{"id":322100,"date":"2026-09-08T15:54:35","date_gmt":"2026-09-08T18:54:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=322100"},"modified":"2026-09-08T15:54:35","modified_gmt":"2026-09-08T18:54:35","slug":"estudo-brasileiro-mostra-que-diabetes-pode-agravar-sequelas-da-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/09\/08\/estudo-brasileiro-mostra-que-diabetes-pode-agravar-sequelas-da-covid\/","title":{"rendered":"Estudo brasileiro mostra que diabetes pode agravar sequelas da Covid"},"content":{"rendered":"<p>Em estudo conduzido na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) concluiu que\u00a0pessoas com diabetes\u00a0que tiveram Covid-19 apresentam recupera\u00e7\u00e3o mais lenta, tendem a ter mais complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 Covid longa, pior qualidade de vida e, por isso, precisam de acompanhamento m\u00e9dico mais atento e prolongado.<\/p>\n<p>A pesquisa, que envolveu 870 pessoas acompanhadas por sete meses ap\u00f3s\u00a0a interna\u00e7\u00e3o por Covid-19, constatou que, al\u00e9m de um maior tempo para se recuperar da doen\u00e7a,\u00a0o risco de complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares, como infarto e angina, \u00e9 ainda maior em compara\u00e7\u00e3o aos n\u00e3o diab\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, sete meses ap\u00f3s a alta hospitalar, o grupo com diabetes demonstrou n\u00edveis elevados de fragilidade, maior incid\u00eancia de quedas e pior qualidade de vida com incapacidade para atividades di\u00e1rias, desempenho inferior nos dom\u00ednios f\u00edsico e cognitivo e dificuldades de mobilidade.<\/p>\n<p>\u201cA diabetes n\u00e3o \u00e9 apenas um fator de risco para a fase aguda da Covid-19, mas tamb\u00e9m um elemento que prolonga o tempo de recupera\u00e7\u00e3o e degrada a qualidade de vida no longo prazo. O estudo deixa evidente a necessidade de uma estrutura de sa\u00fade para atender a essa popula\u00e7\u00e3o com diabetes que foi infectada pelo v\u00edrus SARS-CoV-2, de modo a evitar que esses sobreviventes fiquem presos em um ciclo de reinterna\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (HC-FM-USP), Maria Elizabeth Rossi da Silva, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p><strong>Primeira fase da pandemia<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho, que comparou 320 pacientes com diabetes e 550 sem a doen\u00e7a, recrutou mais de 3 mil\u00a0indiv\u00edduos internados\u00a0no Hospital das Cl\u00ednicas entre mar\u00e7o e setembro de 2020, per\u00edodo que corresponde \u00e0 primeira fase da pandemia no Brasil, quando ainda n\u00e3o havia vacinas dispon\u00edveis. Os participantes passaram por uma avalia\u00e7\u00e3o presencial que incluiu exame f\u00edsico e laboratorial.<\/p>\n<p>Enquanto\u00a094,3% dos pacientes sem diabetes tiveram recupera\u00e7\u00e3o plena, 89,8% entre aqueles com a doen\u00e7a relataram o mesmo.\u00a0Maria Elizabeth explica que a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 coloca o sistema cardiovascular dos diab\u00e9ticos sob grande estresse.<\/p>\n<p>\u201cA inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica provocada pela diabetes se soma \u00e0 toxicidade direta do v\u00edrus, criando um cen\u00e1rio em que o cora\u00e7\u00e3o se torna um dos principais alvos de complica\u00e7\u00f5es graves. E o risco aumenta conforme o n\u00famero de comorbidades do paciente\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No\u00a0grupo com diabetes, o v\u00edrus comprometeu a mobilidade de forma severa, sendo que 21,1% desses pacientes relataram quedas ap\u00f3s a alta, quase o dobro do observado no grupo sem a doen\u00e7a (11,1%).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das particularidades metab\u00f3licas, a pesquisadora considera importante compreender as dificuldades socioecon\u00f4micas associadas \u00e0 diabetes no atendimento cl\u00ednico. Ela destaca que desigualdades sociais influenciam os desfechos da doen\u00e7a, como baixo acesso a cuidados m\u00e9dicos, estresse, alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e falta de tempo para a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica.<\/p>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas de sa\u00fade devem considerar essas particularidades, oferecendo acompanhamento espec\u00edfico para pacientes com diabetes no p\u00f3s-Covid\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>O v\u00edrus como gatilho<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso,\u00a07,3% dos participantes n\u00e3o diab\u00e9ticos desenvolveram a doen\u00e7a ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2. Para a pesquisadora, no entanto, embora n\u00e3o se possa descartar o papel direto do v\u00edrus na destrui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do p\u00e2ncreas, \u00e9 prov\u00e1vel que a Covid-19 tenha desmascarado casos preexistentes ou que o quadro inflamat\u00f3rio grave tenha servido como gatilho em pessoas j\u00e1 predispostas.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, \u00e9 importante entender como a Covid-19 impacta a diabetes ao longo do tempo, por isso o estudo com os pacientes internados no HC na primeira fase da pandemia continua. Os pesquisadores est\u00e3o analisando, agora, os dados coletados tr\u00eas anos ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Com Metr\u00f3poles<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em estudo conduzido na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) concluiu que\u00a0pessoas com diabetes\u00a0que tiveram Covid-19 apresentam recupera\u00e7\u00e3o mais lenta, tendem a ter mais complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 Covid longa, pior qualidade de vida e, por isso, precisam de acompanhamento m\u00e9dico mais atento e prolongado. A pesquisa, que envolveu 870 pessoas acompanhadas por sete meses ap\u00f3s\u00a0a interna\u00e7\u00e3o por Covid-19, constatou que, al\u00e9m de um maior tempo para se recuperar da doen\u00e7a,\u00a0o risco de complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares, como infarto e angina, \u00e9 ainda maior em compara\u00e7\u00e3o aos n\u00e3o diab\u00e9ticos. Al\u00e9m disso, sete meses ap\u00f3s a alta hospitalar, o grupo com diabetes demonstrou n\u00edveis elevados de fragilidade, maior incid\u00eancia de quedas e pior qualidade de vida com incapacidade para atividades di\u00e1rias, desempenho inferior nos dom\u00ednios f\u00edsico e cognitivo e dificuldades de mobilidade. \u201cA diabetes n\u00e3o \u00e9 apenas um fator de risco para a fase aguda da Covid-19, mas tamb\u00e9m um elemento que prolonga o tempo de recupera\u00e7\u00e3o e degrada a qualidade de vida no longo prazo. O estudo deixa evidente a necessidade de uma estrutura de sa\u00fade para atender a essa popula\u00e7\u00e3o com diabetes que foi infectada pelo v\u00edrus SARS-CoV-2, de modo a evitar que esses sobreviventes fiquem presos em um ciclo de reinterna\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (HC-FM-USP), Maria Elizabeth Rossi da Silva, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Fapesp. Primeira fase da pandemia O trabalho, que comparou 320 pacientes com diabetes e 550 sem a doen\u00e7a, recrutou mais de 3 mil\u00a0indiv\u00edduos internados\u00a0no Hospital das Cl\u00ednicas entre mar\u00e7o e setembro de 2020, per\u00edodo que corresponde \u00e0 primeira fase da pandemia no Brasil, quando ainda n\u00e3o havia vacinas dispon\u00edveis. Os participantes passaram por uma avalia\u00e7\u00e3o presencial que incluiu exame f\u00edsico e laboratorial. Enquanto\u00a094,3% dos pacientes sem diabetes tiveram recupera\u00e7\u00e3o plena, 89,8% entre aqueles com a doen\u00e7a relataram o mesmo.\u00a0Maria Elizabeth explica que a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 coloca o sistema cardiovascular dos diab\u00e9ticos sob grande estresse. \u201cA inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica provocada pela diabetes se soma \u00e0 toxicidade direta do v\u00edrus, criando um cen\u00e1rio em que o cora\u00e7\u00e3o se torna um dos principais alvos de complica\u00e7\u00f5es graves. E o risco aumenta conforme o n\u00famero de comorbidades do paciente\u201d, afirma. No\u00a0grupo com diabetes, o v\u00edrus comprometeu a mobilidade de forma severa, sendo que 21,1% desses pacientes relataram quedas ap\u00f3s a alta, quase o dobro do observado no grupo sem a doen\u00e7a (11,1%). Para al\u00e9m das particularidades metab\u00f3licas, a pesquisadora considera importante compreender as dificuldades socioecon\u00f4micas associadas \u00e0 diabetes no atendimento cl\u00ednico. Ela destaca que desigualdades sociais influenciam os desfechos da doen\u00e7a, como baixo acesso a cuidados m\u00e9dicos, estresse, alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e falta de tempo para a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica. \u201cAs pol\u00edticas de sa\u00fade devem considerar essas particularidades, oferecendo acompanhamento espec\u00edfico para pacientes com diabetes no p\u00f3s-Covid\u201d, conta. O v\u00edrus como gatilho Al\u00e9m disso,\u00a07,3% dos participantes n\u00e3o diab\u00e9ticos desenvolveram a doen\u00e7a ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2. Para a pesquisadora, no entanto, embora n\u00e3o se possa descartar o papel direto do v\u00edrus na destrui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do p\u00e2ncreas, \u00e9 prov\u00e1vel que a Covid-19 tenha desmascarado casos preexistentes ou que o quadro inflamat\u00f3rio grave tenha servido como gatilho em pessoas j\u00e1 predispostas. Para a pesquisadora, \u00e9 importante entender como a Covid-19 impacta a diabetes ao longo do tempo, por isso o estudo com os pacientes internados no HC na primeira fase da pandemia continua. Os pesquisadores est\u00e3o analisando, agora, os dados coletados tr\u00eas anos ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o. 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