{"id":321777,"date":"2026-09-05T10:43:49","date_gmt":"2026-09-05T13:43:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=321777"},"modified":"2026-09-05T10:43:49","modified_gmt":"2026-09-05T13:43:49","slug":"saude-mental-apos-perda-gestacional-requer-atencao-de-profissionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/09\/05\/saude-mental-apos-perda-gestacional-requer-atencao-de-profissionais\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental ap\u00f3s perda gestacional requer aten\u00e7\u00e3o de profissionais"},"content":{"rendered":"<div class=\"header-noticia full-width\">\n<div class=\"linha-fina-noticia\"><em><strong>Cuidado m\u00e9dico, familiar e dos amigos ajuda a atravessar o luto.<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Nascida em\u00a0uma fam\u00edlia grande em Manaus, Kalyane Ribeiro n\u00e3o imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas, aos 32 anos, ap\u00f3s um ano e meio de tentativas, ela passou pela perda gestacional precoce, uma interrup\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria da gravidez que pode ocorrer at\u00e9 a 20\u00aa semana da gesta\u00e7\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1701556&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1701556&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu sempre falo para as pessoas que quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas\u00a0dentro, e as pessoas que est\u00e3o do lado de fora n\u00e3o conseguem saber o que tem l\u00e1\u201d, disse.<\/p>\n<p>O cuidado e a aten\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental ap\u00f3s a perda gestacional, como a vivida por Kalyane, s\u00e3o ainda negligenciados, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo).\u00a0<strong>Neste Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio no Brasil, a associa\u00e7\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Muitas vezes, a perda gestacional \u00e9 negligenciada por familiares, amigos e at\u00e9 mesmo por profissionais de sa\u00fade, conta Kalyane.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs pessoas do mundo real, aqui fora, elas n\u00e3o querem saber. Voc\u00ea s\u00f3 escuta um \u2018voc\u00ea vai ter que tentar de novo, vai dar certo\u2019. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de substituir o filho, n\u00e9? A gente n\u00e3o t\u00e1 procurando um substituto\u201d, diz.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Trauma<\/h2>\n<p>A perda gestacional constitui um evento traum\u00e1tico e exige acolhimento e assist\u00eancia especializada, ressalta o vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional Especializada em Assist\u00eancia ao Abortamento, Parto e Puerp\u00e9rio da Febrasgo, o obstetra Romulo Negrini.<\/p>\n<p>&#8220;<strong>Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensa\u00e7\u00e3o de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia<\/strong>. Sofrer intensamente nesse momento \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o humana esperada e n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que a mulher tenha desenvolvido uma doen\u00e7a psiqui\u00e1trica&#8221;, diz Negrini.<\/p>\n<p>De acordo com o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, entre 15% e 20% das gesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o evoluem. O integrante da Comiss\u00e3o da Febrasgo e professor da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e do curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta a necessidade de apoio durante o luto.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um desafio passar por isso e \u00e9 muito importante que a mulher n\u00e3o passe por isso sozinha\u201d, enfatiza Santana.<\/p>\n<p>A psiquiatra Andr\u00e9a Cristina Galastri, professora do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica (Idomed), acrescenta que quest\u00f5es hormonais que fazem parte do processo da perda tamb\u00e9m impactam a sa\u00fade mental.\u00a0As altera\u00e7\u00f5es hormonais duram cerca de 15 dias, de acordo com a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u201cOs horm\u00f4nios aumentam durante a gravidez e no p\u00f3s-parto da mulher. Os horm\u00f4nios s\u00e3o para manter a placenta, para manter o feto vi\u00e1vel. Ent\u00e3o, quando a mulher tem a perda da gesta\u00e7\u00e3o, os horm\u00f4nios tamb\u00e9m caem. Ent\u00e3o, junto \u00e0 queda hormonal, que seria igual a uma TPM [tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual], s\u00f3 que maior, tem a quest\u00e3o da sensibilidade da perda\u201d, explica.<\/p>\n<h2>Alerta<\/h2>\n<p>Segundo Galastri, o quadro se agrava quando o estado persiste, e a mulher apresenta ansiedade, depress\u00e3o e chega a achar que\u00a0n\u00e3o tem mais raz\u00e3o para viver ou se considerar um fracasso. \u201cA\u00ed, o quadro j\u00e1 est\u00e1 bem grave\u201d, afirmou a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Se ela come\u00e7a a perder fun\u00e7\u00e3o, para de comer, n\u00e3o consegue mais dormir, o choro n\u00e3o para em nenhum momento do dia e aquilo vai durando mais de 15 dias, mais de um m\u00eas, a\u00ed j\u00e1 se tem um problema mais grave, pass\u00edvel de tratamento, descreve.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO sofrimento \u00e9 esperado e \u00e9 natural. Mas a paralisia da vida, n\u00e3o\u201d, afirmou a m\u00e9dica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Quando se chega ao ponto de ter um sofrimento que desencadeia uma depress\u00e3o posterior, ou um luto patol\u00f3gico, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 psicoterapia e medica\u00e7\u00e3o, para reajustar a parte bioqu\u00edmica que o estresse altera.<\/p>\n<h2>Papel dos m\u00e9dicos<\/h2>\n<p>O obstetra Eduardo Felix Martins Santana defende que, para lidar com uma mulher que tenha passado pela experi\u00eancia de perda gestacional, a primeira regra \u00e9 aproxim\u00e1-la do cuidado, envolvendo o cuidado m\u00e9dico, familiar e dos amigos.<\/p>\n<p>A pessoa vai passar por diferentes est\u00e1gios de aceita\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o, raiva, tristeza profunda. \u201cE a verdade \u00e9 que, para todos eles, a gente precisa de acolhimento\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Para Santana, \u00e9 preciso que haja uma proatividade dos m\u00e9dicos, dos \u00f3rg\u00e3os que regulamentam os profissionais m\u00e9dicos e das sociedades m\u00e9dicas. Ele destaca que, na Febrasgo, existe essa comiss\u00e3o que presta assist\u00eancia ao abortamento, parto e p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>\u201cExiste essa preocupa\u00e7\u00e3o. O problema est\u00e1 em difundir isso para todo o Brasil. \u00c9 um desafio muito grande\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA gente precisa que os m\u00e9dicos corram atr\u00e1s tamb\u00e9m dessa assist\u00eancia e se preocupem com esse estado. Porque se formos esperar a paciente retornar ao consult\u00f3rio quando j\u00e1 est\u00e1 deprimida, vamos perder muita gente\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Com Ag\u00ea\u00f1cia Brasil<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"subheader\">\n<div class=\"container-autoria\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuidado m\u00e9dico, familiar e dos amigos ajuda a atravessar o luto. Nascida em\u00a0uma fam\u00edlia grande em Manaus, Kalyane Ribeiro n\u00e3o imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas, aos 32 anos, ap\u00f3s um ano e meio de tentativas, ela passou pela perda gestacional precoce, uma interrup\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria da gravidez que pode ocorrer at\u00e9 a 20\u00aa semana da gesta\u00e7\u00e3o. \u201cEu sempre falo para as pessoas que quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas\u00a0dentro, e as pessoas que est\u00e3o do lado de fora n\u00e3o conseguem saber o que tem l\u00e1\u201d, disse. O cuidado e a aten\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental ap\u00f3s a perda gestacional, como a vivida por Kalyane, s\u00e3o ainda negligenciados, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo).\u00a0Neste Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio no Brasil, a associa\u00e7\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o. Muitas vezes, a perda gestacional \u00e9 negligenciada por familiares, amigos e at\u00e9 mesmo por profissionais de sa\u00fade, conta Kalyane. \u201cAs pessoas do mundo real, aqui fora, elas n\u00e3o querem saber. Voc\u00ea s\u00f3 escuta um \u2018voc\u00ea vai ter que tentar de novo, vai dar certo\u2019. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de substituir o filho, n\u00e9? A gente n\u00e3o t\u00e1 procurando um substituto\u201d, diz. Trauma A perda gestacional constitui um evento traum\u00e1tico e exige acolhimento e assist\u00eancia especializada, ressalta o vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional Especializada em Assist\u00eancia ao Abortamento, Parto e Puerp\u00e9rio da Febrasgo, o obstetra Romulo Negrini. &#8220;Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensa\u00e7\u00e3o de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia. Sofrer intensamente nesse momento \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o humana esperada e n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que a mulher tenha desenvolvido uma doen\u00e7a psiqui\u00e1trica&#8221;, diz Negrini. De acordo com o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, entre 15% e 20% das gesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o evoluem. O integrante da Comiss\u00e3o da Febrasgo e professor da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e do curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta a necessidade de apoio durante o luto. \u201c\u00c9 um desafio passar por isso e \u00e9 muito importante que a mulher n\u00e3o passe por isso sozinha\u201d, enfatiza Santana. A psiquiatra Andr\u00e9a Cristina Galastri, professora do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica (Idomed), acrescenta que quest\u00f5es hormonais que fazem parte do processo da perda tamb\u00e9m impactam a sa\u00fade mental.\u00a0As altera\u00e7\u00f5es hormonais duram cerca de 15 dias, de acordo com a m\u00e9dica. \u201cOs horm\u00f4nios aumentam durante a gravidez e no p\u00f3s-parto da mulher. Os horm\u00f4nios s\u00e3o para manter a placenta, para manter o feto vi\u00e1vel. Ent\u00e3o, quando a mulher tem a perda da gesta\u00e7\u00e3o, os horm\u00f4nios tamb\u00e9m caem. Ent\u00e3o, junto \u00e0 queda hormonal, que seria igual a uma TPM [tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual], s\u00f3 que maior, tem a quest\u00e3o da sensibilidade da perda\u201d, explica. Alerta Segundo Galastri, o quadro se agrava quando o estado persiste, e a mulher apresenta ansiedade, depress\u00e3o e chega a achar que\u00a0n\u00e3o tem mais raz\u00e3o para viver ou se considerar um fracasso. \u201cA\u00ed, o quadro j\u00e1 est\u00e1 bem grave\u201d, afirmou a m\u00e9dica. Se ela come\u00e7a a perder fun\u00e7\u00e3o, para de comer, n\u00e3o consegue mais dormir, o choro n\u00e3o para em nenhum momento do dia e aquilo vai durando mais de 15 dias, mais de um m\u00eas, a\u00ed j\u00e1 se tem um problema mais grave, pass\u00edvel de tratamento, descreve. \u201cO sofrimento \u00e9 esperado e \u00e9 natural. Mas a paralisia da vida, n\u00e3o\u201d, afirmou a m\u00e9dica. Quando se chega ao ponto de ter um sofrimento que desencadeia uma depress\u00e3o posterior, ou um luto patol\u00f3gico, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 psicoterapia e medica\u00e7\u00e3o, para reajustar a parte bioqu\u00edmica que o estresse altera. Papel dos m\u00e9dicos O obstetra Eduardo Felix Martins Santana defende que, para lidar com uma mulher que tenha passado pela experi\u00eancia de perda gestacional, a primeira regra \u00e9 aproxim\u00e1-la do cuidado, envolvendo o cuidado m\u00e9dico, familiar e dos amigos. A pessoa vai passar por diferentes est\u00e1gios de aceita\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o, raiva, tristeza profunda. \u201cE a verdade \u00e9 que, para todos eles, a gente precisa de acolhimento\u201d, ressalta. Para Santana, \u00e9 preciso que haja uma proatividade dos m\u00e9dicos, dos \u00f3rg\u00e3os que regulamentam os profissionais m\u00e9dicos e das sociedades m\u00e9dicas. Ele destaca que, na Febrasgo, existe essa comiss\u00e3o que presta assist\u00eancia ao abortamento, parto e p\u00f3s-parto. \u201cExiste essa preocupa\u00e7\u00e3o. O problema est\u00e1 em difundir isso para todo o Brasil. \u00c9 um desafio muito grande\u201d. \u201cA gente precisa que os m\u00e9dicos corram atr\u00e1s tamb\u00e9m dessa assist\u00eancia e se preocupem com esse estado. Porque se formos esperar a paciente retornar ao consult\u00f3rio quando j\u00e1 est\u00e1 deprimida, vamos perder muita gente\u201d. 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