{"id":320346,"date":"2026-08-25T13:02:59","date_gmt":"2026-08-25T16:02:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=320346"},"modified":"2026-08-25T14:24:32","modified_gmt":"2026-08-25T17:24:32","slug":"sorgo-o-grao-pouco-conhecido-que-pode-virar-aposta-estrategica-no-sertao-de-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/08\/25\/sorgo-o-grao-pouco-conhecido-que-pode-virar-aposta-estrategica-no-sertao-de-pernambuco\/","title":{"rendered":"Sorgo: o gr\u00e3o pouco conhecido que pode virar aposta estrat\u00e9gica no Sert\u00e3o de Pernambuco"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"wp-block-heading\">Um gr\u00e3o de cinco mil anos que o Brasil ainda mal conhece<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parente do milho na mesma fam\u00edlia bot\u00e2nica das gram\u00edneas, o\u00a0sorgo\u00a0carrega uma hist\u00f3ria de domestica\u00e7\u00e3o que remonta \u00e0 Eti\u00f3pia, h\u00e1 pelo menos\u00a0cinco mil anos. Adaptado a regi\u00f5es secas, \u00e9 alimento de base na \u00c1frica, na China e na \u00cdndia, onde sua farinha vira chapati ou roti, e onde uma polenta feita com o gr\u00e3o \u00e9 consumida coletivamente em pa\u00edses como Uganda, Qu\u00eania e Tanz\u00e2nia. No Brasil, por\u00e9m, o colunista\u00a0Geraldo Eug\u00eanio, professor titular da UFRPE-UAST, lembra que o gr\u00e3o sempre foi coadjuvante, usado quase exclusivamente na fabrica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">De planta alta e invi\u00e1vel a cultivo mecaniz\u00e1vel<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A virada de chave aconteceu nos Estados Unidos, onde universidades e o Departamento de Agricultura conduziram o chamado\u00a0Programa de Convers\u00e3o do Sorgo: reduziram a altura da planta, historicamente alta demais para colheita mec\u00e2nica, para algo entre\u00a01,20m e 1,50m, e aumentaram o tamanho das pan\u00edculas. O resultado tornou o sorgo vi\u00e1vel para as mesmas colheitadeiras usadas em soja e milho, o que impulsionou seu cultivo em regi\u00f5es secas do Corn Belt americano, como Kansas, Nebraska, Texas e Oklahoma, e depois em pa\u00edses como Argentina, Austr\u00e1lia, China e \u00cdndia.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">No cerrado brasileiro, um substituto estrat\u00e9gico para o milho safrinha<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, o sorgo encontrou espa\u00e7o nas franjas do cerrado, em estados como\u00a0Bahia, Tocantins, Maranh\u00e3o e Piau\u00ed, como op\u00e7\u00e3o de menor risco para o segundo cultivo do ano em \u00e1reas sem umidade suficiente para o milho safrinha. O colunista destaca o papel hist\u00f3rico da cultivar\u00a0IPA 1011, desenvolvida pela equipe t\u00e9cnica do IPA sob lideran\u00e7a do professor\u00a0M\u00e1rio Lira, no fortalecimento dessa alternativa no sistema de plantio direto.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Etanol de milho pressiona pre\u00e7os e abre porta para o sorgo<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto central do artigo est\u00e1 na virada recente do mercado. Nos \u00faltimos cinco anos, o Brasil consolidou a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0etanol de milho, inspirada no modelo americano, e hoje cerca de\u00a023% de toda a produ\u00e7\u00e3o nacional de etanol\u00a0j\u00e1 vem do gr\u00e3o. As destilarias avan\u00e7aram at\u00e9 o sul do Piau\u00ed e do Maranh\u00e3o, deslocando volumes de milho que antes abasteciam o mercado interno.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito, segundo o colunista, \u00e9 direto sobre o bolso do consumidor: a press\u00e3o sobre o pre\u00e7o do milho tende a\u00a0encarecer o farelo e o floc\u00e3o, impactando dois alimentos populares no Nordeste, a\u00a0carne de frango\u00a0e o\u00a0cuscuz.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Semi\u00e1rido pernambucano pode virar nova fronteira do sorgo<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse cen\u00e1rio que o sorgo ganha for\u00e7a como alternativa. T\u00e3o eficiente quanto o milho na produ\u00e7\u00e3o de etanol, e ainda gerando o\u00a0DDG (Dry Distillers Grain), coproduto rico em prote\u00edna usado na alimenta\u00e7\u00e3o animal, o gr\u00e3o se \u0442\u043e\u0440\u043d\u0430 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel justamente onde o milho \u00e9 mais arriscado: \u00e1reas de baixa precipita\u00e7\u00e3o. Para Geraldo Eug\u00eanio, a tend\u00eancia \u00e9 clara: expans\u00e3o do cultivo no\u00a0semi\u00e1rido nordestino, alcan\u00e7ando territ\u00f3rios at\u00e9 hoje pouco explorados no\u00a0Sert\u00e3o de Pernambuco\u00a0e em regi\u00f5es vizinhas.<\/p>\n<p>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Com Jornal do Sert\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um gr\u00e3o de cinco mil anos que o Brasil ainda mal conhece Parente do milho na mesma fam\u00edlia bot\u00e2nica das gram\u00edneas, o\u00a0sorgo\u00a0carrega uma hist\u00f3ria de domestica\u00e7\u00e3o que remonta \u00e0 Eti\u00f3pia, h\u00e1 pelo menos\u00a0cinco mil anos. Adaptado a regi\u00f5es secas, \u00e9 alimento de base na \u00c1frica, na China e na \u00cdndia, onde sua farinha vira chapati ou roti, e onde uma polenta feita com o gr\u00e3o \u00e9 consumida coletivamente em pa\u00edses como Uganda, Qu\u00eania e Tanz\u00e2nia. No Brasil, por\u00e9m, o colunista\u00a0Geraldo Eug\u00eanio, professor titular da UFRPE-UAST, lembra que o gr\u00e3o sempre foi coadjuvante, usado quase exclusivamente na fabrica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal. De planta alta e invi\u00e1vel a cultivo mecaniz\u00e1vel A virada de chave aconteceu nos Estados Unidos, onde universidades e o Departamento de Agricultura conduziram o chamado\u00a0Programa de Convers\u00e3o do Sorgo: reduziram a altura da planta, historicamente alta demais para colheita mec\u00e2nica, para algo entre\u00a01,20m e 1,50m, e aumentaram o tamanho das pan\u00edculas. O resultado tornou o sorgo vi\u00e1vel para as mesmas colheitadeiras usadas em soja e milho, o que impulsionou seu cultivo em regi\u00f5es secas do Corn Belt americano, como Kansas, Nebraska, Texas e Oklahoma, e depois em pa\u00edses como Argentina, Austr\u00e1lia, China e \u00cdndia. No cerrado brasileiro, um substituto estrat\u00e9gico para o milho safrinha No Brasil, o sorgo encontrou espa\u00e7o nas franjas do cerrado, em estados como\u00a0Bahia, Tocantins, Maranh\u00e3o e Piau\u00ed, como op\u00e7\u00e3o de menor risco para o segundo cultivo do ano em \u00e1reas sem umidade suficiente para o milho safrinha. O colunista destaca o papel hist\u00f3rico da cultivar\u00a0IPA 1011, desenvolvida pela equipe t\u00e9cnica do IPA sob lideran\u00e7a do professor\u00a0M\u00e1rio Lira, no fortalecimento dessa alternativa no sistema de plantio direto. Etanol de milho pressiona pre\u00e7os e abre porta para o sorgo O ponto central do artigo est\u00e1 na virada recente do mercado. Nos \u00faltimos cinco anos, o Brasil consolidou a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0etanol de milho, inspirada no modelo americano, e hoje cerca de\u00a023% de toda a produ\u00e7\u00e3o nacional de etanol\u00a0j\u00e1 vem do gr\u00e3o. As destilarias avan\u00e7aram at\u00e9 o sul do Piau\u00ed e do Maranh\u00e3o, deslocando volumes de milho que antes abasteciam o mercado interno. O efeito, segundo o colunista, \u00e9 direto sobre o bolso do consumidor: a press\u00e3o sobre o pre\u00e7o do milho tende a\u00a0encarecer o farelo e o floc\u00e3o, impactando dois alimentos populares no Nordeste, a\u00a0carne de frango\u00a0e o\u00a0cuscuz. Semi\u00e1rido pernambucano pode virar nova fronteira do sorgo \u00c9 nesse cen\u00e1rio que o sorgo ganha for\u00e7a como alternativa. T\u00e3o eficiente quanto o milho na produ\u00e7\u00e3o de etanol, e ainda gerando o\u00a0DDG (Dry Distillers Grain), coproduto rico em prote\u00edna usado na alimenta\u00e7\u00e3o animal, o gr\u00e3o se \u0442\u043e\u0440\u043d\u0430 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel justamente onde o milho \u00e9 mais arriscado: \u00e1reas de baixa precipita\u00e7\u00e3o. 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