{"id":305111,"date":"2025-09-23T10:12:18","date_gmt":"2025-09-23T13:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=305111"},"modified":"2025-09-23T10:12:18","modified_gmt":"2025-09-23T13:12:18","slug":"pacto-novo-cariri-25-anos-a-forca-da-caprinocultura-que-transforma-a-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2025\/09\/23\/pacto-novo-cariri-25-anos-a-forca-da-caprinocultura-que-transforma-a-paraiba\/","title":{"rendered":"Pacto Novo Cariri 25 anos: a for\u00e7a da caprinocultura que transforma a Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<p>A caprinocultura no Cariri paraibano deixou de ser uma alternativa e se tornou um motor de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Somente em 2024, o segmento l\u00e1cteo movimentou R$\u202f16,2 milh\u00f5es por meio do Programa do Leite, do Governo do Estado, um salto significativo em rela\u00e7\u00e3o aos R$ 7,6 milh\u00f5es contabilizados em 2017.<\/p>\n<p>O crescimento da caprinocultura tem ra\u00edzes s\u00f3lidas. Desde o ano 2000, o Pacto Novo Cariri, programa liderado pelo Sebrae\/PB, articula a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o, apoio t\u00e9cnico e estrutura\u00e7\u00e3o de mercado. O Pacto surgiu com o desafio de romper com o ciclo hist\u00f3rico de abandono e a\u00e7\u00f5es pontuais, que pouco alteravam a realidade local.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise do territ\u00f3rio revelou que o Cariri paraibano apresentava baixo desenvolvimento social e econ\u00f4mico. Constatou-se que os problemas da regi\u00e3o resultavam de uma abordagem hist\u00f3rica inadequada, baseada em a\u00e7\u00f5es pontuais do poder p\u00fablico e projetos isolados, com pouco impacto real, que contribu\u00edram para o empobrecimento e a falta de perspectivas da popula\u00e7\u00e3o. Era preciso mais do que projetos: era necess\u00e1rio um pacto entre institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, privadas e a sociedade\u201d, afirma o superintendente do Sebrae\/PB e um dos idealizadores da iniciativa, Luiz Alberto Amorim.<\/p>\n<p>Atualmente, a Para\u00edba figura como l\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de leite de cabra, com m\u00e9dia anual de 5,6 milh\u00f5es de litros, segundo IBGE. O cariri conta com sete usinas de beneficiamento de leite caprino, sendo seis criadas por associa\u00e7\u00f5es e cooperativas em cidades como Zabel\u00ea, Monteiro, Prata e Amparo, al\u00e9m de uma usina privada em Sum\u00e9.<\/p>\n<p>Espalhada por 223 munic\u00edpios e presente em mais de 78 mil propriedades rurais, a cria\u00e7\u00e3o de cabras se tornou um s\u00edmbolo de resili\u00eancia no semi\u00e1rido. Com menor impacto ambiental que a bovinocultura e adaptada ao clima seco, a atividade gera renda, fortalece a agricultura familiar e impulsiona a economia circular no interior do estado.<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, em 2005, havia pouco mais de 657 mil caprinos e 411 mil ovinos, enquanto em 2024 os dois rebanhos atingiram patamares similares, em torno de 849 mil e 842 mil cabe\u00e7as, respectivamente. O n\u00famero coloca a Para\u00edba na na 5\u00aa coloca\u00e7\u00e3o nacional em rela\u00e7\u00e3o ao rebanho caprino. Monteiro ocupa posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a (40,1 mil cabe\u00e7as), seguido de Sum\u00e9 (31,6 mil), S\u00e3o Jo\u00e3o do Tigre (30,4 mil) e Serra Branca (30,1 mil).<\/p>\n<p>Um dos grandes exemplos dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a cooperativa Capribov, em Cabaceiras. Ela \u00e9 a primeira marca paraibana a distribuir iogurtes de leite caprino em escolas p\u00fablicas, integrando nutri\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>A cooperativa processa cerca de 5.300 litros de leite por dia, dos quais 4.800 v\u00e3o direto para o Programa Leite da Para\u00edba. S\u00e3o 700 pessoas envolvidas diretamente na produ\u00e7\u00e3o, com renda m\u00e9dia mensal de R$ 2,9 mil por cooperado.<\/p>\n<p>O crescimento da produ\u00e7\u00e3o leiteira refor\u00e7ou ainda outros produtos derivados como o queijo do leite de cabra, que \u00e9 considerado atualmente um dos itens mais valiosos do mercado e que \u00e9 distribu\u00eddo para diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com o fortalecimento da cadeia produtiva, as prateleiras dos pequenos neg\u00f3cios da regi\u00e3o passaram a ter um maior espa\u00e7o aos produtos de origem do cariri, assim como o pr\u00f3prio ambiente das compras p\u00fablicas. O leite e o queijo, por exemplo, s\u00e3o produtos que podem ser acessados atrav\u00e9s de processos licitat\u00f3rios para consumo na merenda escolar e at\u00e9 mesmo em programas sociais.<\/p>\n<p>Dados da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o apontam que, na 5\u00aa Ger\u00eancia Regional de Educa\u00e7\u00e3o, que compreende os munic\u00edpios do Cariri paraibano, atualmente 21 escolas da rede estadual de ensino oferecem iogurte caprino na merenda escolar, 22 ofertam o queijo caprino e 14 unidades de ensino integral t\u00eam a carne caprina inserida na alimenta\u00e7\u00e3o dos alunos.<\/p>\n<p>Alimentos que no decorrer dos anos t\u00eam sua oferta ampliada nas escolas, levando em considera\u00e7\u00e3o que no ano 2000 n\u00e3o faziam parte da chamada p\u00fablica. O n\u00famero de escolas ofertando o queijo caprino, por exemplo, saiu de cinco, em 2024, para 22 em 2025.<\/p>\n<p><strong>Melhoramento gen\u00e9tico do rebanho amplia renda e garante premia\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Em Prata, cidade conhecida como \u201cCapital da Cabra Leiteira\u201d, o produtor Erivaldo Ferreira Vieira, conhecido por Fita, virou refer\u00eancia nacional. Ele iniciou a atividade ao trocar uma moto por seis cabras. Hoje, seu rebanho de 30 animais da ra\u00e7a Saanen, algumas valendo at\u00e9 R$ 150 mil, rende R$ 3.600\/m\u00eas com apenas oito em lacta\u00e7\u00e3o. O Capril Fita conquistou dez premia\u00e7\u00f5es este ano somente na 11\u00aa Expoprata, entre elas o t\u00edtulo de grande campe\u00e3 do futuro com a cabrita Josielly, e grande campe\u00e3o do futuro, com H\u00e9rcules.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do crescimento da produ\u00e7\u00e3o, novas tecnologias passaram a serem aplicadas na \u00e1rea rural. Um dos pilares essenciais dessa mudan\u00e7a de realidade se deve ao investimento na capacita\u00e7\u00e3o dos criadores, associado ao trabalho de melhoramento gen\u00e9tico do rebanho.<\/p>\n<p>\u201cEsse trabalho do Pacto possibilitou o melhoramento gen\u00e9tico do nosso rebanho, com circuitos t\u00e9cnicos e muita troca de conhecimento. Este ano, por exemplo, fiz at\u00e9 transfer\u00eancia de embri\u00e3o com apoio do Sebrae. A caprinocultura tem gerado renda e qualidade de vida para n\u00f3s, pequenos produtores\u201d, afirma Fita.<\/p>\n<p><strong>Em Cabaceiras, couro vira arte e transforma vidas<\/strong><\/p>\n<p>Em Cabaceiras, a cooperativa Arteza transforma couro caprino e bovino em arte e renda. Com produ\u00e7\u00e3o mensal de sete mil pares de sand\u00e1lias, mil bolsas, chap\u00e9us, bon\u00e9s, chaveiros e bijuterias, a movimenta\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 de cerca de R$ 2 milh\u00f5es por ano e alcan\u00e7a at\u00e9 R$ 15 milh\u00f5es quando considerados os rendimentos informais, segundo o diretor Lucas Castro.<\/p>\n<p>Com cerca de 80 s\u00f3cios ativos e 500 pessoas envolvidas, a cooperativa \u00e9 modelo de economia circular, aproveitando subprodutos da caprinocultura e fortalecendo a cultura local. \u201cA Arteza foi um dos primeiros empreendimentos que apoiamos com oficinas de mestres do couro. Hoje, eles participam de todos os eventos do setor, como o Bode Rei\u201d, lembra o analista t\u00e9cnico do Sebrae\/PB, Jo\u00e3o Bosco da Silva.<\/p>\n<p>Ainda na Roli\u00fade Nordestina, parte da popula\u00e7\u00e3o que havia migrado para grandes centros urbanos, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, passou a retornar \u00e0 regi\u00e3o, atra\u00edda por oportunidades de neg\u00f3cios, como a produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as e acess\u00f3rios a partir da pele caprina.<\/p>\n<p>\u201cMeus tatarav\u00f4s trabalhavam com o couro e essa cultura \u00e9 bem antiga. S\u00f3 que o trato da produ\u00e7\u00e3o era muito r\u00fastico. Em 2004, tudo era dif\u00edcil e n\u00e3o tinha como ganhar dinheiro morando aqui. Decidi viajar porque era o que todo mundo fazia depois de completar 18 anos. Fui morar no Rio de Janeiro. Em 2018, em visita aos familiares, percebi outro ambiente de vida. Ent\u00e3o fiz o inverso, planejei o caminho de volta e comprei uma produ\u00e7\u00e3o desse trabalho de couro, que hoje est\u00e1 consolidada e gera oportunidades de emprego, contribuindo para que outras pessoas n\u00e3o necessitem sair para outras regi\u00f5es\u201d, disse Cleiton Farias, propriet\u00e1rio da Econativaz.<\/p>\n<p>O empreendimento, instalado na cidade de Cabaceiras, Cariri Paraibano, responde pela produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria 120 pares de sand\u00e1lias em couro com design diversificado, emprega 14 funcion\u00e1rios e comercializa seus produtos para todo o Brasil.<\/p>\n<p>Para Madalena Arruda, gerente da ag\u00eancia regional do Sebrae em Monteiro, o modelo caririzeiro j\u00e1 \u00e9 exemplo de desenvolvimento sustent\u00e1vel. \u201cA caprinocultura do cariri paraibano \u00e9 mais do que uma atividade agr\u00edcola, \u00e9 s\u00edmbolo de sustentabilidade, inclus\u00e3o, cultura e economia local em transforma\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Pacto Novo Cariri 25 anos \u2013 uma nova vida! Rumo ao futuro: empreendedorismo, colabora\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Nesta sexta-feira (26) o munic\u00edpio de Monteiro sedia o evento comemorativo dos 25 anos do programa Pacto Novo Cariri, no Centro de Treinamento e Capacita\u00e7\u00e3o Educacional e de Cultura Alexandre da Silva Brito, a partir das 17h. A celebra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um momento para relembra as a\u00e7\u00f5es e homenagear os atores respons\u00e1veis por transformar o cariri em refer\u00eancia no desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A caprinocultura no Cariri paraibano deixou de ser uma alternativa e se tornou um motor de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Somente em 2024, o segmento l\u00e1cteo movimentou&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":305112,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[106,50,2],"tags":[],"class_list":["post-305111","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cariri","category-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=305111"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":305113,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305111\/revisions\/305113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/305112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=305111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=305111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=305111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}