{"id":317869,"date":"2026-07-24T10:14:35","date_gmt":"2026-07-24T13:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=317869"},"modified":"2026-07-24T10:14:35","modified_gmt":"2026-07-24T13:14:35","slug":"milhares-de-vitimas-continuam-desaparecidas-na-venezuela-1-mes-apos-terremotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/07\/24\/milhares-de-vitimas-continuam-desaparecidas-na-venezuela-1-mes-apos-terremotos\/","title":{"rendered":"Milhares de v\u00edtimas continuam desaparecidas na Venezuela 1 m\u00eas ap\u00f3s terremotos"},"content":{"rendered":"<div class=\"subtitulo mb-3\"><em><strong>Embora o Estado venezuelano n\u00e3o divulgue um n\u00famero oficial, projetos independentes apontam que h\u00e1 milhares nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Yeison j\u00e1 n\u00e3o sabe mais o que dizer ao pai, de 86 anos, que todos os dias acende uma vela, reza e pede pelo retorno de Jhonattan Lamus, seu outro filho, v\u00edtima dos terremotos g\u00eameos que atingiram a Venezuela h\u00e1 um m\u00eas e desaparecido at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cH\u00e1 muita ansiedade, muito medo, uma tristeza de n\u00e3o saber qual resposta dar\u201d, diz o educador, que ainda busca o irm\u00e3o Jhonattan em necrot\u00e9rios, hospitais, cl\u00ednicas e albergues. \u201c\u00c9 lament\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como essa fam\u00edlia, outros milhares continuam em busca de v\u00edtimas dos sismos que est\u00e3o desaparecidas. Embora o Estado venezuelano n\u00e3o divulgue um n\u00famero oficial e estimado de pessoas desaparecidas, projetos independentes apontam que h\u00e1 milhares nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As plataformas online Venezuela Te Busca, Venezuela Reporta e Desaparecidos, nas quais as fam\u00edlias podem registrar os dados de seus parentes, mostram, respectivamente, 17 mil, 40 mil e 29,5 mil desaparecidos. S\u00e3o pessoas que podem estar feridas em hospitais, desorientadas em casas de acolhimento, mas, especialmente, ainda sob os escombros das zonas mais atingidas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que revela que o n\u00famero oficial de ao redor de 5.400 mortos \u00e9, de longe, subnotificado. E indica que esses terremotos podem ser o segundo evento do tipo mais mortal em toda a Am\u00e9rica Latina desde 1980, atr\u00e1s apenas da trag\u00e9dia no Haiti, em 2010, quando morreram 316 mil. At\u00e9 aqui, o segundo no ranking neste per\u00edodo \u00e9 o desastre no M\u00e9xico, em 1985, que matou ao menos 9.500 pessoas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o da Venezuela, respons\u00e1vel por compartilhar as informa\u00e7\u00f5es da trag\u00e9dia, n\u00e3o responde a questionamentos sobre o porqu\u00ea n\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero estimado e oficial de desaparecidos, dado que neste ponto as fam\u00edlias j\u00e1 est\u00e3o declarando seus parentes nessa condi\u00e7\u00e3o perante o Corpo de Investiga\u00e7\u00e3o Penal e Criminal\u00edstica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma semana, o n\u00famero dois do regime, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodr\u00edguez, irm\u00e3o da l\u00edder interina, Delcy, disse que falar em desaparecidos seria especular.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00f3s temos muito medo de exigir uma resposta das autoridades, porque aqui isso j\u00e1 n\u00e3o funciona\u201d, diz o venezuelano Yeison, que fala por telefone. \u201cQuando algu\u00e9m se pronuncia, pode haver retalia\u00e7\u00e3o contra a fam\u00edlia, e \u00e9 isso que vivemos tristemente como venezuelanos. Eles seguram o poder com unhas e dentes.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jhonattan, o irm\u00e3o de Yeison, foi um dos mais de 160 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos no mesmo dia dos terremotos. Eles eram mantidos em um pr\u00e9dio na regi\u00e3o costeira de La Guaira que ruiu. Quando a reportagem acompanhou a fam\u00edlia em seu p\u00e9riplo para acessar o local poucos dias ap\u00f3s o terremoto, n\u00e3o se sabia quantos dos deportados haviam sobrevivido e quantos, morrido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, tampouco se sabe. O Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia venezuelano, o Sebin, disse \u00e0 fam\u00edlia que Jhonattan possivelmente sobreviveu, deixou o local desorientado e agora est\u00e1 perdido. O Estado tamb\u00e9m tentou, segundo a fam\u00edlia, entregar-lhes dois corpos como se fossem o de Jhonattan.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO primeiro cad\u00e1ver era o de uma mulher. O segundo, o de um homem que tinha a arcada dent\u00e1ria completa, e sabemos que meu irm\u00e3o n\u00e3o tinha quatro dentes. Eles insistiam que era ele, mas n\u00e3o aceitamos.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saber que h\u00e1 tantas outras pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 triste, mas ao mesmo tempo cria um processo coletivo que ajuda a apaziguar a dor, afirma o venezuelano-brasileiro Daniel Medina, cujo pai, F\u00e9lix Tovar, tamb\u00e9m continua desaparecido.<br \/>\n\u201cAinda assim, tudo s\u00f3 nos remete a uma aus\u00eancia muito grande do Estado, que vira as costas para o povo. Quer\u00edamos uma resposta estatal mais contundente, uma resposta digna\u201d, diz ele.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dignidade, ali\u00e1s, \u00e9 uma palavra constante no vocabul\u00e1rio dos familiares de v\u00edtimas. Dizem eles que, ap\u00f3s a trag\u00e9dia dos terremotos tirar a vida de seus parentes, o Estado lhes tirou a dignidade ao n\u00e3o ajud\u00e1-los a encontrar essas v\u00edtimas e encerrar esse processo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">F\u00e9lix Tovar estava hospedado em uma pousada na regi\u00e3o de La Guaira. Por tr\u00eas semanas, a fam\u00edlia buscou seu corpo nos escombros de uma padaria onde, acreditava-se, ele estava. Equipes de resgate brasileiras ajudaram na busca. O corpo n\u00e3o foi encontrado. A \u00faltima informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal de celular que mostra que F\u00e9lix esteve na \u00e1rea.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como encerrar esse processo? \u00c9 poss\u00edvel \u0097qui\u00e7\u00e1 correto\u0097 dar espa\u00e7o ao luto se ainda n\u00e3o se sabe o paradeiro de uma pessoa amada?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMantemos a procura porque a esperan\u00e7a que fica \u00e9 a de que ele possa estar inconsciente em algum hospital. Mas, se isso n\u00e3o acontecer, e ainda n\u00e3o sabemos por quanto tempo esperar, em algum momento precisaremos fazer um encerramento ou um ritual para a vida do meu pai\u201d, diz Daniel, que mora na vizinha Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Com Portal Correio<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora o Estado venezuelano n\u00e3o divulgue um n\u00famero oficial, projetos independentes apontam que h\u00e1 milhares nessa situa\u00e7\u00e3o. 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