{"id":325825,"date":"2026-10-01T06:00:01","date_gmt":"2026-10-01T09:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=325825"},"modified":"2026-09-30T23:48:09","modified_gmt":"2026-10-01T02:48:09","slug":"tse-proibe-posts-que-vinculam-flavio-a-fake-news-de-nossa-senhora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/10\/01\/tse-proibe-posts-que-vinculam-flavio-a-fake-news-de-nossa-senhora\/","title":{"rendered":"TSE pro\u00edbe posts que vinculam Fl\u00e1vio a fake news de Nossa Senhora"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"text-align: center;\"><em>Sess\u00e3o foi marcada por diverg\u00eancia sobre alcance da decis\u00e3o; Mendon\u00e7a ajustou voto para liberar publica\u00e7\u00e3o de humorista e evitar rev\u00e9s<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta quarta-feira (30) para manter a remo\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es com a informa\u00e7\u00e3o falsa de que o candidato Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL-RJ) ou familiares teriam articulado a retirada do t\u00edtulo de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Os ministros divergem, por\u00e9m, sobre o alcance da ordem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro a votar foi o relator, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, que referendou sua decis\u00e3o e foi acompanhado pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, e por Dias Toffoli. Na sequ\u00eancia, votaram os ministros Ricardo Villas B\u00f4as Cueva e Floriano Marques Neto, que abriram diverg\u00eancia parcial: concordam que s\u00e3o falsas as afirma\u00e7\u00f5es de que Fl\u00e1vio prop\u00f4s, apoiou ou articulou a medida, mas querem restringir a remo\u00e7\u00e3o aos conte\u00fados \u201cnotoriamente inver\u00eddicos\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por volta das 20h30, Mendon\u00e7a reconsiderou parte do voto e liberou a postagem do humorista Antonio Tabet, que dizia, sem citar Fl\u00e1vio, que a \u201cfam\u00edlia miliciana\u201d teria atacado Nossa Senhora Aparecida. O relator argumentou que, diante de \u201cd\u00favida razo\u00e1vel\u201d sobre o enquadramento da publica\u00e7\u00e3o como informa\u00e7\u00e3o falsa, deve prevalecer a liberdade de express\u00e3o. Manteve, por\u00e9m, a proibi\u00e7\u00e3o aos posts que associem Fl\u00e1vio \u00e0 suposta tentativa de mudan\u00e7a do t\u00edtulo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO ajuste limita-se \u00e0 publica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de Antonio Tabet. Diante da razoabilidade da compreens\u00e3o de ambiguidade de seu conte\u00fado, entendo que a solu\u00e7\u00e3o mais consent\u00e2nea com os crit\u00e9rios de interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima e de prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada da liberdade de express\u00e3o consiste em preservar a postagem\u201d, escreveu o ministro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em decis\u00e3o tomada na sexta-feira (25), Mendon\u00e7a havia determinado a derrubada de mais de mil links que relacionam Fl\u00e1vio e Nossa Senhora Aparecida, com multa de R$ 50 mil para as plataformas que descumprirem a ordem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estela Aranha e Sebasti\u00e3o Reis fecharam o placar ao votar no sentido de que as publica\u00e7\u00f5es com informa\u00e7\u00e3o falsa devem ser retiradas. Com os dois votos, os sete integrantes do TSE se manifestaram pela remo\u00e7\u00e3o dos posts que afirmem, como fato, que Fl\u00e1vio prop\u00f4s, apoiou ou articulou a retirada do t\u00edtulo de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A diverg\u00eancia ficou restrita ao alcance da ordem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voto de Mendon\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No voto em que defende a manuten\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o,\u00a0Mendon\u00e7a rebateu alguns dos argumentos apresentados pelo ministro\u00a0Fl\u00e1vio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao suspender a decis\u00e3o. Segundo ele, as determina\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a Eleitoral n\u00e3o restringiram a liberdade religiosa nem configuraram censura pr\u00e9via.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele classificou como \u201cirrespons\u00e1vel\u201d atribuir \u00e0s decis\u00f5es qualquer cerceamento \u00e0 liberdade religiosa. Segundo ele, nenhuma delas determinou a retirada de conte\u00fados sobre Nossa Senhora Aparecida, proibiu manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 ou impediu cr\u00edticas \u00e0 fam\u00edlia de Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro argumentou que a sua decis\u00e3o contempla apenas a divulga\u00e7\u00e3o de uma afirma\u00e7\u00e3o factual \u201cconcretamente falsa\u201d sobre a atua\u00e7\u00e3o de um candidato.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCausa especial perplexidade a insinua\u00e7\u00e3o de que as decis\u00f5es proferidas nestes autos teriam buscado impedir fi\u00e9is cat\u00f3licos de manifestar apoio ou devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora Aparecida. Nada, absolutamente nada, nas decis\u00f5es autoriza semelhante conclus\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mendon\u00e7a tamb\u00e9m\u00a0rejeitou a acusa\u00e7\u00e3o de censura pr\u00e9via. Segundo ele, as decis\u00f5es n\u00e3o estabeleceram controle estatal antecipado sobre as publica\u00e7\u00f5es nem exigiram autoriza\u00e7\u00e3o judicial para manifesta\u00e7\u00f5es futuras. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve suspens\u00e3o de perfis, contas ou canais.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs determina\u00e7\u00f5es reca\u00edram exclusivamente sobre publica\u00e7\u00f5es que reproduzissem o n\u00facleo factual especificamente delimitado nas decis\u00f5es, preservando-se integralmente a possibilidade de continuidade da atua\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios nas plataformas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro sustentou que a ordem atingiu apenas a reprodu\u00e7\u00e3o de um conte\u00fado cuja falsidade j\u00e1 havia sido reconhecida judicialmente. Por isso, segundo ele, n\u00e3o seria poss\u00edvel considerar censura pr\u00e9via a remo\u00e7\u00e3o de novas publica\u00e7\u00f5es que repetissem a mesma afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Entenda<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O imbr\u00f3glio relacionado \u00e0 Nossa Senhora Aparecida come\u00e7ou na noite de 23 de setembro, quando passou a circular nas redes sociais a afirma\u00e7\u00e3o de que Fl\u00e1vio Bolsonaro, se eleito presidente,\u00a0retiraria de Nossa Senhora Aparecida o t\u00edtulo de Padroeira do Brasil.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os conte\u00fados publicados nas redes sociais utilizaram falas de Fl\u00e1vio Bolsonaro feitas em agosto, em que afirmou que \u201cquando eu for presidente, um dos meus primeiros atos ser\u00e1 decretar que o Brasil \u00e9 do Senhor Jesus Cristo\u201d. A declara\u00e7\u00e3o foi feita em um v\u00eddeo em que o presidenci\u00e1vel explicava a aus\u00eancia no primeiro debate presidencial realizado pela <em>TV Band<\/em>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sexta-feira (25), em a\u00e7\u00e3o ajuizada por Fl\u00e1vio no TSE, Mendon\u00e7a havia concedido uma liminar determinando a remo\u00e7\u00e3o imediata da publica\u00e7\u00e3o. O ministro tamb\u00e9m proibiu a republica\u00e7\u00e3o do mesmo conte\u00fado ou de \u201cnarrativa equivalente\u201d, sob pena de multa di\u00e1ria de R$ 30 mil, e determinou a indisponibiliza\u00e7\u00e3o em massa das publica\u00e7\u00f5es pela plataforma.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois dias ap\u00f3s a decis\u00e3o de Mendon\u00e7a, o ministro\u00a0Fl\u00e1vio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido do humorista Antonio Tabet e\u00a0derrubou a ordem do colega, liberando as publica\u00e7\u00f5es sobre a santa. Para o ministro, a proibi\u00e7\u00e3o das postagens representava uma restri\u00e7\u00e3o excessiva \u00e0 liberdade de express\u00e3o e poderia configurar censura pr\u00e9via, especialmente durante o per\u00edodo eleitoral.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Presidente da Corte Eleitoral,\u00a0Kassio Nunes Marques\u00a0chegou a pedir que o presidente do STF,\u00a0Edson Fachin,\u00a0tomasse alguma provid\u00eancia\u00a0sobre a interfer\u00eancia de Dino em uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a Eleitoral.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mais uma reviravolta do caso, por\u00e9m, o ministro\u00a0Luiz Fux\u00a0suspendeu a decis\u00e3o de Dino\u00a0na segunda-feira (28) e restabeleceu as determina\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a Eleitoral contra as publica\u00e7\u00f5es sobre Nossa Senhora Aparecida. As plataformas receberam prazo de 24 horas para voltar a cumprir a ordem de Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na decis\u00e3o, Fux questionou o processo utilizado por Dino para tomar a medida, j\u00e1 que se tratava de uma a\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente que discutia outro tema. O ministro tamb\u00e9m afirmou que Dino tomou a decis\u00e3o sem ouvir Mendon\u00e7a, Fl\u00e1vio Bolsonaro ou a PGR (Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida se insere no contexto da divis\u00e3o do STF. Dino \u00e9 um dos aliados mais pr\u00f3ximos a\u00a0Alexandre de Moraes\u00a0no imbr\u00f3glio envolvendo a Suprema Corte e o Banco Master. Foi ele o respons\u00e1vel por sugerir uma\u00a0quest\u00e3o de ordem\u00a0e pedir a vista que paralisou, por at\u00e9 90 dias, a an\u00e1lise de uma\u00a0eventual abertura de investiga\u00e7\u00e3o contra Moraes\u00a0em raz\u00e3o das mensagens trocadas com Vorcaro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Dino derruba uma decis\u00e3o de Mendon\u00e7a. Ele concedeu uma liminar para cassar a determina\u00e7\u00e3o que afastou o diretor-geral da Pol\u00edcia Federal,\u00a0Andrei Rodrigues, colocando-o de volta no posto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 ent\u00e3o, a derrubada de decis\u00f5es de um ministro do STF por um colega n\u00e3o era in\u00e9dita, mas era extremamente rara, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 hierarquia entre os magistrados.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do outro lado, Mendon\u00e7a \u00e9 o principal oponente de Moraes. Foi ele quem tornou p\u00fablico o relat\u00f3rio que trazia as mensagens do ministro com Vorcaro. Luiz Fux \u00e9 da ala favor\u00e1vel a Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Com CNN Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sess\u00e3o foi marcada por diverg\u00eancia sobre alcance da decis\u00e3o; Mendon\u00e7a ajustou voto para liberar publica\u00e7\u00e3o de humorista e evitar rev\u00e9s O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta quarta-feira (30) para manter a remo\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es com a informa\u00e7\u00e3o falsa de que o candidato Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL-RJ) ou familiares teriam articulado a retirada do t\u00edtulo de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Os ministros divergem, por\u00e9m, sobre o alcance da ordem. O primeiro a votar foi o relator, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, que referendou sua decis\u00e3o e foi acompanhado pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, e por Dias Toffoli. Na sequ\u00eancia, votaram os ministros Ricardo Villas B\u00f4as Cueva e Floriano Marques Neto, que abriram diverg\u00eancia parcial: concordam que s\u00e3o falsas as afirma\u00e7\u00f5es de que Fl\u00e1vio prop\u00f4s, apoiou ou articulou a medida, mas querem restringir a remo\u00e7\u00e3o aos conte\u00fados \u201cnotoriamente inver\u00eddicos\u201d. Por volta das 20h30, Mendon\u00e7a reconsiderou parte do voto e liberou a postagem do humorista Antonio Tabet, que dizia, sem citar Fl\u00e1vio, que a \u201cfam\u00edlia miliciana\u201d teria atacado Nossa Senhora Aparecida. O relator argumentou que, diante de \u201cd\u00favida razo\u00e1vel\u201d sobre o enquadramento da publica\u00e7\u00e3o como informa\u00e7\u00e3o falsa, deve prevalecer a liberdade de express\u00e3o. Manteve, por\u00e9m, a proibi\u00e7\u00e3o aos posts que associem Fl\u00e1vio \u00e0 suposta tentativa de mudan\u00e7a do t\u00edtulo. \u201cO ajuste limita-se \u00e0 publica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de Antonio Tabet. Diante da razoabilidade da compreens\u00e3o de ambiguidade de seu conte\u00fado, entendo que a solu\u00e7\u00e3o mais consent\u00e2nea com os crit\u00e9rios de interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima e de prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada da liberdade de express\u00e3o consiste em preservar a postagem\u201d, escreveu o ministro. Em decis\u00e3o tomada na sexta-feira (25), Mendon\u00e7a havia determinado a derrubada de mais de mil links que relacionam Fl\u00e1vio e Nossa Senhora Aparecida, com multa de R$ 50 mil para as plataformas que descumprirem a ordem. Estela Aranha e Sebasti\u00e3o Reis fecharam o placar ao votar no sentido de que as publica\u00e7\u00f5es com informa\u00e7\u00e3o falsa devem ser retiradas. Com os dois votos, os sete integrantes do TSE se manifestaram pela remo\u00e7\u00e3o dos posts que afirmem, como fato, que Fl\u00e1vio prop\u00f4s, apoiou ou articulou a retirada do t\u00edtulo de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A diverg\u00eancia ficou restrita ao alcance da ordem. Voto de Mendon\u00e7a No voto em que defende a manuten\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o,\u00a0Mendon\u00e7a rebateu alguns dos argumentos apresentados pelo ministro\u00a0Fl\u00e1vio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao suspender a decis\u00e3o. Segundo ele, as determina\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a Eleitoral n\u00e3o restringiram a liberdade religiosa nem configuraram censura pr\u00e9via. Ele classificou como \u201cirrespons\u00e1vel\u201d atribuir \u00e0s decis\u00f5es qualquer cerceamento \u00e0 liberdade religiosa. Segundo ele, nenhuma delas determinou a retirada de conte\u00fados sobre Nossa Senhora Aparecida, proibiu manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 ou impediu cr\u00edticas \u00e0 fam\u00edlia de Fl\u00e1vio Bolsonaro. O ministro argumentou que a sua decis\u00e3o contempla apenas a divulga\u00e7\u00e3o de uma afirma\u00e7\u00e3o factual \u201cconcretamente falsa\u201d sobre a atua\u00e7\u00e3o de um candidato. \u201cCausa especial perplexidade a insinua\u00e7\u00e3o de que as decis\u00f5es proferidas nestes autos teriam buscado impedir fi\u00e9is cat\u00f3licos de manifestar apoio ou devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora Aparecida. Nada, absolutamente nada, nas decis\u00f5es autoriza semelhante conclus\u00e3o\u201d, afirmou. Mendon\u00e7a tamb\u00e9m\u00a0rejeitou a acusa\u00e7\u00e3o de censura pr\u00e9via. Segundo ele, as decis\u00f5es n\u00e3o estabeleceram controle estatal antecipado sobre as publica\u00e7\u00f5es nem exigiram autoriza\u00e7\u00e3o judicial para manifesta\u00e7\u00f5es futuras. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve suspens\u00e3o de perfis, contas ou canais. \u201cAs determina\u00e7\u00f5es reca\u00edram exclusivamente sobre publica\u00e7\u00f5es que reproduzissem o n\u00facleo factual especificamente delimitado nas decis\u00f5es, preservando-se integralmente a possibilidade de continuidade da atua\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios nas plataformas\u201d, afirmou. O ministro sustentou que a ordem atingiu apenas a reprodu\u00e7\u00e3o de um conte\u00fado cuja falsidade j\u00e1 havia sido reconhecida judicialmente. Por isso, segundo ele, n\u00e3o seria poss\u00edvel considerar censura pr\u00e9via a remo\u00e7\u00e3o de novas publica\u00e7\u00f5es que repetissem a mesma afirma\u00e7\u00e3o. Entenda O imbr\u00f3glio relacionado \u00e0 Nossa Senhora Aparecida come\u00e7ou na noite de 23 de setembro, quando passou a circular nas redes sociais a afirma\u00e7\u00e3o de que Fl\u00e1vio Bolsonaro, se eleito presidente,\u00a0retiraria de Nossa Senhora Aparecida o t\u00edtulo de Padroeira do Brasil. Os conte\u00fados publicados nas redes sociais utilizaram falas de Fl\u00e1vio Bolsonaro feitas em agosto, em que afirmou que \u201cquando eu for presidente, um dos meus primeiros atos ser\u00e1 decretar que o Brasil \u00e9 do Senhor Jesus Cristo\u201d. A declara\u00e7\u00e3o foi feita em um v\u00eddeo em que o presidenci\u00e1vel explicava a aus\u00eancia no primeiro debate presidencial realizado pela TV Band. Na sexta-feira (25), em a\u00e7\u00e3o ajuizada por Fl\u00e1vio no TSE, Mendon\u00e7a havia concedido uma liminar determinando a remo\u00e7\u00e3o imediata da publica\u00e7\u00e3o. O ministro tamb\u00e9m proibiu a republica\u00e7\u00e3o do mesmo conte\u00fado ou de \u201cnarrativa equivalente\u201d, sob pena de multa di\u00e1ria de R$ 30 mil, e determinou a indisponibiliza\u00e7\u00e3o em massa das publica\u00e7\u00f5es pela plataforma. Dois dias ap\u00f3s a decis\u00e3o de Mendon\u00e7a, o ministro\u00a0Fl\u00e1vio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido do humorista Antonio Tabet e\u00a0derrubou a ordem do colega, liberando as publica\u00e7\u00f5es sobre a santa. Para o ministro, a proibi\u00e7\u00e3o das postagens representava uma restri\u00e7\u00e3o excessiva \u00e0 liberdade de express\u00e3o e poderia configurar censura pr\u00e9via, especialmente durante o per\u00edodo eleitoral. Presidente da Corte Eleitoral,\u00a0Kassio Nunes Marques\u00a0chegou a pedir que o presidente do STF,\u00a0Edson Fachin,\u00a0tomasse alguma provid\u00eancia\u00a0sobre a interfer\u00eancia de Dino em uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a Eleitoral. Em mais uma reviravolta do caso, por\u00e9m, o ministro\u00a0Luiz Fux\u00a0suspendeu a decis\u00e3o de Dino\u00a0na segunda-feira (28) e restabeleceu as determina\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a Eleitoral contra as publica\u00e7\u00f5es sobre Nossa Senhora Aparecida. As plataformas receberam prazo de 24 horas para voltar a cumprir a ordem de Mendon\u00e7a. Na decis\u00e3o, Fux questionou o processo utilizado por Dino para tomar a medida, j\u00e1 que se tratava de uma a\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente que discutia outro tema. O ministro tamb\u00e9m afirmou que Dino tomou a decis\u00e3o sem ouvir Mendon\u00e7a, Fl\u00e1vio Bolsonaro ou a PGR (Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica). O caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida se insere no contexto da divis\u00e3o do STF. Dino \u00e9 um dos aliados mais pr\u00f3ximos a\u00a0Alexandre de Moraes\u00a0no imbr\u00f3glio envolvendo a Suprema Corte e o Banco Master. Foi ele o respons\u00e1vel por sugerir uma\u00a0quest\u00e3o de ordem\u00a0e pedir a vista que paralisou, por at\u00e9 90 dias, a an\u00e1lise de uma\u00a0eventual abertura de investiga\u00e7\u00e3o contra Moraes\u00a0em raz\u00e3o das mensagens trocadas com Vorcaro. 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