpios do pa\u00eds, ao menos uma escola se inscreveu. Foi a mais abrangente cobertura territorial j\u00e1 alcan\u00e7ada. Al\u00e9m disso, com 56.513 escolas envolvidas, obteve-se a maior participa\u00e7\u00e3o desde que a competi\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Impa atuou como parceiro t\u00e9cnico da pesquisa, assim como o Laborat\u00f3rio de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Superior da Universidade de S\u00e3o Paulo (Lepes\/USP). O estudo tamb\u00e9m contou com o apoio da B3 Social, uma institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos.<\/p>\n<p>Segundo Ernesto Farias, a pesquisa \u00e9 importante porque traz dados que ajudam a pensar caminhos para alterar o atual cen\u00e1rio brasileiro. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Saeb, em 2021, registrou o menor percentual de estudantes com aprendizado adequado em matem\u00e1tica na compara\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>No 5\u00ba ano da rede p\u00fablica, por exemplo, a diferen\u00e7a foi de 14 pontos percentuais: 51% dos alunos tinham aprendizado adequado em l\u00edngua portuguesa e apenas 37% em matem\u00e1tica. Escalando as etapas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a discrep\u00e2ncia se acentua. No 3\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, apenas 5% dos estudantes da rede p\u00fablica registram aprendizado adequado em matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Quando considerados apenas os alunos de baixo n\u00edvel socioecon\u00f4mico, nas diferentes etapas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, esse percentual chega a 4,4%. Os pesquisadores lembram tamb\u00e9m que, conforme os dados do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos (Pisa), os jovens brasileiros de 15 e 16 anos est\u00e3o cerca de tr\u00eas anos atr\u00e1s na aprendizagem em matem\u00e1tica na compara\u00e7\u00e3o com aqueles da mesma idade que vivem em pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tem desafios na educa\u00e7\u00e3o de uma forma geral, mas o desafio em matem\u00e1tica \u00e9 ainda maior. E \u00e9 algo generalizado. Obviamente, as escolas que atendem jovens mais vulner\u00e1veis sofrem mais, mas na verdade temos poucas escolas que de fato registram resultado alto em matem\u00e1tica. Alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser s\u00f3 saber ler e escrever. Alfabetiza\u00e7\u00e3o tem que ser tamb\u00e9m utilizar bem os n\u00fameros, saber as quatro opera\u00e7\u00f5es. Mesmo institui\u00e7\u00f5es privadas de elite t\u00eam desafios&#8221;, comenta Ernesto Faria.<\/p>\n<h2>Escolas P\u00fablicas<\/h2>\n<p>O estudo tamb\u00e9m buscou identificar quantas s\u00e3o e onde est\u00e3o as escolas p\u00fablicas que mais se destacam em matem\u00e1tica. Para mapear a\u00e7\u00f5es comuns que parecem contribuir para o bom desempenho dos alunos, os pesquisadores inclusive visitaram oito dessas unidades nas regi\u00f5es Sudeste, Nordeste e Sul.<\/p>\n<p>Ao todo, 71 das 47.418 escolas de ensino fundamental e 80 das 20.606 de ensino m\u00e9dio conseguem bons resultados em matem\u00e1tica, mesmo atendendo alunos de baixo e m\u00e9dio n\u00edvel socioecon\u00f4mico. Os pesquisadores manifestam preocupa\u00e7\u00e3o com esses dados, inclusive porque consideram que n\u00e3o utilizaram crit\u00e9rios demasiadamente rigorosos. Ainda assim, entre milhares de escolas, poucas dezenas obtiveram destaque em perspectiva nacional.<\/p>\n<p>Nas visitas de campo, quatro fatores chamaram a aten\u00e7\u00e3o: a exist\u00eancia de uma boa rela\u00e7\u00e3o entre professor e aluno, que envolve confian\u00e7a e apoio emocional; a preocupa\u00e7\u00e3o dos professores com a aprendizagem de todos, com estrat\u00e9gias voltadas para aqueles que apresentam mais dificuldade; a busca por m\u00e9todos e ferramentas que tornam o ensino mais atrativo; e a oferta de aulas de com conte\u00fados mais aprofundados.<\/p>\n<p>&#8220;Vimos algumas pr\u00e1ticas interessantes, alguns professores muito fora da curva, realmente de muita qualidade. Mas n\u00e3o tem uma estrutura nas escolas, de fato, para garantir a aprendizagem da maioria. Voc\u00ea tem ali uma turma com bons resultados e, do lado, na sala vizinha, tem alunos ali aprendendo matem\u00e1tica com um n\u00edvel de exig\u00eancia mais baixo&#8221;, afirma Ernesto Faria. Segundo ele, o bom desempenho de uma escola muitas vezes est\u00e1 mais relacionado com esses professores fora da\u00a0curva do que com quest\u00f5es estruturais.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, al\u00e9m de fortalecer a Obmep, \u00e9 preciso pensar em pol\u00edticas p\u00fablicas que envolvam quest\u00f5es como melhorias estruturais e garantia de forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores. Experi\u00eancias de sucesso no Brasil e no exterior podem ser mapeadas para servir de exemplo e serem replicadas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes at\u00e9 h\u00e1 garantias da rede de ensino que s\u00e3o importantes. D\u00e3o apoio para organizar turmas preparat\u00f3rias para a Obmep. Por vezes, garantem\u00a0recursos financeiros extras para esse professor dar aula no fim de semana. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 que o professor sozinho ir\u00e1 gerar a aprendizagem do estudante. Mas hoje n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o que permita que a escola tenha ali cinco ou dez bons professores de matem\u00e1tica. O que temos s\u00e3o casos de professores talentosos e a\u00ed algumas a\u00e7\u00f5es da rede de ensino permitem que eles tragam resultados&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra o alto percentual de professores sem forma\u00e7\u00e3o adequada e a precariza\u00e7\u00e3o das contrata\u00e7\u00f5es. Muitos deles t\u00eam\u00a0contratos tempor\u00e1rios e trabalham em diferentes escolas, em turnos alternados. &#8220;Um desafio que existe \u00e9 de forma\u00e7\u00e3o de professores na \u00e1rea. Inclusive, na pedagogia. A gente precisa ter bons professores de matem\u00e1tica nos anos iniciais do ensino fundamental. N\u00e3o s\u00e3o especialistas, mas d\u00e3o aulas de matem\u00e1tica e de l\u00edngua portuguesa e tem que conseguir trabalhar de forma positiva os conte\u00fados&#8221;, observa Ernesto Faria.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o que mostra pesquisa do Iede, organiza\u00e7\u00e3o de estudos em educa\u00e7\u00e3o Os alunos de escolas com altas taxas de participa\u00e7\u00e3o na Olimp\u00edada Brasileira de&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":285923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-285922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=285922"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":285924,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285922\/revisions\/285924"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/285923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=285922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=285922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=285922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}