{"id":323786,"date":"2026-09-17T06:00:30","date_gmt":"2026-09-17T09:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=323786"},"modified":"2026-09-16T23:02:45","modified_gmt":"2026-09-17T02:02:45","slug":"brasil-possui-cerca-de-um-professor-jovem-para-cada-tres-docentes-com-60-anos-ou-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/09\/17\/brasil-possui-cerca-de-um-professor-jovem-para-cada-tres-docentes-com-60-anos-ou-mais\/","title":{"rendered":"Brasil possui cerca de um professor jovem para cada tr\u00eas docentes com 60 anos ou mais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Pesquisa feita pelo Instituto Semesp com base em dados do Censo Escolar e do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior revela dificuldade de reposi\u00e7\u00e3o do quadro docente<\/em><\/p>\n<p>Em meio ao baixo interesse dos jovens pela carreira de professor e ao envelhecimento dos profissionais, o Pa\u00eds enfrenta um risco de passar por um \u201capag\u00e3o\u201d de profissionais da educa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, aponta uma pesquisa feita pelo Instituto Semesp com base em dados do Censo Escolar e do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior.<\/p>\n<p>O estudo mostra que entre 2015 e 2025, o volume de professores do ensino m\u00e9dio com at\u00e9 24 anos de idade diminuiu 31,1%, para 11,9 mil profissionais. No mesmo per\u00edodo, o contingente de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, passando de 18,2 mil para 37,3 mil.<\/p>\n<p>Com isso, a Taxa de Renova\u00e7\u00e3o Docente, calculada pelo Semesp pela rela\u00e7\u00e3o entre professores de at\u00e9 24 anos e aqueles com 60 anos ou mais, caiu de 0,95 em 2015 para 0,32 em 2025. Na pr\u00e1tica, h\u00e1 atualmente cerca de um professor jovem para cada tr\u00eas docentes com 60 anos ou mais. Mas, apesar desse cen\u00e1rio, houve um aumento de 6,6% na quantidade de profissionais dessa categoria no Pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Segundo a presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de S\u00e3o Paulo (Semesp), L\u00facia Teixeira, essa dificuldade de reposi\u00e7\u00e3o do quadro docente pode se agravar porque os jovens que v\u00e3o para as licenciaturas muitas vezes s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica anterior. Al\u00e9m disso, ela destaca que entre os mais jovens h\u00e1 maior risco de \u201cabandono da profiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles docentes j\u00e1 estabelecidos\u201d.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o das contrata\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias ajudou a sustentar o n\u00famero de professores em atividade, mas n\u00e3o solucionou o problema de renova\u00e7\u00e3o. Na rede p\u00fablica, o n\u00famero de docentes concursados, efetivos ou est\u00e1veis caiu de 305 mil em 2015 para 255 mil em 2025, enquanto os tempor\u00e1rios passaram de 146 mil para 205 mil. Com isso, a participa\u00e7\u00e3o dos contratos tempor\u00e1rios no ensino m\u00e9dio p\u00fablico subiu de 32,2% para 43,4% do total no per\u00edodo. A estrat\u00e9gia atende \u00e0 necessidade de curto prazo, mas traz quest\u00f5es relacionadas \u00e0 estabilidade, continuidade e capacidade de reten\u00e7\u00e3o dos profissionais.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de novos docentes tamb\u00e9m apresenta sinais de fragilidade. O n\u00famero de concluintes de cursos de licenciatura caiu 13,5% entre 2015 e 2024. A redu\u00e7\u00e3o foi puxada pelos cursos presenciais, que passaram de 152 mil para 71,7 mil concluintes, queda de 52,9%. O ensino a dist\u00e2ncia, por outro lado, registrou alta de 56,8% no per\u00edodo, para 134 mil concluintes, equivalentes a 65,1% do total em 2024. Mesmo no EAD, por\u00e9m, houve queda de 29,4% no n\u00famero de concluintes entre 2021 e 2024.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 mais acentuado entre os jovens em algumas \u00e1reas. Entre 2015 e 2024, o n\u00famero de concluintes de licenciaturas com at\u00e9 24 anos caiu 64,6% em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, 39,1% em Biologia, 28,1% em Qu\u00edmica e 23,4% em Filosofia. Em 2023, nenhuma das \u00e1reas analisadas pelo estudo apresentava Taxa de Renova\u00e7\u00e3o Docente igual ou superior a 1. Entre os menores \u00edndices estavam Geografia, com 0,216; Hist\u00f3ria, com 0,234; L\u00edngua Portuguesa, com 0,240; Sociologia, com 0,263; e Filosofia, com 0,274.<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m aponta dificuldades relacionadas \u00e0 atratividade da profiss\u00e3o. Dados da TALIS 2024, da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), citados pelo Semesp, mostram que apenas 14% dos professores brasileiros consideram a profiss\u00e3o socialmente valorizada, ante 22% na m\u00e9dia dos pa\u00edses participantes. A satisfa\u00e7\u00e3o com a remunera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 menor: 22% dos docentes brasileiros se dizem satisfeitos, contra 39% na m\u00e9dia da OCDE. Al\u00e9m disso, 16% dos professores brasileiros afirmam que o trabalho tem impacto muito negativo sobre sua sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Mantidas as tend\u00eancias atuais, a proje\u00e7\u00e3o do Semesp indica que a Taxa de Renova\u00e7\u00e3o Docente do Ensino M\u00e9dio pode cair para 0,25 em 2031, 0,22 em 2035 e 0,17 em 2040. Nesse \u00faltimo cen\u00e1rio, haveria aproximadamente um professor com at\u00e9 24 anos para cada seis com 60 anos ou mais. Em n\u00fameros absolutos, a estimativa aponta para cerca de 10,7 mil docentes jovens e 61,9 mil professores com 60 anos ou mais em 2040.<\/p>\n<p>Para o Instituto Semesp, o cen\u00e1rio atualiza o alerta feito em 2022, quando o estudo projetava um d\u00e9ficit de aproximadamente 235 mil professores na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica at\u00e9 2040. A nova pesquisa indica que a quest\u00e3o pode se manifestar de forma diferente, com o envelhecimento do quadro e a dificuldade de formar e atrair novos profissionais. Segundo o levantamento, a recupera\u00e7\u00e3o da atratividade da carreira passa por remunera\u00e7\u00e3o competitiva, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, estabilidade, reconhecimento profissional, perspectivas de desenvolvimento e est\u00edmulos espec\u00edficos para a forma\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><em>Com Estad\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa feita pelo Instituto Semesp com base em dados do Censo Escolar e do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior revela dificuldade de reposi\u00e7\u00e3o do quadro docente Em meio ao baixo interesse dos jovens pela carreira de professor e ao envelhecimento dos profissionais, o Pa\u00eds enfrenta um risco de passar por um \u201capag\u00e3o\u201d de profissionais da educa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, aponta uma pesquisa feita pelo Instituto Semesp com base em dados do Censo Escolar e do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior. O estudo mostra que entre 2015 e 2025, o volume de professores do ensino m\u00e9dio com at\u00e9 24 anos de idade diminuiu 31,1%, para 11,9 mil profissionais. No mesmo per\u00edodo, o contingente de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, passando de 18,2 mil para 37,3 mil. Com isso, a Taxa de Renova\u00e7\u00e3o Docente, calculada pelo Semesp pela rela\u00e7\u00e3o entre professores de at\u00e9 24 anos e aqueles com 60 anos ou mais, caiu de 0,95 em 2015 para 0,32 em 2025. Na pr\u00e1tica, h\u00e1 atualmente cerca de um professor jovem para cada tr\u00eas docentes com 60 anos ou mais. Mas, apesar desse cen\u00e1rio, houve um aumento de 6,6% na quantidade de profissionais dessa categoria no Pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada. Segundo a presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de S\u00e3o Paulo (Semesp), L\u00facia Teixeira, essa dificuldade de reposi\u00e7\u00e3o do quadro docente pode se agravar porque os jovens que v\u00e3o para as licenciaturas muitas vezes s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica anterior. Al\u00e9m disso, ela destaca que entre os mais jovens h\u00e1 maior risco de \u201cabandono da profiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles docentes j\u00e1 estabelecidos\u201d. A amplia\u00e7\u00e3o das contrata\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias ajudou a sustentar o n\u00famero de professores em atividade, mas n\u00e3o solucionou o problema de renova\u00e7\u00e3o. Na rede p\u00fablica, o n\u00famero de docentes concursados, efetivos ou est\u00e1veis caiu de 305 mil em 2015 para 255 mil em 2025, enquanto os tempor\u00e1rios passaram de 146 mil para 205 mil. Com isso, a participa\u00e7\u00e3o dos contratos tempor\u00e1rios no ensino m\u00e9dio p\u00fablico subiu de 32,2% para 43,4% do total no per\u00edodo. A estrat\u00e9gia atende \u00e0 necessidade de curto prazo, mas traz quest\u00f5es relacionadas \u00e0 estabilidade, continuidade e capacidade de reten\u00e7\u00e3o dos profissionais. A forma\u00e7\u00e3o de novos docentes tamb\u00e9m apresenta sinais de fragilidade. O n\u00famero de concluintes de cursos de licenciatura caiu 13,5% entre 2015 e 2024. A redu\u00e7\u00e3o foi puxada pelos cursos presenciais, que passaram de 152 mil para 71,7 mil concluintes, queda de 52,9%. O ensino a dist\u00e2ncia, por outro lado, registrou alta de 56,8% no per\u00edodo, para 134 mil concluintes, equivalentes a 65,1% do total em 2024. Mesmo no EAD, por\u00e9m, houve queda de 29,4% no n\u00famero de concluintes entre 2021 e 2024. O problema \u00e9 mais acentuado entre os jovens em algumas \u00e1reas. Entre 2015 e 2024, o n\u00famero de concluintes de licenciaturas com at\u00e9 24 anos caiu 64,6% em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, 39,1% em Biologia, 28,1% em Qu\u00edmica e 23,4% em Filosofia. Em 2023, nenhuma das \u00e1reas analisadas pelo estudo apresentava Taxa de Renova\u00e7\u00e3o Docente igual ou superior a 1. Entre os menores \u00edndices estavam Geografia, com 0,216; Hist\u00f3ria, com 0,234; L\u00edngua Portuguesa, com 0,240; Sociologia, com 0,263; e Filosofia, com 0,274. O levantamento tamb\u00e9m aponta dificuldades relacionadas \u00e0 atratividade da profiss\u00e3o. Dados da TALIS 2024, da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), citados pelo Semesp, mostram que apenas 14% dos professores brasileiros consideram a profiss\u00e3o socialmente valorizada, ante 22% na m\u00e9dia dos pa\u00edses participantes. A satisfa\u00e7\u00e3o com a remunera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 menor: 22% dos docentes brasileiros se dizem satisfeitos, contra 39% na m\u00e9dia da OCDE. Al\u00e9m disso, 16% dos professores brasileiros afirmam que o trabalho tem impacto muito negativo sobre sua sa\u00fade mental. Mantidas as tend\u00eancias atuais, a proje\u00e7\u00e3o do Semesp indica que a Taxa de Renova\u00e7\u00e3o Docente do Ensino M\u00e9dio pode cair para 0,25 em 2031, 0,22 em 2035 e 0,17 em 2040. Nesse \u00faltimo cen\u00e1rio, haveria aproximadamente um professor com at\u00e9 24 anos para cada seis com 60 anos ou mais. Em n\u00fameros absolutos, a estimativa aponta para cerca de 10,7 mil docentes jovens e 61,9 mil professores com 60 anos ou mais em 2040. Para o Instituto Semesp, o cen\u00e1rio atualiza o alerta feito em 2022, quando o estudo projetava um d\u00e9ficit de aproximadamente 235 mil professores na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica at\u00e9 2040. 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