{"id":317695,"date":"2026-07-21T06:00:48","date_gmt":"2026-07-21T09:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=317695"},"modified":"2026-07-20T21:28:10","modified_gmt":"2026-07-21T00:28:10","slug":"paraiba-tem-desemprego-em-minima-historica-mas-46-dos-ocupados-estao-na-informalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/07\/21\/paraiba-tem-desemprego-em-minima-historica-mas-46-dos-ocupados-estao-na-informalidade\/","title":{"rendered":"Para\u00edba tem desemprego em m\u00ednima hist\u00f3rica, mas 46% dos ocupados est\u00e3o na informalidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"jpb-article-subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>Especialistas afirmam que situa\u00e7\u00e3o mina a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de renda e crescimento sustent\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>A Para\u00edba fechou o primeiro trimestre de 2026 com a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 7%, a menor em 14 anos. Mas o dado que parece uma boa not\u00edcia esconde uma realidade inc\u00f4moda: 46% dos trabalhadores ocupados do estado est\u00e3o na informalidade. Isso \u00e9 quase metade da for\u00e7a de trabalho, o que coloca o estado na 8\u00aa posi\u00e7\u00e3o no pa\u00eds no ranking da informalidade e em 6\u00ba no Nordeste. S\u00e3o cerca de 825 mil paraibanos atuando sem carteira assinada, sem CNPJ, sem contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, sem 13\u00ba sal\u00e1rio, sem f\u00e9rias, sem seguro-desemprego ou aux\u00edlio-doen\u00e7a. Est\u00e3o ocupados, mas completamente fora do circuito de prote\u00e7\u00e3o trabalhista. E mais grave: esse contingente n\u00e3o se reduz. Um estudo da FGV\/IBRE com dados da PNAD Cont\u00ednua\/IBGE revela que o Brasil tem 10 milh\u00f5es de trabalhadores no chamado &#8220;n\u00facleo duro&#8221; da informalidade. S\u00e3o trabalhadores que ganham abaixo da m\u00e9dia dos pr\u00f3prios informais, n\u00e3o contribuem para a Previd\u00eancia e est\u00e3o h\u00e1 menos de dois anos na mesma ocupa\u00e7\u00e3o. Esse n\u00famero est\u00e1 est\u00e1vel h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<h2>Ranking da Informalidade no Brasil<\/h2>\n<p>1\u00ba Maranh\u00e3o &#8211; 57,6%<\/p>\n<p>2\u00ba Par\u00e1 &#8211; 56,5%<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ced-ns.sascdn.com\/diff\/templates\/images\/info.svg\" data-exclude-click=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p>3\u00ba Amazonas &#8211; 53,2%<\/p>\n<p>4\u00ba Bahia &#8211; 50,6%<\/p>\n<p>5\u00ba Piau\u00ed &#8211; 50,2%<\/p>\n<p>6\u00ba Cear\u00e1 &#8211; 49,4%<\/p>\n<p>7\u00ba Sergipe &#8211; 46,9%<\/p>\n<p>8\u00ba Para\u00edba &#8211; 46,0%<\/p>\n<p>9\u00ba Pernambuco &#8211; 45,6%<\/p>\n<p>10\u00ba Acre &#8211; 43,7%<\/p>\n<p>11\u00ba Amap\u00e1 &#8211; 42,7%<\/p>\n<p>12\u00ba Alagoas &#8211; 42,6%<\/p>\n<p>13\u00ba Roraima &#8211; 42,2%<\/p>\n<p>14\u00ba Rio Grande do Norte &#8211; 41,5%<\/p>\n<p>15\u00ba Rond\u00f4nia &#8211; 41,3%<\/p>\n<p>16\u00ba Esp\u00edrito Santo &#8211; 38,6%<\/p>\n<p>17\u00ba Tocantins &#8211; 38,5%<\/p>\n<p>18\u00ba Rio de Janeiro &#8211; 37,5%<\/p>\n<p>19\u00ba Minas Gerais &#8211; 35,8%<\/p>\n<p>20\u00ba Mato Grosso &#8211; 34,2%<\/p>\n<p>21\u00ba Goi\u00e1s &#8211; 34,2%<\/p>\n<p>22\u00ba Paran\u00e1 &#8211; 30,8%<\/p>\n<p>23\u00ba Rio Grande do Sul &#8211; 30,2%<\/p>\n<p>24\u00ba S\u00e3o Paulo &#8211; 30,0%<\/p>\n<p>25\u00ba Mato Grosso do Sul &#8211; 29,8%<\/p>\n<p>26\u00ba Distrito Federal &#8211; 28,1%<\/p>\n<p>27\u00ba Santa Catarina &#8211; 25,4%<\/p>\n<p>Fonte: IBGE\/PNAD<\/p>\n<h2>O paradoxo paraibano<\/h2>\n<p>Como um estado pode ter desocupa\u00e7\u00e3o recorde e informalidade t\u00e3o alta? A resposta \u00e9 simples: as duas taxas medem coisas diferentes. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o (7,0%) mede quem n\u00e3o trabalha e est\u00e1 procurando. A taxa de informalidade (46%) mede a qualidade do trabalho de quem est\u00e1 ocupado. Traduzindo: de cada 100 pessoas na for\u00e7a de trabalho da Para\u00edba, sete\u00a0est\u00e3o desempregadas,\u00a050 est\u00e3o em trabalho formal e\u00a043 est\u00e3o em trabalho informal (sem prote\u00e7\u00e3o de direitos).<\/p>\n<p>O mercado de trabalho est\u00e1 aquecido, mas prec\u00e1rio. A economia absorve trabalhadores em ocupa\u00e7\u00f5es de baixa produtividade: ambulantes, diaristas sem carteira, servi\u00e7os dom\u00e9sticos sem registro e trabalhadores que fazem bico para sobreviver. O economista e presidente do Conselho Regional de Economia da Para\u00edba, Werton Oliveira, enumera algumas das principais causas do trabalho informal. &#8220;A quest\u00e3o das dificuldades estruturais do pa\u00eds geram esse tipo de informalidade, porque, por exemplo, a gente vive per\u00edodos que oscilam demais, de baixo crescimento. Temos uma for\u00e7a de trabalho que, na sua maioria, \u00e9 de baixa qualifica\u00e7\u00e3o. A gente tem um excesso de burocracia por parte do Estado, com quest\u00e3o de taxas, impostos que dificultam o acesso das pessoas a formalizar o seu neg\u00f3cio&#8221;, afirma o presidente do Corecon.<\/p>\n<h2>O rombo silencioso<\/h2>\n<p>Segundo os especialistas, a informalidade em 46% n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um problema social. Acaba gerando um rombo estrutural na economia, pois o trabalhador n\u00e3o recolhe INSS, n\u00e3o paga Imposto de Renda, n\u00e3o gera FGTS. \u00c9 arrecada\u00e7\u00e3o que deixa de acontecer. Mas o Estado continua tendo que arcar com sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a para essa mesma pessoa. Quando ficar idoso ou doente, pode precisar do BPC\/LOAS, benef\u00edcio assistencial, mesmo sem ter contribu\u00eddo ou recolhido pouco imposto durante a vida produtiva. Sem carteira assinada, sem contracheque, sem declara\u00e7\u00e3o de IR, o acesso ao cr\u00e9dito formal \u00e9 praticamente zero. Menos consumo financiado, menos im\u00f3veis, menos carros, menos investimento em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Werton Oliveira afirma que &#8220;a informalidade n\u00e3o \u00e9 apenas um problema trabalhista. Ela vai muito al\u00e9m. Ela \u00e9 um obst\u00e1culo ao desenvolvimento econ\u00f4mico, porque quanto maior a informalidade, menor a produtividade, menor a arrecada\u00e7\u00e3o, menor a capacidade de um estado gerar oportunidade de renda e crescimento sustent\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o em si, n\u00e3o s\u00f3 para aquele grupo de pessoas que vive na informalidade&#8221;.<\/p>\n<h2>O que est\u00e1 em jogo<\/h2>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do desemprego n\u00e3o significa, necessariamente, maior prote\u00e7\u00e3o trabalhista. O desafio vai al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de vagas: passa pela cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es que permitam a formaliza\u00e7\u00e3o, o acesso a direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios e a redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade de milh\u00f5es de brasileiros que seguem \u00e0 margem das rela\u00e7\u00f5es formais de emprego. Enquanto a informalidade continuar sendo a &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; para quem n\u00e3o encontra vaga formal, o Brasil e a Para\u00edba v\u00e3o continuar gerando ocupa\u00e7\u00e3o, mas gerando pouca cidadania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com Jornal da Para\u00edba<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas afirmam que situa\u00e7\u00e3o mina a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de renda e crescimento sustent\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o A Para\u00edba fechou o primeiro trimestre de 2026&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":317696,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,2,104],"tags":[],"class_list":["post-317695","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-geral","category-paraiba"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=317695"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":317697,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317695\/revisions\/317697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/317696"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=317695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=317695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=317695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}