{"id":302916,"date":"2025-08-02T11:34:29","date_gmt":"2025-08-02T14:34:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=302916"},"modified":"2025-08-02T11:34:29","modified_gmt":"2025-08-02T14:34:29","slug":"com-terapias-modernas-cancer-caminha-para-se-tornar-doenca-cronica-controlavel-dizem-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2025\/08\/02\/com-terapias-modernas-cancer-caminha-para-se-tornar-doenca-cronica-controlavel-dizem-medicos\/","title":{"rendered":"Com terapias modernas, c\u00e2ncer caminha para se tornar doen\u00e7a cr\u00f4nica control\u00e1vel, dizem m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>No fim de 2022, Izabella Barroso, ent\u00e3o com 33 anos, notou um sangramento espor\u00e1dico nas fezes. O intestino sempre funcionou bem, ela dizia com orgulho. Ativa, saud\u00e1vel, sem v\u00edcios nem comorbidades,\u00a0nunca imaginou que o inc\u00f4modo discreto poderia ser sinal de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Foi inicialmente diagnosticada com hemorroidas, mas, mesmo medicada, o problema n\u00e3o cessou. Procurou, ent\u00e3o, uma segunda opini\u00e3o, e foi submetida a uma retossigmoidoscopia, exame que analisa o c\u00f3lon e o intestino grosso. Do m\u00e9dico, ouviu o diagn\u00f3stico de forma direta:\u00a0\u201cVoc\u00ea tem uma neoplasia maligna\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/lHAIM_TzKfWKOKjUQ2mk0oKBIu0=\/0x83:1200x1068\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/Q\/7\/2rwXOBQsalP1UFzl33Lg\/6475e174-5aba-4c73-afe6-61237790817a.jpg\" alt=\"Izabella Barroso \u2014 Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n<p>Izabella Barroso \u2014 Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>O choque foi inevit\u00e1vel. Ela passou por duas cirurgias \u2014 uma para retirada do tumor e outra, meses depois, para reverter a ostomia e religar o intestino. N\u00e3o precisou de quimioterapia nem radioterapia. \u201cFoi devastador, mas\u00a0o diagn\u00f3stico precoce me salvou.\u00a0Hoje, estou em remiss\u00e3o\u201d, conta Izabella. Sua hist\u00f3ria representa um movimento silencioso e cada vez mais evidente:\u00a0o c\u00e2ncer n\u00e3o escolhe idade, e a medicina est\u00e1 deixando de trat\u00e1-lo como uma senten\u00e7a de morte.<\/p>\n<p>Para especialistas, a doen\u00e7a caminha para um novo status:\u00a0o de condi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e control\u00e1vel, semelhante ao que se vive hoje com o HIV ou a diabetes.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO c\u00e2ncer ser\u00e1 algo com que as pessoas v\u00e3o conviver por anos. N\u00e3o vamos erradic\u00e1-lo, mas vamos aprender a control\u00e1-lo\u201d, diz o oncologista Stephen Stefani, da Oncocl\u00ednicas e da Americas Health Foundation.<\/p><\/blockquote>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que se fala tanto em cronifica\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>A cronifica\u00e7\u00e3o significa\u00a0transformar uma doen\u00e7a aguda e potencialmente fatal em uma condi\u00e7\u00e3o que pode ser acompanhada por longo prazo, com\u00a0qualidade de vida. \u201cAlguns tipos de c\u00e2ncer j\u00e1 s\u00e3o tratados assim. O paciente n\u00e3o est\u00e1 curado, mas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 em sofrimento ou \u00e0 beira da morte.\u00a0Ele vive com a doen\u00e7a sob controle, \u00e0s vezes por d\u00e9cadas\u201d, explica Stefani.<\/p>\n<p>Essa virada vem sendo impulsionada por tr\u00eas pilares:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Diagn\u00f3stico precoce<\/strong>. Quanto mais cedo o tumor \u00e9 detectado, maiores as chances de interven\u00e7\u00e3o eficaz.<\/li>\n<li><strong>Terapias personalizadas<\/strong>. Medicamentos que atacam muta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, com menos efeitos colaterais.<\/li>\n<li><strong>Mudan\u00e7as no estilo de vida<\/strong>. Exerc\u00edcios f\u00edsicos, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e acompanhamento cont\u00ednuo reduzem riscos de recidiva.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que o c\u00e2ncer come\u00e7a a se comportar como outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas. \u201cH\u00e1 pacientes com met\u00e1stases vivendo h\u00e1 mais de 10 anos com boa qualidade de vida. Isso era impens\u00e1vel at\u00e9 pouco tempo\u201d, afirma Carlos Donnarumma, gerente nacional de oncologia da Rede Total Care.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Personaliza\u00e7\u00e3o dos tratamentos<\/h2>\n<p>A medicina oncol\u00f3gica vive uma transi\u00e7\u00e3o importante: est\u00e1 deixando de tratar todos os tumores da mesma forma e passando a\u00a0individualizar os tratamentos, com base nas caracter\u00edsticas moleculares de cada tumor.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se fala mais em tratar s\u00f3 o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, mama ou intestino. Hoje, a gente olha para a muta\u00e7\u00e3o que aquele tumor tem e decide o tratamento com base nisso\u201d, explica Stefani.<\/p>\n<p>Tr\u00eas medicamentos com essa l\u00f3gica j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no Brasil:<\/p>\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Larotrectinibe, indicado para tumores com fus\u00e3o NTRK (rara, mas altamente responsiva).<\/li>\n<li>Pembrolizumabe, para casos com alta carga mutacional (TMB).<\/li>\n<li>Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), voltado a tumores com express\u00e3o do HER2.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Embora a quimioterapia e a radioterapia sejam os tratamentos mais comuns \u2013e muitas vezes, os \u00fanicos ofertados na rede p\u00fablica, h\u00e1 novos tipos de terapia individual mostrando cada vez mais efic\u00e1cia. S\u00e3o eles:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Imunoterapia<\/strong>, que estimula o sistema imunol\u00f3gico a atacar o tumor.<\/li>\n<li><strong>Terapias-alvo<\/strong>, que inibem muta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/li>\n<li><strong>Terapias conjugadas<\/strong>, que unem anticorpos e quimioterapia para atacar diretamente a c\u00e9lula cancer\u00edgena.<\/li>\n<li><strong>Terapias teran\u00f3sticas<\/strong>, que unem diagn\u00f3stico por imagem e tratamento com radiof\u00e1rmacos. A tecnologia funciona como um \u201ccavalo de Troia\u201d: identifica o tumor por imagem e, em seguida, leva o rem\u00e9dio diretamente at\u00e9 ele.<\/li>\n<li><strong>CAR-T cell<\/strong>, que manipula c\u00e9lulas de defesa do pr\u00f3prio paciente para combater o c\u00e2ncer. Ainda \u00e9 restrita a poucos tipos de c\u00e2ncer n\u00e3o-s\u00f3lido.<\/li>\n<\/ul>\n<p>E h\u00e1 uma nova fronteira em discuss\u00e3o: as<strong>\u00a0doses ultrabaixas de imunoterapia<\/strong>, que mostraram respostas promissoras em testes com menor toxicidade e mais acessibilidade \u2014 algo especialmente relevante em pa\u00edses com desigualdades como o Brasil.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/tDzW0m8U2hWtSXxWtdxUmesrByU=\/0x576:991x1348\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/B\/h\/6hGAGXQVeJSccYytGDwQ\/whatsapp-image-2025-07-28-at-11.12.02.jpeg\" alt=\"Izabella Barroso, em remiss\u00e3o de c\u00e2ncer colorretal h\u00e1 dois anos. \u2014 Foto: Arquivo Pessoal\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n<p class=\"has-text-align-center\">Izabella Barroso, em remiss\u00e3o de c\u00e2ncer colorretal h\u00e1 dois anos. \u2014 Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um novo perfil: c\u00e2ncer em pessoas cada vez mais jovens<\/h2>\n<p>Izabella \u00e9 parte de uma estat\u00edstica crescente. Casos de c\u00e2ncer em pessoas com menos de 50 anos\u00a0cresceram 79% pelo mundo nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. \u201cMuitos desses pacientes n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3rico familiar, o que mostra que o problema est\u00e1 muito mais ligado a fatores ambientais e comportamentais\u201d, alerta Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Sedentarismo,\u00a0obesidade,\u00a0alimenta\u00e7\u00e3o ultraprocessada,\u00a0polui\u00e7\u00e3o\u00a0e at\u00e9 a\u00a0exposi\u00e7\u00e3o a micropl\u00e1sticos\u00a0est\u00e3o entre os fatores apontados por especialistas como poss\u00edveis causas.<\/p>\n<p>Segundo Vladmir Cordeiro de Lima, oncologista e pesquisador do Centro de Refer\u00eancia de Tumores Tor\u00e1cicos do A.C. Camargo Cancer Center, h\u00e1 outro ponto fundamental:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cVivemos mais e, quanto mais se vive, maior a chance de ter c\u00e2ncer. O c\u00e2ncer \u00e9 parte do envelhecimento celular. Nosso corpo erra na divis\u00e3o celular, mesmo sem influ\u00eancia externa. N\u00e3o d\u00e1 para falar em erradica\u00e7\u00e3o total da doen\u00e7a.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acesso desigual \u00e0 cronifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Se por um lado a ci\u00eancia avan\u00e7a, por outro o sistema de sa\u00fade brasileiro mostra limita\u00e7\u00f5es. \u201cA maior parte dos avan\u00e7os est\u00e1 dispon\u00edvel no setor privado.\u00a0No Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), muitas dessas terapias ainda n\u00e3o s\u00e3o realidade\u201d, lamenta Donnarumma.<\/p>\n<p>No Brasil, o c\u00e2ncer j\u00e1 \u00e9 a\u00a0segunda principal causa de morte\u00a0e deve assumir o primeiro lugar nos pr\u00f3ximos anos. No entanto,\u00a0menos de 4% do or\u00e7amento federal da sa\u00fade \u00e9 destinado \u00e0 oncologia. \u201c\u00c9 um investimento pequeno para um problema gigantesco. E mesmo assim, os recursos s\u00e3o mal distribu\u00eddos. Falta acesso \u00e0 cirurgia, aos exames, \u00e0 bi\u00f3psia\u201d, diz Pinheiro.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cN\u00e3o sou mais a mesma Izabella\u201d<\/h2>\n<p>Dois anos ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, Izabella vive em remiss\u00e3o \u2013s\u00f3 pode se dizer curada ap\u00f3s cinco anos sem manifesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Ainda faz exames regulares, segue acompanhamento oncol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico, e tenta, aos poucos, reconstruir sua rotina. \u201cTem dias em que meu intestino n\u00e3o responde bem. Tem dias em que o medo bate forte. Mas estou aqui, voltando a viver\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter sido abandonada pela namorada durante o tratamento, ela conheceu outra pessoa, voltou a trabalhar e planeja morar com a companheira. \u201cAchei que n\u00e3o conseguiria mais fazer essas coisas. E agora estou vivendo tudo isso de novo.\u201d<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA Izabella de antes n\u00e3o existe mais. Mas a de agora est\u00e1 viva. E cheia de planos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>FONTE: Para\u00edba Mix<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim de 2022, Izabella Barroso, ent\u00e3o com 33 anos, notou um sangramento espor\u00e1dico nas fezes. 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