{"id":303474,"date":"2025-08-16T08:00:52","date_gmt":"2025-08-16T11:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=303474"},"modified":"2025-08-16T08:00:52","modified_gmt":"2025-08-16T11:00:52","slug":"com-avancos-da-ciencia-e-tecnologia-transplantes-de-coracao-proporcionam-longevidade-e-qualidade-de-vida-aos-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2025\/08\/16\/com-avancos-da-ciencia-e-tecnologia-transplantes-de-coracao-proporcionam-longevidade-e-qualidade-de-vida-aos-pacientes\/","title":{"rendered":"Com avan\u00e7os da ci\u00eancia e tecnologia, transplantes de cora\u00e7\u00e3o proporcionam longevidade e qualidade de vida aos pacientes"},"content":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a vida dos pacientes transplantados vem apresentando avan\u00e7os significativos, principalmente devido \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o dos medicamentos imunossupressores, que t\u00eam papel fundamental na preven\u00e7\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado, contribuindo para o prolongamento e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Um exemplo de procedimento bem-sucedido \u00e9 o de Ivone Barbosa da Silva, uma costureira que, aos 51 anos de idade, em 20 de maio de 2005, passou por um transplante de cora\u00e7\u00e3o, o quinto realizado no estado da Para\u00edba. Vinte anos ap\u00f3s o procedimento e atualmente com 71 anos de idade, Ivone esbanja sa\u00fade e gratid\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia que autorizou a doa\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. Ela tamb\u00e9m \u00e9 um exemplo do sucesso desse tipo de procedimento que proporciona qualidade de vida a quem antes teria, no m\u00e1ximo, 6 meses de sobrevida, de acordo com as estat\u00edsticas m\u00e9dicas.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed ap_container\">\n<p>Al\u00e9m de melhorias na qualidade de vida dos pacientes, a faixa et\u00e1ria indicada para a realiza\u00e7\u00e3o do transplante tamb\u00e9m avan\u00e7ou. Na d\u00e9cada de 80, no Brasil, a m\u00e9dia de idade para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento era de 50 anos de idade. Depois, aumentou para 60 anos. Hoje, j\u00e1 houve nova mudan\u00e7a na faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, \u00e9 poss\u00edvel fazer o transplante em pessoas com at\u00e9 70 anos de idade, mas, obviamente, depende da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e da sa\u00fade do paciente. Tem que ver n\u00e3o s\u00f3 a idade cronol\u00f3gica, como tamb\u00e9m a idade biol\u00f3gica, ou seja, a condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica geral para o procedimento cir\u00fargico e para o p\u00f3s-operat\u00f3rio\u201d, explicou o cirurgi\u00e3o cardiovascular Maur\u00edlio Onofre Deininger, chefe da equipe que realizou o transplante de Dona Ivone no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, unidade de alta complexidade da rede pr\u00f3pria de atendimento da Unimed Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p><b>Recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida<\/b><\/p>\n<p>Maur\u00edlio Onofre chefiou a equipe que realizou o primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o da Para\u00edba, no dia 23 de maio de 2004. O procedimento ocorreu no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, \u00fanico que oferecia estrutura para uma cirurgia dessa complexidade e que tamb\u00e9m \u00e9 pioneiro no estado na realiza\u00e7\u00e3o de transplantes de f\u00edgado e rins. No ano passado, o m\u00e9dico trouxe uma inova\u00e7\u00e3o, que aumentou a seguran\u00e7a e proporcionou ainda mais qualidade de vida para os pacientes submetidos a esse tipo de procedimento no Hospital Alberto Urquiza. Pela primeira vez, no Brasil, um transplante de cora\u00e7\u00e3o foi realizado seguindo o Eras, um protocolo m\u00e9dico que garante a acelera\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o com a ado\u00e7\u00e3o de condutas rigorosas que come\u00e7am no pr\u00e9-operat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Maur\u00edlio Onofre j\u00e1 vinha utilizando o Eras desde mar\u00e7o de 2023, em outras cirurgias card\u00edacas realizadas no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, que foi a segunda unidade do pa\u00eds e primeira do Nordeste a adotar o protocolo. Com o sucesso alcan\u00e7ado, ampliou para os transplantes. \u201cEm condi\u00e7\u00f5es normais, o paciente transplantado fica no hospital at\u00e9 tr\u00eas semanas ap\u00f3s a cirurgia. Com o Eras, esse per\u00edodo fica em torno de dez dias\u201d, informou. \u201cO paciente saiu da sala de cirurgia acordado, se alimentou em menos de 24 horas e andou precocemente\u201d, contou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p><b>Alegria de viver<\/b><\/p>\n<p>Mas a medicina n\u00e3o consegue os resultados esperados sem a participa\u00e7\u00e3o do paciente. A longevidade de Dona Ivone se deve em grande medida \u00e0 disciplina e h\u00e1bitos saud\u00e1veis adotados. Aposentada, ela tem uma vida tranquila: toma os medicamentos na hora certa, cuida da dieta, pratica pilates e caminhada, viaja, cultiva boas rela\u00e7\u00f5es e ainda encontra tempo para cantar no coral da igreja evang\u00e9lica que frequenta com regularidade. A cada seis meses, vai \u00e0 consulta m\u00e9dica para reavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro h\u00e1bito que cultiva \u00e9 a gratid\u00e3o. Ela disse que n\u00e3o ganhou apenas um novo cora\u00e7\u00e3o, mas uma nova fam\u00edlia. Recuperada do transplante, quis conhecer os parentes do doador, que moram no estado de Rond\u00f4nia. O desejo foi rec\u00edproco e hoje se comunicam com frequ\u00eancia pelas redes sociais. Dona Ivone j\u00e1 chegou, inclusive, a receb\u00ea-los em sua casa. Todos os anos, na data de anivers\u00e1rio do transplante, ela envia uma mensagem de gratid\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, pela qual \u00e9 considerada uma irm\u00e3.<\/p>\n<p><b>Dever cumprido<\/b><\/p>\n<p>Para Maur\u00edlio Onofre, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de dever cumprido. Depois de todos esses anos e da experi\u00eancia adquirida, ele diz que a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma ao ver, n\u00e3o s\u00f3 o paciente, mas toda a fam\u00edlia bem. \u201cQuando tem um doente aguardando transplante, toda a fam\u00edlia \u2018adoece\u2019, fica vivendo aquele momento de ansiedade, de espera por um \u00f3rg\u00e3o. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea consegue um \u00f3rg\u00e3o, voc\u00ea tira esse peso de toda a fam\u00edlia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ele comentou que o transplante tem um aspecto emocional muito grande, que envolve tamb\u00e9m os parentes do doador. Mas, com solidariedade e amor ao pr\u00f3ximo, essa fam\u00edlia transforma um momento tr\u00e1gico em esperan\u00e7a e vida. Dona Ivone sabe bem o que \u00e9 isso.<\/p>\n<p>FONTE: WSCOM<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a vida dos pacientes transplantados vem apresentando avan\u00e7os significativos, principalmente devido \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o dos medicamentos imunossupressores, que t\u00eam papel fundamental na preven\u00e7\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado, contribuindo para o prolongamento e qualidade de vida. Um exemplo de procedimento bem-sucedido \u00e9 o de Ivone Barbosa da Silva, uma costureira que, aos 51 anos de idade, em 20 de maio de 2005, passou por um transplante de cora\u00e7\u00e3o, o quinto realizado no estado da Para\u00edba. Vinte anos ap\u00f3s o procedimento e atualmente com 71 anos de idade, Ivone esbanja sa\u00fade e gratid\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia que autorizou a doa\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. 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Tem que ver n\u00e3o s\u00f3 a idade cronol\u00f3gica, como tamb\u00e9m a idade biol\u00f3gica, ou seja, a condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica geral para o procedimento cir\u00fargico e para o p\u00f3s-operat\u00f3rio\u201d, explicou o cirurgi\u00e3o cardiovascular Maur\u00edlio Onofre Deininger, chefe da equipe que realizou o transplante de Dona Ivone no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, unidade de alta complexidade da rede pr\u00f3pria de atendimento da Unimed Jo\u00e3o Pessoa. Recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida Maur\u00edlio Onofre chefiou a equipe que realizou o primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o da Para\u00edba, no dia 23 de maio de 2004. O procedimento ocorreu no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, \u00fanico que oferecia estrutura para uma cirurgia dessa complexidade e que tamb\u00e9m \u00e9 pioneiro no estado na realiza\u00e7\u00e3o de transplantes de f\u00edgado e rins. No ano passado, o m\u00e9dico trouxe uma inova\u00e7\u00e3o, que aumentou a seguran\u00e7a e proporcionou ainda mais qualidade de vida para os pacientes submetidos a esse tipo de procedimento no Hospital Alberto Urquiza. Pela primeira vez, no Brasil, um transplante de cora\u00e7\u00e3o foi realizado seguindo o Eras, um protocolo m\u00e9dico que garante a acelera\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o com a ado\u00e7\u00e3o de condutas rigorosas que come\u00e7am no pr\u00e9-operat\u00f3rio. Maur\u00edlio Onofre j\u00e1 vinha utilizando o Eras desde mar\u00e7o de 2023, em outras cirurgias card\u00edacas realizadas no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, que foi a segunda unidade do pa\u00eds e primeira do Nordeste a adotar o protocolo. Com o sucesso alcan\u00e7ado, ampliou para os transplantes. \u201cEm condi\u00e7\u00f5es normais, o paciente transplantado fica no hospital at\u00e9 tr\u00eas semanas ap\u00f3s a cirurgia. Com o Eras, esse per\u00edodo fica em torno de dez dias\u201d, informou. \u201cO paciente saiu da sala de cirurgia acordado, se alimentou em menos de 24 horas e andou precocemente\u201d, contou o m\u00e9dico. Alegria de viver Mas a medicina n\u00e3o consegue os resultados esperados sem a participa\u00e7\u00e3o do paciente. A longevidade de Dona Ivone se deve em grande medida \u00e0 disciplina e h\u00e1bitos saud\u00e1veis adotados. Aposentada, ela tem uma vida tranquila: toma os medicamentos na hora certa, cuida da dieta, pratica pilates e caminhada, viaja, cultiva boas rela\u00e7\u00f5es e ainda encontra tempo para cantar no coral da igreja evang\u00e9lica que frequenta com regularidade. A cada seis meses, vai \u00e0 consulta m\u00e9dica para reavalia\u00e7\u00e3o. Outro h\u00e1bito que cultiva \u00e9 a gratid\u00e3o. Ela disse que n\u00e3o ganhou apenas um novo cora\u00e7\u00e3o, mas uma nova fam\u00edlia. Recuperada do transplante, quis conhecer os parentes do doador, que moram no estado de Rond\u00f4nia. O desejo foi rec\u00edproco e hoje se comunicam com frequ\u00eancia pelas redes sociais. Dona Ivone j\u00e1 chegou, inclusive, a receb\u00ea-los em sua casa. Todos os anos, na data de anivers\u00e1rio do transplante, ela envia uma mensagem de gratid\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, pela qual \u00e9 considerada uma irm\u00e3. Dever cumprido Para Maur\u00edlio Onofre, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de dever cumprido. Depois de todos esses anos e da experi\u00eancia adquirida, ele diz que a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma ao ver, n\u00e3o s\u00f3 o paciente, mas toda a fam\u00edlia bem. \u201cQuando tem um doente aguardando transplante, toda a fam\u00edlia \u2018adoece\u2019, fica vivendo aquele momento de ansiedade, de espera por um \u00f3rg\u00e3o. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea consegue um \u00f3rg\u00e3o, voc\u00ea tira esse peso de toda a fam\u00edlia\u201d, disse. Ele comentou que o transplante tem um aspecto emocional muito grande, que envolve tamb\u00e9m os parentes do doador. Mas, com solidariedade e amor ao pr\u00f3ximo, essa fam\u00edlia transforma um momento tr\u00e1gico em esperan\u00e7a e vida. Dona Ivone sabe bem o que \u00e9 isso. 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