{"id":324316,"date":"2026-09-21T06:00:42","date_gmt":"2026-09-21T09:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=324316"},"modified":"2026-09-20T22:53:18","modified_gmt":"2026-09-21T01:53:18","slug":"do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-mantem-vivas-tradicoes-no-alto-sertao-da-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/09\/21\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-mantem-vivas-tradicoes-no-alto-sertao-da-paraiba\/","title":{"rendered":"Do barro ao Reisado: mestres da cultura popular mant\u00eam vivas tradi\u00e7\u00f5es no Alto Sert\u00e3o da Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<p class=\"jpb-article-subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>Projeto Casa dos Mestres preserva hist\u00f3rias de quem aprendeu saberes populares na fam\u00edlia e hoje transmite essas tradi\u00e7\u00f5es \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es<\/em>.<\/p>\n<div class=\"jpb-article-head-inner\">\n<div class=\"jpb-article-head-info\">\n<p>H\u00e1 mais de 100 anos, o Reisado de Jos\u00e9 de Moura atravessa gera\u00e7\u00f5es em Po\u00e7o de Jos\u00e9 de Moura, no Sert\u00e3o da Para\u00edba. Jos\u00e9 Vandevan entrou na brincadeira aos 18 anos, como brincante, e aprendeu os primeiros passos com o pai, que tamb\u00e9m era mestre do grupo. Hoje, quase quatro d\u00e9cadas depois, ele \u00e9 respons\u00e1vel por manter a tradi\u00e7\u00e3o e ensinar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es o que aprendeu dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ced-ns.sascdn.com\/diff\/templates\/images\/info.svg\" data-exclude-click=\"\" \/><\/p>\n<p>O Reisado \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o popular que mistura m\u00fasica, dan\u00e7a, poesia e teatro. A tradi\u00e7\u00e3o re\u00fane personagens, cantos e encena\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Jos\u00e9 \u00e9 uma das cinco reconhecidas pelo projeto Casa dos Mestres, realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Cultural Pisada do Sert\u00e3o. A iniciativa est\u00e1 em fase de implanta\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios de Po\u00e7o de Jos\u00e9 de Moura, Po\u00e7o Dantas e Cajazeiras e re\u00fane mestres ligados ao artesanato, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o com barro, \u00e0 poesia, ao Reisado e \u00e0 m\u00fasica.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ced-ns.sascdn.com\/diff\/templates\/images\/info.svg\" data-exclude-click=\"\" \/><\/p>\n<p>A proposta \u00e9 reconhecer as pr\u00f3prias casas onde esses mestres vivem e desenvolvem seus saberes como espa\u00e7os de cultura, mem\u00f3ria e aprendizagem. Nesses locais, ser\u00e3o criadas estruturas para contar as trajet\u00f3rias dos participantes, com fotografias, objetos, instrumentos, pe\u00e7as e outros registros.<\/p>\n<h2>Reisado ficou mais de 20 anos parado<\/h2>\n<p>Jos\u00e9 tinha 18 anos quando entrou pela primeira vez em um grupo de Reisado. O aprendizado aconteceu na pr\u00e1tica, acompanhando o pai e conhecendo as m\u00fasicas, personagens e movimentos da manifesta\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, ele vivia em uma comunidade onde poucas casas tinham televis\u00e3o. As brincadeiras, portanto, eram criadas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as e moradores. O Reisado fazia parte desse cotidiano.<\/p>\n<p>\u201cEra um mundo encantado pra n\u00f3s. A gente aqui vivia numa vilazinha que mal tinha uma televis\u00e3o, algumas casas tinham uma televis\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente tinha que inventar as nossas brincadeiras\u201d, lembra Jos\u00e9.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o, no entanto, passou por um longo per\u00edodo de interrup\u00e7\u00e3o. Depois da morte do mestre fundador Jos\u00e9 de Moura, o grupo ficou mais de 20 anos sem brincar. Nesse per\u00edodo, a manifesta\u00e7\u00e3o permaneceu viva na mem\u00f3ria dos moradores.<\/p>\n<p>A retomada aconteceu durante uma apresenta\u00e7\u00e3o em homenagem ao centen\u00e1rio de nascimento do fundador. Para Jos\u00e9, aquele momento marcou o in\u00edcio de um novo ciclo do Reisado na comunidade. Desde ent\u00e3o, ele est\u00e1 \u00e0 frente do grupo h\u00e1 quase 40 anos. A manifesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passou a reunir diferentes gera\u00e7\u00f5es: h\u00e1 brincantes cujos pais, av\u00f3s, bisav\u00f3s e at\u00e9 tatarav\u00f3s j\u00e1 participaram.<\/p>\n<figure class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102801202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102801202609201722.jpg%3Fxid%3D1233374&amp;xid=1233374\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/900x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102801202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102801202609201722.jpg%3Fxid%3D1233374&amp;xid=1233374\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102801202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102801202609201722.jpg%3Fxid%3D1233374&amp;xid=1233374\" alt=\"\n\t\t\t\t\tDo barro ao Reisado: mestres da cultura popular mant\u00eam vivas tradi\u00e7\u00f5es no Alto Sert\u00e3o da Para\u00edba\n\n\t\t\t\t\" \/><\/picture><figcaption>Reisado ficou mais de 20 anos parado. (Foto: Arquivo pessoal\/Jos\u00e9 Vandevan). Jornal da Para\u00edba<\/figcaption><\/figure>\n<p>Hoje, cerca de 16 crian\u00e7as est\u00e3o sendo preparadas para integrar o grupo. Para Jos\u00e9, ensinar os pequenos \u00e9 uma forma de garantir que a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o termine com a gera\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as muitas vezes est\u00e3o s\u00f3 no celular. Conversar um pouco, contar a hist\u00f3ria do povo, da sua gente, dos seus antepassados, elas param e come\u00e7am a perguntar. Eu acho bom, porque quem ensina uma crian\u00e7a est\u00e1 se vivendo atrav\u00e9s dela, est\u00e1 se perpetuando cada vez mais.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 essa rela\u00e7\u00e3o entre passado e presente que, segundo Jos\u00e9, mant\u00e9m a manifesta\u00e7\u00e3o viva. As m\u00fasicas podem falar de hist\u00f3rias antigas, mas tamb\u00e9m dos acontecimentos atuais, das festas, das preocupa\u00e7\u00f5es da comunidade e at\u00e9 de acontecimentos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cEu canto uma m\u00fasica de um passado e canto um verso de um presente. Estamos vivendo o momento agora das elei\u00e7\u00f5es, cantar a elei\u00e7\u00e3o todinha. Se estava no tempo da Copa, cantamos a Copa. Se estamos no Natal, cantemos o Natal. Vivemos a cada momento. O Reisado \u00e9 assim, se manifestando em cada fase da nossa vida\u201d, explica.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m mudou ao longo do tempo. Se no in\u00edcio apenas homens participavam, atualmente as mulheres s\u00e3o maioria e ocupam posi\u00e7\u00f5es de destaque na organiza\u00e7\u00e3o da brincadeira.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 diz que manter uma tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria em uma \u00e9poca em que novas formas de entretenimento surgem diariamente \u00e9 um desafio. A sa\u00edda, segundo ele, est\u00e1 em adaptar a manifesta\u00e7\u00e3o sem perder os elementos que fazem parte de sua identidade.<\/p>\n<p>O saber do barro passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<figure class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102802202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102802202609201722.jpg%3Fxid%3D1233375&amp;xid=1233375\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/900x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102802202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102802202609201722.jpg%3Fxid%3D1233375&amp;xid=1233375\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102802202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102802202609201722.jpg%3Fxid%3D1233375&amp;xid=1233375\" alt=\"\n\t\t\t\t\tDo barro ao Reisado: mestres da cultura popular mant\u00eam vivas tradi\u00e7\u00f5es no Alto Sert\u00e3o da Para\u00edba\n\n\t\t\t\t\" \/><\/picture><figcaption>O saber do barro passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pisada do Sert\u00e3o).<\/figcaption><\/figure>\n<p>A transmiss\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e1 presente na hist\u00f3ria de Dona Lourdes, mestra louceira. O trabalho com o barro come\u00e7ou quando ela ainda era crian\u00e7a, por volta dos 10 anos, seguindo o que havia aprendido com a m\u00e3e, que por sua vez aprendeu com a av\u00f3.<\/p>\n<p>O of\u00edcio tamb\u00e9m ajudou a sustentar a fam\u00edlia. Ainda jovem, Dona Lourdes produzia pe\u00e7as para vender e entregava parte do dinheiro \u00e0 m\u00e3e para ajudar nas despesas. Hoje, os seis filhos dela participam da produ\u00e7\u00e3o, e uma das netas j\u00e1 come\u00e7ou a aprender a moldar o barro.<\/p>\n<p>\u201cO saber de moldar o barro, de forma ancestral, totalmente \u00e0s m\u00e3os, vem da gera\u00e7\u00e3o da minha v\u00f3. Hoje os seis filhos de Lurdinha se envolvem na arte, tamb\u00e9m trabalham, moldam e produzem as pe\u00e7as, j\u00e1 chegando nos netos. A neta mais velha tamb\u00e9m j\u00e1 produz\u201d, conta Carla Helo\u00edsa, filha de Dona Lourdes.<\/p>\n<figure class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102803202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102803202609201722.jpg%3Fxid%3D1233376&amp;xid=1233376\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/900x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102803202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102803202609201722.jpg%3Fxid%3D1233376&amp;xid=1233376\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102803202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102803202609201722.jpg%3Fxid%3D1233376&amp;xid=1233376\" alt=\"\n\t\t\t\t\tDo barro ao Reisado: mestres da cultura popular mant\u00eam vivas tradi\u00e7\u00f5es no Alto Sert\u00e3o da Para\u00edba\n\n\t\t\t\t\" \/><\/picture><figcaption>O saber do barro passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. (Foto: Arquivo Pessoal\/Carla Helo\u00edsa). Jornal da Para\u00edba<\/figcaption><\/figure>\n<p>O processo \u00e9 longo. O barro \u00e9 retirado em uma \u00e1rea rural de outro munic\u00edpio e Dona Lourdes acompanha pessoalmente essa etapa para verificar a qualidade da mat\u00e9ria-prima. Depois, o material \u00e9 pisado, peneirado, lavado e amassado at\u00e9 chegar ao ponto adequado para a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os trabalhos est\u00e1 uma cole\u00e7\u00e3o que inclui o pote \u2018Ex-votos\u2019, inspirado na religiosidade e nas romarias do Sert\u00e3o. A pe\u00e7a representa a f\u00e9 e a esperan\u00e7a dos sertanejos e tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de fazer com que o trabalho seja reconhecido como arte e como parte da hist\u00f3ria de sua ancestralidade.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades para conseguir mat\u00e9ria-prima, a tradi\u00e7\u00e3o continua sendo passada adiante. O interesse de pessoas em aprender a moldar o barro tamb\u00e9m aparece nas oficinas e cursos promovidos pela associa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de parcerias com artistas que utilizam as pe\u00e7as em seus pr\u00f3prios trabalhos.<\/p>\n<p>Para a fam\u00edlia, manter o artesanato vivo significa tamb\u00e9m preservar um conhecimento que atravessa gera\u00e7\u00f5es. A rela\u00e7\u00e3o de Dona Lourdes com o barro, no entanto, come\u00e7ou muito antes de ela se tornar mestra louceira: foi a m\u00e3e quem ensinou os primeiros passos do of\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cTenho como lembran\u00e7a de minha m\u00e3e o esfor\u00e7o dela e, naquele tempo, ela n\u00e3o tinha a ajuda que a gente tem hoje. Lembro e agrade\u00e7o a ela por ter me ensinado e ter me dado o compromisso de come\u00e7ar minhas pr\u00f3prias vendas. Parte do dinheiro das vendas eu dava para ela para ajudar nas despesas e outra parte eu podia comprar minhas coisas\u201d, lembra Dona Lourdes.<\/p>\n<p>Hoje, o conhecimento que ela recebeu da m\u00e3e continua sendo moldado pelas m\u00e3os da fam\u00edlia e passado para as novas gera\u00e7\u00f5es, mantendo vivo um of\u00edcio que \u00e9, ao mesmo tempo, trabalho, arte e mem\u00f3ria.<\/p>\n<h2>Outros mestres tamb\u00e9m preservam seus saberes<\/h2>\n<figure class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102804202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102804202609201722.jpg%3Fxid%3D1233377&amp;xid=1233377\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/900x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102804202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102804202609201722.jpg%3Fxid%3D1233377&amp;xid=1233377\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.jornaldaparaiba.com.br\/img\/inline\/220000\/500x0\/do-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102804202609201722-8.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.jornaldaparaiba.com.br%2Fimg%2Finline%2F220000%2Fdo-barro-ao-reisado-mestres-da-cultura-popular-man0022102804202609201722.jpg%3Fxid%3D1233377&amp;xid=1233377\" alt=\"\n\t\t\t\t\tDo barro ao Reisado: mestres da cultura popular mant\u00eam vivas tradi\u00e7\u00f5es no Alto Sert\u00e3o da Para\u00edba\n\n\t\t\t\t\" \/><\/picture><figcaption>Outros mestres tamb\u00e9m preservam seus saberes. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pisada do Sert\u00e3o).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m de Jos\u00e9 Vandevan e Dona Lourdes, o projeto reconhece Roberto Ces\u00e1rio da Silva, conhecido como Tatu, mestre na poesia; Francisco Amaro da Silva, o Chico Amaro, mestre sanfoneiro; e Josefa Francisca da Concei\u00e7\u00e3o, Dona Zefinha, mestra em artesanato e fiandeira.<\/p>\n<p>Cada mestre mant\u00e9m uma pr\u00e1tica diferente, mas todos t\u00eam em comum a transmiss\u00e3o de conhecimentos constru\u00eddos dentro das pr\u00f3prias comunidades. Al\u00e9m das estruturas de mem\u00f3ria, o projeto prev\u00ea viv\u00eancias e visitas pedag\u00f3gicas para aproximar os mestres das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>Com Jornal da Para\u00edba<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto Casa dos Mestres preserva hist\u00f3rias de quem aprendeu saberes populares na fam\u00edlia e hoje transmite essas tradi\u00e7\u00f5es \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. H\u00e1 mais de 100 anos, o Reisado de Jos\u00e9 de Moura atravessa gera\u00e7\u00f5es em Po\u00e7o de Jos\u00e9 de Moura, no Sert\u00e3o da Para\u00edba. Jos\u00e9 Vandevan entrou na brincadeira aos 18 anos, como brincante, e aprendeu os primeiros passos com o pai, que tamb\u00e9m era mestre do grupo. Hoje, quase quatro d\u00e9cadas depois, ele \u00e9 respons\u00e1vel por manter a tradi\u00e7\u00e3o e ensinar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es o que aprendeu dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia. O Reisado \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o popular que mistura m\u00fasica, dan\u00e7a, poesia e teatro. A tradi\u00e7\u00e3o re\u00fane personagens, cantos e encena\u00e7\u00f5es. A hist\u00f3ria de Jos\u00e9 \u00e9 uma das cinco reconhecidas pelo projeto Casa dos Mestres, realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Cultural Pisada do Sert\u00e3o. A iniciativa est\u00e1 em fase de implanta\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios de Po\u00e7o de Jos\u00e9 de Moura, Po\u00e7o Dantas e Cajazeiras e re\u00fane mestres ligados ao artesanato, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o com barro, \u00e0 poesia, ao Reisado e \u00e0 m\u00fasica. A proposta \u00e9 reconhecer as pr\u00f3prias casas onde esses mestres vivem e desenvolvem seus saberes como espa\u00e7os de cultura, mem\u00f3ria e aprendizagem. Nesses locais, ser\u00e3o criadas estruturas para contar as trajet\u00f3rias dos participantes, com fotografias, objetos, instrumentos, pe\u00e7as e outros registros. Reisado ficou mais de 20 anos parado Jos\u00e9 tinha 18 anos quando entrou pela primeira vez em um grupo de Reisado. O aprendizado aconteceu na pr\u00e1tica, acompanhando o pai e conhecendo as m\u00fasicas, personagens e movimentos da manifesta\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, ele vivia em uma comunidade onde poucas casas tinham televis\u00e3o. As brincadeiras, portanto, eram criadas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as e moradores. O Reisado fazia parte desse cotidiano. \u201cEra um mundo encantado pra n\u00f3s. A gente aqui vivia numa vilazinha que mal tinha uma televis\u00e3o, algumas casas tinham uma televis\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente tinha que inventar as nossas brincadeiras\u201d, lembra Jos\u00e9. A tradi\u00e7\u00e3o, no entanto, passou por um longo per\u00edodo de interrup\u00e7\u00e3o. Depois da morte do mestre fundador Jos\u00e9 de Moura, o grupo ficou mais de 20 anos sem brincar. Nesse per\u00edodo, a manifesta\u00e7\u00e3o permaneceu viva na mem\u00f3ria dos moradores. A retomada aconteceu durante uma apresenta\u00e7\u00e3o em homenagem ao centen\u00e1rio de nascimento do fundador. Para Jos\u00e9, aquele momento marcou o in\u00edcio de um novo ciclo do Reisado na comunidade. Desde ent\u00e3o, ele est\u00e1 \u00e0 frente do grupo h\u00e1 quase 40 anos. A manifesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passou a reunir diferentes gera\u00e7\u00f5es: h\u00e1 brincantes cujos pais, av\u00f3s, bisav\u00f3s e at\u00e9 tatarav\u00f3s j\u00e1 participaram. Reisado ficou mais de 20 anos parado. (Foto: Arquivo pessoal\/Jos\u00e9 Vandevan). Jornal da Para\u00edba Hoje, cerca de 16 crian\u00e7as est\u00e3o sendo preparadas para integrar o grupo. Para Jos\u00e9, ensinar os pequenos \u00e9 uma forma de garantir que a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o termine com a gera\u00e7\u00e3o atual. \u201cAs crian\u00e7as muitas vezes est\u00e3o s\u00f3 no celular. Conversar um pouco, contar a hist\u00f3ria do povo, da sua gente, dos seus antepassados, elas param e come\u00e7am a perguntar. Eu acho bom, porque quem ensina uma crian\u00e7a est\u00e1 se vivendo atrav\u00e9s dela, est\u00e1 se perpetuando cada vez mais.\u201d \u00c9 essa rela\u00e7\u00e3o entre passado e presente que, segundo Jos\u00e9, mant\u00e9m a manifesta\u00e7\u00e3o viva. As m\u00fasicas podem falar de hist\u00f3rias antigas, mas tamb\u00e9m dos acontecimentos atuais, das festas, das preocupa\u00e7\u00f5es da comunidade e at\u00e9 de acontecimentos pol\u00edticos. \u201cEu canto uma m\u00fasica de um passado e canto um verso de um presente. Estamos vivendo o momento agora das elei\u00e7\u00f5es, cantar a elei\u00e7\u00e3o todinha. Se estava no tempo da Copa, cantamos a Copa. Se estamos no Natal, cantemos o Natal. Vivemos a cada momento. O Reisado \u00e9 assim, se manifestando em cada fase da nossa vida\u201d, explica. O grupo tamb\u00e9m mudou ao longo do tempo. Se no in\u00edcio apenas homens participavam, atualmente as mulheres s\u00e3o maioria e ocupam posi\u00e7\u00f5es de destaque na organiza\u00e7\u00e3o da brincadeira. Jos\u00e9 diz que manter uma tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria em uma \u00e9poca em que novas formas de entretenimento surgem diariamente \u00e9 um desafio. A sa\u00edda, segundo ele, est\u00e1 em adaptar a manifesta\u00e7\u00e3o sem perder os elementos que fazem parte de sua identidade. O saber do barro passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o O saber do barro passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pisada do Sert\u00e3o). A transmiss\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e1 presente na hist\u00f3ria de Dona Lourdes, mestra louceira. O trabalho com o barro come\u00e7ou quando ela ainda era crian\u00e7a, por volta dos 10 anos, seguindo o que havia aprendido com a m\u00e3e, que por sua vez aprendeu com a av\u00f3. O of\u00edcio tamb\u00e9m ajudou a sustentar a fam\u00edlia. Ainda jovem, Dona Lourdes produzia pe\u00e7as para vender e entregava parte do dinheiro \u00e0 m\u00e3e para ajudar nas despesas. Hoje, os seis filhos dela participam da produ\u00e7\u00e3o, e uma das netas j\u00e1 come\u00e7ou a aprender a moldar o barro. \u201cO saber de moldar o barro, de forma ancestral, totalmente \u00e0s m\u00e3os, vem da gera\u00e7\u00e3o da minha v\u00f3. Hoje os seis filhos de Lurdinha se envolvem na arte, tamb\u00e9m trabalham, moldam e produzem as pe\u00e7as, j\u00e1 chegando nos netos. A neta mais velha tamb\u00e9m j\u00e1 produz\u201d, conta Carla Helo\u00edsa, filha de Dona Lourdes. O saber do barro passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. (Foto: Arquivo Pessoal\/Carla Helo\u00edsa). Jornal da Para\u00edba O processo \u00e9 longo. O barro \u00e9 retirado em uma \u00e1rea rural de outro munic\u00edpio e Dona Lourdes acompanha pessoalmente essa etapa para verificar a qualidade da mat\u00e9ria-prima. Depois, o material \u00e9 pisado, peneirado, lavado e amassado at\u00e9 chegar ao ponto adequado para a produ\u00e7\u00e3o. Entre os trabalhos est\u00e1 uma cole\u00e7\u00e3o que inclui o pote \u2018Ex-votos\u2019, inspirado na religiosidade e nas romarias do Sert\u00e3o. A pe\u00e7a representa a f\u00e9 e a esperan\u00e7a dos sertanejos e tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de fazer com que o trabalho seja reconhecido como arte e como parte da hist\u00f3ria de sua ancestralidade. Apesar das dificuldades para conseguir mat\u00e9ria-prima, a tradi\u00e7\u00e3o continua sendo passada adiante. O interesse de pessoas em aprender a moldar o barro tamb\u00e9m aparece nas oficinas e cursos promovidos pela associa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de parcerias com artistas que utilizam as pe\u00e7as em seus pr\u00f3prios trabalhos. Para a fam\u00edlia, manter o artesanato vivo significa tamb\u00e9m preservar<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":324317,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-324316","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=324316"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":324318,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324316\/revisions\/324318"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/324317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=324316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=324316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=324316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}