{"id":298882,"date":"2025-04-30T11:33:51","date_gmt":"2025-04-30T14:33:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=298882"},"modified":"2025-04-30T11:33:51","modified_gmt":"2025-04-30T14:33:51","slug":"violencia-escolar-o-silencio-que-ainda-machuca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2025\/04\/30\/violencia-escolar-o-silencio-que-ainda-machuca\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia escolar: o sil\u00eancio que ainda machuca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Por In\u00e1cio Feitosa, advogado, diretor-geral da Editora da OAB-PE e diretor-fundador do Instituto IGEDUC.<\/em><\/p>\n<p>Em 2008, antes de o termo bullying virar sin\u00f4nimo de pauta obrigat\u00f3ria em reda\u00e7\u00f5es escolares e promessas pol\u00edticas, fui \u00e0 luta para denunciar aquilo que muitos insistiam em chamar de \u201cbrincadeira de crian\u00e7a\u201d. Naquele tempo, nossa voz era solit\u00e1ria \u2014 quase quixotesca \u2014 mas insistente. Hoje, em 2025, retorno ao mesmo tema com a mesma urg\u00eancia, porque, infelizmente, a viol\u00eancia nas escolas ainda n\u00e3o virou passado.<\/p>\n<p>Foi daquele debate inicial, no Recife, que surgiram os projetos que culminaram na Lei Estadual Antibullying de Pernambuco (2009) e, mais tarde, na Lei Federal n\u00ba 13.185\/2015, que institui o Programa de Combate \u00e0 Intimida\u00e7\u00e3o Sistem\u00e1tica. Aprovadas, sancionadas e&#8230; ignoradas? Em boa parte do pa\u00eds, sim.<\/p>\n<p>Para dialogar com as escolas e com a popula\u00e7\u00e3o, eu e o advogado Isaac Luna lan\u00e7amos em 2010 o cordel &#8220;Bullying Escolar: a peleja da covardia com a senhora educa\u00e7\u00e3o&#8221;, distribu\u00eddo em v\u00e1rias escolas de Pernambuco. Em linguagem simples e popular, o cordel j\u00e1 denunciava:<\/p>\n<p>\u201cNa escola tem de tudo<br \/>\nTem aluno, professor,<br \/>\nMas tem tamb\u00e9m valent\u00e3o<br \/>\nQue s\u00f3 sabe ser opressor.<br \/>\nN\u00e3o respeita a diferen\u00e7a,<br \/>\nE cultiva a indiferen\u00e7a,<br \/>\nPensa que \u00e9 superior.\u201d<\/p>\n<p>Trechos como este ecoavam a dor de alunos que sofriam calados. Mas, passados quinze anos, o que mudou?<\/p>\n<p>O que vemos hoje \u00e9 uma viol\u00eancia mais digitalizada, mais silenciosa, mas nem por isso menos brutal. O cyberbullying se sofisticou: saiu das salas de aula e invadiu grupos de WhatsApp, perfis falsos no Instagram, v\u00eddeos virais no TikTok. A humilha\u00e7\u00e3o agora tem alcance global, e o agressor pode ser an\u00f4nimo. A v\u00edtima, por sua vez, muitas vezes sofre em sil\u00eancio at\u00e9 n\u00e3o suportar mais.<\/p>\n<p>Em 2017, durante audi\u00eancia p\u00fablica promovida pela OAB-PE, alertei: &#8220;as fam\u00edlias precisam observar os sinais, mas a escola tamb\u00e9m precisa querer enxergar&#8221;. E isso ainda vale. O que falta, em muitos casos, n\u00e3o \u00e9 lei, \u00e9 vontade pol\u00edtica, estrutura, capacita\u00e7\u00e3o docente e escuta ativa.<\/p>\n<p>Fico estarrecido ao ver institui\u00e7\u00f5es tratando a viol\u00eancia escolar como \u201ccaso isolado\u201d ou empurrando o problema para a psicologia barata do \u201cvamos resolver com conversa\u201d. N\u00e3o, n\u00e3o vamos. Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas, protocolos de preven\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o, e, acima de tudo, compromisso com a forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o continua sendo nossa principal ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o, mas precisa ser ativa, vigilante e comprometida. Que ela n\u00e3o apenas ensine, mas tamb\u00e9m proteja \u2014 porque toda crian\u00e7a tem o direito de aprender em paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por In\u00e1cio Feitosa, advogado, diretor-geral da Editora da OAB-PE e diretor-fundador do Instituto IGEDUC. 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