{"id":326264,"date":"2026-10-06T06:00:57","date_gmt":"2026-10-06T09:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=326264"},"modified":"2026-10-06T00:31:17","modified_gmt":"2026-10-06T03:31:17","slug":"a-estrategia-do-cariri-para-liderar-o-leite-de-cabra-no-brasil-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/10\/06\/a-estrategia-do-cariri-para-liderar-o-leite-de-cabra-no-brasil-entenda\/","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia do Cariri para liderar o leite de cabra no Brasil; entenda"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"text-align: center;\"><em>Mesmo com rebanho menor que Bahia, Pernambuco e Piau\u00ed, estado aposta em gen\u00e9tica, tecnologia no Cariri e agroindustrializa\u00e7\u00e3o para liderar a produ\u00e7\u00e3o de leite de cabra no pa\u00eds.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Bahia possu\u00eda aproximadamente 4,2 milh\u00f5es de caprinos em 2024. Pernambuco tinha cerca de 3,4 milh\u00f5es e o Cear\u00e1, 1,14 milh\u00e3o. Juntos, os tr\u00eas estados reuniam aproximadamente 8,7 milh\u00f5es de animais. Na Para\u00edba eram cerca de 849 mil.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros da Pesquisa da Pecu\u00e1ria Municipal do IBGE colocam o estado tamb\u00e9m atr\u00e1s do Piau\u00ed, com pouco mais de 2 milh\u00f5es de animais. A Para\u00edba ocupa, portanto, a quinta posi\u00e7\u00e3o nacional quando a compara\u00e7\u00e3o considera o tamanho do rebanho caprino. A diferen\u00e7a \u00e9 grande: Bahia, Pernambuco e Cear\u00e1 possuem juntos mais de dez vezes o plantel paraibano. Mas contar cabe\u00e7as revela apenas uma parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No interior da Para\u00edba, principalmente no Cariri, foi constru\u00edda ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas uma estrutura voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite que re\u00fane pequenos produtores, associa\u00e7\u00f5es, cooperativas, compras p\u00fablicas, assist\u00eancia t\u00e9cnica, gen\u00e9tica, beneficiamento e agroind\u00fastria. \u00c9 nessa segunda camada que o peso econ\u00f4mico da caprinocultura paraibana come\u00e7a a aparecer.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.milkpoint.com.br\/img\/artigo\/conteudo\/125448\/\" alt=\"Para\u00edba: a estrat\u00e9gia do sert\u00e3o do Cariri para liderar o leite de cabra no Brasil\" \/><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cariri concentra alguns dos maiores rebanhos<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Monteiro aparece entre os principais munic\u00edpios paraibanos na cria\u00e7\u00e3o de caprinos, com aproximadamente 40,1 mil animais. Sum\u00e9 tinha cerca de 31,6 mil, S\u00e3o Jo\u00e3o do Tigre 30,4 mil e Serra Branca aproximadamente 30,1 mil. Os quatro munic\u00edpios est\u00e3o no Cariri.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nessa regi\u00e3o que, no in\u00edcio dos anos 2000, come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a uma articula\u00e7\u00e3o destinada a transformar uma atividade marcada pela informalidade e pela baixa organiza\u00e7\u00e3o comercial. Madalena Arruda, do Sebrae-PB em Monteiro, acompanhou parte dessa transforma\u00e7\u00e3o: \u201cQuando o Sebrae\/PB iniciou as articula\u00e7\u00f5es do Pacto Novo Cariri no ano de 2000, a caprinocultura na regi\u00e3o era uma atividade estritamente informal e de subsist\u00eancia, marcada por rebanhos que nem gen\u00e9tica tinham, muito menos produtividade, e produtores atuando de forma isolada, sem perspectiva de mercado ou articula\u00e7\u00e3o regional. Diante desse cen\u00e1rio desorganizado e vulner\u00e1vel \u00e0 seca, o primeiro grande problema a ser resolvido foi a falta de um mercado consumidor estruturado e a aus\u00eancia de escoamento para o leite de cabra.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ela, a estrat\u00e9gia inicial focou em organizar os criadores em associa\u00e7\u00f5es e cooperativas, articular a inclus\u00e3o do produto em programas governamentais de compra e viabilizar usinas locais de beneficiamento. Essa garantia de renda deu seguran\u00e7a aos produtores para adotar capacita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, manejo sanit\u00e1rio e melhoramento gen\u00e9tico, transformando uma atividade secund\u00e1ria no maior polo de caprinocultura leiteira do Brasil, resultado que ela credita \u00e0 \u201cjun\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os de uma governan\u00e7a unida, sociedade civil, institui\u00e7\u00f5es e governos\u201d: o PNC.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De rebanho sem ra\u00e7a a matrizes de alta linhagem<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transforma\u00e7\u00e3o do Pacto Novo Cariri foi simult\u00e2nea, do campo \u00e0 agroind\u00fastria, como resume Madalena Arruda: \u201cO Pacto Novo Cariri promoveu uma transforma\u00e7\u00e3o profunda e integrada na cadeia da caprinocultura leiteira, atuando de forma simult\u00e2nea do campo \u00e0 agroind\u00fastria. Na organiza\u00e7\u00e3o dos produtores, o antigo isolamento deu lugar a associa\u00e7\u00f5es e cooperativas fortalecidas, permitindo a instala\u00e7\u00e3o de tanques comunit\u00e1rios de resfriamento, compras coletivas de insumos e o estabelecimento de uma governan\u00e7a territorial integrada. No \u00e2mbito da gen\u00e9tica, o rebanho predominantemente sem ra\u00e7a definida foi substitu\u00eddo por matrizes e reprodutores de alta linhagem leiteira, como Saanen e Toggenburg, com a introdu\u00e7\u00e3o de biot\u00e9cnicas acess\u00edveis, incluindo a insemina\u00e7\u00e3o artificial e a transfer\u00eancia de embri\u00f5es para pequenos criadores.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parcerias com Sebrae, Embrapa, Senar, Funda\u00e7\u00e3o BB, o Governo do Estado e a Apacco difundiram boas pr\u00e1ticas de <strong>manejo sanit\u00e1rio<\/strong> e produ\u00e7\u00e3o de reservas alimentares, como palma forrageira adensada e silagem, estabilizando a produ\u00e7\u00e3o mesmo em per\u00edodos severos de seca. No beneficiamento, a regi\u00e3o deixou de ser apenas fornecedora de mat\u00e9ria-prima para abrigar usinas pr\u00f3prias, capazes de produzir derivados de alto valor, como <a href=\"https:\/\/www.milkpoint.com.br\/noticias-e-mercado\/giro-noticias\/o-mofo-da-paraiba-que-virou-ouro-internacional-241505\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>queijos finos<\/strong><\/a> e iogurtes, al\u00e9m de aproveitar subprodutos no curtume e no artesanato em couro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o pertence a uma \u00fanica institui\u00e7\u00e3o: o Pacto Novo Cariri reuniu produtores, associa\u00e7\u00f5es, <strong>cooperativas<\/strong>, munic\u00edpios, governos estadual e federal e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, capacita\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia t\u00e9cnica e financiamento. J\u00e1 em 2001, o Projeto Cooperar mantinha conv\u00eanios com associa\u00e7\u00f5es de ovinocaprinocultores para implanta\u00e7\u00e3o de unidades industriais em localidades como Monteiro, Prata e Cabaceiras. O Sebrae-PB atuou como articulador, mas a transforma\u00e7\u00e3o da cadeia ocorreu a muitas m\u00e3os.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.milkpoint.com.br\/img\/artigo\/conteudo\/125482\/\" alt=\"Para\u00edba: a estrat\u00e9gia do sert\u00e3o do Cariri para liderar o leite de cabra no Brasil\" \/><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Foto: Para\u00edba <\/em>Usinense<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em quase duas d\u00e9cadas, produ\u00e7\u00e3o saltou de meio milh\u00e3o de litros por m\u00eas para 55 mil por dia<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um retrato de como a cadeia era organizada no in\u00edcio da trajet\u00f3ria aparece em um estudo publicado pela MilkPoint em 2011, conduzido pelo pesquisador Bonif\u00e1cio Benicio de Souza, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e colegas. Com base em dados do IBGE de 2007, o levantamento j\u00e1 apontava a Para\u00edba como maior produtora de leite de cabra do pa\u00eds, mas com uma produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de meio milh\u00e3o de litros por m\u00eas, o equivalente a cerca de 16,4 mil litros por dia, reunindo criadores agregados em 22 associa\u00e7\u00f5es rurais do Cariri.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio estudo de 2011 mapeou 17 unidades de beneficiamento e\/ou recebimento de leite de cabra e entrevistou 540 produtores espalhados por 17 munic\u00edpios dos Cariris ocidental e oriental, regi\u00e3o que re\u00fane ao todo 29 munic\u00edpios. J\u00e1 naquele momento, os pesquisadores alertavam para desafios que a cadeia viria a enfrentar nos anos seguintes: baixa ado\u00e7\u00e3o de tecnologias, manejo inadequado dos animais e fragmenta\u00e7\u00e3o das propriedades rurais pela divis\u00e3o de terras entre herdeiros, fatores que poderiam inviabilizar o sistema de produ\u00e7\u00e3o caso n\u00e3o houvesse investimento em tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compara\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros atuais ajuda a dimensionar o salto dado pela cadeia: dos cerca de 16,4 mil litros di\u00e1rios estimados a partir da produ\u00e7\u00e3o mensal de 2007, a Para\u00edba hoje soma entre 40 mil e 55 mil litros de leite de cabra por dia, segundo o Governo do Estado, um crescimento superior a 150% em quase duas d\u00e9cadas, per\u00edodo em que o n\u00famero de unidades de beneficiamento certificadas se reduziu, mas ganhou escala e organiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Madalena, essa \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o central por tr\u00e1s da lideran\u00e7a paraibana mesmo com um rebanho menor que o de Bahia, Pernambuco, Piau\u00ed e Cear\u00e1: \u201c\u00c9 o reflexo direto do modelo de desenvolvimento constru\u00eddo no Cariri, que promoveu uma profunda virada de chave ao trocar a cria\u00e7\u00e3o extensiva focada em quantidade de animais pela efici\u00eancia e produtividade baseadas em tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o. Essa transforma\u00e7\u00e3o substituiu o manejo tradicional de baixa produtividade por um trabalho cont\u00ednuo de melhoramento gen\u00e9tico e nutri\u00e7\u00e3o adaptada, elevando o rendimento por matriz de menos de meio litro di\u00e1rio para m\u00e9dias de 2 a 4 litros por animal selecionado.\u201d Com a concentra\u00e7\u00e3o de matrizes produtivas e apoio tecnol\u00f3gico, o Cariri passou a responder por mais de 80% da capta\u00e7\u00e3o de leite de cabra de todo o estado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Compra p\u00fablica ajudou a construir o primeiro mercado<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos pilares dessa trajet\u00f3ria foi o programa de aquisi\u00e7\u00e3o de leite. Documentos oficiais do Governo da Para\u00edba mostram que o programa compra leite bovino e caprino da agricultura familiar para beneficiamento e distribui\u00e7\u00e3o, conectando pol\u00edtica de seguran\u00e7a alimentar e gera\u00e7\u00e3o de renda no campo. \u201cS\u00e3o aproximadamente 1.200 produtores de leite de cabra com uma produ\u00e7\u00e3o superior a 30 mil litros dia apenas para o mercado institucional do PAA Leite do Governo Federal em parceria com o Governo do Estado. Aproximadamente 10% dessa produ\u00e7\u00e3o de leite de cabra s\u00e3o transformados em derivados, a exemplo de iogurtes, queijos e doces, onde parte vai para o PNAE e para o mercado privado, que vem avan\u00e7ando lentamente devido a quest\u00f5es culturais e \u00e0 concorr\u00eancia natural e direta do leite de vaca.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, mesmo com as dificuldades impostas pelo mercado institucional, que limita cada produtor a fornecer ao PAA Leite uma quantidade de litros equivalente a R$ 30 mil por ano, e com uma atua\u00e7\u00e3o ainda discreta no mercado privado: \u201cEssa atividade tem feito a diferen\u00e7a para toda cadeia produtiva, gerando riqueza em todo o territ\u00f3rio do Cariri paraibano, tornando-se uma atividade com resultados econ\u00f4micos e sociais diferenciados.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado institucional foi fundamental para garantir escoamento, principalmente durante a fase de estrutura\u00e7\u00e3o da atividade. A partir dessa base, algumas cooperativas passaram a procurar outros compradores e investir em produtos de maior valor. Queijos, iogurtes, doces e leite embalado come\u00e7aram a ampliar a presen\u00e7a da caprinocultura para al\u00e9m da venda do leite l\u00edquido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sete unidades certificadas movimentam cerca de 30 mil litros por dia, s\u00f3 de leite de cabra<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rubens Rem\u00edgio, da Capribom, cooperativa fundada em Monteiro, confirma que os aproximadamente 30 mil litros di\u00e1rios s\u00e3o exclusivamente de leite de cabra produzido no territ\u00f3rio do Cariri, captados por sete Unidades de Beneficiamento de Leite (UBLs) certificadas na regi\u00e3o. O n\u00famero n\u00e3o deve ser confundido com o volume de leite bovino tamb\u00e9m movimentado pelas cooperativas locais, atividade paralela que precisa ficar fora dessa compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Capribom responde por cerca de 6 mil litros di\u00e1rios de leite de cabra dentro desse total. Outras unidades e localidades citadas somam volumes menores: Amparo, cerca de 2 mil litros por dia; Prata, quase 3 mil; e Cabaceiras, cerca de 5 mil litros di\u00e1rios. A rela\u00e7\u00e3o completa das sete UBLs, com nome, munic\u00edpio e volume contratado de cada uma, ainda est\u00e1 em processo de confirma\u00e7\u00e3o pela reportagem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a estimativa apresentada pela fonte, aproximadamente 10% do volume formal da cadeia, algo como 3 mil litros di\u00e1rios, seria destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de derivados e ao mercado privado, percentual baseado principalmente no desempenho observado na pr\u00f3pria Capribom e que ainda precisa ser consolidado junto \u00e0s demais unidades.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A produ\u00e7\u00e3o real pode ser um quarto maior do que os n\u00fameros formais<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rubens Rem\u00edgio estima que a produ\u00e7\u00e3o efetiva do territ\u00f3rio possa ser ainda maior do que os 30 mil litros formalmente captados pelas sete UBLs. Quando s\u00e3o considerados volumes destinados a queijarias artesanais e outros circuitos que n\u00e3o entram integralmente na contabiliza\u00e7\u00e3o formal, a produ\u00e7\u00e3o poderia se aproximar de 40 mil litros por dia. Esse n\u00famero \u00e9 uma estimativa da fonte e ainda precisa ser confrontado com dados do Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Municipal, do Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Estadual e do cadastro de queijarias artesanais, entre outras bases.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso a estimativa se confirme, cerca de 10 mil litros di\u00e1rios, ou aproximadamente 25% da produ\u00e7\u00e3o estimada do territ\u00f3rio, estariam fora do fluxo formal das sete UBLs, circulando por queijarias artesanais certificadas ou ainda n\u00e3o certificadas. O dado sugere que a Para\u00edba pode produzir mais leite de cabra do que aparece nas estat\u00edsticas formais, com parte relevante da produ\u00e7\u00e3o sendo transformada e comercializada por pequenos estabelecimentos artesanais, uma for\u00e7a ainda pouco medida pelas estat\u00edsticas oficiais da cadeia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Capribom liderou a transi\u00e7\u00e3o do PAA-Leite para o varejo privado<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Madalena Arruda, as compras p\u00fablicas e o Programa do Leite foram a espinha dorsal que deu escala inicial \u00e0 caprinocultura no Cariri, e o caso da Capribom resume bem essa trajet\u00f3ria: \u201cessa cooperativa exemplifica com perfei\u00e7\u00e3o essa trajet\u00f3ria de amadurecimento. Fundada em Monteiro, a cooperativa nasceu em um cen\u00e1rio onde a comercializa\u00e7\u00e3o informal inviabilizava o setor, encontrando no Programa do Leite a garantia de liquidez necess\u00e1ria para pagar o pequeno produtor, instalar tanques de resfriamento, profissionalizar sua f\u00e1brica e padronizar o controle sanit\u00e1rio dos cooperados. No entanto, ciente dos riscos de caixa, a Capribom liderou a transi\u00e7\u00e3o rumo ao varejo privado, investindo em marcas pr\u00f3prias e derivados de maior valor agregado, como queijos finos, iogurtes e leite embalado para g\u00f4ndolas de grandes supermercados.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de uma d\u00e9cada depois, a cadeia vive uma din\u00e2mica h\u00edbrida: o Programa do Leite ainda garante um pre\u00e7o-piso para pequenos criadores de subsist\u00eancia, enquanto cooperativas estruturadas j\u00e1 alcan\u00e7aram autonomia comercial, mostrando como as compras p\u00fablicas funcionaram como alavanca hist\u00f3rica para um polo agroindustrial mais maduro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista, o secret\u00e1rio estadual de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, J\u00fanior N\u00f3brega, atribuiu o resultado \u00e0 persist\u00eancia do produtor rural paraibano: \u201ca gente sempre deseja resist\u00eancia, da persist\u00eancia do nosso produtor, o nosso agropecuarista, o nosso criador de cabra. Ele com certeza merece palmas para que a Para\u00edba tenha tamanha e gigantesca produ\u00e7\u00e3o de leite, que nos maiores produtores da Am\u00e9rica, hoje produz pr\u00f3ximo dos seus 55 mil litros de leite ao dia. Isso \u00e9 muito importante, est\u00e1 gerando riqueza, est\u00e1 gerando renda, est\u00e1 gerando dignidade, notadamente, no Cariri.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o secret\u00e1rio, a atividade j\u00e1 deixou de ser exclusividade do Cariri e hoje atrai de volta fam\u00edlias que haviam migrado para S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro em busca de trabalho: ele fala em dezenas, \u201cchegando a centenas\u201d, de relatos de pessoas que retornaram \u00e0s cidades do Cariri justamente para produzir e explorar a cria\u00e7\u00e3o de leite de cabra.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o estadual pode chegar a 55 mil litros por dia, e cresce 10% ao ano<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dimens\u00e3o muda novamente quando o recorte deixa o Cariri e passa para toda a Para\u00edba. Segundo J\u00fanior N\u00f3brega, a produ\u00e7\u00e3o estadual gira hoje em torno de 55 mil litros de leite-dia, com varia\u00e7\u00e3o entre 40 e 55 mil, e essa varia\u00e7\u00e3o menor vem aumentando cerca de 10% ao ano: se o ritmo se mantiver, a estimativa \u00e9 de que o piso suba para cerca de 44 mil litros no pr\u00f3ximo ano, caminhando para 70 mil. Esse acompanhamento \u00e9 feito por uma planilha que a Secretaria mant\u00e9m h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O secret\u00e1rio afirmou que a Para\u00edba tem hoje entre 3.800 e 4 mil produtores ligados diretamente \u00e0 atividade leiteira caprina, num rebanho total de cerca de 700 mil animais, dos quais 150 mil na atividade leiteira, com produtividade m\u00e9dia de 2,8 litros por animal, universo diferente dos 1.200 produtores citados por Rubens Rem\u00edgio no recorte do Cariri. Cariri e Curimata\u00fa possuem atualmente nove plantas que beneficiam leite de cabra, algumas trabalhando tamb\u00e9m com leite bovino.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Capribom paga mais em folha do que a prefeitura de Monteiro<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para dimensionar o peso econ\u00f4mico da atividade nas pequenas cidades do Cariri, J\u00fanior N\u00f3brega citou o caso da Capribom: \u201ca\u00a0Capribom hoje tem uma folha de pagamento, e quando a gente fala folha de pagamento \u00e9 o produtor rural, onde ultrapassa em 1,4 vezes o valor da folha de pagamento da prefeitura. N\u00f3s sabemos que, nas pequenas cidades, o grande fomentador, o grande distribuidor de renda, s\u00e3o as prefeituras.\u201d Segundo ele, Monteiro j\u00e1 produz em m\u00e9dia de 6 a 7 mil litros de leite-dia de caprinos, somados ao leite bovino que tamb\u00e9m vem ganhando espa\u00e7o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para\u00edba bate recorde mundial de produ\u00e7\u00e3o em exposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produtividade paraibana tamb\u00e9m aparece em recordes pontuais que o secret\u00e1rio faz quest\u00e3o de destacar: \u201cm\u00eas passado, n\u00e3o diferente dos outros anos anteriores, na Prata teve uma exposi\u00e7\u00e3o onde, mais uma vez, a Para\u00edba bateu o recorde mundial de produ\u00e7\u00e3o \u00fanica de uma cabra, que produziu pr\u00f3ximo dos seus 18 litros de leite em duas ordenhas.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, o resultado se repete: no ano anterior, uma cabra j\u00e1 havia produzido mais de 18 litros por dia, e dois anos atr\u00e1s, mais de 15 litros. Em um torneio leiteiro, um grupo de 48 cabras somou mais de 600 litros de leite em um \u00fanico dia, a maioria delas oriunda de programas de melhoramento gen\u00e9tico do Cariri, que j\u00e1 alcan\u00e7aram cerca de 50 mil f\u00eameas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Produtividade quadruplicou desde o in\u00edcio do programa<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para J\u00fanior N\u00f3brega, a for\u00e7a da atividade est\u00e1 ligada \u00e0 combina\u00e7\u00e3o entre adapta\u00e7\u00e3o do animal ao Semi\u00e1rido, persist\u00eancia dos produtores, pol\u00edticas p\u00fablicas e melhoramento gen\u00e9tico. Segundo ele, no in\u00edcio do programa a m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o por animal era de 0,8 litro; hoje, essa m\u00e9dia j\u00e1 \u00e9 quatro vezes maior. O dado merece uma distin\u00e7\u00e3o importante: ele n\u00e3o significa que todos os caprinos existentes na Para\u00edba produzam esse volume diariamente. A produtividade se refere aos animais inseridos na atividade leiteira e acompanhados dentro dos sistemas produtivos considerados pela Secretaria.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Para\u00edba trabalha hoje com nove ra\u00e7as leiteiras, mas uma delas ganhou destaque recente nos planos do governo estadual: a Murciana Granadina. Segundo J\u00fanior N\u00f3brega, a ra\u00e7a se sobressai na produ\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos, o que a torna mais adequada \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de leite em p\u00f3 e derivados: \u201cQuando a gente fala em s\u00f3lidos, [a Murciana Granadina] consegue fazer 7% a 1. Isso \u00e9 muito importante, n\u00e3o tirando o m\u00e9rito das outras ra\u00e7as, principalmente da Saanen, que faz 9,5% a 10% a 1.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Saanen segue como a ra\u00e7a mais utilizada no mundo para produ\u00e7\u00e3o de leite fluido, mas o secret\u00e1rio aposta na Murciana Granadina para a nova fase de industrializa\u00e7\u00e3o, citando a semelhan\u00e7a clim\u00e1tica entre o Cariri e as regi\u00f5es espanholas de M\u00farcia e Granada, onde a ra\u00e7a \u00e9 tradicionalmente criada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leite em p\u00f3 pode abrir nova fase: \u201cera um sonho, agora \u00e9 realidade\u201d<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra mudan\u00e7a come\u00e7a a aparecer no beneficiamento. J\u00fanior N\u00f3brega confirmou que duas plantas, uma no Cariri e outra no Curimata\u00fa, avan\u00e7am na estrutura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de leite de cabra em p\u00f3: \u201cera um sonho, era uma expectativa, e agora \u00e9 uma realidade.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, a nova estrutura deve reduzir a depend\u00eancia de um mercado que hoje oscila entre 30% e 35% de um per\u00edodo para o outro, o que j\u00e1 dificultava o cumprimento de compromissos do pr\u00f3prio programa estadual de aquisi\u00e7\u00e3o. Com a nova usina, a expectativa \u00e9 maximizar a produ\u00e7\u00e3o, reduzir o peso da log\u00edstica, considerada cara hoje, e criar um estoque regulador capaz de atender n\u00e3o s\u00f3 o mercado institucional, mas tamb\u00e9m queijeiros e queijeiras, al\u00e9m de abrir espa\u00e7o para pensar em exporta\u00e7\u00e3o, seja para outros estados, seja para fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para\u00edba come\u00e7a a mirar valor al\u00e9m do litro<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento indica uma mudan\u00e7a importante na cadeia. Durante anos, o principal desafio foi garantir que o produtor tivesse comprador para o leite. Depois vieram organiza\u00e7\u00e3o, resfriamento, beneficiamento, assist\u00eancia t\u00e9cnica e gen\u00e9tica. Agora, uma parte da cadeia come\u00e7a a discutir outro problema: como ganhar mais dinheiro com cada litro produzido. Queijos, iogurtes, doces, leite em p\u00f3 e outros derivados podem ampliar o valor capturado dentro da pr\u00f3pria Para\u00edba.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado institucional continua importante. O III Plano Estadual de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional mant\u00e9m metas de fortalecimento da agroindustrializa\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o de agricultores familiares em programas de compras p\u00fablicas at\u00e9 2027. Mas a expans\u00e3o para o mercado privado ser\u00e1 necess\u00e1ria se a produ\u00e7\u00e3o continuar crescendo. \u201cQuantidade e produtividade s\u00e3o inversamente proporcionais\u201d, diz secret\u00e1rio<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionado se a estrat\u00e9gia da Para\u00edba \u00e9 recuperar posi\u00e7\u00f5es no ranking nacional de rebanhos ou apostar em produtividade e valor agregado, J\u00fanior N\u00f3brega n\u00e3o colocou as duas frentes como excludentes: \u201cN\u00f3s sabemos que produ\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de produtividade, que quantidade \u00e9 diferente de qualidade. A gente costuma dizer que quantidade e produtividade de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o inversamente proporcionais: quanto mais qualidade n\u00f3s tivermos, a gente tem menos produ\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O secret\u00e1rio citou o exemplo internacional para ilustrar o dilema: segundo ele, a \u00cdndia \u00e9 hoje a maior produtora mundial de leite de cabra em volume, \u00e0 frente do Brasil, mas com produtividade baixa por conta do grande n\u00famero de animais de baixa especializa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Fran\u00e7a lidera em produtividade por animal, com m\u00e9dias de 5,5 a 5,6 litros por cabe\u00e7a, gra\u00e7as a uma gen\u00e9tica fortemente voltada para a produ\u00e7\u00e3o leiteira. \u201cAqui na Para\u00edba n\u00f3s temos dois eixos que vamos trabalhar: tanto a produ\u00e7\u00e3o de leite, que exige um animal mais especializado, quanto, n\u00f3s precisamos tamb\u00e9m, de um grande n\u00famero de animais para atender a outro mercado que a gente quer, que \u00e9 o mercado de carne.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cadeia leiteira exigir\u00e1 animais cada vez mais especializados, enquanto a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de carne caprina e ovina demanda outro perfil de gen\u00e9tica e maior disponibilidade de animais. A resposta ajuda a colocar os n\u00fameros do in\u00edcio desta reportagem em perspectiva: a Para\u00edba ainda tem muito menos caprinos que Bahia, Pernambuco e Cear\u00e1, mas a estrat\u00e9gia constru\u00edda no estado ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas mostra que o tamanho do rebanho deixou de ser a \u00fanica medida poss\u00edvel para avaliar a for\u00e7a da atividade. A pr\u00f3xima fronteira est\u00e1 naquilo que cada animal consegue gerar em leite, carne, derivados, renda e atividade econ\u00f4mica dentro do territ\u00f3rio paraibano.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Com Para\u00edba Business<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com rebanho menor que Bahia, Pernambuco e Piau\u00ed, estado aposta em gen\u00e9tica, tecnologia no Cariri e agroindustrializa\u00e7\u00e3o para liderar a produ\u00e7\u00e3o de leite de cabra no pa\u00eds. A Bahia possu\u00eda aproximadamente 4,2 milh\u00f5es de caprinos em 2024. Pernambuco tinha cerca de 3,4 milh\u00f5es e o Cear\u00e1, 1,14 milh\u00e3o. Juntos, os tr\u00eas estados reuniam aproximadamente 8,7 milh\u00f5es de animais. Na Para\u00edba eram cerca de 849 mil. Os n\u00fameros da Pesquisa da Pecu\u00e1ria Municipal do IBGE colocam o estado tamb\u00e9m atr\u00e1s do Piau\u00ed, com pouco mais de 2 milh\u00f5es de animais. A Para\u00edba ocupa, portanto, a quinta posi\u00e7\u00e3o nacional quando a compara\u00e7\u00e3o considera o tamanho do rebanho caprino. A diferen\u00e7a \u00e9 grande: Bahia, Pernambuco e Cear\u00e1 possuem juntos mais de dez vezes o plantel paraibano. Mas contar cabe\u00e7as revela apenas uma parte da hist\u00f3ria. No interior da Para\u00edba, principalmente no Cariri, foi constru\u00edda ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas uma estrutura voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite que re\u00fane pequenos produtores, associa\u00e7\u00f5es, cooperativas, compras p\u00fablicas, assist\u00eancia t\u00e9cnica, gen\u00e9tica, beneficiamento e agroind\u00fastria. \u00c9 nessa segunda camada que o peso econ\u00f4mico da caprinocultura paraibana come\u00e7a a aparecer. Cariri concentra alguns dos maiores rebanhos Monteiro aparece entre os principais munic\u00edpios paraibanos na cria\u00e7\u00e3o de caprinos, com aproximadamente 40,1 mil animais. Sum\u00e9 tinha cerca de 31,6 mil, S\u00e3o Jo\u00e3o do Tigre 30,4 mil e Serra Branca aproximadamente 30,1 mil. Os quatro munic\u00edpios est\u00e3o no Cariri. Foi nessa regi\u00e3o que, no in\u00edcio dos anos 2000, come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a uma articula\u00e7\u00e3o destinada a transformar uma atividade marcada pela informalidade e pela baixa organiza\u00e7\u00e3o comercial. Madalena Arruda, do Sebrae-PB em Monteiro, acompanhou parte dessa transforma\u00e7\u00e3o: \u201cQuando o Sebrae\/PB iniciou as articula\u00e7\u00f5es do Pacto Novo Cariri no ano de 2000, a caprinocultura na regi\u00e3o era uma atividade estritamente informal e de subsist\u00eancia, marcada por rebanhos que nem gen\u00e9tica tinham, muito menos produtividade, e produtores atuando de forma isolada, sem perspectiva de mercado ou articula\u00e7\u00e3o regional. Diante desse cen\u00e1rio desorganizado e vulner\u00e1vel \u00e0 seca, o primeiro grande problema a ser resolvido foi a falta de um mercado consumidor estruturado e a aus\u00eancia de escoamento para o leite de cabra.\u201d Segundo ela, a estrat\u00e9gia inicial focou em organizar os criadores em associa\u00e7\u00f5es e cooperativas, articular a inclus\u00e3o do produto em programas governamentais de compra e viabilizar usinas locais de beneficiamento. Essa garantia de renda deu seguran\u00e7a aos produtores para adotar capacita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, manejo sanit\u00e1rio e melhoramento gen\u00e9tico, transformando uma atividade secund\u00e1ria no maior polo de caprinocultura leiteira do Brasil, resultado que ela credita \u00e0 \u201cjun\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os de uma governan\u00e7a unida, sociedade civil, institui\u00e7\u00f5es e governos\u201d: o PNC. De rebanho sem ra\u00e7a a matrizes de alta linhagem A transforma\u00e7\u00e3o do Pacto Novo Cariri foi simult\u00e2nea, do campo \u00e0 agroind\u00fastria, como resume Madalena Arruda: \u201cO Pacto Novo Cariri promoveu uma transforma\u00e7\u00e3o profunda e integrada na cadeia da caprinocultura leiteira, atuando de forma simult\u00e2nea do campo \u00e0 agroind\u00fastria. Na organiza\u00e7\u00e3o dos produtores, o antigo isolamento deu lugar a associa\u00e7\u00f5es e cooperativas fortalecidas, permitindo a instala\u00e7\u00e3o de tanques comunit\u00e1rios de resfriamento, compras coletivas de insumos e o estabelecimento de uma governan\u00e7a territorial integrada. No \u00e2mbito da gen\u00e9tica, o rebanho predominantemente sem ra\u00e7a definida foi substitu\u00eddo por matrizes e reprodutores de alta linhagem leiteira, como Saanen e Toggenburg, com a introdu\u00e7\u00e3o de biot\u00e9cnicas acess\u00edveis, incluindo a insemina\u00e7\u00e3o artificial e a transfer\u00eancia de embri\u00f5es para pequenos criadores.\u201d Parcerias com Sebrae, Embrapa, Senar, Funda\u00e7\u00e3o BB, o Governo do Estado e a Apacco difundiram boas pr\u00e1ticas de manejo sanit\u00e1rio e produ\u00e7\u00e3o de reservas alimentares, como palma forrageira adensada e silagem, estabilizando a produ\u00e7\u00e3o mesmo em per\u00edodos severos de seca. No beneficiamento, a regi\u00e3o deixou de ser apenas fornecedora de mat\u00e9ria-prima para abrigar usinas pr\u00f3prias, capazes de produzir derivados de alto valor, como queijos finos e iogurtes, al\u00e9m de aproveitar subprodutos no curtume e no artesanato em couro. Essa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o pertence a uma \u00fanica institui\u00e7\u00e3o: o Pacto Novo Cariri reuniu produtores, associa\u00e7\u00f5es, cooperativas, munic\u00edpios, governos estadual e federal e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, capacita\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia t\u00e9cnica e financiamento. J\u00e1 em 2001, o Projeto Cooperar mantinha conv\u00eanios com associa\u00e7\u00f5es de ovinocaprinocultores para implanta\u00e7\u00e3o de unidades industriais em localidades como Monteiro, Prata e Cabaceiras. O Sebrae-PB atuou como articulador, mas a transforma\u00e7\u00e3o da cadeia ocorreu a muitas m\u00e3os. Foto: Para\u00edba Usinense Em quase duas d\u00e9cadas, produ\u00e7\u00e3o saltou de meio milh\u00e3o de litros por m\u00eas para 55 mil por dia Um retrato de como a cadeia era organizada no in\u00edcio da trajet\u00f3ria aparece em um estudo publicado pela MilkPoint em 2011, conduzido pelo pesquisador Bonif\u00e1cio Benicio de Souza, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e colegas. Com base em dados do IBGE de 2007, o levantamento j\u00e1 apontava a Para\u00edba como maior produtora de leite de cabra do pa\u00eds, mas com uma produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de meio milh\u00e3o de litros por m\u00eas, o equivalente a cerca de 16,4 mil litros por dia, reunindo criadores agregados em 22 associa\u00e7\u00f5es rurais do Cariri. O pr\u00f3prio estudo de 2011 mapeou 17 unidades de beneficiamento e\/ou recebimento de leite de cabra e entrevistou 540 produtores espalhados por 17 munic\u00edpios dos Cariris ocidental e oriental, regi\u00e3o que re\u00fane ao todo 29 munic\u00edpios. J\u00e1 naquele momento, os pesquisadores alertavam para desafios que a cadeia viria a enfrentar nos anos seguintes: baixa ado\u00e7\u00e3o de tecnologias, manejo inadequado dos animais e fragmenta\u00e7\u00e3o das propriedades rurais pela divis\u00e3o de terras entre herdeiros, fatores que poderiam inviabilizar o sistema de produ\u00e7\u00e3o caso n\u00e3o houvesse investimento em tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o. A compara\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros atuais ajuda a dimensionar o salto dado pela cadeia: dos cerca de 16,4 mil litros di\u00e1rios estimados a partir da produ\u00e7\u00e3o mensal de 2007, a Para\u00edba hoje soma entre 40 mil e 55 mil litros de leite de cabra por dia, segundo o Governo do Estado, um crescimento superior a 150% em quase duas d\u00e9cadas, per\u00edodo em que o n\u00famero de unidades de beneficiamento certificadas se reduziu, mas ganhou escala e organiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Para Madalena, essa \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o central por tr\u00e1s da lideran\u00e7a paraibana mesmo com um rebanho menor que o de Bahia, Pernambuco, Piau\u00ed e<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":326265,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-326264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cariri"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=326264"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":326266,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326264\/revisions\/326266"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/326265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=326264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=326264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=326264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}