{"id":320981,"date":"2026-08-31T06:00:02","date_gmt":"2026-08-31T09:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=320981"},"modified":"2026-08-31T07:59:26","modified_gmt":"2026-08-31T10:59:26","slug":"sem-acordo-contra-secas-comunidades-vao-sofrer-avaliam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/08\/31\/sem-acordo-contra-secas-comunidades-vao-sofrer-avaliam-especialistas\/","title":{"rendered":"Sem acordo contra secas, comunidades v\u00e3o sofrer, avaliam especialistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>COP da Desertifica\u00e7\u00e3o frusta por n\u00e3o criar estrat\u00e9gia global<\/em><\/p>\n<p>Inacredit\u00e1vel. Frustrante. Sabor amargo. Essas foram algumas das palavras usadas por organiza\u00e7\u00f5es ambientais, representantes da sociedade civil e outros especialistas para avaliar os resultados da 17\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (COP17), que terminou nesta sexta-feira (28) em Ulaanbaatar, capital da Mong\u00f3lia.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1701051&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1701051&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A principal decep\u00e7\u00e3o foi o novo adiamento do acordo global para enfrentar as secas e os impactos que isso trar\u00e1 sobre as comunidades.<\/p>\n<p>O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, disse que\u00a0os governos falharam ao jogar para a COP18, no Egito, novas discuss\u00f5es sobre o problema.<\/p>\n<p>&#8220;Isso deixa um sabor amargo, porque a COP termina sem decis\u00f5es substanciais para lidar com as secas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O representante da organiza\u00e7\u00e3o Wetlands Internacional, Richard Lee, disse que a falta de consenso acontece justamente quando o n\u00famero de desastres pelo mundo n\u00e3o para de crescer.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 inacredit\u00e1vel. Neste ano, a Europa sofre com uma seca hist\u00f3rica e os n\u00edveis de \u00e1gua ca\u00edram a patamares recordes no Rio Colorado, nos Estados Unidos. O chamado Super El Ni\u00f1o traz riscos de secas devastadoras do Sul da \u00c1frica at\u00e9 a Amaz\u00f4nia&#8221;, avalia Richard.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s acredit\u00e1vamos que esse cen\u00e1rio for\u00e7aria os governos de todo o mundo a agir. Est\u00e1vamos errados. Adiar a decis\u00e3o sobre as secas em mais dois anos custar\u00e1 mais do que tempo: comunidades e economias em todo o mundo v\u00e3o pagar o pre\u00e7o&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>A especialista em pol\u00edticas de \u00e1gua da WWF Global, Christine Colvin, aposta na\u00a0a\u00e7\u00e3o conjunta de alguns governos, sociedade civil e institui\u00e7\u00f5es financeiras para que o combate \u00e0s secas tenha algum progresso. Por\u00e9m, destaca que iniciativas isoladas n\u00e3o s\u00e3o o suficiente.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 profundamente frustrante que a ambi\u00e7\u00e3o sobre a seca tenha se esvaziado na COP17. N\u00e3o foi entregue um resultado significativo e n\u00e3o temos uma base forte para que possamos construir a\u00e7\u00f5es&#8221;, avalia Christine.<\/p>\n<h2>Acordo global sobre secas<\/h2>\n<p>A proposta de criar um mecanismo multilateral para\u00a0enfrentar de forma coordenada as secas\u00a0\u00e9 defendida por africanos h\u00e1, pelo menos, tr\u00eas confer\u00eancias. Historicamente, o continente \u00e9 um dos mais afetados pelo problema.<\/p>\n<p>Isso demandaria ajuda financeira para os pa\u00edses mais vulner\u00e1veis serem capazes de se antecipar e se recuperar dos eventos extremos. Eles entendem que instrumentos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em ingl\u00eas), s\u00e3o estruturados sob o tema de degrada\u00e7\u00e3o das terras, algo mais amplo do que a seca.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses mais ricos, por\u00e9m, n\u00e3o querem se comprometer com um acordo obrigat\u00f3rio e defendem ades\u00e3o volunt\u00e1ria. A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n<h2>Iniciativas paralelas<\/h2>\n<p>Iniciativas paralelas lan\u00e7adas durante a COP17 tentam lidar com o problema das secas. \u00c9 o caso do Mecanismo de Investimento para Resili\u00eancia \u00e0 Seca (DRIF), a primeira plataforma global de financiamento dedicada exclusivamente ao tema.<\/p>\n<p>Criada pela UNCCD e por Luxemburgo, com apoio da Alian\u00e7a Internacional para a Resili\u00eancia \u00e0 Seca (IDRA), a iniciativa pretende mobilizar at\u00e9 US$ 400 milh\u00f5es em recursos p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>Os investimentos dever\u00e3o ser direcionados para seguran\u00e7a h\u00eddrica, agricultura sustent\u00e1vel, solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza e recupera\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Outra novidade foi a segunda fase do Observat\u00f3rio Internacional de Resili\u00eancia \u00e0 Seca (IDRO), que apresentou o primeiro \u00cdndice de Resili\u00eancia \u00e0 Seca (DRI). A ferramenta pretende ajudar os pa\u00edses a avaliar sua capacidade de antecipar, se preparar e se adaptar aos per\u00edodos de escassez de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COP da Desertifica\u00e7\u00e3o frusta por n\u00e3o criar estrat\u00e9gia global Inacredit\u00e1vel. Frustrante. Sabor amargo. Essas foram algumas das palavras usadas por organiza\u00e7\u00f5es ambientais, representantes da sociedade civil e outros especialistas para avaliar os resultados da 17\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (COP17), que terminou nesta sexta-feira (28) em Ulaanbaatar, capital da Mong\u00f3lia. A principal decep\u00e7\u00e3o foi o novo adiamento do acordo global para enfrentar as secas e os impactos que isso trar\u00e1 sobre as comunidades. O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, disse que\u00a0os governos falharam ao jogar para a COP18, no Egito, novas discuss\u00f5es sobre o problema. &#8220;Isso deixa um sabor amargo, porque a COP termina sem decis\u00f5es substanciais para lidar com as secas&#8221;, disse. O representante da organiza\u00e7\u00e3o Wetlands Internacional, Richard Lee, disse que a falta de consenso acontece justamente quando o n\u00famero de desastres pelo mundo n\u00e3o para de crescer. &#8220;\u00c9 inacredit\u00e1vel. Neste ano, a Europa sofre com uma seca hist\u00f3rica e os n\u00edveis de \u00e1gua ca\u00edram a patamares recordes no Rio Colorado, nos Estados Unidos. O chamado Super El Ni\u00f1o traz riscos de secas devastadoras do Sul da \u00c1frica at\u00e9 a Amaz\u00f4nia&#8221;, avalia Richard. &#8220;N\u00f3s acredit\u00e1vamos que esse cen\u00e1rio for\u00e7aria os governos de todo o mundo a agir. Est\u00e1vamos errados. Adiar a decis\u00e3o sobre as secas em mais dois anos custar\u00e1 mais do que tempo: comunidades e economias em todo o mundo v\u00e3o pagar o pre\u00e7o&#8221;, complementa. A especialista em pol\u00edticas de \u00e1gua da WWF Global, Christine Colvin, aposta na\u00a0a\u00e7\u00e3o conjunta de alguns governos, sociedade civil e institui\u00e7\u00f5es financeiras para que o combate \u00e0s secas tenha algum progresso. Por\u00e9m, destaca que iniciativas isoladas n\u00e3o s\u00e3o o suficiente. &#8220;\u00c9 profundamente frustrante que a ambi\u00e7\u00e3o sobre a seca tenha se esvaziado na COP17. N\u00e3o foi entregue um resultado significativo e n\u00e3o temos uma base forte para que possamos construir a\u00e7\u00f5es&#8221;, avalia Christine. Acordo global sobre secas A proposta de criar um mecanismo multilateral para\u00a0enfrentar de forma coordenada as secas\u00a0\u00e9 defendida por africanos h\u00e1, pelo menos, tr\u00eas confer\u00eancias. Historicamente, o continente \u00e9 um dos mais afetados pelo problema. Isso demandaria ajuda financeira para os pa\u00edses mais vulner\u00e1veis serem capazes de se antecipar e se recuperar dos eventos extremos. Eles entendem que instrumentos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em ingl\u00eas), s\u00e3o estruturados sob o tema de degrada\u00e7\u00e3o das terras, algo mais amplo do que a seca. Os pa\u00edses mais ricos, por\u00e9m, n\u00e3o querem se comprometer com um acordo obrigat\u00f3rio e defendem ades\u00e3o volunt\u00e1ria. A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Iniciativas paralelas Iniciativas paralelas lan\u00e7adas durante a COP17 tentam lidar com o problema das secas. \u00c9 o caso do Mecanismo de Investimento para Resili\u00eancia \u00e0 Seca (DRIF), a primeira plataforma global de financiamento dedicada exclusivamente ao tema. Criada pela UNCCD e por Luxemburgo, com apoio da Alian\u00e7a Internacional para a Resili\u00eancia \u00e0 Seca (IDRA), a iniciativa pretende mobilizar at\u00e9 US$ 400 milh\u00f5es em recursos p\u00fablicos e privados. Os investimentos dever\u00e3o ser direcionados para seguran\u00e7a h\u00eddrica, agricultura sustent\u00e1vel, solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza e recupera\u00e7\u00e3o de terras. Outra novidade foi a segunda fase do Observat\u00f3rio Internacional de Resili\u00eancia \u00e0 Seca (IDRO), que apresentou o primeiro \u00cdndice de Resili\u00eancia \u00e0 Seca (DRI). 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