{"id":311676,"date":"2026-03-22T11:35:51","date_gmt":"2026-03-22T14:35:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=311676"},"modified":"2026-03-22T11:35:51","modified_gmt":"2026-03-22T14:35:51","slug":"cientistas-brasileiros-sao-premiados-por-pesquisas-sobre-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/03\/22\/cientistas-brasileiros-sao-premiados-por-pesquisas-sobre-alzheimer\/","title":{"rendered":"Cientistas brasileiros s\u00e3o premiados por pesquisas sobre Alzheimer"},"content":{"rendered":"<div class=\"header-noticia full-width\">\n<div class=\"linha-fina-noticia\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Investiga\u00e7\u00f5es avan\u00e7am na busca por diagn\u00f3stico precoce e preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container-autoria\" style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doen\u00e7a de Alzheimer, e dois laborat\u00f3rios brasileiros t\u00eam se destacado nessa corrida. Recentemente,\u00a0<strong>os pesquisadores Mychael Louren\u00e7o, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organiza\u00e7\u00f5es internacionais por suas contribui\u00e7\u00f5es ao tema<\/strong>.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1682887&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1682887&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Louren\u00e7o foi contemplado com o\u00a0<em>ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research<\/em>, oferecido pela organiza\u00e7\u00e3o Alba a cientistas em meio de carreira\u00a0que j\u00e1 alcan\u00e7aram conquistas excepcionais. J\u00e1 Brum foi escolhido como o\u00a0<em>Next \u201cOne to Watch<\/em>\u201d (&#8220;O pr\u00f3ximo para ficar de olho&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), pr\u00eamio concedido pela organiza\u00e7\u00e3o americana\u00a0<em>Alzheimer\u2019s Association<\/em> a jovens cientistas promissores.<\/p>\n<p><strong>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 considerada um dos grandes desafios da medicina, j\u00e1 que at\u00e9 hoje poucos tratamentos se mostraram eficazes para retardar a sua evolu\u00e7\u00e3o, e nenhuma cura foi encontrada.<\/strong><\/p>\n<p>O sintoma mais reconhecido \u00e9 a perda de mem\u00f3ria recente, mas, conforme a doen\u00e7a progride, o paciente adquire dificuldades de racioc\u00ednio, comunica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de movimenta\u00e7\u00e3o, se tornando completamente dependente.<\/p>\n<h2>Dados sobre os brasileiros<\/h2>\n<p>O professor da UFRJ Mychael Louren\u00e7o estuda o Alzheimer desde a sua gradua\u00e7\u00e3o em Biologia, e foi apurando esse interesse durante o mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado, at\u00e9 assumir a doc\u00eancia e fundar o Louren\u00e7o Lab, grupo de pesquisa dedicado \u00e0s dem\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre me interessei por coisas misteriosas. Por exemplo: &#8216;como \u00e9 que o c\u00e9rebro funciona?&#8217;. N\u00e3o tenho resposta at\u00e9 hoje, mas continua sendo um objeto de interesse bastante grande&#8221;, ele brinca.<\/p>\n<p>Mas Louren\u00e7o n\u00e3o \u00e9 movido apenas pela curiosidade.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00f3s temos hoje no mundo em torno de 40 milh\u00f5es de pessoas com doen\u00e7a de Alzheimer. Dessas, umas 2 milh\u00f5es devem estar no Brasil, um n\u00famero que pode ser subestimado por causa de problemas de acesso \u00e0 sa\u00fade e diagn\u00f3stico. E n\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 envelhecendo cada vez mais, mas a maior parte dos estudos s\u00e3o feitos no Norte global. N\u00f3s precisamos de dados para entender a doen\u00e7a no Brasil&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O pesquisador explica que, desde quando Alois Alzheimer descreveu a doen\u00e7a, em 1906, j\u00e1 se sabia que ela causava placas no c\u00e9rebro, mas somente na d\u00e9cada de 80\u00a0cientistas descobriram que essas placas s\u00e3o compostas por beta-amiloide, fragmentos de prote\u00edna que se acumulam por alguma raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo,\u00a0<strong>drogas eficazes na remo\u00e7\u00e3o dessas placas n\u00e3o conseguiram reverter a doen\u00e7a, mostrando que h\u00e1 um hiato\u00a0entre causa e efeito que a ci\u00eancia ainda precisa preencher.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A gente continua tentando entender o que faz com que o c\u00e9rebro se torne vulner\u00e1vel e desenvolva a doen\u00e7a, inclusive olhando para o que a gente chama de resili\u00eancia para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente l\u00facida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no c\u00e9rebro e n\u00e3o apresentam sintoma cognitivo. O que elas t\u00eam de diferente?&#8221;<\/p>\n<p>Em paralelo, o Louren\u00e7o Lab tamb\u00e9m est\u00e1 testando em animais subst\u00e2ncias que podem evitar o ac\u00famulo da beta-amiloide e de outra prote\u00edna, chamada tau, que tamb\u00e9m est\u00e1 envolvida na forma\u00e7\u00e3o das placas.<\/p>\n<p>&#8220;Possivelmente, essas prote\u00ednas t\u00eam tend\u00eancia a se acumular, mas as c\u00e9lulas t\u00eam um sistema natural de degrada\u00e7\u00e3o que a gente chama de proteassoma. Mas, no Alzheimer, \u00e9 como se a companhia de lixo parasse de funcionar. Ent\u00e3o, aumentar a atividade desse sistema seria uma forma de tentar melhorar esse fluxo&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/NRVYXkM0Xu79511Yf2614XZf9wI=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/03\/12\/_d6a2245.jpg?itok=wi-osBHy\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/03\/2026 \u2013 Entrevista com o pesquisador da UFRJ Mychael Louren\u00e7o, que estuda Alzheimer e recebeu o pr\u00eamio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Reserach em 2026. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p class=\"meta\">\u00a0Entrevista com o pesquisador da UFRJ Mychael Louren\u00e7o, que estuda Alzheimer e recebeu o pr\u00eamio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Reserach em 2026. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Diagn\u00f3stico precoce<\/h2>\n<p>Outra linha de pesquisa \u00e9 voltada para o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irrevers\u00edveis ao c\u00e9rebro.<\/p>\n<p><strong>Louren\u00e7o coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biol\u00f3gicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros pa\u00edses tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00e1lidos para os brasileiros, e se a nossa popula\u00e7\u00e3o apresenta algum marcador espec\u00edfico.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o aparece quando os sintomas aparecem: ela come\u00e7a a se desenvolver muito tempo antes. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 tentando pegar essa janela, em que a doen\u00e7a est\u00e1 se desenvolvendo, mas os sintomas ainda n\u00e3o apareceram t\u00e3o claramente&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Talvez a gente nunca vai conseguir curar o paciente que j\u00e1 est\u00e1 num est\u00e1gio muito avan\u00e7ado. Mas a gente pode conseguir interromper a doen\u00e7a antes disso&#8221;, ele acrescenta.<\/p><\/blockquote>\n<p>As pesquisas com biomarcadores tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis por colocar o m\u00e9dico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e \u00e9 pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve cient\u00edfica se manifestou desde cedo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estudei numa escola p\u00fablica bem tradicional do Rio Grande do Sul, chamada Funda\u00e7\u00e3o Liberato, que organiza uma feira de ci\u00eancias que \u00e9 a maior da Am\u00e9rica Latina. Eu cresci com a minha m\u00e3e me levando nessa feira, ent\u00e3o, quando eu entrei no ensino m\u00e9dio, eu j\u00e1 comecei a trabalhar com pesquisa. Na faculdade, eu escolhi a UFRGS por ser uma faculdade com muita tradi\u00e7\u00e3o em pesquisa, onde eu ia poder me desenvolver como m\u00e9dico pesquisador&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"AAIC\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FvCugKW9zoEecbjwfphXuQk9vSk=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/03\/20\/_sky6559.jpg?itok=zAfime7n\" alt=\"Rio de janeiro (RJ), 20\/03\/2026 - FOTO DE ARQUIVO -  O pesquisador de Alzheimer, Wagner Brum. Foto: AAIC\/Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p class=\"meta\">O pesquisador Wagner Brum foi premiado pela organiza\u00e7\u00e3o americana\u00a0<em>Alzheimer\u2019s Association\u00a0<\/em>. Foto: AAIC\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O trabalho de maior proje\u00e7\u00e3o de Brum foi o desenvolvimento de protocolos para a implementa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de um exame de sangue que consegue diagnosticar a doen\u00e7a de Alzheimer, a partir da presen\u00e7a da prote\u00edna p-tau217, um dos principais biomarcadores da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Apesar de o teste ter se mostrado preciso durante as pesquisas, era preciso criar os padr\u00f5es de leitura para que ele fosse adotado na rotina diagn\u00f3stica. E foi isso que Brum fez.<\/p>\n<p>&#8220;Em pacientes com medi\u00e7\u00e3o muito alta\u00a0ou muito baixa,\u00a0claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou n\u00e3o a doen\u00e7a. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermedi\u00e1ria, e esses precisam de um exame adicional&#8221;.<\/p>\n<h2>Do laborat\u00f3rio para o SUS<\/h2>\n<p>De acordo com Brum, o protocolo aumenta a confiabilidade do exame, e j\u00e1 est\u00e1 sendo usado por laborat\u00f3rios na Europa e Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, apenas poucos laborat\u00f3rios privados j\u00e1 incorporaram a tecnologia.\u00a0Mas o Zimmer Lab continua suas pesquisas, almejando facilitar o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a em larga escala.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Para ele ser implementado no SUS, que \u00e9 o nosso grande objetivo, s\u00e3o necess\u00e1rios estudos mostrando que a introdu\u00e7\u00e3o desses exames pode melhorar tanto a confian\u00e7a diagn\u00f3stica\u00a0quanto mudar o tratamento do paciente. O que se tem visto em outros pa\u00edses \u00e9 que esses exames fazem isso&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Testes com essa pretens\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o sendo feitos no Rio Grande do Sul e depois ser\u00e3o expandidos para outras cidades do Brasil. Brum ressalta que, atualmente, o diagn\u00f3stico do Alzheimer \u00e9 feito principalmente a partir dos sintomas, com a an\u00e1lise cl\u00ednica feita pelo m\u00e9dico e o aux\u00edlio de exames n\u00e3o totalmente precisos.<\/p>\n<p>&#8220;O que se acaba fazendo, mais comumente, s\u00e3o exames de imagem estrutural, tomografia ou resson\u00e2ncia, que conseguem informar quais partes do c\u00e9rebro j\u00e1 apresentam uma atrofia. Mas at\u00e9 o processo do envelhecimento causa atrofia natural, assim como outras doen\u00e7as neurodegenerativas. Existem padr\u00f5es mais t\u00edpicos ao Alzheimer, mas esses exames n\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos&#8221;<\/p>\n<p><strong>Os dois testes precisos j\u00e1 existentes s\u00e3o o exame de l\u00edquor, que examina material retirado da coluna vertebral, e a Tomografia por Emiss\u00e3o de Positrons (PET-CT), mas ambos s\u00e3o caros e pouco acess\u00edveis.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Brum acredita que a ado\u00e7\u00e3o do exame de sangue poderia n\u00e3o s\u00f3 facilitar o diagn\u00f3stico, como aumentar a confian\u00e7a dos m\u00e9dicos em suas condutas. No futuro, exames de biomarcadores tamb\u00e9m podem detectar a doen\u00e7a, antes que os sintomas apare\u00e7am.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito bom ver que a comunidade de pesquisa internacional presta aten\u00e7\u00e3o no que a gente faz e valoriza o que a gente faz. Tem muita gente fazendo pesquisa de excel\u00eancia no Brasil, em muitas \u00e1reas diferentes, e que merece\u00a0visibilidade.&#8221;<\/p>\n<p>Os dois pesquisadores premiados trabalham com recursos de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa como a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Funda\u00e7\u00e3o Serrapilheira e Instituto Idor de Pesquisas.<\/p>\n<p>FONTE: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00f5es avan\u00e7am na busca por diagn\u00f3stico precoce e preven\u00e7\u00e3o Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doen\u00e7a de Alzheimer, e dois laborat\u00f3rios brasileiros t\u00eam se destacado nessa corrida. Recentemente,\u00a0os pesquisadores Mychael Louren\u00e7o, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organiza\u00e7\u00f5es internacionais por suas contribui\u00e7\u00f5es ao tema.\u00a0 Louren\u00e7o foi contemplado com o\u00a0ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, oferecido pela organiza\u00e7\u00e3o Alba a cientistas em meio de carreira\u00a0que j\u00e1 alcan\u00e7aram conquistas excepcionais. J\u00e1 Brum foi escolhido como o\u00a0Next \u201cOne to Watch\u201d (&#8220;O pr\u00f3ximo para ficar de olho&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), pr\u00eamio concedido pela organiza\u00e7\u00e3o americana\u00a0Alzheimer\u2019s Association a jovens cientistas promissores. 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N\u00e3o tenho resposta at\u00e9 hoje, mas continua sendo um objeto de interesse bastante grande&#8221;, ele brinca. Mas Louren\u00e7o n\u00e3o \u00e9 movido apenas pela curiosidade. &#8220;N\u00f3s temos hoje no mundo em torno de 40 milh\u00f5es de pessoas com doen\u00e7a de Alzheimer. Dessas, umas 2 milh\u00f5es devem estar no Brasil, um n\u00famero que pode ser subestimado por causa de problemas de acesso \u00e0 sa\u00fade e diagn\u00f3stico. E n\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 envelhecendo cada vez mais, mas a maior parte dos estudos s\u00e3o feitos no Norte global. N\u00f3s precisamos de dados para entender a doen\u00e7a no Brasil&#8221; O pesquisador explica que, desde quando Alois Alzheimer descreveu a doen\u00e7a, em 1906, j\u00e1 se sabia que ela causava placas no c\u00e9rebro, mas somente na d\u00e9cada de 80\u00a0cientistas descobriram que essas placas s\u00e3o compostas por beta-amiloide, fragmentos de prote\u00edna que se acumulam por alguma raz\u00e3o. Contudo,\u00a0drogas eficazes na remo\u00e7\u00e3o dessas placas n\u00e3o conseguiram reverter a doen\u00e7a, mostrando que h\u00e1 um hiato\u00a0entre causa e efeito que a ci\u00eancia ainda precisa preencher.\u00a0 &#8220;A gente continua tentando entender o que faz com que o c\u00e9rebro se torne vulner\u00e1vel e desenvolva a doen\u00e7a, inclusive olhando para o que a gente chama de resili\u00eancia para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente l\u00facida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no c\u00e9rebro e n\u00e3o apresentam sintoma cognitivo. O que elas t\u00eam de diferente?&#8221; Em paralelo, o Louren\u00e7o Lab tamb\u00e9m est\u00e1 testando em animais subst\u00e2ncias que podem evitar o ac\u00famulo da beta-amiloide e de outra prote\u00edna, chamada tau, que tamb\u00e9m est\u00e1 envolvida na forma\u00e7\u00e3o das placas. &#8220;Possivelmente, essas prote\u00ednas t\u00eam tend\u00eancia a se acumular, mas as c\u00e9lulas t\u00eam um sistema natural de degrada\u00e7\u00e3o que a gente chama de proteassoma. Mas, no Alzheimer, \u00e9 como se a companhia de lixo parasse de funcionar. Ent\u00e3o, aumentar a atividade desse sistema seria uma forma de tentar melhorar esse fluxo&#8221;. &nbsp; \u00a0Entrevista com o pesquisador da UFRJ Mychael Louren\u00e7o, que estuda Alzheimer e recebeu o pr\u00eamio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Reserach em 2026. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil Diagn\u00f3stico precoce Outra linha de pesquisa \u00e9 voltada para o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irrevers\u00edveis ao c\u00e9rebro. Louren\u00e7o coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biol\u00f3gicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros pa\u00edses tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00e1lidos para os brasileiros, e se a nossa popula\u00e7\u00e3o apresenta algum marcador espec\u00edfico.\u00a0 &#8220;A doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o aparece quando os sintomas aparecem: ela come\u00e7a a se desenvolver muito tempo antes. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 tentando pegar essa janela, em que a doen\u00e7a est\u00e1 se desenvolvendo, mas os sintomas ainda n\u00e3o apareceram t\u00e3o claramente&#8221;. &#8220;Talvez a gente nunca vai conseguir curar o paciente que j\u00e1 est\u00e1 num est\u00e1gio muito avan\u00e7ado. Mas a gente pode conseguir interromper a doen\u00e7a antes disso&#8221;, ele acrescenta. As pesquisas com biomarcadores tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis por colocar o m\u00e9dico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e \u00e9 pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve cient\u00edfica se manifestou desde cedo. &#8220;Eu estudei numa escola p\u00fablica bem tradicional do Rio Grande do Sul, chamada Funda\u00e7\u00e3o Liberato, que organiza uma feira de ci\u00eancias que \u00e9 a maior da Am\u00e9rica Latina. Eu cresci com a minha m\u00e3e me levando nessa feira, ent\u00e3o, quando eu entrei no ensino m\u00e9dio, eu j\u00e1 comecei a trabalhar com pesquisa. Na faculdade, eu escolhi a UFRGS por ser uma faculdade com muita tradi\u00e7\u00e3o em pesquisa, onde eu ia poder me desenvolver como m\u00e9dico pesquisador&#8221;. &nbsp; O pesquisador Wagner Brum foi premiado pela organiza\u00e7\u00e3o americana\u00a0Alzheimer\u2019s Association\u00a0. Foto: AAIC\/Divulga\u00e7\u00e3o O trabalho de maior proje\u00e7\u00e3o de Brum foi o desenvolvimento de protocolos para a implementa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de um exame de sangue que consegue diagnosticar a doen\u00e7a de Alzheimer, a partir da presen\u00e7a da prote\u00edna p-tau217, um dos principais biomarcadores da doen\u00e7a. Apesar de o teste ter se mostrado preciso durante as pesquisas, era preciso criar os padr\u00f5es de leitura para que ele fosse adotado na rotina diagn\u00f3stica. E foi isso que Brum fez. &#8220;Em pacientes com medi\u00e7\u00e3o muito alta\u00a0ou muito baixa,\u00a0claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou n\u00e3o a doen\u00e7a. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermedi\u00e1ria, e esses precisam de um exame adicional&#8221;. Do laborat\u00f3rio para o SUS De acordo com Brum, o protocolo aumenta a confiabilidade do exame, e j\u00e1 est\u00e1 sendo usado por laborat\u00f3rios na Europa e Estados Unidos. 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