{"id":320619,"date":"2026-08-27T11:13:31","date_gmt":"2026-08-27T14:13:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=320619"},"modified":"2026-08-27T14:13:51","modified_gmt":"2026-08-27T17:13:51","slug":"divida-publica-recorde-nos-eua-motivada-por-cortes-fiscais-e-conflitos-internacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/08\/27\/divida-publica-recorde-nos-eua-motivada-por-cortes-fiscais-e-conflitos-internacionais\/","title":{"rendered":"D\u00edvida p\u00fablica recorde nos EUA motivada por cortes fiscais e conflitos internacionais"},"content":{"rendered":"<p><strong>A d\u00edvida p\u00fablica dos Estados Unidos atingiu US$ 40 trilh\u00f5es pela primeira vez na hist\u00f3ria, ultrapassando o marco de US$ 40 trilh\u00f5es. Essa situa\u00e7\u00e3o complexa foi influenciada por diversos fatores, incluindo a redu\u00e7\u00e3o de impostos destinados aos ricos, a infla\u00e7\u00e3o provocada pela guerra no Oriente M\u00e9dio \u2014 que impactou os pre\u00e7os dos combust\u00edveis \u2014, al\u00e9m das tarifas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o implementadas pelo governo de Donald Trump.<\/strong><\/p>\n<p>Economistas consultados indicam que outros elementos contribu\u00edram para esse cen\u00e1rio: a manuten\u00e7\u00e3o elevada dos gastos militares, que gira em torno de US$ 1 trilh\u00e3o, e o aumento dos pagamentos de juros sobre a d\u00edvida, que ascenderam a US$ 1,1 trilh\u00e3o. Esse \u00faltimo valor representa mais do que o dobro do que foi registrado em 2021, quando os juros consumiram US$ 419 bilh\u00f5es dos contribuintes.<\/p>\n<p>Entre as causas do aumento dos juros destaca-se a infla\u00e7\u00e3o gerada pela guerra e o chamado &#8220;risco Trump&#8221;, derivado da pol\u00edtica agressiva da Casa Branca, que gera incertezas no mercado, evidenciadas pelo conflito tarif\u00e1rio com o Canad\u00e1. Especialistas afirmam que <strong>essa pol\u00edtica pressiona os juros cobrados pelos t\u00edtulos do Tesouro estadunidense.<\/strong><\/p>\n<p>Embora o valor de US$ 40 trilh\u00f5es pare\u00e7a impressionante, os economistas rejeitam a ideia de que os EUA estejam em risco de insolv\u00eancia, pois n\u00e3o se consegue pagar o que se deve. Contudo, alertam que a <strong>situa\u00e7\u00e3o fiscal da pot\u00eancia econ\u00f4mica tende a pressionar o Brasil a manter as taxas de juros em n\u00edvel elevado.<\/strong><\/p>\n<h2>Solv\u00eancia<\/h2>\n<p>O professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos ressalta que <strong>o n\u00famero de US$ 40 trilh\u00f5es n\u00e3o indica risco de insolv\u00eancia porque, entre outros motivos, os EUA emitem a pr\u00f3pria moeda e possuem o d\u00f3lar como principal reserva monet\u00e1ria mundial.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm governo assim n\u00e3o quebra contra a vontade. Se o mercado n\u00e3o quiser esses t\u00edtulos ao pre\u00e7o corrente, o FED [Federal Reserve, o Banco Central dos EUA] pode compr\u00e1-los. Foi o que fez em 2020, quando expandiu o balan\u00e7o em quase US$ 3 trilh\u00f5es em tr\u00eas meses,\u201d explicou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o an\u00fancio da d\u00edvida p\u00fablica recorde, a Secretaria de Tesouro dos EUA acelerou as opera\u00e7\u00f5es de compra de t\u00edtulos no mercado, que devem dobrar de US$ 2 bilh\u00f5es para US$ 4 bilh\u00f5es a partir de 9 de setembro.<\/p>\n<h2>Juros dos t\u00edtulos sobem<\/h2>\n<p>Desde a p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, os t\u00edtulos do Tesouro dos EUA s\u00e3o considerados o ativo \u201cmais seguro\u201d globalmente. <strong>Segundo o professor Pedro Bastos, ainda n\u00e3o h\u00e1 desconfian\u00e7a no mercado quanto \u00e0 capacidade de pagamento da d\u00edvida pelos EUA.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs estrangeiros continuam comprando. O que subiu foi o pre\u00e7o cobrado, n\u00e3o a recusa em comprar,\u201d pontuou, acrescentando que dois ter\u00e7os da d\u00edvida no mercado est\u00e3o em m\u00e3os dom\u00e9sticas nos EUA e US$ 4,5 trilh\u00f5es est\u00e3o depositados no pr\u00f3prio FED, o que mitiga riscos de insolv\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, US$ 8 trilh\u00f5es da d\u00edvida constam nas m\u00e3os do governo, enquanto US$ 32 trilh\u00f5es est\u00e3o no mercado: \u201cO mercado det\u00e9m cerca de 100% do PIB em d\u00edvida, similar ao recorde de 106% de 1946, ao fim da Segunda Guerra Mundial,\u201d afirma o especialista da Unicamp.<\/p>\n<p>O \u00fanico risco de calote dos EUA seria pol\u00edtico, especificamente quando o Congresso se recusa a autorizar o aumento do teto da d\u00edvida.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO \u00fanico risco ligado \u00e0 d\u00edvida hoje \u00e9 o de juros longos mais altos. Mas a causa imediata n\u00e3o \u00e9 o tamanho da d\u00edvida. \u00c9 a infla\u00e7\u00e3o, puxada pelo petr\u00f3leo do conflito no Oriente M\u00e9dio e pelas tarifas,\u201d explicou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em apenas cinco meses, a d\u00edvida cresceu US$ 1 trilh\u00e3o, superando as expectativas de analistas. O Escrit\u00f3rio de Or\u00e7amento do Congresso dos EUA (CBO) calculava que chegaria aos US$ 40 trilh\u00f5es apenas em 2027.<\/p>\n<h2>Corte de imposto no topo<\/h2>\n<p>A pol\u00edtica econ\u00f4mica focada no corte de impostos para os ricos, adotada durante os dois mandatos de Trump, motivou parte do aumento do endividamento ao reduzir a arrecada\u00e7\u00e3o, conforme explica o economista Pedro Faria.<\/p>\n<p>\u201cO Trump adota essa pol\u00edtica caracter\u00edstica dos republicanos, que \u00e9 retirar a tributa\u00e7\u00e3o dos ricos sob a justificativa de tentar expandir a economia. O que se observa \u00e9 um aumento do endividamento dos EUA no governo Trump 2 por conta dessa abordagem de pol\u00edtica econ\u00f4mica,\u201d esclarece.<\/p>\n<p>Em 2025, o governo Trump aprovou projeto com maior corte de impostos para ricos, o que aumentou a previs\u00e3o do d\u00e9ficit dos EUA em US$ 4,7 trilh\u00f5es em dez anos, ao mesmo tempo em que cortou US$ 1 trilh\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>O professor da Unicamp Pedro Bastos acrescentou que a menor tributa\u00e7\u00e3o dos ricos nos EUA contribuiu para concentrar a renda do pa\u00eds, fazendo da d\u00edvida recorde um sintoma do conflito pela distribui\u00e7\u00e3o da riqueza dentro dos Estados Unidos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA receita do imposto sobre lucros caiu 23% neste ano fiscal. J\u00e1 os juros v\u00e3o para quem tem t\u00edtulos: fundos, bancos e as fam\u00edlias mais ricas. O 1% mais rico det\u00e9m metade das a\u00e7\u00f5es do pa\u00eds,\u201d comentou Bastos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O especialista da Unicamp argumentou que os EUA n\u00e3o gastam excessivamente, mas arrecadam de menos. A carga tribut\u00e1ria nos EUA \u00e9 de aproximadamente 25% do PIB, contra 34% na m\u00e9dia da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico, que re\u00fane pa\u00edses entre os mais desenvolvidos do mundo).<\/p>\n<h2>Risco Trump<\/h2>\n<p>Para o especialista Pedro Faria, o que pode preocupar o Tesouro dos EUA \u00e9 a tend\u00eancia observada entre governos, estados e empresas em todo o mundo de reduzir o uso de t\u00edtulos dos EUA como op\u00e7\u00e3o para manter a liquidez da economia.<\/p>\n<p>\u201cDiversos governos t\u00eam reduzido o estoque de t\u00edtulos dos EUA, como Brasil e China. Isso porque veem a pol\u00edtica econ\u00f4mica da Casa Branca como err\u00e1tica e n\u00e3o muito racional. Os agentes econ\u00f4micos t\u00eam medo de se expor a san\u00e7\u00f5es ou ter seus ativos congelados, como ocorreu diversas vezes,\u201d pontuou.<\/p>\n<p>Para o economista da Unicamp Pedro Bastos, os juros mais altos cobrados pelos t\u00edtulos dos EUA representam a resposta do mercado aos ataques da pol\u00edtica econ\u00f4mica da Casa Branca aos pilares que conferem confian\u00e7a a esses pap\u00e9is: um FED aut\u00f4nomo, tribunais judiciais independentes e aliados sendo tratados como aliados.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, o uso do acesso ao mercado americano como chantagem [tarifas]. Os bancos centrais compram ouro em ritmo recorde desde 2022 por isso, n\u00e3o pelo tamanho da d\u00edvida. Se a d\u00edvida um dia virar problema, n\u00e3o ser\u00e1 por chegar a US$ 40 trilh\u00f5es ou US$ 50 trilh\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Complementando, Bastos afirma que para o especialista, \u00e9 o \u201crisco Trump\u201d que pressiona o rendimento dos t\u00edtulos p\u00fablicos de 30 anos dos EUA, que alcan\u00e7aram 5,33% em 18 de agosto, o maior n\u00edvel desde 2007. Esse n\u00edvel de juros dos t\u00edtulos longos \u00e9 o que pressiona os gastos com a d\u00edvida do pa\u00eds norte-americano.<\/p>\n<p>Apesar dos juros mais altos cobrados pelos t\u00edtulos de longo prazo do Tesouro dos EUA, Bastos avalia que o mercado continua investindo nos pap\u00e9is do Estado do pa\u00eds norte-americano.<\/p>\n<p>\u201cA China reduziu o estoque de t\u00edtulos dos EUA de US$ 1,3 trilh\u00e3o, em 2013, para US$ 700 bilh\u00f5es, e nada aconteceu. O d\u00f3lar ainda responde por 57% das reservas mundiais, o euro por 20% e o yuan por 2%,\u201d ponderou.<\/p>\n<p>Por fim, o especialista alerta que <strong>para o especialista, \u00e9 o \u201crisco Trump\u201d que pressiona o rendimento dos t\u00edtulos p\u00fablicos de 30 anos dos EUA, que alcan\u00e7aram 5,33% em 18 de agosto, o maior n\u00edvel desde 2007<\/strong>. Esse n\u00edvel de juros dos t\u00edtulos longos \u00e9 o que pressiona os gastos com a d\u00edvida do pa\u00eds norte-americano.<\/p>\n<p>===FIM===<\/p>\n<p><em>Fonte: Portal Correio<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A d\u00edvida p\u00fablica recorde nos Estados Unidos (EUA), que ultrapassou os US$ 40 trilh\u00f5es pela primeira vez na hist\u00f3ria, foi motivada, principalmente, pela redu\u00e7\u00e3o de impostos para os ricos, pela infla\u00e7\u00e3o causada pela guerra no Oriente M\u00e9dio \u2013 que pressionou o pre\u00e7o dos combust\u00edveis \u2013, e pelas tarifas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o do governo de Donald Trump. 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