{"id":309852,"date":"2026-02-08T08:09:11","date_gmt":"2026-02-08T11:09:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=309852"},"modified":"2026-02-08T08:09:11","modified_gmt":"2026-02-08T11:09:11","slug":"classe-dominante-brasileira-entende-o-estado-como-dela-diz-haddad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/02\/08\/classe-dominante-brasileira-entende-o-estado-como-dela-diz-haddad\/","title":{"rendered":"Classe dominante brasileira entende o Estado como dela, diz Haddad"},"content":{"rendered":"<div class=\"header-noticia full-width\">\n<div class=\"linha-fina-noticia\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Em livro, ministro aborda o chamado capitalismo superindustrial<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container-autoria\" style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>\u201cA classe dominante brasileira entende o Estado como dela, n\u00e3o \u00e9 uma coisa nossa, \u00e9 uma coisa dela.\u201d A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que participou de evento, na capital paulista, para lan\u00e7amento de seu livro\u00a0<em>Capitalismo Superindustrial<\/em>. Na ocasi\u00e3o, houve bate-papo com Haddad, Celso Rocha de Barros e media\u00e7\u00e3o de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1677474&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1677474&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indeniza\u00e7\u00e3o pela aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o\u201d, afirmou Haddad. Para contextualizar, ele lembrou que o movimento dos republicanos come\u00e7ou em 14 de maio de 1888 &#8211; dia seguinte \u00e0 assinatura da Lei \u00c1urea -, e um ano depois logrou \u00eaxito.<\/p>\n<p>Vitorioso, o movimento republicano \u201cbota pra correr a classe dirigente do pa\u00eds e, no lugar dela, n\u00e3o p\u00f5e outra coisa sen\u00e3o a classe dominante do pa\u00eds para cuidar do estado como se fosse seu. N\u00f3s estamos com esse problema at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEsse \u2018acord\u00e3o\u2019 sob os ausp\u00edcios das For\u00e7as Armadas, quando \u00e9 colocado em xeque, a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata. Voc\u00ea n\u00e3o pode tocar nisso, voc\u00ea n\u00e3o pode tocar em nenhuma inst\u00e2ncia. Por isso que a democracia no Brasil \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tica e t\u00e3o fr\u00e1gil, porque a democracia \u00e9 a contesta\u00e7\u00e3o desse\u00a0<em>status quo<\/em>. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer\u201d, concluiu o ministro.<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"rtecenter\">\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/LYeao14iKJOqRLj0SZ1QIOyOAUg=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/02\/07\/0g0a3111.jpg?itok=dDB7WNkx\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 07\/02\/2026 - Lan\u00e7amento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e media\u00e7\u00e3o de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Lan\u00e7amento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e media\u00e7\u00e3o de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Capitalismo superindustrial<\/h2>\n<p><strong>Lan\u00e7ado neste s\u00e1bado, o livro de Haddad discute os processos que levaram ao atual modelo global do que ele chama de capitalismo superindustrial, marcado por desigualdade e competi\u00e7\u00e3o crescentes. Haddad aborda temas como a acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital na chamada periferia do capitalismo, a incorpora\u00e7\u00e3o do conhecimento como fator de produ\u00e7\u00e3o e as novas configura\u00e7\u00f5es de classe.<\/strong><\/p>\n<p>Para o ministro, a desigualdade vai continuar aumentando. \u201cA desigualdade, quando o estado mitiga os efeitos do desenvolvimento capitalista e organiza a sociedade em termos de desigualdade moderada, realmente as tens\u00f5es sociais diminuem muito, \u00e9 verdade\u201d, disse.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMas, deixada \u00e0 pr\u00f3pria sorte, essa din\u00e2mica leva a uma desigualdade absoluta. E quando isso acontece, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais falando de diferen\u00e7a, voc\u00ea est\u00e1 falando de contradi\u00e7\u00e3o e de processos contradit\u00f3rios. E eu entendo que n\u00f3s estamos nesse momento, nessa fase, em que a contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 se impondo\u201d, acrescentou.<\/p><\/blockquote>\n<p>A obra re\u00fane estudos sobre economia pol\u00edtica e a natureza do sistema sovi\u00e9tico, realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados. Com isso, a obra discute tamb\u00e9m os desafios colocados pela ascens\u00e3o da China como pot\u00eancia global.<\/p>\n<h2>Processos no Oriente<\/h2>\n<blockquote><p>\u201cA ideia toda era tentar entender o que aconteceu no Oriente que podia se encaixar num padr\u00e3o pr\u00f3prio de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital &#8211; que n\u00e3o se confunde nem com a escravid\u00e3o na Am\u00e9rica nem com a servid\u00e3o no Leste Europeu -, mas que, \u00e0 sua maneira, cada um de um jeito, chegou aos mesmos objetivos\u201d, explicou.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ele aponta que, ao contr\u00e1rio do que aconteceu no Leste Europeu e na Am\u00e9rica, as revolu\u00e7\u00f5es\u00a0no Oriente foram antissist\u00eamicas e antiimperialistas. \u201cAo contr\u00e1rio da escravid\u00e3o e da servid\u00e3o, o despotismo e a viol\u00eancia do estado serviram a prop\u00f3sitos industrializantes, o que n\u00e3o aconteceu nem no leste europeu, nem nas am\u00e9ricas\u201d, explicou.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 curioso que, do ponto de vista interno, eram formas ultra violentas e coercitivas de acumula\u00e7\u00e3o de capital, mas do ponto de vista externo, tinha uma pot\u00eancia antissist\u00eamica que apaixonava os povos em busca de liberdade e de emancipa\u00e7\u00e3o nacional, e n\u00e3o de emancipa\u00e7\u00e3o humana. Ou seja, n\u00f3s estamos falando, sim, de uma revolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista e isso faz muita diferen\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a questionamentos sobre o sucesso ou fracasso dos processos no Oriente, ele avalia que, do ponto de vista do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e mercantiliza\u00e7\u00e3o da terra, do trabalho e da ci\u00eancia, houve um avan\u00e7o dessas sociedades. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o aos ideias que motivaram os l\u00edderes revolucion\u00e1rios, a\u00ed voc\u00ea pode dizer que n\u00e3o atingiu seus objetivos\u201d, disse, destacando a contradi\u00e7\u00e3o explicitada nesses processos.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em livro, ministro aborda o chamado capitalismo superindustrial \u201cA classe dominante brasileira entende o Estado como dela, n\u00e3o \u00e9 uma coisa nossa, \u00e9 uma coisa dela.\u201d A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que participou de evento, na capital paulista, para lan\u00e7amento de seu livro\u00a0Capitalismo Superindustrial. Na ocasi\u00e3o, houve bate-papo com Haddad, Celso Rocha de Barros e media\u00e7\u00e3o de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. \u201cEu defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indeniza\u00e7\u00e3o pela aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o\u201d, afirmou Haddad. Para contextualizar, ele lembrou que o movimento dos republicanos come\u00e7ou em 14 de maio de 1888 &#8211; dia seguinte \u00e0 assinatura da Lei \u00c1urea -, e um ano depois logrou \u00eaxito. Vitorioso, o movimento republicano \u201cbota pra correr a classe dirigente do pa\u00eds e, no lugar dela, n\u00e3o p\u00f5e outra coisa sen\u00e3o a classe dominante do pa\u00eds para cuidar do estado como se fosse seu. N\u00f3s estamos com esse problema at\u00e9 hoje.\u201d \u201cEsse \u2018acord\u00e3o\u2019 sob os ausp\u00edcios das For\u00e7as Armadas, quando \u00e9 colocado em xeque, a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata. Voc\u00ea n\u00e3o pode tocar nisso, voc\u00ea n\u00e3o pode tocar em nenhuma inst\u00e2ncia. Por isso que a democracia no Brasil \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tica e t\u00e3o fr\u00e1gil, porque a democracia \u00e9 a contesta\u00e7\u00e3o desse\u00a0status quo. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer\u201d, concluiu o ministro. Lan\u00e7amento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e media\u00e7\u00e3o de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil Capitalismo superindustrial Lan\u00e7ado neste s\u00e1bado, o livro de Haddad discute os processos que levaram ao atual modelo global do que ele chama de capitalismo superindustrial, marcado por desigualdade e competi\u00e7\u00e3o crescentes. Haddad aborda temas como a acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital na chamada periferia do capitalismo, a incorpora\u00e7\u00e3o do conhecimento como fator de produ\u00e7\u00e3o e as novas configura\u00e7\u00f5es de classe. Para o ministro, a desigualdade vai continuar aumentando. \u201cA desigualdade, quando o estado mitiga os efeitos do desenvolvimento capitalista e organiza a sociedade em termos de desigualdade moderada, realmente as tens\u00f5es sociais diminuem muito, \u00e9 verdade\u201d, disse. \u201cMas, deixada \u00e0 pr\u00f3pria sorte, essa din\u00e2mica leva a uma desigualdade absoluta. E quando isso acontece, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais falando de diferen\u00e7a, voc\u00ea est\u00e1 falando de contradi\u00e7\u00e3o e de processos contradit\u00f3rios. E eu entendo que n\u00f3s estamos nesse momento, nessa fase, em que a contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 se impondo\u201d, acrescentou. A obra re\u00fane estudos sobre economia pol\u00edtica e a natureza do sistema sovi\u00e9tico, realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados. Com isso, a obra discute tamb\u00e9m os desafios colocados pela ascens\u00e3o da China como pot\u00eancia global. Processos no Oriente \u201cA ideia toda era tentar entender o que aconteceu no Oriente que podia se encaixar num padr\u00e3o pr\u00f3prio de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital &#8211; que n\u00e3o se confunde nem com a escravid\u00e3o na Am\u00e9rica nem com a servid\u00e3o no Leste Europeu -, mas que, \u00e0 sua maneira, cada um de um jeito, chegou aos mesmos objetivos\u201d, explicou. Ele aponta que, ao contr\u00e1rio do que aconteceu no Leste Europeu e na Am\u00e9rica, as revolu\u00e7\u00f5es\u00a0no Oriente foram antissist\u00eamicas e antiimperialistas. \u201cAo contr\u00e1rio da escravid\u00e3o e da servid\u00e3o, o despotismo e a viol\u00eancia do estado serviram a prop\u00f3sitos industrializantes, o que n\u00e3o aconteceu nem no leste europeu, nem nas am\u00e9ricas\u201d, explicou. \u201c\u00c9 curioso que, do ponto de vista interno, eram formas ultra violentas e coercitivas de acumula\u00e7\u00e3o de capital, mas do ponto de vista externo, tinha uma pot\u00eancia antissist\u00eamica que apaixonava os povos em busca de liberdade e de emancipa\u00e7\u00e3o nacional, e n\u00e3o de emancipa\u00e7\u00e3o humana. Ou seja, n\u00f3s estamos falando, sim, de uma revolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista e isso faz muita diferen\u00e7a\u201d, acrescentou. Em rela\u00e7\u00e3o a questionamentos sobre o sucesso ou fracasso dos processos no Oriente, ele avalia que, do ponto de vista do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e mercantiliza\u00e7\u00e3o da terra, do trabalho e da ci\u00eancia, houve um avan\u00e7o dessas sociedades. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o aos ideias que motivaram os l\u00edderes revolucion\u00e1rios, a\u00ed voc\u00ea pode dizer que n\u00e3o atingiu seus objetivos\u201d, disse, destacando a contradi\u00e7\u00e3o explicitada nesses processos. FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":309853,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,2],"tags":[],"class_list":["post-309852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309852"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":309854,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309852\/revisions\/309854"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/309853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}